quarta-feira, 27 de março de 2013

Ser - Uma questão de atitude

A gente vive um momento interessante no Brasil. Somos, cada vez mais, uma país de oportunidades reais. Um país com dinheiro. Com pessoas com dinheiro. Claro que aqui, antes desse momento singular, já existiam pessoas com dinheiro. Em menor número.

Com dinheiro, as pessoas compram coisas. Criam necessidades. Criam expectativas. Consomem.

Onde há pessoas com dinheiro, empresas investem em produtos, em publicidade que informa que as pessoas precisam dos produtos criados. Criam necessidades. Dependência.

Bem. A combinação destes dois fatores vocês já sabem o que ocorre na prática.

Então acontecem coisas interessantes. Pessoas passam a ser o que elas têm e não mais o que elas são. É o famoso julgamento do livro pela capa.

O mais engraçado é que se você é um daqueles que não entram no esquema são obrigados a dar mil explicações por manterem um estilo de vida mais econômico.

Como você vive sem o celular de última geração? Não tem tablet? Por que você tem um carro popular, podendo ter um carro tal? Seu filho estuda em colégio público? Você não usa roupa da marca tal?

Essa lista vai longe se explorarmos bem. Passa pelo que você come, bebe, veste, calça. Passa pela forma que se produz, se cuida e assim vai.

O mais engraçado, é que tudo é tão automático que você se pega explicando, justificando o por que de ter feito essa escolha. Ah! É por que eu não sou tão ligado assim em tecnologia. Ah! É escola pública, mas é um das poucas de qualidade na cidade. Ah! É por que eu não me ligo tanto em carro. Você se explica por fugir do comportamento normal. Não é estranho? Eu acho!

Não tenho nada contra pessoas que são antenadas com a tecnologia, com a modernidade, com o "bom gosto" para se vestir, se alimentar e por aí vai. O que me incomoda mesmo é o fato de alguns confundirem todo esse "ter" com o realmente "ser".

Você acredita que ainda, veja bem, escrevi "ainda", existem pessoas que lhe tratam pelo que elas têm ou a posição que elas ocupam na sociedade ou na empresa? Você explica: "Fulano, isso não é bem assim". O outro responde, em sua empáfia: "É. Pode até ser. Mas eu QUERO assim. Faça!". Você faz, para evitar confusão.

Há ainda pessoas que têm dinheiro, bens móveis e imóveis, poder e não se contentam em aproveitar isso. Querem mais. Querem sempre. Estão indo sempre em frente. Bem. A Terra é redonda. E seguir sempre em frente é o caminho mais longo pra se chegar no lugar onde você já está.

Há pessoas que não conseguem ou pouco conseguem falar sobre outras coisas que não sejam dinheiro ou coisas que o dinheiro compra. E mesmo quando não falam sobre isso, falam sobre performance, resultados, comparam o que é mais com o que é menos.

Bem. Acho que não precisamos generalizar e nem devemos. Apenas pense o quanto você está preso nesta rede do ser pelo ter. Sugiro fazer uma experiência de viver sem algumas coisas tão essenciais(?) por um final de semana, ou se for muito sacrifício  por um dia do final de semana. Você descobrirá coisas ótimas. Talvez pertinho de você. Ao invés de um jogo eletrônico, um jogo simples de tabuleiro ou cartas. Ao invés de visitar as redes sociais, leia um livro de poesia, de contos, crônicas. Ao invés de ir a padaria, que fica a quatro quadras de seu condomínio ou casa, vá a pé. Sinta o chão sob os seus pés. Ao invés de falar sobre "custo-benefício" conte e ouça uma piada, um causo, uma prosa à toa.

Tenha menos. Seja mais! Vai que dá certo e você descobre que não precisa de tantas coisas assim?
CARPE DIEM

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