sexta-feira, 21 de junho de 2013

Brasil: Estado de direito (ou há algo estranho no ar)

Há algo estranho no ar.

Para muitos de nós, que participamos de outras manifestações, ao longo da história da democracia deste país, soa muito estranho como estes últimos movimentos surgem. Se num primeiro momento havia uma linha mestra e uma liderança, mesmo que frágil, do Movimento Passe Livre, hoje é evidente que eles não têm e não querem mais a responsabilidade pelo que está acontecendo nas ruas.

No último 20 de junho tivemos a mobilização de mais de 100 cidades pelo Brasil afora e segundo estimativas, mais de 1 milhão de pessoas nas ruas. Em poucas cidades tivemos violência e vandalismo em excesso e as manifestações, na sua grande maioria, transcorreram de forma pacífica.

O descontentamento é generalizado e se fossemos tratar aqui de todas as coisas erradas ou que não funcionam no país, teríamos que ficar horas escrevendo. Como a intenção deste texto não é esmiuçar as razões dos manifestos e sim o formato do mesmo podemos seguir em frente.

É evidente que o movimento é apartidário (ao extremo) e que não possui uma liderança ou lideranças fortes envolvidas. Também já está claro que ele tem se fortalecido através das redes sociais, especialmente do facebook, onde o ponto forte é amplo aproveitamento da capilaridade das relações virtuais (nos moldes da Teoria dos 6 graus de Separação).

Podemos concluir que ser apartidário tem como positivo o fato de o movimento não ser instrumento de manobra política deste ou daquele partido ou corrente ideológica. Por outro lado tem como ponto negativo justamente esta total desvinculação com a organização política vigente no nosso país.

Ora, uma coisa é discordar das ideias e atuações dos partidos que aí estão ou com os governantes atuais e seus representantes no legislativo, outra coisa é não querer sequer o diálogo. Afinal, o único caminho para que as mudanças ocorram é o diálogo. Outra maneira é a revolução armada, tomada de poder, fechamento das instituições que nos levaria a uma nova ditadura.  Creio que não é isto que queremos.

Um movimento sem organização, pautas objetivas, passíveis de negociação e sem lideranças representativas ou acaba no vazio ou torna-se elemento motivador para a desordem total.
Queimar bandeiras partidárias ou impedir a participação de instituições legítimas e legais da sociedade talvez não seja o melhor caminho para melhorar um país. O ideal seria que o movimento tivesse uma pauta clara de reivindicações, bem como a definição de um interlocutor para que esta pauta começasse a ser negociada.

 Podemos tratar, com os governos federal, estaduais e municipais, de várias demandas, como por exemplo, a corrupção, o mau uso do dinheiro público, a baixa qualidade dos serviços públicos e aí por diante.

Podemos ainda reivindicar uma revisão no modelo político eleitoral atual, como por exemplo, a obrigatoriedade ou não do voto, mudança na forma de representação no Congresso, adoção do sistema americano para eleição presidencial, com voto distrital entre outras ideias que poderiam ser colocadas na mesa.

Para tudo isso aqui exposto, se faz necessário uma organização política, bem como uma participação efetiva das instituições de governo ora estabelecida. Caso não haja alinhamento com este ou aquele governante ou parlamentar, a forma democrática de se mudar isso é no voto popular. Por diversas vezes, o povo desperdiçou a oportunidade de mudar o país que aí está com o seu voto. Lembrando que a Justiça Eleitoral, a cada ano, aumenta o nível e a riqueza das informações dos candidatos, disponibilizando acesso a ficha dos mesmos, suas realizações e mesmo assim dezenas de fichas “sujas” foram eleitos. 

Nós temos “mensaleiros” condenados, cumprindo mandato e recebendo por ele. Não estão lá na marra. Estão lá por que foram eleitos, por nós. 

Acreditem. Um movimento apartidário é um movimento que visa e encoraja o regime ditatorial e não existe, em nenhum lugar do planeta, uma ditadura bem sucedida.

#AcordaBrasil
#SeorganizaBrasil

CARPE DIEM 

2 comentários:

Ricardo Macagnan disse...

Pois, é, Samuca! Mas deve-se ressaltar um comportamento curioso frisado pela mídia: a atitude de não compactuar com baderneiros vista em muitos destes protestos. Para mim, foi um sinal claro de que o brasileiro já não está mais aceitando ser nivelado em um mesmo padrão. Será o despertar da consciência ou apenas a moda do "ser politicamente correto"? Tomara que seja mesmo uma mudança na consciência do brasileiro...

Derli Macagnan disse...

Pela diversidadedos protestos recentes nota-se que ha um desconforto geral nas relaçoes Povo-Governo. O povo esta frustrado com seus eleitos. O governo deu as costas para o povo que o elegeu.
Ha muita cosa errada no governo, nos tres poderes. Ha muita injustiça social. Os serviços publicos são muito precarios e pagos a preç de ouro por nossos altos impostos. Ha muito enriquecimento ilícito entre os integrantes do executivo, legislativo, judiciario e estatais, ale de seu aliados vip. O povo clama por justiça social ainda que de forma desconexa e sem grades lideres.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...