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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Que país foi este?

Que país foi este que herdamos?
Um país onde aquele que trabalha honesto precisa provar sua honestidade
Um país onde  políticos corruptos são reeleitos
Um país que ri enquanto sente preconceito
Um país travestido de pacato, pacífico e alegre
Porém assassinam travestis, humilham nordestinos, desprezam negros e menosprezam as mulheres
Que país foi este onde a pontualidade foi para o ralo
um país que também manda pelo ralo nosso dinheiro ganho com muito suor
Um país onde se tira dos direitos mais básicos e se coloca em redes multinacionais
Um país onde quem tem dinheiro tem benefícios, acesso aos atalhos
E onde aquele que precisa, não tem acesso
Um país onde se tem acesso, porém não se tem respeito
Aeroportos lotados, companhias aéreas lucrando e o usuário sempre entendendo
Atrasos, escalas infinitas, distância de casa
Que país foi este que construímos?
Que país foi este que nos contentamos?
Onde se vende carros e mais carros, porém não se cuida do trânsito
Um país que prende um pai que não paga a pensão do seu filho, porém deixa livre ladrões graúdos.
Um país onde se aceita propina sem problemas e se paga também, sem culpa

Um país onde um motorista mata 3 pessoas e está há quase 10 anos livre e tudo isso dentro da lei. Claro que este motorista é um jogador de futebol famoso, como também poderia ser um político, uma autoridade ou um filho de alguém rico. Com certeza a embriaguez deles é diferente da embriaguez do Sr. José da Silva, que foi flagrado numa blitz qualquer.

Um país onde ainda se joga lixo na rua, se buzina por que o motorista demorou um segundo pra sair com seu carro.
Que país é este onde os direitos dos pedestres não são respeitados? Onde crianças são jogadas nas calçadas. Onde crianças  não são adotadas por culpa da burocracia.
Um país onde um político tem atitudes racistas em rede nacional e sequer é punido.
Um país onde existem três níveis de leis (não seria o Brasil, um país de todos?). 
Um nível de leis para a população comum, outro para os políticos e outro ainda para os abonadíssimos.


Melhor nem falarmos sobre educação, saúde, transporte público, pesquisas, investimentos em infra estrutura, investimento em esportes, comunicação...

Que país foi este?

CARPE DIEM

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Realengo - Um protesto (ou carta a Dilma)

Brasil, pátria querida
Por que deixaste que teus filhos sucumbissem indefesos?
Onde estavas quando os filhos do teu solo gentil sofria?
Onde vivem os que vos representa?
Quem são os indignos que te governam?
Nós sabemos bem quem são eles, pátria amada.

São os mesmos que nos pedem votos
Que dizem que nos representam
Que desviam verbas que seriam para evitar tragédias, como aquelas no mesmo Rio
Isso não tem nada a ver com o Rio, pois eles fazem isso no país inteiro
São os mesmos que esquecem que um país grandioso começa na escola
E por isso descuidam delas
Esquecem professores
Negligenciam estrutura
Desviam mais verbas
São aqueles que vão numa escola pública no máximo, para depositarem seus votos
Não sabem o quanto um pai sofre ao deixar um filho numa escola pública
Não sabe o quanto um professor sofre pra ensinar numa escola pública
E querem ser um país rico e grandioso
Quanta ironia.

Pátria amada, eu estudei em escola pública
Naquele tempo ela era digna de respeito
Figurava entre as melhores
Hoje é piada de filhos ricos e não tão ricos assim
Quem estuda em escola pública, numa roda de amigos, precisa esconder o fato
Nada de orgulho no peito.

Esta sim é a pátria que estes indignos construíram para nós
Brasil, pátria amada, expulsa do teu ventre
Estes párias
Estes biltres
Estes abutres do poder

São estes que estão por lá agora
Em Realengo
Decretando lutos
Indignados
Sofrendo dores inventadas (podem ser até verdadeiras neste momento)
Porém, ao virarem as páginas de seus jornais, pensarão na próxima viagem, no próximo refestelo, no próximo golpe que será dado nos filhos desta pátria, mãe gentil.
Gentil demais com essa sujeira toda.
Perdoe-me, patria amada e idolatrada.
Mas também sou filho dessa mãe gentil e como mais de 180 milhões de filhos teus, também sofro.

Sofremos todos por que sabemos que estes jovens serão esquecidos por estes que proclamam lutos e prometem coisas na hora da dor alheia.
Sofremos porque também temos filhos e sabemos que eles estão sujeitos a um acontecimento deste como os que se foram.
Sofremos pelos pais, professores, familiares, amigos e por todos os jovens deste país.

Na esperança de que existe um coração no peito de pelo menos uma mãe deste país, de uma mãe em especial, daquela que nos governa é que fazemos este apelo:

Mãe Dilma,
Compadece-te do ensino deste país
Das condições que teus irmãos políticos deixaram o ensino público
Envergonha-te, como mãe que és
E ages, como governante que és
Fostes colocadas aí, nesta cadeira
Não para agradar nações, políticos e parceiros
Também não foi para continuar a distribuir esmolas para teus filhos e irmãos
Sejas a mãe que deve ser
Educas teus filhos
Tira as esmolas e ensina-os a ganhar o próprio sustento
Sejas mulher
Sejas mãe
Durante os próximos anos, sofra todos os dias as dores destes pais, professores e filhos que se foram.
Ao invés de decretar luto, sentir muito e cumprir protocolos, sejas a mãe que esperamos
Trabalhes e transforme esse país numa potência do aprendizado.
Eu sei! É difícil, não é mesmo mãe?
Dever satisfações, favores, apoios e ter que compartilhar deste mundo que escolheste viver
Desvencilha-te mãe. 
Estamos contigo.
Sejas digna desta pátria mãe gentil
Sejas digna de nós!

CARPE DIEM

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Indignação


Hoje eu preciso desabafar! Uma dor me invade. A dor da impotência diante dos fatos. Da constatação real do quanto nos omitimos. Sim! Todos nós, em algum momento, fingimos que certas coisas não são conosco. Não podemos resolver tudo e nem ajudar a todos! Bem, peço licença para explicar-me melhor.
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Há algum tempo nossa família convive com uma doença poderosissíma chamada ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). Trata-se de uma doença neuro-muscular, que compromete o sistema muscular e tem como característica central o fato de ser degenerativa e progressiva. Ou seja, uma vez a doença desenvolvida, a tendência natural é que ela evolua e leve o paciente ao óbito. É uma doença de difícil diagnóstico, pois se confunde com várias outras e principalmente com problemas ligados à ortopedia.
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Poucos médicos conhecem essa doença e menos ainda conseguem e se interessam em lidar com ELA. Na verdade, poucos se interessam em trabalhar com doenças irreversíveis. Afinal, o papel do médico é salvar vidas e não encontrar maneiras de apenas adiar a morte. Sim. A ELA não te cura. É fato!
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Pois é. Por outro lado, muito se tem feito, através de pesquisas e do trabalho incansável da ABRELA (Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica), do Hospital São Paulo, da USP e tantos profissionais ligados ao estudo da doença.
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Com um tratamento adequado e com medidas tomadas logo após o diagnóstico, consegue-se prolongar a qualidade de vida do paciente e dos familiares. Por que essa doença afeta a todos que convivem com o paciente. A estrutura da casa é alterada e muitas adaptações são necessárias.
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Por conta disso tudo, resolvi empreender, junto com um grupo de voluntários e amigos, na criação de uma associação regional, com o objetivo de esclarecer a população e auxiliar os pacientes, familiares, cuidadores e profissionais que interagem com a ELA.
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A teoria é uma coisa e a prática é outra. Lutamos muito, corremos daqui e dali, tentando fazer o nosso melhor e é nesse ponto que hoje me sinto indignado, com lágrimas nos olhos.
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A ELA é uma doença que age rápido, se você não cria uma condição mais favorável para o paciente. É necessário, na maioria das vezes um atendimento domiciliar (home-care) e agora me respondam, vocês acham que os planos de saúde facilitam para conceder esse direito ao paciente, seu conveniado? É claro que não!
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Vocês acreditam que os governos municipais, estaduais e federal facilitam o acesso ao remédio de alto custo, necessário para o prolongamento da vida do paciente, bem como o do equipamento necessário para auxiliar no sistema de ventilação respiratório, inclusive, com direito previsto em lei?
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Vocês acreditam que os hospitais públicos se interessam e mais, priorizam o atendimento aos pacientes, que chegam aos seus leitos, na grande maioria dos casos, com insuficiência respiratória e ou pneumonia aguda?
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Claro que não. Os convênios se esquivam. Os governos se desculpam e jogam a responsabilidade para outro departamento, os hospitais dão desculpas que não têm estrutura e o paciente?
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Tem que entrar na justiça, pra fazer valer um direito dele. Junto aos planos de saúde e governos em geral. Isso mesmo. Pra essas pessoas é mais vantajoso uma briga judicial com um paciente. Afinal ele pode vir a óbito antes do resultado.
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Bem, nos hospitais o que vale são as estatísticas. Quantos foram e quantos sobreviveram. 
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Agora, experimentem perguntar sobre estatística para alguém que perdeu um familiar ou um amigo. Pra eles a perda não foi de "zero, alguma coisa, por cento". Não para eles! A perda é total.
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Nestes dois últimos finais de semana, eu perdi duas pessoas que tentávamos ajudar. Tentávamos com todas as nossas forças. E perdemos. 
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Em ambos os casos, os planos médicos se negaram pelas vias normais, prestar um atendimento domiciliar (estávamos montando os processos judiciais destas pessoas).
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Em ambos os casos, faltou um atendimento adequado, por parte dos hospitais públicos. Em um deles, (pasmem!) a paciente ficou num corredor de emergência e o médico teve a infelicidade minutos antes do óbito,  de dizer que a pessoa estava muito bem e até receberia alta. 
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Imagine esse médico, depois desses tais minutos, dando a notícia aos familiares. Imaginem a família dessa pessoa que faleceu. O mais triste é que tal fato ocorreu num hospital referência, inclusive no campo neuro-muscular. Se nem os profissionais de uma emergência, de um hospital referência sabem lidar com a doença, imaginem como será  nos hospitais que nunca ouviram falar nessa tal de ELA?
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Imaginem quantos casos acontecem dessa maneira, nos corredores dos hospitais.
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Minha indignação é com essas pessoas (não com aqueles profissionais e médicos que sempre dão o seu máximo pela vida, sem recursos, sem descanso, muitas vezes) que atendem de maneira simplista, que orientam seus funcionários a negarem o direito ao seu associado (no caso dos planos particulares de saúde), que num órgão público de saúde, atende o seu usuário (que inclusive paga seu salário) de maneira desleixada, muitas vezes reclamando das filas, das pessoas. Eu já passei por isso. Nós já passamos por isso.
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Sim. Nós tivemos que brigar na justiça, contra um plano de saúde, para conseguir nosso direito. Tivemos que brigar nos hospitais para ter um atendimento digno. Tivemos que brigar com governos para conseguir o que era nosso por direito.
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Desculpem. Mas hoje eu choro por essas duas pessoas queridas que perdemos. E sabemos bem por que perdemos. Aqueles que se negaram em cumprir suas atribuições também sabem.
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Ah! Eu falei no início deste post, que ELA era uma doença poderosissíma. E é mesmo. Só não é mais poderosa que o poder do AMOR! Isso não! 
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Para saber mais sobre ELA acesse: www.abrela.org.br ou www.tudosobreela.com.br


CARPE DIEM
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