quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Cavalo do Rei (ou os sonhos de cada um)


Certa vez um Rei teve um sonho que o deixou intrigado. E este sonho se repetiu por dias e dias. E quanto mais ele tentava esquecer aquele sonho, mais ele marcava presença em suas noites. Foi quando resolveu reunir os sábios do reino para relatar-lhes o sonho que o acompanhava e sempre com o mesmo desfecho.

Depois de cumprimentarem solenemente o bondoso Rei, lá estavam todos os sábios reunidos, em volta da grande mesa do Reino, prontos para ouvir o que o Rei tinha a relatar sobre seu sonho, que dizia assim:

Estava eu numa linda estrada, margeada por belas árvores que tornavam o trajeto agradável, graças à sombra fresca. Além das árvores, ele percebeu que havia pequenos jardins que coloriam tudo em volta. Seguia ele velozmente em seu cavalo branco sempre em frente. Sempre em frente. Intrigava-o a estrada não ter nenhuma curva.

Mais adiante, ele pode ouvir um som característico de água caindo nas pedras. Tratava-se de uma cachoeira. Aquele som aumentava, à medida que ele se seguia em sua direção. Rapidamente, em seu cavalo, chegou a vislumbrar a queda d’água, quando passou ao lado dela. Uma vontade de entrar nestas águas o invadiu, mas ele estava com pressa. Na verdade, ele até tentou frear seu cavalo, porém ele não obedeceu a seu comando.

Continuava seguindo em frente, quando vislumbrou uma pequena casa aconchegante, com um lindo flamboyant florido à sua frente. Percebeu que crianças brincavam alegremente no quintal. Queria saber do que brincavam e o que os alegrava tanto! Viu também um belo templo, que mesmo a distância transmitia uma sensação de paz e harmonia ao seu espírito. Tentou parar seu cavalo, que não obedeceu, mais uma vez.

Mais coisas belas passaram por seus olhos. Serras, aves cortando os céus ou cantando nos galhos das árvores que margeavam aquela linda estrada. Pessoas caminhavam. Animais teimavam em se mostrar pra ele. Era como se todas as coisas belas da vida, fizessem parte daquela estrada. Se no começo da viagem ele estava fascinado com a magia desta estrada, ao perceber que seu cavalo nunca cansava e nem parava, ele ficava cada vez mais preocupado, amedrontado. Perguntas povoavam sua cabeça. Ficarei neste cavalo pra sempre? Não poderei aproveitar tantas coisas belas desta estrada? Pra onde estou indo mesmo? Quando chegarei ao meu destino?

Aflito, olhando para seus sábios, o Rei fala:

- Envolto em tantas perguntas despertei, sem saber o desfecho desta minha viagem nesta estrada. O que meus sábios acham que significa este sonho que me persegue há semanas? Sempre da mesma forma.

E conclui:

- A única coisa que muda é que a cada repetição percebo mais detalhes da estrada. É como se a cada visita ao sonho, já familiarizado com o caminho, começasse a observar mais as pequenas coisas. E justamente essa percepção que torna o sonho mais doloroso, por que em todas às vezes, não consigo parar ou diminuir a velocidade do meu cavalo. Sempre em frente e sem conhecer qual o meu destino.

Os sábios pedem licença ao Rei e após discutirem o repetitivo sonho do Rei chegam a uma conclusão que um deles transmite ao mesmo:

- Nosso querido Rei, concluímos que seu sonho recorrente está lhe mandando um aviso. Imagine que a Estrada simbolize a VIDA. As árvores, as flores, os pássaros e animais são as BELEZAS que a natureza oferece aos nossos olhos e corpo. A cachoeira simboliza a RENOVAÇÃO de energias. A casa, com crianças brincando sob uma árvore representam a ALEGRIA de compartilhar os bons momentos com os seus. O templo representa a PAZ que todos nós precisamos para seguir em frente.

- E o que quer dizer não conseguir parar meu cavalo nunca? – Pergunta o Rei.

- Muito simples, meu nobre Senhor. O cavalo representa seu QUERER sempre mais. Não bastam as árvores, as flores, os pássaros, os animais, as crianças, a alegria do brincar, o frescor de um banho de cachoeira. Embora tudo isso lhe encante, em seu sonho, o que busca é sempre seguir em frente. Conquistar mais. Ter mais. Ser mais. E como esses objetivos não têm medida, seu cavalo não consegue parar.

A partir daquele dia, o Rei começou a valorizar tudo o que o cercava, considerando VIVER como uma parte importante de seus objetivos materiais.

CARPE DIEM

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