sábado, 6 de agosto de 2011

Admirável filho novo

Uma coisa que sempre admirei no meu filho mais velho foi a sensatez. Uma característica que já veio com ele. Além disso ele tem uma alegria que transcende e cativa a todos que estão à sua volta. Desde muito, sempre muito prestativo, educado e bem humorado. Nunca o vi guardar um ressentimento sequer.

Nem queiram imaginar a turbulência que foi quando descobri que seria pai aos dezoito anos. Eu nem sabia direito o que era ser pai na verdade. E quando tem que ser, sempre é. E foi!

Este garoto (que nesta foto me presentou com mais uma filha, sua esposa) mudou completamente a minha vida. Através dele fiz a transição de jovem à adulto. Assim, num piscar de olhos! Eu era um menino no dia 14 de julho. Amanheci um homem, no dia 15 de julho de 1988. E pai dele!


Aos poucos fui me acostumando a nova situação e fui aprendendo que ser pai é mesmo um barato. Ele cresceu e se tornou um homem. Como eu. Ainda não é pai. E eu ainda não sou avô. E ele, junto com ela, estão formando uma família muito querida. A família deles. Um pedaço da nossa família.


Ele continua querido. Mais responsável. Mais amigo. Do seu jeito, ou melhor, do jeito deles, vão escrevendo uma história muito cheia de amor, respeito e bom humor.


Eu aqui tenho muito orgulho de ser pai dele. De ter um pedaço meu, nele. Talvez seja impressão, mas vejo muito de mim no meu querido filho mais velho. Vejo nele muito de mim de quando tinha vinte e três anos. Me reconheço em seus atos, em seu jeito de ser. Enfim,  é a vida que se renova.


E ser pai é justamente isso. Vida renovada.


"Comporta-te com teus pais como pretendes que teus filhos se comportem contigo."
Giacomo Leopardi

CARPE DIEM




sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A chegada em grande estilo

O meu caçula, hoje com quase sete anos, chegou em grande estilo. Eu, mais que satisfeito com meus três filhos, decidia junto com minha querida (que não tinha nenhum filho ainda) termos um filho em comum. Embora eu já fosse pai, não seria justo negar o direito de ela ser mãe. E vamos combinar, é uma super experiência!

E assim programamos e tivemos essa figura aí do lado. Eu que fui pai novo, me tornava pai mais uma vez, numa idade digamos, um pouco mais normal, para os dias de hoje. Aos trinta e quatro anos. E ele chegou chegando! Ligado na tomada. Bem humorado. Comédia pura.

Foi um grande acerto. Ter um filho sempre é um acerto. Acreditem. Mesmo que ele chegue sem programação. Na verdade tudo é programado. Nós é que não sabemos. Afinal, acreditamos que só pode acontecer aquilo que está no nosso controle. A vida não é assim.

Ele adora música. Pode ter sido por influência do pai ou por instinto mesmo. O fato é que ele adora música. Faz aulas de violão e canto. Já gravou, junto com seu professor de música algumas coisas. Está evoluindo, a gente percebe. E ele é confiante e determinado. 

Aos cinco anos, no final do ano, ele subiu num palco sozinho, com seu violão, pra tocar "Bate o sino". Pensávamos que ele não daria conta do recado e até falamos pra ele que tudo bem. 

Que nada! Ele levanta do nosso lado assim que o professor dele o chama no palco e foi lá. Mandou bem. Todos os outros alunos e familiares adoraram a façanha dele. O menor de uma turma.

No fim das contas, iluminou a nossa casa, se tornou xodó das tias, dos avós e dos manos mais velhos. Faz com que nossos dias nunca caia numa rotina. Espirituoso, bem humorado, companheiro e muitas vezes, maduro. Esse é o nosso pequeno!

Acontecimentos como estes, seja um filho crescendo, realizando seus sonhos, aprendendo com a vida ou seja  um simples sorriso no meio de uma brincadeira é que tornam especiais a vida de um pai.

A verdade é que pouco importa se somos pais prematuros ou tardios. O que importa mesmo é o amor que temos por nossos filhos e o apoio familiar que recebemos, em ambas situações.

Aos pais jovens diria que não se desesperem. Os filhos crescem sim e por mais que pareça que vocês não são capazes, cuidem do pequeno juntos. Mesmo que não vivam juntos. Pai não abra mão deste momento, só por causa de uma balada. Mãe, permita que o pai acompanhe o pequeno crescer. Ninguém é obrigado a conviver com que não se ama. Mas é obrigado sim a respeitar o direito desta criança. E ela tem direito a um pai e uma mãe. Quando concebido não participou de nada. Veio apenas, por que dois quiseram... Sem saber, mas quiseram.

Aos pais destes pais jovens, além da bronca padrão, acusações e indignação de praxe deem também apoio. A criança virá ou já veio. Não há como voltar ao passado, mas há como garantir um presente especial para este pequeno ser. Por isso, ame seus filhos, para que ele aprenda a amar os filhos dele.


CARPE DIEM 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pai - Nascia um girassol

O dia 18 de dezembro do ano de 1990, foi um dia inesquecível. Aliás, foi uma madrugada inesquecível. Ela dava sinais que estava prontinha pra chegar e que chegaria há qualquer momento. Ansiosos, madrugada a dentro, mal dormimos. Os primeiros raios de sol anunciava que logo estaríamos os três juntos.

E no meio do dia, sol a pino, chega a tão esperada pessoinha. Nascia nosso girassol. 

Enquanto lá dentro todos se ocupavam dos preparativos e da própria chegada, um solitário agitado caminhava de um lado para o outro, querendo desesperadamente notícias.

E os segundos tornavam-se minutos; minutos tornavam-se horas; horas então, uma eternidade.

Qual não foi a explosão de alegria quando a notícia chegou até ele. Nasceu! Linda! (Claro que não restava dúvidas quanto a isso, naquele dia, naquela espera). E como sempre dizem as avós, "o importante é que venha com saúde". E veio. Bela e saudável.

Naquele dia, ele estava só e foi assim que ele tomou contato com ela pela primeira vez. Separados por um vidro, ela com suas roupas de menina, ele com sua cara de bobo. Pegá-la no colo foi algo indescritível.  Nascia ali um girassol, que iluminaria a vida de todos para sempre.

Talvez esse momento solitário, esse desejo de tê-la e vê-la bem, explica o cuidado com que cuida, rega, encaminha, direciona as pétalas do girassol, que um dia chegou e mudou pra sempre a sua vida.

Um pouco mais de vinte anos depois, ela está no seu esplendor. Correndo atrás dos dias. Responsabilidades. Futura jornalista? Bem... O tempo dirá! Deixemos isso com a vida. Para um pai, basta que ela seja filha!


"Um pai vale mais do que uma centena de mestres-escola" 
George Herbert
CARPE DIEM

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pai (a outra asa dos filhos)

"O acendedor de lampião"
Uma de minhas filhas faz balé há algum tempo já. Há quase cinco anos. Hoje ela tem doze. Quando ainda pequena ela falava em ser bailarina. Eu e a mãe dela adiamos por um ou dois anos esse sonho dela por que não tínhamos certeza. Até que sentimos que seu desejo era mesmo real. Nada como alimentar os sonhos dos filhos. Fato!

Hoje eu me recordo da emoção de vê-la no primeiro espetáculo da vida dela. Teatro cheio, vários bailarinos e coreografias. Ela pequenina ainda. Menina. Ler seu nome na programação do espetáculo foi inexplicável. Sim! Minha filha naquela noite se tornaria uma artista.

Ela faria parte da coreografia “Pirilampo”, dentro do espetáculo. Outras pequenas fizeram parte deste número. Os números de outras bailarinas se sucediam por alguns minutos que pareceram horas. Finalmente ao vê-la, meus olhos brilhavam marejados de uma lágrima especial. Aquela de realização. Vocês conhecem, não é mesmo?

Linda e graciosa. Séria e compenetrada nos seus passos e evolução. O número das pequenas transcorreu de forma perfeita. Ela estava lá, como outras pequenas filhas de tantos outros pais emocionados. O Teatro ao final do espetáculo aplaudiu de pé.

Em 2010, ela faz parte do espetáculo “O Pequeno Príncipe”. Emocionante. Agora, ela está mais acostumada com os palcos, com a rotina exaustiva de ensaios e com a disciplina que é necessária para ser uma bailarina. Está mudando de fase na academia. Provavelmente no próximo ano fará ponta e com certeza os desafios serão redobrados.

Ela tem outro sonho, acalentado há outros dois ou três anos. Quer ser jogadora de futebol. Ela simplesmente é fascinada por futebol. Conhece tudo sobre os campeonatos. Torce, vibra, reclama e eu, como pai, preciso segurar a onda dela um pouco, senão ela extrapola na torcida.

Este outro sonho nós começaremos a realizá-lo hoje. Talvez enquanto vocês estejam lendo esta postagem, estejamos lá, noutra Academia, agora a de Futebol, vendo nossa pequena (que não é mais tão pequena assim) dando mais um passo rumo a outro sonho. O mais legal é que ela começará a treinar no time do coração dela. Será ela, um dia, uma bailarina profissional? Ou uma jogadora profissional? Isso pouco importa, na verdade.

Seja como bailarina, seja como jogadora de futebol, o importante é que ela seja feliz e que corra sempre atrás dos seus sonhos.

Como diria Xangai, um cantor baiano, em música e letra de Maciel Melo, outro cantor nordestino, só que este é da Paraíba, sobre os voos dos filhos:

“Podem voar, que eu sou a outra asa de vocês.”

CARPE DIEM 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sou pai sim, com muito orgulho

Eu sou pai desde muito tempo. Aos dezesseis anos meus pais se separaram. Minha mãe resolveu voltar pra São Paulo. Minhas irmãs, uma com quatorze e a outra com cinco, vieram conosco, após a separação dos dois. Trabalhamos duro, eu e minha mãe, para mantermos a nossa casa. Aos dezoito anos, fui pai pela primeira vez. Aos vinte fui pai novamente. Momentos distintos. Hoje meu filho mais velho tem 23 anos e está casado. Minha segunda filha tem vinte anos. Na idade de ambos eu já tinha dois filhos.

Depois deles vieram mais dois. A terceira filha, que hoje tem doze anos e o quarto filho, que hoje tem seis anos. Amo meus filhos. Embora tudo tenha começado sem planejamento e tenha me custado um bom pedaço da minha juventude, eu amo o fato de ser pai. Eu nunca vi a paternidade como um fardo pesado e sim como uma experiência maravilhosa de compartilhar.

Quando meus filhos eram menores eu tinha alguns sonhos e pensava comigo, “vou ser amigo dos meus filhos, quando eles forem mais velhos.” Fazia contas. Era tão jovem. Sempre tentei ser um pai “gente boa”. Nunca bati nos meus filhos. Talvez até por trauma. Apanhei muito dos meus tios, um pouco dos meus avós e até dos meus pais. No nosso tempo, educava-se no puxão de orelha, no beliscão, nas surras de chinelo ou cinto. Quis ser um pai diferente e ainda hoje me incomoda ver um pai ou uma mãe dando safanões em seus filhos, no meio do shopping ou do supermercado. Sinceramente não sei se agi certo em valorizar apenas a conversa. Segui minhas crenças e instinto. Não me arrependo.

Tentei ser um pai moderno, que mais aproximava que afastava os filhos do meu cotidiano. Conversas no mesmo nível. Brincadeiras comuns. Convívio. Sou um pai separado, para os meus três primeiros filhos. Sou um pai presente para o meu último. Talvez isso tenha afetado um pouco na manutenção do meu sonho lá atrás.

A verdade é que os filhos seguem os seus caminhos e não combinamos os nossos sonhos com eles. Hoje, meus filhos mais velhos seguem suas vidas. O mais velho casado, até por conta da rotina de casado e a distância física é mais ausente do dia-a-dia. A segunda filha mais velha vive no mundo dela e embora esteja a poucos minutos de onde moro, nos vemos pouco ultimamente. E certamente ela não me vê como um amigo próximo. Me vê como um sabe-tudo, que dá conselhos pra quem não precisa. Engraçado que consigo ajudar pessoas estranhas, mas não tenho a mínima abertura pra ajudá-la. Mas isso não muda nada. Por que amamos os nossos filhos, estejam eles dentro ou fora de nossas expectativas idealizadas.
...
Ela é bem querida. Trabalha duro e atualmente tem estudado muito. Ando muito orgulhoso da mulher quem vem se tornando. Um pouco graças a educação e amor da mãe e creio que tenha uma boa dose minha também. No fundo talvez, ela sempre tenha me ouvido ou talvez sentido e intuitivamente seguindo um bom caminho. Inesquecível e emocionante lembrar o dia em que ela disse que queria sim, fazer sua faculdade. Que estava pronta. Eu estava lá. Foi bom e numa conversa como amigos, como eu sempre acreditei que seria a melhor maneira. Nem sempre funciona. Mas quando funciona, faz muito bem!

Hoje me pego rindo dessa situação toda. Por que com certeza, algo eu fiz de errado no meio do caminho. Tento não errar tanto com os dois mais novos. Não sei se conseguirei. Não mudei muito os meus métodos de educar, porém mudei a maneira de sonhar. Sou o pai que gostaria de ter tido. Talvez o erro esteja justamente aí. Talvez não seja o pai que meus filhos gostariam que eu fosse. Bem, sempre fiz o melhor que pude, segui  o meu coração e os amo intensamente. Sonho com eles. Vivo por eles.

Ah! Talvez pareça que penso que meus filhos não me amam. Eles me amam sim. Sinto isso. Verdadeiramente sinto isso. Apenas me amam diferente. Me amam do jeito deles.

E como diria Florbela Espanca:
“Ter um pai é ter na vida um luz por entre escolhos. É ter dois olhos no mundo que vêem pelos nossos olhos.”

CARPE DIEM

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Pais e fihos

Meus pais foram um pouco de tudo. Minha mãe trabalha muito desde o dia que me entendo por gente. Meu pai sempre foi o lado criativo do casal (ou seria da dupla?). Ambos do interior nordestino. Ele do Crato, no Ceará. Ela de Monteiro, na Paraíba. Ela, filha de sitiantes. Ele, filho de um violeiro repentista e uma exímia professora de língua portuguesa, também poetisa. Ela menina e cheia de sonhos. Ele quase dez anos mais velho que ela, com um casamento nas costas, alguns filhos e muita boemia na bagagem.

Viveram juntos por 20 anos e tiveram quatro filhos. Minha irmã mais velha, que partiu quando eu tinha apenas um ano de vida e ela três. Depois viria minha segunda irmã, dois anos mais nova e minha irmã caçula, onze anos mais nova que eu.

De todos os filhos, talvez eu seja o que mais tenha herdado características dos dois, de maneira mais equilibrada. Gosto do trabalho, da dedicação, da responsabilidade do dia-a-dia, como minha mãe e gosto da arte da poesia, do texto, dos sonhos, como o meu pai. A poesia corre no meu sangue, como corre nas veias dele, como correu no sangue dos pais dele. O gosto pelo trabalho, pela dedicação ao outro, reside em mim, como faz morada na alma de minha mãe e também nos meus avós, pais dela.

Meus pais foram de artistas mambembes a empresários bem sucedidos. De operários a líderes de um programa de rádio de grande audiência no sertão nordestino. Lembro que tinham um programa chamado “Eu, você e os astros”, onde falavam do cotidiano, faziam previsões astrológicas, aconselhamentos pessoais e claro um pouco de poesia. Meus pais eram queridos por seus ouvintes, viviam ganhando presentes dos agraciados por suas previsões e conselhos. Minha mãe tinha carisma e simplicidade. Meu pai tinha o domínio da palavra e a criatividade potencializada. Ambos formavam uma bela dupla. Ela o amava. Ele também. Só que do jeito dele.

Sempre fui fã da minha mãe. Fã incondicional. Até hoje me emociona sua história de vida. Fui seu companheiro de jornada desde que me lembro por gente. Minhas recordações mais remotas são lá dos meus 2 anos de idade. Lembro de sua luta. De suas lágrimas. Lembro do seu amor e de suas perdas. Chorei muito com ela. Chorei muito sozinho, sem ela, por amor a ela. Vivi perto e longe, quando fomos obrigados nos separar e tive que viver com meus avós, lá na Paraíba, enquanto eles faziam a vida em São Paulo.

Quando eu era menino, me encantava a arte do meu pai. Nossa casa cheia de violeiros repentistas, o improviso corria solto, rimas e versos fluíam. As cantorias. A elegância do meu pai. Sim. Ele era um sujeito elegante, de boa fala, seguro. Amigo e enquanto viveu conosco, um pai muito divertido. Se o trabalho duro de educar cabia a minha mãe. O convívio leve coube a ele. Jogávamos alguns jogos de tabuleiros o tempo todo. Brincávamos de rimas e fazíamos coisas simples. Ele chegava, às vezes de madrugada, de suas cantorias e fazia questão de nos acordar, para nos abraçar e beijar. Queria nos dizer que nos amava. Eu, embora caindo de sono, achava aquilo muito bonito da parte dele e acabava acordando e ficando um pouco ali, ouvindo suas histórias. Ele sempre me chamou de “nêgo veio”. E eu era apenas um menino. Ainda hoje ele me trata assim, na brincadeira: E aí Samuca! Meu “nêgo veio”.

Por que compartilho essas coisas com vocês hoje? Por que somos um pouco dos nossos pais. Somos as experiências que trazemos. E vivemos num tempo, diferente do que eu vivi e talvez você também tenha vivido. Nos dias de hoje, os filhos valorizam menos essas heranças, respeitam menos os dons recebidos dos seus pais e deixam que a vida passe ligeiro, num teclado de computador ou de um celular de última geração. Filhos dizem menos “eu te amo” ou “me orgulho do que sou”, graças aos seus esforços em transmitirem valores. Vivemos num tempo, onde um filho cobra obrigação de um pai e jamais se sentem gratos, por serem acompanhados. Ah sim! Sentem-se sim, mas em silêncio, do jeito deles, como gostam de falar, quando questionados: “Ah, pai! ou Ah, mãe! Eu gosto, só que do meu jeito!”

Amanhã, tudo pode parecer mais claro. Por que filhos um dia, tornam-se pais. Aí sim! O desafio será puxar pela memória coisas que não foram tão sentidas ou valorizadas quando deveriam ter sido...

Bem, mas isso é assunto pra outra prosa.

CARPE DIEM

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Cordel Encantado e outras bobagens globais

Que os canais abertos são um amontoados de programas de baixa qualidade e infantilizam o seu público já é mais que sabido. Porém, vem do canal com maior poderio econômico os maiores danos à cultura e a inteligência de quem o assiste. Distorcem costumes regionais, criam ridículos sotaques estrangeiros, promovem artistas medíocres e ditam modas e comportamentos duvidosos.

Só para dar um exemplo, atualmente uma de suas novelas chama-se "Cordel Encantado", que de cordel não tem absolutamente nada. Sequer se deram ao trabalho de colocar algo do gênero em sua abertura. Um folhetim onde as pessoas falam um nordestinês global. Peço desculpas aos que gostam da novela, porém como nordestino lhes garanto, só os nordestinos da Globo falam daquele jeito, com aquele sotaque carioca. Resumindo: cordel mesmo, só no nome.

A Globo sucateia tanto as culturas regionais que sequer se dá o trabalho, numa novela como esta, por exemplo, de colocar algo realmente de cordel em sua trama. Poderia se esforçar um pouco mais e vincular um trabalho de  de algum cordelista. Poderia  até encomendar algo voltado para a novela, de algum repentista de verdade. E olha que existem vários de renome no País. Afinal, para os repentistas do nordeste fazer algo para esse folhetim, seria uma coisa muito simples.

E a dona Globo muda ou cria sotaques vergonhosos, desvirtua costumes regionais de norte a sul, recria a história da forma que bem entende e por aí segue. Hoje o que temos? Uma cultura global empurrada de goela abaixo para todas as regiões do Brasil. Tudo igualzinho, enlatado e claro que as culturas locais foram sufocadas com tanto lixo entregue diariamente.

Poderiam ao menos nos respeitar um pouco e melhorar a programação cultural, nos poupar de Faustão, Luciano Huck, Ana Maria Braga e por ai segue o bonde...

De uma rede, onde o editor chefe do principal jornal do país chama seus telespectadores de bando de Homer, dos Simpsons não se poderia esperar muita coisa diferente de tudo isso que é exibido mesmo.


Ah! Se a Globo quiser mesmo saber o que é cordel, me disponho até a explicar...


Carpe Diem

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Carpe Diem

Nossa vida é como um rio que corre no seu leito. Suas águas nunca passam duas vezes no mesmo lugar, assim como nós, que nunca vivemos duas vezes o mesmo momento. O tempo segue célere rumo ao futuro e no entanto sempre temos o presente ao nosso lado. Já perceberam como passado, presente e futuro se confundem quando consideramos medida de tempo menores? 

Se puder e tiver um relógio pertinho de você neste momento, observe atentamente como um minuto se desenvolve. Como ele segue. É mais ou menos assim, ponteiro no 12 e o novo minuto se inicia com o término do anterior. E à medida em que o ponteiro avança, 5, 10, 15... os segundos vão aninhando-se no passado, como num toque de mágica.

Nesta micro observação nos damos conta de como a vida é preciosa. De um lado temos os segundos do passado, o segundo de agora representa o presente e os segundos que faltam para fechar o minuto representam o futuro. Tudo assim tão perto!

A expressão Carpe Diem faz parte deste blog desde o seu início e foi escolhida justamente por representar a proposta do "Sempre tem algo acontecendo" que sempre foi valorizar o agora, convidá-lo a viver o presente, sem esquecer de aprender com o passado e acreditar no futuro.

Problemas? Todos nós sempre teremos e que bom! Valorizam à nossa colheita diária. Escolhas? Sempre teremos que fazer algumas. Simples ou difíceis, sempre farão parte do nosso dia-a-dia. Agora, entre problemas e escolhas temos que aproveitar ao máximo tudo o que  vida nos entrega e ficarmos atentos.

Pode ser que você esteja correndo demais. Pode ser que você esteja dando pouca atenção ao presente, na ansiedade de conquistar tudo no futuro. Pode ser que você está ignorando as lições do seu passado e repetindo seus erros. Pode ser que você nunca esteja onde deveria estar para ser feliz...Pode ser...

Por isso aproveite cada minuto da sua vida. Viva intensamente como se cada minuto fosse o último. Lembre-se dos segundos que passam no seu relógio e acredite no quanto você é importante para o universo.

Valorize  as brincadeiras entre amigos, o convívio em família, os conselhos e carinho dos seus pais, a ingenuidade de seus filhos, as lições dos seus avós e principalmente jamais, em hipótese alguma, ignore os sinais da vida. Eles estão por toda a parte...Talvez esta postagem seja um destes sinais... Talvez não... Quem sabe?

CARPE DIEM

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Viagem dos sentidos


Um olhar que enebria meus sentidos
E viajo na maciez da alva pele
Leve toque que aos poucos me revele
Os segredos e desejos escondidos

Somos dois, um no outro, tão perdidos
A paixão que nos deixa "a flor da pele"
Bem maior do que nós e nos impele
A viver um amor dos mais queridos

Da sua boca vem a calma de um sorriso
Uma paz bem na hora que eu preciso
Calmaria misturada com aventura

Da sua pele, que sem pressa eu aliso
Vejo versos surgidos do improviso
Tão intensos e tão repletos de candura

Especialmente para minha Princesa da Lua

"Vem o vento e vai passando pelas folhas
Varre o céu e vê o Cavaleiro do Luar'" 
Trecho da música Cavaleiro do Luar de Almir Sater

CARPE DIEM

terça-feira, 26 de julho de 2011

Meu avô e eu - Um livro delicado para o Dia dos Avós

Você sabia que hoje se comemora o Dia dos Avós? Pois é! Hoje é o dia de dar aquele abraço no seu avô e na sua avó querida. Ah! Você quase não os vê? Esforce-se um pouco e procure-os. Pelo menos aqueles que têm a honra de ainda tê-los vivos. Estejam perto ou longe.

Terminei de ler hoje cedo, por coincidência, o livro de minha amiga Adriana Mani: Meu avô & Eu. Um livro que conta toda a trajetória de uma grande amizade entre uma neta e um avô. Situação rara nos dias de hoje. 

Nossa geração, aquela nascida entre a década de 60 e 70 talvez seja uma das últimas a cultuar a figura dos avós. Ainda somos do tempo de ouvir histórias contadas por eles, de encantar-se com a sabedoria dos pais dos nossos pais. Somos ainda os que respeitavam verdadeiramente a autoridade de um avô e claro que abusávamos até onde nos era permitido.

O livro da Adriana Mani fala justamente sobre isso. Sobre o companheirismo, as lições, o amor compartilhado, o respeito e todos os demais ingredientes necessários para uma relação encantadora.

A autora fala com maestria e de uma forma tão simples e delicada que temos vontade nos apropriar desse avô tão especial. Desta infância que tem muito a ver com a infância de muitas pessoas. Talvez, ao ler o livro, você se encontre representado(a) em algum dos seus capítulos. Peça aí na livraria perto da sua casa ou entre no site da Editora Multifoco e peça direto.

A mensagem que  o "Sempre tem algo acontecendo" deixa para cada um dos leitores é que aproveite este dia para reforçar ou reafirmar os laços com seus avós. Quem tem filhos pequenos habitue-se a visitar mais seus pais, ou seja, os avós dos pequenos. Este convívio é tão fascinante, quando bem estabelecido. Estimule a relação avô e netos. Lembrando sempre, que pais são pais e avós são avós. Nada de transferir responsabilidades para estes que já fizeram a parte deles, educando-os.

E assim nos despedimos. Feliz Dia dos Avós! 


A nossa única avó Ledinha
Aos avós dos nossos filhos
Im memorian: Avós Zé Quintans e Quitéria e Avó Lourdes. Fantásticos!
                      
CARPE DIEM

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Fazendo planos...

Quantas vezes nos pegamos fazendo planos e mais planos. Grandiosos ou mesmo os pequeninos. Desde a dia ao cinema até a compra de um imóvel. Planos exigem uma energia atual que será investida numa conquista futura. Conseguimos chegar a algum lugar sem um mínimo planejamento?  O que você acha?

Minha opinião e a de quem entende de planejamento é que torna-se praticamente impossível atingir um objetivo sem um planejamento. Agora uma pergunta complementar: Planejamento é tudo? Resposta imediata: Não!

É necessário acreditar no plano traçado, considerar as pessoas envolvidas, os ganhos quando o objetivo for conquistado, as perdas que fatalmente existirão em detrimento ao objetivo escolhido, enfim e principalmente, muita transpiração. Até pra uma simples ida ao cinema é necessário tudo isso. Numa menor intensidade.

Antes de tudo isso tenha em mente o que quer claramente. Seja o mais específico possível. Considere o máximo de possibilidades e tenha um plano B, caso seu plano A falhe. Nada de frustração pelo caminho.

Além disso é necessário considera o Plano Universal ou o Plano Divino, conforme creia. Sim. Nada depende exclusivamente de nós. Depende de outras forças que alguns chamam de fatalidade, acaso, destino e assim por diante. O nome não importa muito. A verdade é que o imponderável existe e está presente em todos os lugares.

Alguém planeja ser campeão de alguma modalidade esportiva e sofre um acidente que o deixa paraplégico. Acabou a vida dessa pessoa? Não! Ela terá que rever seu plano inicial e talvez ser campeão de outra coisa, dentro da nova realidade.

Alguém planeja casar-se e o noivo ou a noiva desiste. Anos de planos jogados para esta pessoa. Sonhos e tudo mais. Pode-se continuar o plano? Pode-se. A diferença é que não será com a pessoa idealizada até ali.

E assim também acontece com uma profissão escolhida, um imóvel, uma carreira de sucesso e por aí vai.

Sempre considere que nem tudo se encaixará como você deseja ou acredita que deseja. Este desvio pode ser a redenção amanhã. Pode ser um caminho mais seguro no futuro.  É o universo atuando. 

E quando uma pessoa parte, como partiu bestamente Amy Winehouse, aos 27 anos? Ou como um amigo nosso, que aos 34 anos, se foi num acidente sem sentido, para quem era especialista em paraquedismo?  Onde ficaram os planos deles? Teriam muitos planos? E aqueles que ficaram? O que levarão de algo tão intenso e definitivo. Algum aprendizado? Por um preço tão alto?

Muitas perguntas! Na verdade é preciso contemplar o todo para entender acontecimentos como estes.

Por isso, de hoje em diante, faça seus planos, porém viva a vida um dia por vez, considerando sempre a vontade universal ou divina. Como queira crer. 

E o mais importante. Evite guardar ressentimentos, arrependimentos e tantas mazelas. Libere-se de culpas, medos e tristezas. Afinal, temos uma nova manhã todos os dias. É a natureza que nos ensina a recomeçar a cada 24 horas. A cada minuto.

CARPE DIEM.

sábado, 23 de julho de 2011

Tem hora que a gente cansa...

Tem hora que a gente cansa mesmo!

Cansa de esperar 
Que as coisas mudem
Que as pessoas vejam o óbvio
Que o encanto reapareça
Que as mudanças aconteçam
Que o adormecido acorde
Que quem nunca viu, passe a ver
Que a situação melhore
Que o calor diminua
Que a chuva cesse
Que a lua reapareça
Que a pessoa não te esqueça
Que o coração abrande
Que a humildade prevaleça
Que quem ofende se importe
Que quem machuca se desculpe
Que o sorriso volte belo
Que a poesia prevaleça
Que logo algo aconteça!

Tem hora que a gente cansa
Mas nada como um bom descanso
E no fim?
Tudo se acalma 
Tudo se encaixa
Tem hora que o melhor é deixar pra lá.
Que bom!

CARPE DIEM!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Que país foi este?

Que país foi este que herdamos?
Um país onde aquele que trabalha honesto precisa provar sua honestidade
Um país onde  políticos corruptos são reeleitos
Um país que ri enquanto sente preconceito
Um país travestido de pacato, pacífico e alegre
Porém assassinam travestis, humilham nordestinos, desprezam negros e menosprezam as mulheres
Que país foi este onde a pontualidade foi para o ralo
um país que também manda pelo ralo nosso dinheiro ganho com muito suor
Um país onde se tira dos direitos mais básicos e se coloca em redes multinacionais
Um país onde quem tem dinheiro tem benefícios, acesso aos atalhos
E onde aquele que precisa, não tem acesso
Um país onde se tem acesso, porém não se tem respeito
Aeroportos lotados, companhias aéreas lucrando e o usuário sempre entendendo
Atrasos, escalas infinitas, distância de casa
Que país foi este que construímos?
Que país foi este que nos contentamos?
Onde se vende carros e mais carros, porém não se cuida do trânsito
Um país que prende um pai que não paga a pensão do seu filho, porém deixa livre ladrões graúdos.
Um país onde se aceita propina sem problemas e se paga também, sem culpa

Um país onde um motorista mata 3 pessoas e está há quase 10 anos livre e tudo isso dentro da lei. Claro que este motorista é um jogador de futebol famoso, como também poderia ser um político, uma autoridade ou um filho de alguém rico. Com certeza a embriaguez deles é diferente da embriaguez do Sr. José da Silva, que foi flagrado numa blitz qualquer.

Um país onde ainda se joga lixo na rua, se buzina por que o motorista demorou um segundo pra sair com seu carro.
Que país é este onde os direitos dos pedestres não são respeitados? Onde crianças são jogadas nas calçadas. Onde crianças  não são adotadas por culpa da burocracia.
Um país onde um político tem atitudes racistas em rede nacional e sequer é punido.
Um país onde existem três níveis de leis (não seria o Brasil, um país de todos?). 
Um nível de leis para a população comum, outro para os políticos e outro ainda para os abonadíssimos.


Melhor nem falarmos sobre educação, saúde, transporte público, pesquisas, investimentos em infra estrutura, investimento em esportes, comunicação...

Que país foi este?

CARPE DIEM

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Divagações sobre o nada

Pessoas se isolam com seus celulares, ouvindo músicas
A moda comanda a vida de muitos
Pessoas se sentem distantes até quando o outro está por perto
Carta é algo do passado
Pessoas perdem tempo escrevendo pequenas coisas
Alguns cismam que é possível contar a vida em duas linhas
Muitos precisam repetir centenas de linhas para não dizerem nada
É muito comum criamos coisas que deveriam facilitar e isto não ocorrer
Impessoalidade é algo cruel
Em noites de frios preferimos uma pessoa a um celular
Perdemos a vontade de criarmos laços
Podemos recuperar comportamentos que eram mágicos
Visitar os amigos é ainda melhor que postar numa rede social
A palavra amigo está banalizada justamente por causa destas redes
Temos 500, 600, 3.000 amigos!
 A verdade é que amigos mal cabem numa das mãos.
O amor depende de poesia no sentir
Existem outras possibilidades
Nem tudo que é novidade é bom!
Dedicar-se a um abraço verdadeiro de vez em quando é saudável
Declarar-se também faz bem.
A vida é tão simples e cismamos em transformá-la num caos
Amar transforma pessoas
Transforme-se!

Carpe Diem

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Monteiro: memórias em cordel

Recordo-me nesta hora
Quantas histórias vividas
Quantas lembranças me chegam
Destas largas avenidas
Das compras neste mercado
E tudo fica marcado
Quantas pessoas queridas!

Memórias quase esquecidas
Me chegam neste momento
Monteiro, cidade minha
Lembrança vem com o vento
As águas do seu açude
Mata a sede e não ilude
Viagem do pensamento

Tinha bode e até jumento
Nas feiras da minha memória
Flávio José já tocava
No "BB" fez sua história
Lembro do Sítio Anjiquinho
Cabelos em desalinho
Infância cheia de glória

Viver já era vitória
Na seca dos tempos idos
Sertanejo, homem valente
Homens fortes esquecidos
Por governos desleais
Por uma punhado de reais
Políticos corrompidos

Quantos momentos vividos
Nas esquinas de Monteiro
Na praça antiga, o coreto
A Matriz do bom romeiro
Vendas, mercados e bares
Homens voltando pra os lares
Depois de gastarem dinheiro

Menino corre ligeiro
Atrás de uma bola de pano
Meninas pulando corda
Entra ano e sai ano
Monteiro está sempre viva
Em sua gente nativa
Amor não comete engano

Quem está longe faz plano
De um dia lhe visitar
Passear em seu Mercado
Sua terra reconquistar
Comer comidas da terra
Matar saudade que encerra
E sua beleza avistar

Deixe-se conquistar
Pela terra do repente
Aqui Pinto de Monteiro
Nos versos, era serpente
Jabitacá e Asa Branca
Desafios, rima franca
Viola, verso e aguardente

A cantoria, minha gente
É algo impressionante
Cantador fala uma coisa
Resposta vem adiante
Tudo feito no improviso
De surpresa e sem aviso
Verso feito num instante

Hoje me encontro distante
Daquele choro primeiro
Da minha primeira casa
Das corridas no terreiro
Das frutas colhidas no pé
Das casinhas de sapé
E do meu céu de Monteiro

No coreto um seresteiro
Cantava uma moda antiga
Luar igual do sertão
E uma gente mais amiga
Noutro lugar não existe
Um povo que a dor resiste
No peito a bondade abriga

Saudade, emoção que liga
A pessoa sem paradeiro
Por mais que viaje o homem
Sua terra é o seu canteiro
Meus versos, minhas memórias
Terra de tantas histórias
Alagoa do Monteiro

CARPE DIEM
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