sexta-feira, 21 de junho de 2013

Brasil: Estado de direito (ou há algo estranho no ar)

Há algo estranho no ar.

Para muitos de nós, que participamos de outras manifestações, ao longo da história da democracia deste país, soa muito estranho como estes últimos movimentos surgem. Se num primeiro momento havia uma linha mestra e uma liderança, mesmo que frágil, do Movimento Passe Livre, hoje é evidente que eles não têm e não querem mais a responsabilidade pelo que está acontecendo nas ruas.

No último 20 de junho tivemos a mobilização de mais de 100 cidades pelo Brasil afora e segundo estimativas, mais de 1 milhão de pessoas nas ruas. Em poucas cidades tivemos violência e vandalismo em excesso e as manifestações, na sua grande maioria, transcorreram de forma pacífica.

O descontentamento é generalizado e se fossemos tratar aqui de todas as coisas erradas ou que não funcionam no país, teríamos que ficar horas escrevendo. Como a intenção deste texto não é esmiuçar as razões dos manifestos e sim o formato do mesmo podemos seguir em frente.

É evidente que o movimento é apartidário (ao extremo) e que não possui uma liderança ou lideranças fortes envolvidas. Também já está claro que ele tem se fortalecido através das redes sociais, especialmente do facebook, onde o ponto forte é amplo aproveitamento da capilaridade das relações virtuais (nos moldes da Teoria dos 6 graus de Separação).

Podemos concluir que ser apartidário tem como positivo o fato de o movimento não ser instrumento de manobra política deste ou daquele partido ou corrente ideológica. Por outro lado tem como ponto negativo justamente esta total desvinculação com a organização política vigente no nosso país.

Ora, uma coisa é discordar das ideias e atuações dos partidos que aí estão ou com os governantes atuais e seus representantes no legislativo, outra coisa é não querer sequer o diálogo. Afinal, o único caminho para que as mudanças ocorram é o diálogo. Outra maneira é a revolução armada, tomada de poder, fechamento das instituições que nos levaria a uma nova ditadura.  Creio que não é isto que queremos.

Um movimento sem organização, pautas objetivas, passíveis de negociação e sem lideranças representativas ou acaba no vazio ou torna-se elemento motivador para a desordem total.
Queimar bandeiras partidárias ou impedir a participação de instituições legítimas e legais da sociedade talvez não seja o melhor caminho para melhorar um país. O ideal seria que o movimento tivesse uma pauta clara de reivindicações, bem como a definição de um interlocutor para que esta pauta começasse a ser negociada.

 Podemos tratar, com os governos federal, estaduais e municipais, de várias demandas, como por exemplo, a corrupção, o mau uso do dinheiro público, a baixa qualidade dos serviços públicos e aí por diante.

Podemos ainda reivindicar uma revisão no modelo político eleitoral atual, como por exemplo, a obrigatoriedade ou não do voto, mudança na forma de representação no Congresso, adoção do sistema americano para eleição presidencial, com voto distrital entre outras ideias que poderiam ser colocadas na mesa.

Para tudo isso aqui exposto, se faz necessário uma organização política, bem como uma participação efetiva das instituições de governo ora estabelecida. Caso não haja alinhamento com este ou aquele governante ou parlamentar, a forma democrática de se mudar isso é no voto popular. Por diversas vezes, o povo desperdiçou a oportunidade de mudar o país que aí está com o seu voto. Lembrando que a Justiça Eleitoral, a cada ano, aumenta o nível e a riqueza das informações dos candidatos, disponibilizando acesso a ficha dos mesmos, suas realizações e mesmo assim dezenas de fichas “sujas” foram eleitos. 

Nós temos “mensaleiros” condenados, cumprindo mandato e recebendo por ele. Não estão lá na marra. Estão lá por que foram eleitos, por nós. 

Acreditem. Um movimento apartidário é um movimento que visa e encoraja o regime ditatorial e não existe, em nenhum lugar do planeta, uma ditadura bem sucedida.

#AcordaBrasil
#SeorganizaBrasil

CARPE DIEM 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Brasil: O Copo Transbordou!

E o Movimento que começou como “Passe Livre” tem sua primeira conquista de peso. Prefeituras e governos estaduais, país afora, recuaram nos aumentos ou reduziram suas tarifas dos transportes urbanos. Acuados não viram outra saída. Ou seja, o povo mostrou que tem mais força do que se supunha!

É óbvio que este movimento vem atrasado e ao mesmo tempo em boa hora. Em relação aos Estádios da Copa (que cismam em chamarem de Arena), por exemplo, as construções e desvios de verba já se concretizaram. Faltou nossa fiscalização e nossa mobilização durante o processo. As prefeituras, governos estaduais e o governo federal, despejaram rios de dinheiro e todas as obras, sem exceção, ficaram muito acima do previsto. Sem contar que as melhorias voltadas para mobilidade urbana não foram concluídas na grande maioria das cidades que serão sedes da Copa.

Os “Mensaleiros” acusados, condenados, inclusive com penas definidas estão atuando normalmente no Congresso, protegido por seus pares e provavelmente cumprirão seus mandatos, receberão suas verbas normalmente, mesmo tendo desviado milhões e milhões de reais dos cofres públicos. Mais um caso, que engolimos calados, na época da decisão do Congresso abrigar estes marginais.

Os governos petistas têm por prática, aparelhar ao máximo o Estado. Desde as prefeituras até o Governo Federal, o mais comum, nas suas gestões é o inchaço da máquina pública. É óbvio que custa muito dinheiro, manter mais funcionários do que se precisa. Pior é saber que faltam profissionais nas áreas da saúde, da educação e da segurança. Onde será que estão estes tantos “a mais”? Só os contratantes sabem e os beneficiados, claro. 

Um país onde a propina é prática comum. Um país, onde até para se aprovar algo certo, precisa que o interessado “molhe” a mão de alguém para que o certo seja aprovado. Isto custa dinheiro!

Um país onde um empresário sério demora entre 6 e 12 meses para abrir e legalizar uma empresa. Um país onde um empreendimento pode demorar até 2 anos para ser aprovado e liberado pelos tantos órgão relacionados. Isto custa dinheiro!

Um país, onde os bancos têm seus lucros cada vez mais crescentes ano a ano e a população sofre com o endividamento pessoal e com um apelo cada vez mais intenso ao consumo. 
Um país vendido à indústria automobilística, onde ao invés de priorizar investimento em transporte público de qualidade e estimular o seu uso, se faz justamente o contrário, investe-se em estrutura para que mais carros sejam vendidos. São mais veículos nas ruas, financiados com prazos cada vez mais elásticos São mais estradas, mais reestruturações no tráfego urbano e por aí vai! Isto custa dinheiro

E se por um lado falta foco, por outro, sobram causas.

O copo transbordou! 

CARPE DIEM

terça-feira, 18 de junho de 2013

Brasil: Mostra a tua cara!

Com frases marcantes e de efeito como "O gigante acordou", "Brasil, mostra a tua cara!", "Verás que um filho teu não foge a luta", o Brasil finalmente se posiciona contra tantas mazelas.

Um movimento que começou desorganizado e com "bandeiras" pouco definidas, vai aos poucos, tomando um rumo. Se antes as questões centrais eram o aumento nos transportes públicos (após o governo reduzir a carga tributária dos mesmos) e a reivindicação pelo "PASSE LIVRE" para estudantes, agora temos muitas palavras de ordens com maiores consistência, como os altos investimentos em Arenas da Copa 2014, corrupção, tentativa de aprovação da PEC-37, má qualidade dos serviços públicos, enfim, um mundo de motivos para ir às ruas.

O povo cansou e melhor, tomou gosto pelo protesto. 

Interessante foi perceber que governos e imprensa subestimaram os atos iniciais e mais, desqualificaram-nos. Também ficou claro, que se de um lado falta jeito para o protesto, do outro falta jeito em como lidar com os manifestantes. Truculência demais, morosidade maior ainda.

É claro, que nunca foi só por R$ 0,20 que o povo resolveu ir às ruas. É muito bonito ver governantes, que vivem em condomínios fechados, dirigindo automóveis que muitas vezes representam uma década de trabalho de um operário comum, que são associados dos melhores convênios médicos, dizerem que o Brasil melhorou. É verdade. Melhorou mesmo. Não há como negar. Apenas, não melhorou o suficiente para quem vive nele e dele. Quem depende do salário ou das esmolas assistencialistas de um país, que nos últimos dez anos aprendeu ser aliciado, subornado por bolsas disso e bolsas daquilo.

A movimentação nas ruas é muito mais que protesto. É cansaço!

Cansaço de ter uma escola pública que não educa e não ensina. Cansaço por não ter atendimento decente no hospital ou num posto de saúde. Cansaço por ter estradas e ruas esburacadas. Cansaço por ter uma imprensa pasteurizada, bonitinha de se ver. Cansaço!

Este movimento expõe veículos tradicionais e que sempre tiveram à serviço da aparência, como por exemplo a Rede Globo (com seu padrão Globo de qualidade, que esconde sujeira embaixo do tapete e mostra as baixarias de um BBB), a VEJA, a Carta Capital (veículo a serviço de um partido).  Expõe governantes e deixa claro que quando o PT é governo, também sabe agir como governo, ou seja, reprime e age contra as manifestações que ele mesmo criou na década de 1980.

A corrupção é um produto petista. O controle do povo, através do assistencialismo é um produto do PT. O inchaço da máquina pública, também. O controle  dos veículos de comunicação também foi criação do PT (controle que eles repudiavam na ditadura militar). Quantas vezes o Sr. Lula desqualificou a imprensa, amparado em sua popularidade?Quantas vezes virou às costas para a verdade? E o povo (ou melhor, a imprensa permissiva) achava bonito, achava folclórico. Pois é! E agora, José? E agora, Luís?

O movimento, pelo visto, abalará as estruturas do país que aí está, sim!

Porém é fundamental que os seus líderes não se vinculem aos partidos que aí existem. Este movimento não precisa de radicais ultrapassados e míopes como PSTU, PSOL e PCdoB. Este movimento não carece de baderneiros profissionais, muito menos de vândalos. Este movimento precisa apenas dele mesmo. Precisa ser pacífico, pra não perder a razão. Precisa ser intenso e verdadeiro, para ganhar o apoio do mundo. Precisa ser presente até que as mudanças ocorram. Precisa parar o Brasil, contra a corrupção, assistencialismo e serviços de má qualidade. Precisa calar  "Arnaldo Jabor", "Rede Globo" e "governos" que estão por aí, prontos para desacreditá-los.

O gigante acordou e quando um gigante acorda, faz estragos, E se os corredores são estreitos e os ambientes estão fechados, melhor dar espaço pra ele passar! Nada será como antes!

Se os líderes, que são vários, agirem com sabedoria, aos poucos, tornarão este movimento mais pacífico, os vândalos perderão a força e a força policial assumirá o papel que realmente lhe cabe: garantir a segurança e a ordem, sem violência e truculência. 

Outra coisa ficou clara, nestas ações: As rede sociais (virtuais), pela primeira vez funcionaram como um aglutinadoras e organizadoras de um movimento de grande porte. Há anos pipocam movimentos aqui e ali nestas redes e nenhum havia conseguido o que este finalmente conseguiu: repercussão e presença maciça dos que participam das mesmas!

Brasil: Finalmente, mostra a tua cara! Mostre que é possível indignar-se em PAZ!

CARPE DIEM







segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sol de Outono (Ou Estação Camaleão)


...
O Sol de outono é assim
Entra faceiro pela janela
O vento acompanha seus primeiros raios
Um frescor anuncia o inverno que ronda a estação
O calor do dia nos informa que o verão ainda se faz presente
O Outono é a Estação Camaleão
Flerta com o frio e com o calor
No início da manhã
Pessoas nas ruas, com suas blusas, encolhem-se nos passeios
Mais a tardinha
As blusas são esquecidas, em algum canto
O calor marca presença
E a vida se faz mais iluminada
Só a noitinha é que a gente relembra
Que estamos sim no outono
Estação serena
Estação amena
Outono
...
CARPE DIEM

sábado, 6 de abril de 2013

A chegada do filho


Que a alegria de ter um novo ser em casa seja permanente
Que o sorriso dele os encante
Que o choro os una
Que as conquistas os orgulhe
Que os erros os fortaleça
Que o amor se faça presente
Que a luz divina ilumine tudo em volta
Que a canção os embale
Que o sono seja leve
Que os passos sejam firmes
Que o filho do pai seja força
Que o filho da mãe seja amor
Que as conquistas sejam compartilhadas
Que os limites sejam superados
Que a fantasia seja o mote
Que as histórias sejam contadas
Que sua luz brilhe

Quando um filho nasce
É assim!

CARPE DIEM

Com carinho para Adriana, Diego e Tomás

terça-feira, 2 de abril de 2013

Pantanal (Mãe Natureza)


Banho de rio
Trilha nas matas
Lavo o meu cansaço
Nas frias cascatas

Luz do amanhecer
E a tarde dourada
No céu, nuvens de algodão
E o voo da passarada

Estrelas da noite
E a luz dos vagalumes
E canta uma cigarra
Como é o seu costume

O canto do Aracuã 
Feliz da vida
Anuncia que o dia agora vai raiar
Na Terra querida

De dia,  Sol  brilha lá no céu
À noite, a Lua bem faceira,
Mãe natureza, nossa mãe!
Mãe da beleza verdadeira

É no Pantanal
Que lavo minh'alma
E minha canseira
Numa cachoeira

CARPE DIEM

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Extra! Extra!


“Neste último feriado prolongado não tivemos nenhum acidente de trânsito sequer.”
***
“Todos os deputados corruptos renunciaram aos seus mandatos no Congresso e se apresentaram à Justiça.”
***
“O analfabetismo foi erradicado do Brasil. A Fome também!”
***
“Graças ao uso adequado do dinheiro público, a região Serrana do Rio não sofrerá mais com os deslizamentos de terra. O auge foi a realocação do último morador que ainda resistia na zona de risco.”
***
“São Paulo, apesar das chuvas fortes que caíram no final de semana, não apresentou nenhum ponto de alagamento na Capital.”
***
“As torcidas organizadas finalmente foram banidas dos estádios de futebol.”
***
“A carga tributária cai no Brasil e a sonegação chega à zero.”
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 “As verbas destinadas a redução dos efeitos da seca no nordeste são integralmente empregadas para este fim. Programas de irrigação são um sucesso por toda a parte.”
***
“Celulares nos presídios agora são proibidos e bloqueados com o que há de mais moderno atualmente.”
***
"Fim das guerras! Todas as armas nucleares são destruídas sob a supervisão da ONU."
***
"Brasileiro é considerado exemplo de preservação ambiental!"

Bem poderiam ser manchetes verdadeiras...


CARPE DIEM

  


sexta-feira, 29 de março de 2013

Saudade, simplesmente saudade...


Saudade. Saudade de encontrá-lo em sua sala. 

De ser recebido com seu sorriso expressivo e expansivo.
Do seu olhar amoroso e bondoso.
Saudade dos seus conselhos silenciosos e tão cheios de palavras.
Saudade dele, que com um dos dedos formava letra por letra, de onde brotavam, palavras que aqueciam e envolviam o nosso coração.
Saudade de sua presença. Aquela presença de pai que ele sabia bem como ser.
Dele aprendi a ser mais humano. Ser mais paciente. Ser mais grato pelas dificuldades e desafios que aparecem.
Dele aprendi a ser caridoso e humilde.
Ainda que não tenha tido a capacidade de exercitar tanto aprendizado. A lição foi dada.
Dele ficou o amor, a paciência, a resignação e resiliência.
Ficou a plenitude da coragem e da fé incondicional no Pai maior.

Hoje, bateu a saudade amorosa.

Um tempo atrás, quando era possível, compartilhávamos um bom café da tarde. Um café paciente e demorado. Um café regado a boas palavras e bom companhia.

Um tempo atrás, compartilhávamos uma torcida pelo Guga, no tênis. Não que fossemos fãs e conhecedores de tênis. Éramos conhecedores do compartilhar mesmo. Poderia ser um partida de rugbi, de futebol, de hoquei. Pouco importava. Compartilhar era a melhor viagem.

Outro dia, segurava em sua mão. Como um filho segura na mão de um pai. E ele, humilde e amoroso, apertava a minha. Como um pai que aperta a mão de um filho. Como que dizendo: "Estou aqui. Sei que está comigo. Estou contigo."

Saudade deste homem que tanto nos ensinou. Que nos deum a real dimensão do que é crer e lutar. Do que aceitar e confiar.

Hoje foi assim. Lá fora o tempo corria e seguia o seu curso. Aqui dentro, ele estava vivo, transformado em saudade.

Bom que estás conosco. Bom que está bem.

Que sua janela, na noite de hoje, receba um lindo girassol, simbolizando o meu amor por você. O nosso amor, gratidão e eterno respeito por sua história e ensinamentos.

Durma bem, meu bem! Durma bem, pai presente.

CARPE DIEM

quarta-feira, 27 de março de 2013

Ser - Uma questão de atitude

A gente vive um momento interessante no Brasil. Somos, cada vez mais, uma país de oportunidades reais. Um país com dinheiro. Com pessoas com dinheiro. Claro que aqui, antes desse momento singular, já existiam pessoas com dinheiro. Em menor número.

Com dinheiro, as pessoas compram coisas. Criam necessidades. Criam expectativas. Consomem.

Onde há pessoas com dinheiro, empresas investem em produtos, em publicidade que informa que as pessoas precisam dos produtos criados. Criam necessidades. Dependência.

Bem. A combinação destes dois fatores vocês já sabem o que ocorre na prática.

Então acontecem coisas interessantes. Pessoas passam a ser o que elas têm e não mais o que elas são. É o famoso julgamento do livro pela capa.

O mais engraçado é que se você é um daqueles que não entram no esquema são obrigados a dar mil explicações por manterem um estilo de vida mais econômico.

Como você vive sem o celular de última geração? Não tem tablet? Por que você tem um carro popular, podendo ter um carro tal? Seu filho estuda em colégio público? Você não usa roupa da marca tal?

Essa lista vai longe se explorarmos bem. Passa pelo que você come, bebe, veste, calça. Passa pela forma que se produz, se cuida e assim vai.

O mais engraçado, é que tudo é tão automático que você se pega explicando, justificando o por que de ter feito essa escolha. Ah! É por que eu não sou tão ligado assim em tecnologia. Ah! É escola pública, mas é um das poucas de qualidade na cidade. Ah! É por que eu não me ligo tanto em carro. Você se explica por fugir do comportamento normal. Não é estranho? Eu acho!

Não tenho nada contra pessoas que são antenadas com a tecnologia, com a modernidade, com o "bom gosto" para se vestir, se alimentar e por aí vai. O que me incomoda mesmo é o fato de alguns confundirem todo esse "ter" com o realmente "ser".

Você acredita que ainda, veja bem, escrevi "ainda", existem pessoas que lhe tratam pelo que elas têm ou a posição que elas ocupam na sociedade ou na empresa? Você explica: "Fulano, isso não é bem assim". O outro responde, em sua empáfia: "É. Pode até ser. Mas eu QUERO assim. Faça!". Você faz, para evitar confusão.

Há ainda pessoas que têm dinheiro, bens móveis e imóveis, poder e não se contentam em aproveitar isso. Querem mais. Querem sempre. Estão indo sempre em frente. Bem. A Terra é redonda. E seguir sempre em frente é o caminho mais longo pra se chegar no lugar onde você já está.

Há pessoas que não conseguem ou pouco conseguem falar sobre outras coisas que não sejam dinheiro ou coisas que o dinheiro compra. E mesmo quando não falam sobre isso, falam sobre performance, resultados, comparam o que é mais com o que é menos.

Bem. Acho que não precisamos generalizar e nem devemos. Apenas pense o quanto você está preso nesta rede do ser pelo ter. Sugiro fazer uma experiência de viver sem algumas coisas tão essenciais(?) por um final de semana, ou se for muito sacrifício  por um dia do final de semana. Você descobrirá coisas ótimas. Talvez pertinho de você. Ao invés de um jogo eletrônico, um jogo simples de tabuleiro ou cartas. Ao invés de visitar as redes sociais, leia um livro de poesia, de contos, crônicas. Ao invés de ir a padaria, que fica a quatro quadras de seu condomínio ou casa, vá a pé. Sinta o chão sob os seus pés. Ao invés de falar sobre "custo-benefício" conte e ouça uma piada, um causo, uma prosa à toa.

Tenha menos. Seja mais! Vai que dá certo e você descobre que não precisa de tantas coisas assim?
CARPE DIEM

sexta-feira, 8 de março de 2013

Feitiço (Mulher)

Você me enfeitiça
Com seu perfume
E sempre me abraça
Pois é seu costume

Entrego-me ao seu olhar
Viajo em seu mundo
E sonho contigo estar
A cada segundo

Você me enfeitiça
Quando me beija
Levar-me contigo
Sei que deseja

Vivo sempre a sonhar
Com seu sorriso
Feitiço do seu amor
É o que preciso

Você é a lua do meu céu
O sol que brilha no meu dia
Quando eu me deito com você
Sinto do amor toda magia

Pois quero você
Inteira pra mim
Na minha vida

Poderia ser um manifesto, poderia ser uma declaração, porém, creio que uma poesia para cada mulher que faz parte da minha, da sua, da nossa vida também é bem vinda.

Não importa se alguns dão uma conotação comercial a data, outros um tom revolucionários e outros ou outras nem ligam, achando tudo isso uma grande bobagem.

Revolucionário é ser esposa, amante, mãe, mulher e trabalhadora.

Bobagem é achar que cada mulher não tem nada de especial, quando só ela, entre tantas qualidade, é capaz de conduzir a vida dentro de si.

Dedico este poema a todas as mulheres, que além de serem especialmente abençoadas ainda têm a capacidade de nos enfeitiçar.

CARPE DIEM

terça-feira, 5 de março de 2013

Mulheres - Eva (Capítulo I)


“Quantas coisas eu já enfrentei. A vida é um eterno lutar!” Este era o pensamento que visitava Eva, naquela tarde de final de verão. Em sua cadeira de balanço, apreciando mais um por do sol deslumbrante, na varanda daquela casa repleta de histórias.

Eva percebeu mais uma vez, que estava entrando no seu período nostálgico, como costumava chamar os dias que antecediam o primeiro final de semana de março. Por várias razões – sendo uma das principais o dia em que se casara com Otávio – ela escolhera este período para reunir sua família, hoje espalhada pelo Brasil.

“Como seria bom se ele ainda estivesse aqui!” – Pensou ela, quando se lembrou das razões de seu período nostálgico. Este pensamento não a deixava triste. Houve um tempo que sim. Hoje, não mais! O tempo nos ensina sobre as chegadas e partidas.

Eva era uma mulher batalhadora. Tivera 10 filhos. Destes, 7 “vingaram”, como costumava se dizer naquela época. Poucas mulheres naquela Trazia na face, as rugas que deixavam claro que sua vida não fora fácil. Sua boa memória, sua vitalidade e sua firmeza escondiam bem os 94 anos, que as rugas teimavam em mostrar. “Somos o que acreditamos ser e não o que aparentamos”, dizia sempre ela. Por isso ela orientava seus filhos desde pequenos para que jamais cultivassem maus pensamentos ou comportamentos.  Fez isso também com os netos e bisnetos.

Com a morte de Otávio, há mais de vinte anos, ela se tornara a grande líder daquela grande família. Eram sete filhos, sendo quatro mulheres e três homens, vinte e um netos e onze bisnetos. Ela tinha orgulho de contar como ela e Otávio batalharam no início para criarem os filhos. Ele na lavoura e ela como professora. Todos os anos, com a família em volta da matriarca, talvez com o intuito de reforçar os seus valores, ela narrava suas memórias:

Otávio era um marido moderno. Eu era uma das poucas mulheres casadas que trabalhavam na nossa cidade. Naquele tempo, era uma vergonha para o homem permitir ou precisar que sua mulher trabalhasse para manter uma casa. Sem contar que as mulheres que lutavam por liberdade e igualdade de direitos eram mal vistas pela sociedade. Eu não era adepta destes movimentos, por que não me via hostilizada ou sufocada por meu esposo.

Era um tempo em que os filhos mais velhos ajudavam a cuidar dos menores. A Tereza, na época com 11 para 12 anos era quem nos ajudava a cuidar dos outros três. De manhã ela estudava no Grupo Escolar e quando chegava eu saía para dar aula no mesmo Grupo em que ela estudava. Era sempre assim. Eu deixava a casa organizada, a comida pronta e as tarefas para Tereza.

No inicio da década de 40, com a segunda Guerra em pleno curso na Europa, as coisas estavam difíceis por aqui.  Estávamos em plena Era Vargas, um misto de democracia e ditadura. Se por um lado crescíamos como país, por outro éramos sufocados pela mão pesada do Estado. 

Trabalhávamos muito, eu e Otávio. E aos poucos prosperamos, compramos um pequeno sítio, que logo virou uma pequena fazenda e finalmente começamos a trabalhar na nossa própria lavoura. Com a chegada de mais dois filhos, totalizando cinco na época, parei de lecionar e comecei a apoiar Otávio nas tarefas da fazenda. Enquanto ele conduzia os trabalhos no campo, eu cuidava da burocracia e do comércio. Logo percebemos que eu tinha vocação para negociar nossa produção. Otávio dizia brincando que tinha até medo de estar do outro lado, quando se travada de mim, numa negociação. Eu era uma das poucas mulheres que fazia negócios com homens. Eles estranharam no começo, e aos poucos, foram se acostumando com isso.

O restante da história vocês sabem. Acompanharam à medida que cresciam a nossa volta. Creio que fizemos um bom trabalho e que graças ao meu envolvimento no dia-a-dia de Otávio, consegui cuidar de tudo, mesmo sem ele. Sim! Otávio foi um excelente parceiro!

Naquela família todos a admirava. Porém o brilho nos olhos das filhas, netas e bisnetas deixava claro o quanto Eva era querida e o quanto elas tinham orgulho de serem frutos de Eva. Embora, ouvissem todos os anos a mesma história, elas terminavam sempre fascinadas com a vitalidade daquela mulher quase centenária.

Carpe Diem

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Torcida Organizada (?) - Ate quando?


Eu gosto de futebol. Meus filhos gostam de futebol. Tenho vários familiares, amigos que também gostam. A sensação de estar na arquibancada de um estádio assistindo a uma partida do seu time é indescritível. A tensão, os lances de efeito e a alegria maior: o GOL!

Quem já gritou "GOOOOOOOL" num estádio sabe bem do que falo.
Você pula, grita, olha pra quem tá do lado, se for gol de título abraço até quem não conhece, chora, torce junto. Isso se chama torcer!

Pois é. Há muitos anos, que apesar de gostar muito de futebol, de pouco me importar se os craques não são mais aqueles, que a fidelidade de um jogador ao clube do coração suporta até a próxima melhor oferta ou se existem máfias que compram resultados. Isso tudo é suportável. O que vale é o espetáculo! Um filme também é assim. O roteirista se adapta ao diretor, que se adapta ao produtor, que se adapta ao mercado. Nem por isso as salas de cinema deixam de receber o seu público.

Há coisas piores acontecendo. Como, por exemplo, a presença das famosas Torcidas Organizadas. No Brasil até o termo “organizado” conseguem deturpar, distorcer. Organizada, quando usada para descrever uma torcida, significa que ela tem poder de destruição, de desordem. Por exemplo, se o time “querido” vai mal, destroem-se as salas de troféus, os museus do clube e as instalações ao seu redor. Se por acaso, o time perdeu para o maior rival, a “Organizada” depreda negócios próximos ao Estádio que se realizou a “peleja”.

A “Organizada” também tem como função principal “organizar” rinhas humanas. E são organizados. Agendam horário, local e convocam os participantes de outras “organizadas” para enfim, organizarem uma batalha numa esquina qualquer. Tudo as claras. Numa rede social qualquer.

A “Organizada” tem regalias e conivência dos clubes. São elas que recebem os ingressos dos melhores setores dos estádios em que seus clubes jogam. São elas que recolhem, caso algum desavisado tenha exposto uma faixa enaltecendo que veio do seu Estado, que fica há 2 mil quilômetros daquele Estádio. Tudo isso para que ela, "a Organizada" exponha a própria faixa. Algumas delas com palavras de ordem.

É a “Organizada” que inferniza um time que vai mal num campeonato, persegue e agride jogadores e funcionário de uma agremiação, humilha e expulsa os torcedores comuns. Aqueles que são como nós, uma família.

Por fim, é a “Organizada” que abriga marginais covardes, que viram “machos” (sim, os termos “homem e mulher” são usados para humanos, animais têm seus gêneros definidos como “macho e fêmea”) que ferem, matam e riem na cara da morte, do morto...

Foi uma “Organizada” que na quarta-feira, dia 20 de fevereiro de 2013 tirou a vida de Kevin Douglas Beltrán Espada, um menino de 14 anos, torcedor do San Jose, uma agremiação boliviana. Neste caso, foi muito mais irresponsabilidade do que premeditação. É como alguém que brinca de pular fogueira e um dia se queima. Brincar com fogo é perigoso e quanto mais riscos você corre, quanto mais perto do fogo você chegar, mais sujeito a um acidente você está.

Disparar um sinalizador ou soltar fogos num estádio repleto de torcedores é um risco e sim, pode causar um acidente fatal. Ou seja, o fato de ter sido uma morte causada de forma acidental, não exime a culpa dos causadores. Estavam lá, com um artefato que poderia ferir ou matar alguém. São responsáveis sim pela vida interrompida deste garoto. Dos seus sonhos. Da dor que causaram na família deste.

Acreditem. Não importa a qual agremiação pertence essa “Organizada”. Poderia ter sido de qualquer outro clube de grande porte do Brasil. Por que todas agem de forma muito parecida.

Deixo aqui um desafio aos clubes brasileiros. Qual será o primeiro a ter coragem e enfrentar essa situação e limitar a participação destas “Organizadas”, rechaçar de fato a violência e posicionar-se de forma isenta e parar de reconhecer aqueles que agem como criminosos, como parte de sua torcida.

Não basta o fato de exportarmos até violência? Um país vizinho está sofrendo por que nossos clubes dão guarida para que tragédias como esta ocorram. Ah! A Organizada empurra e apoio o time. Vale uma vida? Esse empurrão manchado de sangue?

Será que um presidente, técnico, diretor ou águem do clube terá que perder um filho antes, para que seja sentido na pele o que isso significa para um pai ou uma mãe? Terá que ele mesmo sucumbir para que enfim, entendam o que é um pai de família não voltar pra casa, por que uma “Organizada” tirou sua vida a pauladas? 

Eu pergunto ao Presidente de um clube e ao Presidente (?) de uma Torcida Organizada (?):
Quanto vale uma vida?

CARPE DIEM

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Quanto vale uma vida?

Doutor, com todo respeito,
Falo com Vossa Excelência
Já que por nós foi eleito
Responda com paciência
Nosso humilde manifesto
Nestes versos de protesto
Por nossa gente querida
Que vive tão insegura
Fale de forma segura
Quanto vale uma vida?

Em casa ou no apartamento
O cidadão se preocupa
Sair de casa é um tormento
Pois o medo se ocupa
De torná-lo inseguro
Imaginem no futuro
Com a violência atrevida?
O doutor que se defende
Será mesmo que entende
Quanto vale uma vida?

Assassinato e chacina
Latrocínio, roubo e furto,
É pior do que imagina
É mais do que simples surto
Fruto da ineficiência
Sei que o Doutor tem ciência
De cada vida perdida
Que também puxa o gatilho
Pra mãe que perdeu o filho
Quanto vale uma vida?

No trânsito morre gente
Tal qual em guerra civil
O poder público ausente
No nosso grande Brasil 
Cria Leis que não se aplica
Ao rico que reivindica
Que tal não seja seguida
Seja franco e verdadeiro
Pra o senhor que tem dinheiro
Quanto vale uma vida?

Nesse país do “jeitinho”
Que na base da propina
Tira o “legal” do caminho
Quem tem poder determina
Quando errado vira certo
Responda se for esperto
Se a lei for esquecida
E o irregular aprovado
Quando alguém é subornado
Quanto vale uma vida?

Quando a verba é desviada
Falta escola e segurança
Se a educação não é dada
Aprenderá a criança?
Policial sem recurso
Como mudará o curso
Numa guerra já perdida?
São perguntas sem respostas
Pra você que vira as costas
Quanto vale uma vida?

Tanta ganância do homem
O desrespeito com o outro
Os recursos que consomem
Repercute sempre noutro
Mata-se por coisa à toa
A violência que ecoa
É um beco sem saída!
Vamos por fim a maldade
Responda com seriedade
Quanto vale uma vida?

Você que ganhou o pleito
Que exerce seu mandato
Entenda que foi eleito
Pra ser honesto e sensato
Pra cuidar do que é nosso
Meu discurso agora engrosso
Mexo na sua ferida
Como dorme toda noite?
Minha pergunta é açoite!
Quanto vale uma vida?

Que esse Cordel pela paz
Sensibilize o Congresso
Que um verso seja capaz
De barrar o retrocesso
O corrupto cassado
Corruptor condenado
Cumprindo a pena devida
O doutor em sua mesa
Saberá sim, com certeza,
Quanto vale uma vida!
CARPE DIEM

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Cavalo do Rei (ou os sonhos de cada um)


Certa vez um Rei teve um sonho que o deixou intrigado. E este sonho se repetiu por dias e dias. E quanto mais ele tentava esquecer aquele sonho, mais ele marcava presença em suas noites. Foi quando resolveu reunir os sábios do reino para relatar-lhes o sonho que o acompanhava e sempre com o mesmo desfecho.

Depois de cumprimentarem solenemente o bondoso Rei, lá estavam todos os sábios reunidos, em volta da grande mesa do Reino, prontos para ouvir o que o Rei tinha a relatar sobre seu sonho, que dizia assim:

Estava eu numa linda estrada, margeada por belas árvores que tornavam o trajeto agradável, graças à sombra fresca. Além das árvores, ele percebeu que havia pequenos jardins que coloriam tudo em volta. Seguia ele velozmente em seu cavalo branco sempre em frente. Sempre em frente. Intrigava-o a estrada não ter nenhuma curva.

Mais adiante, ele pode ouvir um som característico de água caindo nas pedras. Tratava-se de uma cachoeira. Aquele som aumentava, à medida que ele se seguia em sua direção. Rapidamente, em seu cavalo, chegou a vislumbrar a queda d’água, quando passou ao lado dela. Uma vontade de entrar nestas águas o invadiu, mas ele estava com pressa. Na verdade, ele até tentou frear seu cavalo, porém ele não obedeceu a seu comando.

Continuava seguindo em frente, quando vislumbrou uma pequena casa aconchegante, com um lindo flamboyant florido à sua frente. Percebeu que crianças brincavam alegremente no quintal. Queria saber do que brincavam e o que os alegrava tanto! Viu também um belo templo, que mesmo a distância transmitia uma sensação de paz e harmonia ao seu espírito. Tentou parar seu cavalo, que não obedeceu, mais uma vez.

Mais coisas belas passaram por seus olhos. Serras, aves cortando os céus ou cantando nos galhos das árvores que margeavam aquela linda estrada. Pessoas caminhavam. Animais teimavam em se mostrar pra ele. Era como se todas as coisas belas da vida, fizessem parte daquela estrada. Se no começo da viagem ele estava fascinado com a magia desta estrada, ao perceber que seu cavalo nunca cansava e nem parava, ele ficava cada vez mais preocupado, amedrontado. Perguntas povoavam sua cabeça. Ficarei neste cavalo pra sempre? Não poderei aproveitar tantas coisas belas desta estrada? Pra onde estou indo mesmo? Quando chegarei ao meu destino?

Aflito, olhando para seus sábios, o Rei fala:

- Envolto em tantas perguntas despertei, sem saber o desfecho desta minha viagem nesta estrada. O que meus sábios acham que significa este sonho que me persegue há semanas? Sempre da mesma forma.

E conclui:

- A única coisa que muda é que a cada repetição percebo mais detalhes da estrada. É como se a cada visita ao sonho, já familiarizado com o caminho, começasse a observar mais as pequenas coisas. E justamente essa percepção que torna o sonho mais doloroso, por que em todas às vezes, não consigo parar ou diminuir a velocidade do meu cavalo. Sempre em frente e sem conhecer qual o meu destino.

Os sábios pedem licença ao Rei e após discutirem o repetitivo sonho do Rei chegam a uma conclusão que um deles transmite ao mesmo:

- Nosso querido Rei, concluímos que seu sonho recorrente está lhe mandando um aviso. Imagine que a Estrada simbolize a VIDA. As árvores, as flores, os pássaros e animais são as BELEZAS que a natureza oferece aos nossos olhos e corpo. A cachoeira simboliza a RENOVAÇÃO de energias. A casa, com crianças brincando sob uma árvore representam a ALEGRIA de compartilhar os bons momentos com os seus. O templo representa a PAZ que todos nós precisamos para seguir em frente.

- E o que quer dizer não conseguir parar meu cavalo nunca? – Pergunta o Rei.

- Muito simples, meu nobre Senhor. O cavalo representa seu QUERER sempre mais. Não bastam as árvores, as flores, os pássaros, os animais, as crianças, a alegria do brincar, o frescor de um banho de cachoeira. Embora tudo isso lhe encante, em seu sonho, o que busca é sempre seguir em frente. Conquistar mais. Ter mais. Ser mais. E como esses objetivos não têm medida, seu cavalo não consegue parar.

A partir daquele dia, o Rei começou a valorizar tudo o que o cercava, considerando VIVER como uma parte importante de seus objetivos materiais.

CARPE DIEM

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Tio! Me dá uma moedinha?


- Tio, me dá uma moedinha! – Fala a moça com a cara tão pintada, de uma forma que mal se vê seus olhos.

- Não tenho! – Respondo de pronto.

- Eu passei na Unicamp! Estudei pra caramba! – Insiste a moça multicolorida com cara de pedinte.

- Parabéns! Muito sucesso na sua formação, mas não costumo dar dinheiro pra isso. – Respondo com paciência, enquanto aguardo o sinal abrir.

- Você tem inteligência e dedicação para vencer um vestibular duro como o da Unicamp e ao mesmo tempo fica sendo boba dos veteranos, que tiram onda com vocês e bebem às suas custas. Pense nisso! – Finalizo pra mocinha, que fica com cara de interrogação e segue cabisbaixa em direção aos veteranos, que estavam num bela sombra, tomando sua cerveja e contando a arrecadação do grupo.

Amanhã, provavelmente essa moça, será a veterana que explorará os “bixos” que chegarão. Foi assim que ela foi treinada.

Existem coisas que deveriam evoluir. Até quando teremos a conivência da sociedade com trotes como estes. O que ganham com isso? Algumas cervejas e o prazer de “humilhar” os novos? Seria um ritual de passagem? Passagem pra quê?

O trote pode ser algo legal. Basta saber fazer bom uso da situação. Em várias universidades já existem os trotes solidários. Onde os novatos prestam algum tipo de serviço à comunidade ou exercem algo em prol da universidade em que foi aprovada.

Perdoem-me os adeptos, mas essa história de humilhar estudantes em cruzamentos de trânsito, num sol escaldante ou debaixo de chuva torrencial não tem a menor graça. Sem contar que tem situações em que há violência física e assedio moral. O que estes veteranos estão ensinando? Que tipo de legado eles transferem aos novatos?

Eu não contribuo. Acho errado, indecente e incoerente...

Você pode fazer a diferença ou você pode fazer mais do mesmo...

Qual a sua escolha?

CARPE DIEM

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Aventuras de Criança


É muito legal você poder ter histórias pra contar. Melhor ainda é vivenciá-las pela primeira vez. Quem aqui se lembra da primeira fogueira, da primeira trilha, do primeiro acampamento, da primeira vez que viajou numa estrada de chão batido ou numa daquelas viagens sob uma chuva torrencial?

Tente trazer a sua mente, a primeira vez que viu um arco-íris com suas cores nítidas ou um por do sol onde o sol deixa o horizonte totalmente alaranjado. Quem se lembra daquela lua gigante no céu, amarelada ou bem branquinha, como se fosse uma grande bola de leite?

Ter histórias pra contar é isso. É transformar suas experiências em palavras, em gestos e muita emoção.

Vivemos um tempo de muita aceleração, objetividade e superficialidade. Nossas crianças estão crescendo neste novo tempo. Dependem de nós para continuarem a valorizar suas primeiras aventuras. Posso dizer com conhecimento de causa que, para uma criança, nada substitui a emoção de uma vivencia natural e simples. Não há jogo eletrônico, nem recurso ou ferramenta tecnológica que seja capaz de substituir a emoção que uma criança sente, por exemplo, ao ver uma fogueira pela primeira vez.

Para ela, participar do processo de criar o fogo, alimentá-lo, vê-lo crescer, iluminando tudo à sua volta é pura magia. Sem contar o ritual de todos em volta, contando histórias, sentindo o calor gostoso, vendo as faíscas alaranjadas, tal qual vagalumes feitos de brasa, brilhando e desaparecendo no céu escuro.

Na sua cabeça, perguntas pipocam. Algumas são externadas outras ficam lá, no cantinho do mistério e da fantasia. Quanto tempo durará este fogo? Será que se chover forte ela apaga? Pra onde vão as faíscas que saem dela?

Tudo isso acontece, enquanto de olhos fascinados pelo fogo e ouvidos bem abertos para ouvir as histórias dos adultos, a criança viaja, no mundo encantado da primeira experiência.

Você pode-me dizer que existem muitas viagens legais para lugares urbanos, parques modernos, resorts de primeira classe e eu acredito que haja mesmo. Agora o que eu posso lhe dizer é que nada, nada mesmo, substitui a magia de uma experiência simples que é conviver como o Natural. 

Por mais urbano que você tenha tornado seu filho, de todas as viagens da vida dele, a que ele sempre se lembrará, será aquela em que ele fez com um tio, com seus avós ou com você mesmo, para conhecer aquela cachoeira, fazer aquela trilha, pernoitar num acampamento montado com a ajuda dele.

Ter histórias pra contar é isso. É reviver o simples. O Natural.

CARPE DIEM

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A vida banalizada - Tragédia em Santa Maria


Chegamos num ponto em que a vida passou a ser descartável para algumas pessoas. Situações tristes como esta que aconteceu na Boate Kiss, em Santa Maria poderiam ter acontecido em qualquer cidade do país. Existem centenas, milhares talvez de espaços como estes. Claro que o problema não é local ou a atividade em si. Afinal, uma danceteria é um espaço de lazer, assim como um circo, um teatro, um cinema ou um mesmo um bar.

A questão aqui é que casas irregulares existem em todos os lugares. Seja uma cidade universitária de médio porte, seja uma grande metrópole. Em maior ou menor proporção, o desleixo com a segurança chega a ser espantoso.

Meus queridos, tudo começa antes de se construir ou de se reformar. Primeiro, é necessário um projeto arquitetônico, além de projeto estrutural, elétrico, hidráulico e de segurança. Nesta fase, são apresentados os materiais adequados e seguros, as melhores práticas de construção e de segurança, as normas a serem seguidas e os prazos a serem obedecidos.

Interagindo com todos estes profissionais, estão os investidores, aqueles viabilizam economicamente a execução do projeto.  A grande maioria (com raras exceções) busca o menor custo possível (o que é justo), porém em detrimento da segurança e funcionalidade do projeto. A economia começa antes desta fase, como por exemplo, opta-se por arquiteto A, ao invés do B, que é mais “careiro”. Escolhe-se um empreiteiro, ao invés de um engenheiro (trabalhando o tempo todo em parceria com este) para conduzir a execução da obra e contrata alguém apenas para “assinar” a obra. Contratam-se não especialistas para elaboração dos projetos complementares e por aí segue.

Ora, uma vez que deixamos de levar em conta as instruções de projeto e recomendações de segurança, estamos correndo riscos, ou pior, estamos colocando vidas em risco.

E não para por aí. Vamos partir do princípio que tudo foi muito bem executado e a tal casa finalmente está pronta e uma lotação segura é autorizada pelos órgãos competentes para tal. E a informação deve sempre estar visível para o usuário e para a fiscalização. O que acontece quando um empresário excede em 10%, 20%, 50% esta capacidade permitida? Primeiro ele ganha mais dinheiro. Segundo, ele coloca todos em risco, no caso de algum acidente, como o ocorrido em Santa Maria.

Se, além de lotação máxima, você coloca pessoas sem a menor perícia para manusear artefatos que produzem faíscas ou descargas elétricas? Se, além disso, você não tem uma equipe altamente treinada para responder a situações de risco e emergência? Se você tiver mecanismos impeditivos para uma rápida evacuação de um ambiente? Ainda nas suposições, se, além de tudo isso, você te muito mais pessoas do que comporta o espaço em questão? 

A resposta para todas estas perguntas é simples: Tragédia anunciada. Uma hora, tal situação ocorreria. E tudo isso motivado por qual razão? Por causa do tal dinheiro. Por causa do lucro fácil, da busca pela vantagem financeira.

Por causa do ganho financeiro, economiza-se em materiais, em profissionais, em treinamentos, extrapola a capacidade máxima permitida de pessoas, trava-se uma saída de emergência e abre-se mão de mais de 200 vidas.

No final deste texto, você concorda que o título é mais que apropriado? Até quando consideraremos a vida, algo tão banal? Até quando concordaremos que a vida é menos importante que investimentos adequados? Até quando ignoraremos normas de seguranças?
E para evitar leviandade, nem vamos falar aqui, que neste caso, houve conivência dos órgãos públicos em conceder licenças indevidas, aprovar projetos falhos ou omitir-se de fiscalizar adequadamente. 

Porém, espalhado por este Brasil, há sim, aqueles que corrompem e deixam-se corromper. Seja para conceder uma licença, seja para aprovar um projeto irregular, seja par a ignorar um estabelecimento durante uma fiscalização. E são estes, que transformam a vida em algo banal. Até que um dia a vida deles ou de alguém ligado a eles sucumbe numa casa, liberada, ignorada por sua caneta. Talvez, este cidadão, seja ele corruptor ou corrupto, perceba que a vida não é assim algo tão banal, como parecia até aquele momento.

Se você que lê este texto, já esteve numa destas posições (corrompendo ou sendo corrompido), já fez vistas grossas, já deixou passar uma irregularidade que poderia por a vida de alguém em risco, sinta-se culpado. Pois se nada aconteceu ainda, um dia poderá acontecer. E creio que não há dinheiro no mundo que se sobreponha a uma vida tirada, graças a uma ação ou a falta dela, por parte de alguém que poderia sim evitar que tal fatalidade ocorresse.

Pouco importa as manobras que ainda farão para livrarem-se de suas responsabilidades, por que no fundo, cada um sabe exatamente o que fez ou deixou de fazer e neste caso, existe uma pena maior que a que qualquer homem é capaz de aplicar. Pouco importa se fulano diz que acionou ou não um sinalizador, ou que ciclano seguiu ou não as normas de segurança impostas. Cada um sabe exatamente, qual o seu grau de responsabilidade nesta tragédia. A consciência de cada um deles saberá realizar as devidas cobranças. Não foi um fato banal, um deslize. Foram mais de 200 vidas tiradas. Pouco importa os rumos da lei. O que está feito, está feito! Nada e ninguém mudarão este fato.

Um abraço fraterno a todos os pais, irmãos, demais parentes e amigos daqueles que graças a estas pessoas que consideraram a vida algo banal tiveram seus sonhos interrompidos.

A vida não é banal. E nunca será!

CARPE DIEM

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