terça-feira, 4 de novembro de 2008

Andar...Andar...


E Alceu Valença, nos disse em uma de suas canções:

"Eu compus esta canção
Andando de Ipanema
Para o Baixo Leblon
Procurando te encontrar
No meu Rio de Janeiro...
...Andar, andar
Nas ruas do Rio
Do Rio de Janeiro
Dezembro, abril

Andar faz um bem danado!
Você acredita que tem gente que não conhece ainda o próprio bairro?
E mais grave! Mora lá faz um tempão!
Conhece bem sua garagem, o interior do seu veículo.
Agora a rua de sua casa, não sabe direito o que tem lá não...
E pode ser que por lá tenha um belo Ipê amarelo!
Uma praça escondida
Uma casa bonitinha!
E vizinhos simpáticos!
Sabe aqueles? Que riem de graça...você passa e e eles riem
Com carinho e que diz tudo num único sorriso:
- Oi, tudo bem?! Tenha um bom dia! Bom te ver! (tudo isso num sorriso!)
Pessoas interessantes essas que moram no seu bairro, hein?
E o comércio do bairro? Simples. Só pra você!

Sei o que está pensando...
O shopping é mais legal, né?
Dá pra ir de carro e o estacionamento é pago
Um monte de gente bonita, que necessariamente nem tá bonita por você
Aliás, geralmente, nem te olha. Esbarra (melhor, te atropela) e nem pede desculpas.
O legal é que o custo do shopping é alto. Isso torna as coisas mais caras
Afinal, o empresário precisa cobrir as despesas do sócio "trazedor" de gente!

É bom contar para o amigo, vizinho, colega de trabalho que você comprou aquela roupa, daquela marca, que custa muito caro e você agora tem!
Legal mesmo, é nem contar. A marca é tão famosa (e o preço devidamente temperado, com sal a muito gosto) que "todo mundo" bate o olho e pensa: Esse(a) aí tá bem!

Andar de carro é bom. Se for por duas quadras, melhor ainda.
Você imaginou como era antigamente, antes do Henry Ford, como as pessoas compravam pão?
E remédio? Compras do mês! Ir na feira!

Que bom! Hoje podemos ir à padaria do bairro, de carro. Imagina só! Andar 4 quadras! Jesus!

Ter carro é bom. E se fazemos tudo com ele, melhor ainda!
Os produtores de combustível agradecem
Pricipalmente àqueles motoristas que usam-no de maneira irracional. Sem planejamento.
A natureza não fica lá muito feliz, claro.
Vendo você aí, rodando de carro, três quadras, pra comprar 06 pãezinhos,
que já vêm embrulhados num saco,
que você insiste em colocá-los também numa sacola plástica,
que você colocará depois latas, caixa de leite, restos de comida, etc..
que será recolhida pela companhia de lixo de sua cidade,
que jogará num aterro qualquer,
que manterá esse saco-plástico,
misturado com tantas coisas recicláveis e reaproveitáveis,
por algumas décadas e em alguns casos,
uma certa quantidade de séculos.
Sabe o que tem lá neste saco plástico,
junto com todo o lixo (que boa parte dele poderia ser reciclado) que você juntou?
Seu descaso com seus filhos, netos, irmãos, animais, ar,
Descaso com o seu planeta.
Tudo isso cabe numa única sacola plástica de 30 x 40 cm, com alça.

Sempre tem alguma coisa acontecendo.
Tudo começou com uma simples voltinha no bairro
Quantas coisas você poderia evitar e melhor
Quantas coisas você poderá descobrir no seu bairro
Andando calmamente por suas ruas
Cumprimentando as pessoas
Fazendo amizades com os comerciantes locais
Rindo da piada do dono da padaria
Da conversa animada do caixa do varejão ou mercadinho
Vendo que o mundo pode ser melhor sim
Começando por seu bairro
Bem pertinho de você
Onde tudo começa

E por falar em bairro?
É pedir para "acontecer coisa demais" por hoje,
Falar que você poderia andar a pé pelo seu bairro
E exercitar o dom do diálogo, o tal do relacionamento intepessoal
E juntos, você e demais os moradores deste bairro
Organizarem uma coleta seletiva
E melhor, procurar uma empresa que trabalhe com essa coleta
E arrecadar dinheiro
E contribuir com uma entidade social do bairro ou do bairro vizinho
ou simplesmente organizar uma festa anual em uma rua bem iluminada do seu bairro.
Confraternizar!

Agora! Viajei demais!

Ah! Você deve estar pensando: "Meu carro é movido a biocombustível".
Até quando, você acredita que a terra suportará colheitas, queimadas, colheitas, queimadas, colheitas de cana-de-açucar e outros que se transformam em biocombustíveis?

Ei! Levanta aí...Vai conhecer o teu bairro, vai!
Depois me conta o que descobriu!

Inté!

domingo, 2 de novembro de 2008

Coisas que aconteceram...(ou histórias de um quadro)


Este quadro, logo acima, tem uma história. Pelo menos para mim e para o pintor sim. O nome do pintor é Robson. Conheci-o numa feira de artesanato.

Vi esse quadro e me apaixonei. Ele, o quadro, assim como eu, temos algo em comum, a alma sertaneja. O lirismo da poesia do sertão castigado pela seca. Amor à primeira vista.

Robson teve a inspiração em 1985. E o quadro veio parar em minhas mãos em 1.998. Ou seja, há dez anos atrás! Ah! Como isso aconteceu? Histórias!

Naquele sábado de sol, tinha ido até a feira de artesanato, com a intenção de encomendar uma pintura que retratasse minha terra. Queria um lavrador, depois de um dia de trabalho, orgulhoso de seu esforço e de suas origens. E desse pedido nasceu esse quadro reproduzido a seguir, que eu chamo de "Lavrador Sertanejo":

E o outro, como se chama? Você deve estar se perguntando. Bem, ao outro demos o nome de "O Exôdo". Agora vamos ao que interessa: Como esse quadro veio parar em minhas mãos.

Fiquei apaixonado, como disse. E escrevi uma história rimada para o mesmo. O que chamamos na minha terra, das tradições dos cordéis e dos repentistas, de Mote decassílabo.

Se trata de uma poesia, onde as duas estrofes finais são sempre as mesmas ou próximas do "tema ou mote". Cada estrofe é composta por 10 versos e com 10 sílabas (sílaba de poesia se chama métrica)
...
No dia de buscar meu quadro, entreguei o texto (poesia) para o Robson.
Ele emocionado me disse:
-Obrigado pelo presente! Agora eu gostaria de retribuir a homenagem. Leve de presente a razão de sua inspiração. O quadro é seu. Sei que estará bem cuidado.
...
Nos emocionamos juntos! E trocamos as artes. E foi assim que esse quadro veio parar nas minhas mãos.
...
Vamos ao poema sertanejo. Aqui, há de se observar mais um ponto: a linguagem. Ela é caracterizada, pelo jeito e sotaque do nordestino simples e que sofre (ainda!) com a seca, em lugares esquecidos por muitos homens e jamais esquecido por Deus!

Mote: Meu moleque sofrendo, o meu burrico
E meu choro queimando no sertão

"Pobi" eu e meu "véio", a gente era
Mais "cumê" "prus" pequeno sempre tinha
Um pedaço de bode ou uma galinha
Tava bom, pois riqueza num se espera
Uma terra, meu Deus, ah! Quem "mim" dera!
"Padim Ciço" "mim" ajude! Só quero um chão
Prá prantá o meu "mío" e o meu feijão
Só que hoje nem sei aonde eu fico
Meu moleque sofrendo, meu burrico
E o meu choro queimando no sertão
...
Desde cedo, meu "véi" já ensinava
Os moleque a "tirá" o seu sustento
Prá preguiça, ele sempre tava atento
Quando alguém se escorava, ele brigava
E dizia que ajuda, Deus só dava
Prás "pessoa" que "alembrava" dos "irmão"
Entristecia com os que tinha "ambicião"
Se "alembrando" de João, minha "dô" estico
Meu moleque sofrendo, meu burrico
E o meu choro queimando no sertão
...
Nem falei prá "ocêis" dos meus menino
Tinha Pêdo, Chiquinha e o José
Tico, Paulo, Malaquias e Mané
Joaninha, Creusinha e Zé Lino
Esqueci de Betinho, um pequenino
Mas "tamém" morreu logo, inda pagão
Deu uma febre no "bichim", um "vremeião"
O destino dos "ôtro", "despois" explico
Meu moleque sofrendo, meu burrico
E o meu choro queimando no sertão
...
O meu '" véi"trabaiava certo dia
Quando uma "dô" nu seu peito "atacô"
Os seu "zóio" revirava e ele "ficô"
Todo roxo de "dô" e só tremia
De repente "parô", nem "si" mexia
O "dotô mim falô": - É coração!
E meu Des "mim" levava o meu João
E pensei, e agora, "cumo" "que'u" fico
Meus "moleque" sofrendo, e um burrico
Nosso choro queimando no sertão
...
Entra ano e sai ano, a "dô" aumenta
E "di" fome, vai "Pêdo" e vai Chiquinha
Os pulmão "tamém" leva minha Creusinha
Joaninha fraquinha num se aguenta
Malaquias apanha "d'uns" cinquenta
"Enfrentô" "Coroné" Sebastião
"Encantô-se" pela "fia" do bodão
E aqui num se "ajunta" "pobi" e "rico"
Só "restô" uns "moleque" e um burrico
E um choro queimando no sertão
...
O meu "fio" José já foi s'imbora
Procurá seu destino em terra estranha
Cum a morte de Lino, a dô me apanha
No meu peito, essa dô, direto mora
Os meus "zói", cada dia, mais que chora
E Mané se meteu em confusão
N'outro dia, morreu a traição
A tocaia lhe "armô", um tal de Lico
Só "restô" um moleque e esse burrico
E o meu choro queimando no sertão
...
Muitos anos nessa terra me aguentei
Meu moleque ainda todo afoito
De idade, ele tinha bem uns oito
Essas coisas de idade eu nunca sei
"Prá ficá" em minhas terra eu lutei
Só que o banco num tinha coração
Eu chorei, e o meu "chôro" foi em vão
"C'umas" trouxa, sem rumo eu e meu Tico
É Meu moleque sofrendo, meu burrico
E o meu choro queimando no sertão
...
Bem, é isso. É diferente. Eu sei. Espero que gostem e façam uma viagem no quadro "O Exôdo".
...
A cultura nordestina é rica, repleta de histórias, contos rimados e personages fantásticos. Senti vontade de compartilhar um pouco de minhas origens, de meu mundo, do meu "cordel".
...
Ah! O que é mesmo cordel? Isso já é outra história, que conto outro dia, combinado?
...
Com carinho!
...
Boa semana e nos vemos por aqui, em breve, "com mais coisas acontecendo", mais prosa, mais versos, rimas e métricas!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Histórias de fantasmas...


Mundo globalizado é assim. Agora, por aqui tem também o tal do Hallowen ou Dia das Bruxas, que deveria ser dia dos "mortos que voltam", como diz a lenda de mais ou menos 200 anos atrás.

Como em alguns países têm bossa nova e o nosso samba. Como em outros países têm nossos escritores e poetas.
E em outros têm os nossos profissionais, executivos e artistas manuais.

Existem países que têm nossos jogadores de futebol, nossos diretores de cinema e nossos atores!

Pois é! E assim temos espalhados pelo mundo, nosso álcool, nossos aviões, nosso gado, nossa soja e café e tantas outras coisas.

É legal traçar esses paralelos, para evitar aquele discurso nacionalista terceiromundista. Que nós estamos sendo engolidos pelos americanos, que somos macaquinhos, blá, blá blá.

Tudo circula numa via de mão dupla. Com maior ou menor frequência, dependendo do que cada um tem a oferecer de interessante ao mundo.

Acho que a gente já pode parar de se fazer de coitadinho, né?

Que bom!

Agora vou falar sobre uma coisa bem legal, que talvez muitos de vocês já viveram nas suas infâncias. Eu pelo menos vivi. E adorava.

Casa de avô. Luz de lampião ou de fogueira ou até elétrica mesmo!

Todos na mesa, em volta dele. Atentos!

Filhos e netos. Os mais velhos nem ficavam mais... Agora, os pequenos, olhos esbugalhados na conversa que vinha do seu Zé Quintanha (como minha avó Quitéria chamava-o).

E naquelas noites, histórias sem fim...lindas, fantásticas. E o melhor - todas vivenciadas por ele - Zé Quintanha. Ao vivo e à cores.

E tinha aquela da noite em que ele voltava da casa de uma namoradinha (moço bonito e apessoado, ele dizia ser) e uma alma montou na garupa de seu cavalo. Era uma noiva sofredora que precisava desencantar-se. Alguém (ele no caso) deveria levá-la até o ponto onde se matara, pra libertar sua alma. Afinal, era uma alma traída pelo noivo. No altar, fora abandonada! E ele foi até lá, com aquelas mãos geladas em sua cintura...

Tinha outra daquele tio-avô dele, que em segredo, lhe confidenciou uma riqueza enterrada, moedas (patacas) numa botija. E essa alma atormentada por esse segredo, precisava libertar-se. E ele, claro, fora o escolhido para a missão. Numa sexta-feira, de lua cheia, à meia-noite, em segredo total, deveria seguir sozinho para o local indicado. Lá, deveria preparar-se, afinal almas malignas tentariam impedí-lo de cumprir a tarefa. O conselho era: não olhe pra nada, nem pra ninguém e ignores os barulhos que as criaturas fizerem à sua volta. Cave, desenterre a botija e leve pra sua casa. Assim, posso descansar em paz! Puxa...Como meu avô era corajoso!

Ah! Me lembrei de outra....aquela daquele moço que...

Bem, vamos deixar essa pra outro dia, né?

Como era legal esse susto todo que tomávamos e meu avô contava histórias simples como ninguém.

Depois é claro, meninada dormindo com luz acesa e tudo no me mesmo quarto. Era um tal de colchão circulando nos quartos. Claro, que ninguém admitia...dizíamos que era pra "conversar" e dar risada. Era nada! Era pra ficar juntinho, tudo com medo! Que tempo legal!

Que tal sentar numa roda hoje e dividir algumas histórias fantásticas? Tem filhos? Faça isso! Tem irmãos menores ou tem sobrinhos? Faça isso também! Ah! Tem avô ou avó? Peça pra um deles (ou os dois) lhe contar algumas histórias do tempo deles.

Meus queridos, eles têm tanto pra lhes contar...

"Quando a meia-noite me encontrar junto a você
Algo diferente vou sentir
Vou precisar me esconder
Da sombra da lua cheia
E esse medo de ser
Um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê"
(Trecho de Canção da Meia-noite - Kleiton e Kledir)
E viva o Hallowen!


CARPE DIEM

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Músicas escondidas...(ou o poder da mídia?!)

Que o Brasil é um celeiro cultural, ninguém duvida.
E que cada um ouve o que quer, também ninguém duvida.
Hoje quero aprensentá-los 5 talentos que admiro e acompanho, cada um com suas caracterísiticas e com alguma coisa em comum, são todos praticamente desconhecidos do grande público (ou do público que acompanha a mídia, pelo menos).

Ceumar - Uma mineira delicada, aguerrida, com uma voz melodiosa que dá um toque todo especial para cada canção. Aos poucos vai se mostrando, crescendo e aparecendo. Tem 3 trabalhos lançados, todos honestos e belos (Dindinha, Sempre Viva! e Achou). Quer conhecer mais? http://www.ceumar.com.br/

Titane - Outra mineira especialmente encantadora. Interpretações peculiares e pessoais a cada música que escolhe. Talento raro. Com vários trabalhos lançados e destaque para Inseto Raro e Sá Rainha. Que tal conhecer mais? http://www.titane.com.br/ana/

O Teatro Mágico - Banda, trupe circense, companhia de teatro, sarau de poesia, o que será isso? Bem, o Teatro Mágico é tudo isso e muito mais. Um show para raros, um segundo ato à parte. Fernando Anitelli, com sua irreverência e veia poética, conduz muito bem esse grupo, cheio de talentos. Vale à pena ir num show dessa turma. Criança livre! Legal cantar junto. E o público deles é delicioso. Ficou curioso? Então entra aqui: http://www.oteatromagico.mus.br/novo/

Nô Stopa - Menina meiga, filha de músicos, talento e voz ímpar. Essa menina é tudo de bom. Letras que brincam com as palavras e versos. É muito legal a maneira como ela veste seus poemas e de seus amigos compositores. Quem sabe ainda não caio nas graças dela e algum poema meu vira música dela.... Não resista e visite o perfil dela no "MySpace":

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=81962604

Xangai - Esse é um veterano. Eugênio Avelino. Trovador do cancioneiro nordestino. Adora uma cantiga, uma canção. Canta as realidades do nordestino, da beleza e graça da natureza e do encanto das relações. Esse homem tem uma voz, que por sí só já é um instrumento. Num primeiro momento, você estranha pra caramba e depois se envolve no seu cantar. Aqui você pode conhecer um pouco mais da história desse baiano cantor/cantador: http://www.mpbnet.com.br/musicos/xangai/

E todos ele s têm outra coisa em comum. Músicas belíssimas no seu repertório. É impossível você não se encantar com Zensider (por Titane), com Soneto ao temporal (por Nô Stopa), com Pequenina ou Fábula Ferida (por Xangai), com Realejo ou Ana e o mar (por Teatro Mágico), com (por Ceumar).

E a gente se pergunta, como é que tanta gente boa (citei só 5 delas e são centenas, milhares!) fica escondidinha do grande público. E a aí a gente fala no impulso: É a mídia. É o poder econômico ou é o interesse das gravadoras.

Na verdade, pode ser tudo isso sim e pode ser que seja também que é melhor seguir os outros. É mais fácil.

É mais fácil ouvir a música da novela, o costume desse ou daquele. Aceitar o que nos dizem a ter que pensar no que queremos ouvir. Não é mesmo?

E isso nos remete a outra questão, que venho matutando aqui. No caso de nossa amiga Eloá, foi dito que a culpa foi da mídia (também). Sua influência pode ter atrapalhado tudo. Onde ja se viu? entrar no ar com um sequestrador. É um pouco demais (ouvimos ou lemos por aí).

Quer saber? A culpa é de todos nós. Que perdemos a noção da realidade. E tudo pra nós é fantástico, informação e interatividade. No fundo, tudo aquilo, pra grande maioria era um grande "divertimento" (com o perdão da crueldade). A audiência de todas as TVs estavam lá em cima, durante o "evento". E a culpa ainda é da mídia? Ok...

Meus queridos, temos o poder de decidir o que se transmite, o que chega aos nossos olhos e ouvidos e principalmente do que sai pelas nossas bocas. Basta uma decisão.

Sabe o pior de tudo? Que se amanhã acontecer algo similar. Agiremos da mesma forma. Não repudiaremos uma cobertura sensacionalista, pelo contrário ficaremos fuçando que nem malucos, nos canais de TV, procurando, buscando na internet e em qualquer lugar.

A culpa é da mídia...ok...ok..

Com carinho

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Frutas molecas



Caras lambuzadas e pernas cruzadas
Sentados alegres, no chão de um terreiro
Entre mordidas, barulhos e risadas
Uma fruta desperta o sorriso faceiro
...
Amora ou manga? - Melancia primeiro!
Respondem os donos das roupas manchadas
- Mancha de fruta, sai no aguaceiro!
Respondem as mães já acostumadas
...
Mexerica azedinha e abacaxi bem docinho
Melancia vermelha e o chão molhadinho
Viagem no tempo, lembranças sapecas
...
Colhidas no pé, eu sinto o gostinho
Da amora, da manga, bem perto do ninho
O gosto de infância das frutas molecas!




Certamente, todos vocês já brincaram e se lambuzaram com alguma fruta moleca. Talvez ainda não soubesse que existia essa família das frutas. Pois é. Existe!
...
As frutas molecas têm como caracteristica principal a de fazer bagunça. Quando consumidas, elas sujam chão, roupas, lambuzam caras e bocas. Tudo isso devido a forma como devem ser consumidas, para que seus efeitos benéficos aconteçam.
...
E quando consumidas de maneira adequada (conforme descrito acima) os efeitos são alegria incontida, aumento da capacidade de voltar aos tempos de criança, desejo de estar com as pessoas que amamos e disposição para brincar.
...
Há de se cuidar dos efeitos colaterais, que podem ser o riso frouxo, roupas manchadas, que voltam ao normal num aguaceiro (Ah! Aguaceiro é uma chuva boa, água que corre numa bica, etc.), vontade de brincar com alguém, enfim...cuidado...pode ser muito delicioso!
...
Frutas molecas são muito boas, não é mesmo?
...
Agora, aqui entre nós, você jura que ainda vai comer (ou chupar) uma melancia, cortando pedacinhos com uma faca? Será que você resistirá ao desejo de pegar uma fatia e comê-la, lambuzando-se todo?
...
Ah! Manga em pedaço? Tem certeza, que você não sente uma vontade danada de pegá-las com a mão e chupá-las, e suas mãos escorrendo com aquele caldo bom e aromático? Até chegar ao caroço, com fiapos, que ficam parecendo cabelos arrepiados.
...
Tá bom, mexerica, em gomo, num pratinho! Tudo bem...Eu prefiro sentar no chão, e deixar que ela brinque comigo....carocinhos colocados do ladinho...cascas também...depois de satisfeitos, tudo na mão e jogamos no lixo. Orgânico, claro! Quem tem bosque, pode jogá-las por lá mesmo, os pássaros agradecem e os bichinhos também.
...
E tem tantas outras frutas molecas maravilhosas! Amora! Essa é boa no pé. Até enjoar. São miudinhas. Jabuticabas também combinam com brincadeiras. E tem outras que não são tão comuns em todas regiões, como pitanga, goiaba, umbu-cajá, morango, caqui, e por aí vai.
...
Então, vai uma fruta moleca aí?
...
Ah! Acabei de lembrar! Essas frutas são incríveis para que a nossa percepeção de que "sempre tem algo acontecendo" se desenvolva mais rapidamente.


CARPE DIEM

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Isso está indo rápido demais (ou homenagem ao amigo que se foi...)

07:02 - Relógio desperta
07:22 - Dentes escovados, barba feita e banho tomado
07:35 - Entro no carro, chave no contato, saída de casa
07:45 - Parada no banco
07:50 - Estrada por uma hora
08:30 - Parada para um café rápido
08:40 - De volta a estrada
09:21 - Chegada ao destino
10:00 - Reunião de apresentação
10:35 - Novos ajustes
11:00 - Segunda reunião
12:00 - Almoço rápido
13:00 - Continuidade dos trabalhos
17:00 - Última reunião do dia
18:45 - Entro no carro, estrada, noite chegando, apesar do horário de verão
19:30 - Parada para um café
19:45 - De volta a estrada
20:20 - Chegada em casa
20:35 - Telefone toca (melhor amigo)
20:37 - Acabo de receber a notícia que um grande amigo nosso faleceu, assim, sem mais nem menos. Infarto.
Idade? Menos de 40, um pouco mais de 30 anos.
Como tudo passa tão rápido.

E logo com ele, que tinha uma frase, pra nossas correrias, no tempo em que trabalhávamos juntos:

- Samuel, isso tudo tá indo rápido demais!

E essa voz que agora está viva dentro de mim. Pronunciada com toda sua cerimônia, com voz de locutor romântico de FM.

E entre um suspiro (de é isso mesmo?) e uma sensação que me preenche agora (de ele deve estar bem!), neste exato momento, me pego a pensar como tudo voa! Como uma borboleta, entre as flores de um jardim ou as árvores de um bosque.

E deve ser assim, que nosso querido amigo deve estar agora, voando. E provavelmente, conhecendo-o, não deve estar voando rápido.

E sim com graça e aproveitando cada flor que passa por perto. Sentindo seu perfume, observando suas cores, forma. Olhando o todo. Aprendendo e ensinando...

Afinal, além de homem simples ele também era um professor. Daqueles que nem existem mais. Tão jovem e de um tempo tão antigo.

Quando o olhava, imaginava-o como um lorde, dos tempos antigos. Clássico. Com sua voz pausada e marcante. Um homem, um amigo, um professor. Quantas pessoas numa só!

Hoje, meu amigo, que achava tudo rápido demais, nos pregou uma peça e se foi.
Ao seu estilo, clássico. Discretamente deixou a cena, após seu último número. Dispensou os aplausos, que agrada mais aos vaidosos. Dispensou as lágrimas, que combina mais com os melodrámaticos e se foi.

Deixando o nosso espetáculo, um pouco mais triste, sem a sua presença. Afinal, tinha um papel importante na vida de muitas pessoas.

Com a certeza, que um novo espetáculo de beleza e sabedoria inicia agora, num outro palco, onde provavelmente será de grande importância. Afinal, ele era um nobre, que agora voa. Certamente chegará em grande estilo, cadenciando os apressadinhos:

- Meus amigos, vocês não acham que tudo aqui anda indo rápido demais?

Paz, equilibrio, conforto e muito aprendizado. Sei que você dá conta meu amigo! Conte conosco. Sempre! Peço ao pai maior que conforte a família e seus amigos.

É isso. Nem tudo é como a gente quer. A vida é maravilhosa e deve ser aproveitada cada minutinho dela. Nada de deixar as coisas pra depois.

O lugar é aqui (ou aí ou acolá, dependendo de onde você estiver agora) e a hora certa é agora.




Nossos Castelos


Castelo, segundo definições dos dicionários e enciclopédias é uma edificação cuja finalidade é a proteção de um território e do povo que nele habita. Pode ser considerado também como uma "residência fortificada", uma vez que os reis e seu seguidores próximos, senhores feudais (dominantes de determinadas regiões), e a burguesia (em caso de guerra) poderiam se abrigar no mesmo ou até mesmo fixar residência, no caso dos primeiros.

Creio que a maioria das pessoas já viu um castelo, seja num filme, numa foto ou então no desenho singelo acima.
E o que isso tem a ver com o nosso post de hoje? Tem tudo a ver.
Gostaria de falar dos castelos que construimos, que nos protege de inimigos(?) inúmeros.
...
Os belos castelos
Alguns têm por hábito constuir castelos lindos. Baseiam-se na aparência e por isso estão sempre, esteticamente muito bem. Roupas de grifes, cabelos impecáveis e todos os adereços possíveis para que realmente a "construção" impressione. Este castelo tem como característica principal a sua fragilidade. Um pequeno "ataque" as bases de defesa e pronto, o castelo cai por terra.
...
A preocupação com a aparência é tamanha que pouco se investe em valores sólidos, que norteiam o desenvolvimento de qualquer ser humano.
....
Os fortes castelos
Outros têm por hábito a auto-preservação. Para isso, constroem castelos, com forte muralhas, praticamente intransponíveis. E essa arquitetura baseia-se em caras carrancudas, pouco diálogo ou nenhum, indelicadeza, comportamento preconceituoso e muito arcaísmo.
Geralmente o construtor do castelo, já desgosta de algo por princípio. E quem perde? Ele mesmo.
Provavelmente perde inúmeras oportunidades de conhecer pessoas interessantes. E o pior, jamais se faz conhecer. Cresce e desenvolve-se em amarguras e sentimentos miúdos.
...
Os nobres castelos
São construções baseadas no bom gosto e principalmente no bom senso. Lá entram pessoas novas, que tenham algo a acrescentar ou aquelas que necessitam de valores e estão dispostos a encontrá-los lá.
...
A solidariedade e o amor está disponíveis em cada tijolo do castelo construído. Embora sofra alguns ataques, a capacidade de reposição e reconstrução deste castelo é imensa. Ou seja, até que não é tão ruim correr alguns riscos, uma vez que na maioria das vezes os ganhos são tantos.
...
E cada um, constrói o seu castelo como deseja. Ele pode ser belo, forte ou nobre.
...
É um decisão que cabe ao construtor ao longo de sua vida. E o bom de tudo isso é que você pode mudar o estilo de seu castelo a qualquer momento. Acrescentando materiais nobres (caráter, boa fé, amor, etc.), mão-de-obra qualificada (amigos, parceiros, familiares, etc.) e objetivos agregadores (solidariedade, melhoria individual e do próximo, etc.).
...
E como sabemos que sempre tem algo acontecendo, que tal começarmos hoje a melhorar o nosso castelo? Fazer dele, algo que você e seu povo (amigos, familiares, colegas de trabalho, simpatizantes) tenha orgulho e que seus inimigos respeitem?
...
Por isso, eu , Rei do Reino onde "Sempre tem Algo Acontecendo" decreto que hoje, todos os castelos terão o direito de serem melhorados, repaginados e elevados a grandeza que cada um merece. O prêmio será a tranquilidade, a paz e a segurança de ter seguido o melhor caminho. E tenho dito!
...
Até o próximo comunicado real!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Soneto ao Acaso


Insistimos num passo planejado
Com cuidado...Como quem vê o futuro
Teimosia de um querer desavisado
Que aprisiona o desejo belo e puro

Se a luz descortina o sonho escuro
A surpresa me deixa encantado
Do medo, em seus braços, eu me curo,
E liberto o amor, antes guardado.

Quanto tempo perdido em previsões
Reprimidas as muitas emoções
Quantas sombras trazidas pelo ocaso

E surpreso com as mais belas visões
O encontro de nossos corações
Nós devemos a um simples e mero acaso!
....
Dedico esse soneto, à minha "Princesa da Lua", que por acaso,
conquistou esse "Cavaleiro do Luar"
...
Um amanhã cheio de acasos pra vocês.
...
Começamos a entender, aos poucos, que "sempre tem algo acontecendo"
e chegou a hora de sabermos também que o futuro é um emaranhado de idas e vindas.
De pequenas acontecências!
Planejar é prudência
Obsessão com o futuro é desprezar o hoje!
...
Conselho do dia:
CARPE DIEM!
...
E viva o amor, o acaso, as surpresas, os pequenos presentes da vida.
Nos veremos em breve...por acaso

Ensaio sobre a visão

Ontem fui assistir ao filme "Ensaio sobre a cegueira"
Quero ler o livro...ele vivia me convidando pra conhecê-lo
Creio que agora vou aceitar ao seu convite
Claro, que antes vou desculpar-me pela desfeita anterior
...
Estava eu e minha filha, a Sandy.
Fizemos um programa de pai e filha. Bom, né?
Eu adoro. Sou paizão por natureza.
E ela não é mais nenhuma menina
Como o tempo passa!
Minha filha cresceu e apareceu.
Quer saber? Ela pra mim será sempre minha "Sandynha"!

E fizemos outra coisa que eu também adoro.
Ir ao cinema sem planejamento...
Sem aquela coisa de ficar montando estratégia pra chegar
Filme na cabeça, horário de saída combinado.
Chegamos lá, pegamos uma fila, fomos atendidos
Desistimos no caixa: Peraí, a gente vai escolher outro filme!
(A moça, com a voz sintetizada pelo equipamento de som, riu)
Lemos cuidadosamente todas as sinopses dos filmes disponíveis
Riamos e fazíamos comentários inteligentes(?) enquanto isso.
E esse filme me levou a algumas viagens.
Primeiro que tinha tudo a ver com o meu post anterior (Pôr-do-Sol) e
segundo por que é por aí mesmo.

Na verdade, muito de nós já estamos cegos (uma cegueira de luz).
Temos olhos apenas para a tela do computador, ou da TV, ou do jogo eletrônico ou para o outdoor (eletrônico) ou para a tela de cinema, ou...
E, como no filme, perdemos a visão para o que importa.
Para as pessoas, natureza, coisas à nossa volta, alegrias e sofrimentos.
...
Quem de vocês já viu por exemplo, e se viu, ainda se lembra:

Do brilho poético de um vagalume? Uma joaninha vermelhinha, com bolinhas pretas? Uma borboleta multi-colorida? Um caramujo apressado...(esqueci! caramujos nunca estão apressados!) Um louva-deus?

Sem contar na beleza dos crisantemos, lisiantus, margaridas, flores de maio, violetas...

A sombra gostosa de uma árvore.

Já experimentaram sentar-se à sombra de uma árvore? É a melhor terapia energizante que eu conheço.

Sente-se lá um dia.

Não tem árvore em casa? Vá a um parque. Não tem parque? Procure uma árvore pública, numa praça, numa rua, numa estrada...

De preferência, sente-se e não pense em nada.

No máximo, leve um livro gostoso, pra uma leitura descompromissada. Nada de levar aquele livro cheio de conceitos ou pior, pra fazer algum trabalho da escola ou faculdade.

Vai estragar a sombra e a árvore.

Que tal, antes que se esqueça completamente, você procurar ver as coisas listadas acima? Dizem que a cegueira começa assim...esquecemos das formas, das cores, das emoções....
Depois você me conta como foi a sua sombra, da sua árvore escolhida.


Bom final de semana (Hum! Bom para uma sombra acolhedora).

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pôr-do-Sol


Como é belo o sol se escondendo no horizonte


Isso me fez lembrar do Pequeno Príncipe
Que adorava (ou melhor adora!) esse espetáculo
E no seu planeta pequeno
Bastava mudar um pouco sua cadeira de lugar
E lá estava um novo pôr-do-sol pra ele!
Teve um dia em que ele viu o sol se pôr, 43 vezes!
Aqui precisamos de 24 horas de espera para apreciarmos um
E quem se importa?
O sol tá lá todo dia mesmo
E isso me faz lembrar outra coisa...
Quantas coisas estão sempre lá mesmo
E nem ligamos pra elas
Pior é quando não se trata apenas de coisas
E sim de pessoas!


E assim como muitas vezes nem ligamos para um pôr-do-sol
Deixamos de nos importar com as pessoas
Que brilham todos os dias em nossas vidas
Como um astro, giram ao nosso redor
E giramos ao redor delas
Sem percebê-las


Nem cumprimentamos
Nem apreciamos
Nem agradecemos


Assim como nós passaremos para o sol
As pessoas passarão para nós
Que tal começar hoje mesmo
Olhando o próximo pôr-do-sol que tiver pela frente?
Que tal perceber o brilho radiante das pessoas que o rodeia?


Abra um sorriso e diga
Que bom que está aqui!
Que saudade de você!
Como você é importante pra mim!


Pois é!
Não é à toa que esse blog se chama:
"Sempre tem algo acontecendo..."


Beijo e abraço!
A gente se encontra...


Ah! Antes que eu me esqueça:
Você que lê essas linhas,
é muito importante pra mim!


CARPE DIEM

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Nostalgia - palavra poética...

Existem algumas palavras que são poéticas e traduzem-se em si mesmas.
Esse é o caso da palavra Nostalgia.
Fechem os olhos e a recitem calmamente...
Deixe que ela brinque na sua boca
Perceba os movimentos dos lábios, da língua, do ar...
Nostalgia vem do grego, nostos (retorno para casa) e algia (dor, aflição).
Nostalgia seria então o "sofrimento romântico" causado pelo desejo da "volta para casa"...
Aquelas lembranças que ficam guardadas, de um tempo, de um lugar, de uma pessoa...
...
Ontem, eu estava nostálgico.
Minhas lembranças embaladas por um tempo de simplicidade
Brincadeiras na rua de casa ou na rua da casa de um amigo
O primeiro beijo atrapalhado numa menina
Os colegas de escola
O trajeto a pé, da escola até minha casa
Brincadeiras e cumplicidade com minha irmã do meio
Cuidados, carinhos e mimos com a caçula
Bolo de mãe
...
Desde cedo, aprendi a flertar com a lua, as estrelas
Com as palavras!
Jamais esqueço a emoção que senti quando aprendi a ler.
Escrevo hoje graças a minha cartilha "Caminho Suave"
A vida é uma viagem nostálgica e...
Se temos alguma dificuldade em vislumbrar o futuro
Temos todo o passado para nos embalar
Um embalo bom
Não aquele ato de remoer, sobre o que deveria ter ou não feito
Essa modalidade de acesso ao passado é nociva
Nada acrescenta em nossas experiências



A Nostalgia? Essa sim...É mais que aceitável!
A Nostalgia é como uma ida ao cinema
Só que ao seu cinema particular
Você escolhe as cenas, a época, as cores e a trilha sonora
E nesse passeio ao passado
Você revive coisas boas e emocionantes
E como num passe de mágica
Lá está você, envolto num ambiente encantado
De suas memórias...
...
Ah! Hoje, pelas emoções sentidas, certamente fará parte de alguma lembrança nostálgica minha...
Num amanhã não tão distante, pressinto...
"Na verdade a filosofia é nostalgia, o desejo de se sentir em casa em qualquer lugar"
Friedrich Novalis - poeta e pensador alemão (1772/1801)
...
Até o próximo encontro...
...
CARPE DIEM
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