sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Um novo tempo!


Tempo de renascer
Tempo de reinventar
Tempo de reviver
Tempo de recriar

Tempo de recomeçar
Tempo de refazer
Tempo de acreditar
Tempo de reescrever

Tempo de olhar pra frente
De agir diferente
De ter coragem
De se reerguer

Tempo de um novo ciclo
Tempo em que reciclo
Ideias, sentimentos e desejos!

Tempo de criar projetos
De descartar velhos objetos
De pensar grande
De sentir maior ainda!
De simplesmente ser!

Tempo de acreditar na sorte
De amor bem forte
De abraços, beijos e festa!

Tempo de Natureza
De apreciar a beleza
De cuidar do Planeta! 

Tempo de ser melhor
De estar melhor
De fazer o seu melhor!

Tempo de tolerância
De respeitar a infância
De ser solidário


Que venha um novo tempo!

CARPE DIEM!

O "sempre tem algo acontecendo" deseja aos seus amigos, leitores e seguidores um Ano Novo repleto de Luz, de Conquistas, de Paz, de Amor , de Desafios e de Conquistas.
Que cada um consiga os recursos necessários para sua caminhada"

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Trilogia de Natal: III - Nasce uma família!


“Papai do Céu, hoje é um dia muito importante na minha vida. Queria muito que essa família que virá conhecer o Lar seja abençoada e tocada por você. Que ela goste de algum de nós, que nos ache legal e que também  sejamos feliz perto dela. Papai do Céu, eu sei que este ano vieram muitas pessoas aqui e nunca me escolheram. Alguns dos meus amigos tiveram um pouco mais sorte do que eu.Outros esperam como eu. Mas eu queria que soubesse que sempre acreditei em você e que nesta manhã tudo será diferente. Amém”

Paulo era um menino maduro, para os seus oito anos. Foi com essa oração que ele levantou de sua cama e com muita esperança de que seu sonho se realizasse. Aquela era uma manhã diferente. Seria o último dia de visitas, antes do Natal. Algumas famílias se fariam presentes no abrigo. Nem todas para procurarem um filho. Muitas eram voluntárias de Natal. Faziam as vezes de padrinhos. 

Ele mesmo tinha um casal de padrinhos muito legal. Seu Joaquim e Dona Maria, um casal de velhinhos que tinha filhos e netos que moravam em outro país. Solitários, ambos encontraram no abrigo, a alegria de compartilhar o amor que tinham. Acabaram se apegando a Paulo. Só não o adotaram por que o juizado considerou a idade deles avançada para serem pais. Mas ficaram amigos e tornaram-se padrinhos. Paulo os chamava de “Vô Quim” e “Vó Maria”. Eles gostavam de serem considerados assim. Sempre que podiam, visitavam Paulo e contavam boas histórias para o pequeno, que ficava maravilhado com tantas coisas que “Vô Quim” conhecia sobre o mundo.

“Hoje será um dia muito especial para nós. Iremos, pela última vez neste ano, conhecer um visitar um lar de crianças e desejamos Pai Amado, conhecer nosso filho nele. Sabemos que muitos abrigos, lares e instituições foram visitados este ano. Que ainda não sentimos o amor que precisamos sentir por nenhuma criança que visitamos, mas acreditamos que hoje será diferente. Por isso, esperamos Pai Amado, que saibamos discernir e sentir o nosso filho hoje. Que Assim Seja!”

Foi com essa prece que José Luiz e Maria Clara terminaram seu café da manhã. De mãos dadas e olhos fechados, era visível a emoção que tomava conta daquela mesa. Uma lágrima amorosa desceu pela face de Maria Clara. José Luiz enxugou-a com as com uma carícia suave. Enquanto sua mão deslizava pelo rosto de Maria Clara, ele disse:

- Sinto algo diferente hoje, Maria. Temos que estar sintonizados e atentos aos sinais de nosso Pai Amado. Nossa longa espera termina hoje.

- Que assim seja José. Que assim seja! –Respondeu ainda chorosa, Maria Clara.
O Lar que fora indicado pelos agentes de adoção ficava há alguns quilômetros da cidade em que viviam. Uma pequena cidade da região. Não era tão longe. A demora em chegar tinha muito mais a ver com a ansiedade deles do que com a distância geográfica que os separava do destino.

“Lar Crianças de Luz”, ambos leram na placa. Entreolharam-se e riram com nome tão sugestivo. Sim. Só poderiam ter crianças iluminadas naquele pequeno lar. Foram recebidos, na entrada da Casa, por Dona Madalena (Mãe Madá, como pediu para ser chamada), que deu as primeiras instruções e preparou o casal para a visita.

- Meus queridos, aqui é um Lar que há muito tempo abriga crianças. Temos uma proposta diferente e lidamos com crianças maiores. Aquelas que desafortunadamente, passam do “melhor tempo” para serem adotadas. Aqui, valorizamos suas qualidades, elevamos sua auto-estima e sim, vivemos como uma grande família. Essas crianças, meus queridos, já tiveram muitos dissabores e decepções, para viverem num mundo, onde o amor não seja possível.  Diria a ambos, que são crianças especiais e de luz. O nome da casa não por acaso. Fomos intuídos para escolhê-lo. Por isso, peço que sejam amorosos e tratem todos com muito amor e respeito. Se o filho de vocês estiver entre nós, saberemos.

Ouviram em silêncio, apenas assentindo com a cabeça. Logo estavam passeando pela casa. Eram vários ambientes. Oficina de Artes, Comida com arte, Sala de jogos, Briquedoteca, Biblioteca, Sala do Sono, Sala do Aprendizado e o Pátio das Brincadeiras! Naquela manhã, a movimentação no Pátio era grande. Os padrinhos estavam distribuindo presentes aos seus afilhados do coração e a criançada estava eufórica.

Numa das últimas mesas do Pátio das Brincadeiras, estavam um casal de velhinhos e um menino conversando alegremente. Ele ria e o homem contava alguma história que causava este riso no menino. Aquele garoto era um dos maiores do Pátio. Maria Clara olhou para José Antonio, que como que se pressentisse o que ela queria falar, responde:

- Amor! Combinamos que queríamos uma criança um pouco mais nova. Abrimos mão de buscarmos apenas recém nascidos, porém limitamos a idade, lembra? Como conseguiremos educar uma criança mais madura, meu anjo? Todos nos alertam que é mais desafiador, que vem com vícios de comportamento e que podem ser um problema em casa.

- Eu não disse nada José. Ele é especial. Veja como sorri. Vamos conhecê-lo. Sei que nos indicaram outra criança deste abrigo. Sei que a outra está dentro do que buscamos como “padrão de idade”. – Ela disse as palavras finais, com ênfase e José Luiz sabia que quando ela fazia isso, era para provocá-lo, em seus padrões.

À medida que conversavam, caminhavam quase instintivamente em direção ao trio animado. Mãe Madá sabia o que estava acontecendo e diminuiu o passo. Sem que percebessem deixou-os a sós. Em poucos segundos, lá estavam. Maria Clara e José Luiz, bem diante da mesa do trio. “Vô Quim” olhou para o casal e convidou-os para juntarem-se a eles:

- Meus filhos, sentem-se conosco. Há mais uma cadeira logo ali. Pegue pra sua esposa, meu filho. Juntem-se a nós e escute essa que vou contar pro Paulo. Essa é uma boa história! Desculpe-me a falta de educação. Sou Joaquim, “Vô Quim” como o Paulo me chama. Esta é minha esposa “Vó Maria” e este é Paulo, nosso neto e afilhado.

- Muito prazer – respondeu o casal em coro – Pensava que aqui era um lar de crianças que não tinham mais família por perto. Que bom que Paulo tem avós tão queridos. Ah! Que cabeça a minha. Somos Maria Clara e José Luiz – completou Maria Clara, enquanto José buscava mais uma cadeira para juntar-se ao grupo.

- Mas é Maria Clara. Somos padrinhos e avós do coração do Paulo. Desde que ele chegou aqui, que assumimos esta missão tão querida.

Paulo observava aquele casal e uma emoção diferente começou a tomar conta do seu coraçãozinho. Mal falava, observando o casal, enquanto ouvia mais uma história do seu avô. Pela primeira vez, estava desatendo. A voz de “Vo Quim” estava distante e apenas aquela mulher e aquele homem brincavam na sua mente infantil. São eles, pensou e chegou a sussurrar enquanto pensava.

- São eles o que, meu querido? – Provocou “Vó Maria”, a única a perceber o breve sussurro e já pressentindo o que se passava.

Naquela manhã, os cinco não se desgrudaram. Paulo apresentou todos os espaços. Sempre de mão dada com “Vô Quim” e falou de tudo que vivera em cada lugar. Era ele o contador de histórias naquele momento. Falou de coisas que nunca falara com ninguém. Falou de como chegou naquela casa, de quanto sofreu com seus pais que bebiam muito, de como sentia-se triste quando algum amigo chorava por sentir-se rejeitado por algum casal. Falou de como o lar era acolhedor e como Mãe Madá era generosa e brava também, quando eles aprontavam. Falara rindo sobre a braveza de Mãe Madá.

- Ah! Meu Filho! Que história linda essa sua. – Respondeu automaticamente quando Paulo concluiu toda sua história e apresentação do lar. – Você tem quantos anos Paulo?

- Ah! Tia Maria Clara! Sou bem velho! Já tenho 08 anos. – Respondeu Paulo com um riso largo no rosto
.
- Posso lhe dar um abraço, Paulo? – Disse Maria Clara, já com os braços abertos e prontos para abraçá-lo. Nem esperou resposta e envolveu o garoto em seus braços.

Ali ajoelhada, sentiu um amor incrível tomar conta do seu corpo e de seus olhos verteram lágrimas amorosas. Com Paulo envolvido em seu abraço olhou para José Luiz, que tinha os olhos marejados e como se convidado tomou parte daquele abraço. Agora em três chorosos num abraço. Paulo sem entender muito a razão, começou a sentir seus olhos molhados e começou a abraçar mais forte Maria Clara, enquanto chorava silenciosamente. Em pé, “Vô Quim” e “Vó Maria” abraçaram-se, enquanto observavam aquela cena tão bela e nem precisaram trocar palavras. Paulo tinha um lar, finalmente.

- Filho querido! Vamos para casa? Você concorda José? Você está sentindo isso? – Disse Maria Clara, emocionada e com voz de súplica.

- Paulo, meu querido, você quer ser nosso filho? Quer conhecer nossa casa? – Falou José Luiz, dirigindo-se a Paulo. Claro que ele já concordava com Maria Clara. Queria saber se Paulo os queria como pais.

O abraço de Paulo serviu como uma resposta positiva. Alguns dias se passaram. Período de adaptação, visitas da Assistente Social, burocracias, controles e muitas expectativas.

A alegria que Paulo sentiu a ver-se em seu próprio quarto, ou na mesa de café com seus pais, ou no quintal brincando com seus novos amigos e primos não caberia em papel ou tela alguma. Era dele. Estava dentro dele. José, Maria e Paulo finalmente tinham uma família.

E foram gratos por isso.

CARPE DIEM

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Trilogia de Natal: II - Sonho compartilhado


Naquela noite, José Luiz e Maria Clara, mal dormiram. A ansiedade de ambos era evidente. O dia havia sido de grande emoção, afinal, ligaram do Departamento de Adoção, convidando-os para conhecerem um Lar de crianças. Uma vez, liberados para o processo, estavam prontos e aptos a buscarem o filho que tanto sonhavam.

À noite, os dois lembraram os anos que tentaram ter um filho, a vontade enorme de Maria Clara em ser mãe e os sonhos de José Luiz em ter um menino. A ansiedade era tanta que falavam quase ao mesmo tempo:

- Meu Deus, é amanhã! Será que vou encontraremos o nosso filho? Será que ele vai ser fã de futebol! Sempre quis ter um parceiro para assistir aos jogos! – Fala José Luiz

- Não vejo a hora de ter mais alguém na nossa mesa. De levá-lo à escola! Será que ele será estudioso? Será que ele ficará feliz em sermos seus pais? – Continuava apressadamente Maria Clara

- Que ideia Clara! Claro que ele será feliz conosco. Ele terá um lar! A pergunta é outra. Será que seremos bons pais? Estamos mesmo prontos? – Devolve José Luiz

- Estamos sim, amor. Vamos dormir. Amanhã será um dia importante. Para nós três. Seja lá quem for ele. – Sentencia Maria Clara.

Alguns segundos de silêncio, ambos abraçados na cama, quando o falatório recomeça. Ambos divagavam sobre quase tudo. Sobre como seria ele, como reagiria, quais eram suas preferências e tantas outras indagações que o acompanhavam desde sempre.

José Luiz e Maria Clara formavam um casal especial. Casados há 15 anos, sonhavam com um filho. Alimentaram o sonho de serem pais biológicos até os 10 anos de casados e só então viram na adoção uma oportunidade de realizarem o grande sonho. 

Da decisão até o grande dia, foram longos 5 anos de busca. À medida que o tempo passava e que eles amadureciam, as exigências foram se transformando. Inicialmente buscaram recém nascidos e com características físicas próximas às deles. Em vão. A concorrência era enorme e a disponibilidade não atendia a demanda de futuros pais.

Um dia, chegaram à conclusão que, se realmente desejassem serem pais, não deveriam escolher o filho que viria. Afinal, se fosse um filho biológico, eles teriam chance de escolha? Eles escolheriam o sexo, as condições físicas e de saúde do bebê?Claro que não! Então assim seria. A partir de agora, estaria abertos e disponíveis para o filho que lhes fosse reservado.

Acompanhados pela assistência social e pelo núcleo de psicologia do departamento de adoção, sentiam-se mais seguros a cada dia e o aval dos especialistas os encorajava ainda mais.

Fazia algum tempo que frequentavam palestras, participavam de fóruns de discussão, liam livros e estavam convencidos da carência que existia de pais para crianças mais maduras. Eram praticamente esquecidas e ignoradas nos lares e abrigos.

Naquela noite, ambos recordaram tudo isso. Repassaram os passos de uma busca que vinha de muito tempo.  No coração de cada um deles, um sentimento que praticamente se traduzia em certeza: 

Aquela busca estava chegando ao fim. Eles encontrariam seu filho, pela manhã.

Naquela noite, foi este sentimento que embalou o sono de ambos.

CARPE DIEM

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Trilogia de Natal: I - Nasce um sonho

Paulo acordara agitado mais uma noite. Tinha sido assim nos seus últimos 4 ou 5 anos, nestes dias que antecediam ao Natal. Inexplicavelmente, ele sentia saudade de uma família que nunca teve. Ou pelo menos se teve, não se lembrava.

Com seus quase 8 anos, vivendo num lar para crianças, suas chances de ter uma nova família, segundo o pouco que sabia, eram quase zero.

Paulo chegara ao lar, aos dois anos de idade, vítima da violência alcoolizada de seus pais. Era um menino esperto e trazia no olhar um brilho especial. Em poucos dias cativou a todos no abrigo, com seu jeito sorridente e otimista. De vez em quando era pego pensativo num canto de parede ou em sua caminha. Mas era uma criança! E esta introspecção durava apenas alguns minutos.

Os anos se passaram. Paulo cumpria novos ciclos, novos rituais. Bolos, festinhas internas, abraços dos colegas de adoção, dos monitores, das cozinheiras e de todos que ali compartilhavam com ele, da mesma esperança. Ter um lar! Não que ali não fosse um lar. Era sim e com muito mais amor do que quando ele vivia na casa dele. Nunca mais tomara uma surra. Nunca mais fora xingado de inútil, de cruz ou de atraso de vida. Tudo era muito bom, porém faltava-lhe alguém para chamar de mãe, de pai, de irmão. Faltava-lhe avós! Faltava-lhe espaço.

Por muitas vezes, Paulo viu casais chegando no abrigo e logo percebeu que ser um bebê, de pele clara e sorridente facilitava muito encontrar um lar. Percebeu que quanto mais novinho e mais perfeitinho, mais rápido iria para casa. Aliás, ficava impressionado como estas crianças eram disputadas. Parecia aquelas taças dos campeonatos de futebol, que ele assistia na TV. Todo mundo queria!

Naquela noite, em que ele acordara atordoado pelo sonho de ter um pai, segurando sua mão, contemplando uma linda paisagem ele resolveu fazer um pedido. Apenas um. Não queria brinquedos, festas, Papai Noel ou coisa que o valha. Ele queria apenas uma coisa: Uma família!
"Papai do Céu! Meu nome é Paulo. Tenho quase 8 anos. O que vou lhe pedir eu sei que é quase impossível. Mas como sempre a Dona Veridiana diz que pra você nada é impossível, resolvi pedir neste Natal, uma família de presente. Eu prometo, Papai do Céu, ser um bom filho, ajudar nas tarefas de casa, ser amoroso com minha nova mamãe e serei grato a esta família que me acolher, dando o meu melhor e farei tudo para não dar trabalho para ninguém. Por isso, peço com todo minha força, me ajude a realizar este pedido e meu maior sonho. Amém!"

Como que envolvido por uma força bondosa, Paulo sentiu-se abraçado, tão logo terminou sua oração e voltou a deitar-se. Aos poucos o sono tranquilo tomou conta de seu corpinho esperançoso.

O resto da noite, em que dormiu, foi povoado por imagens belas, de sua família futura e sonhada. Viu-se brincando, passeando e abraçando sua mamãe. No seu sonho, ela era morena clara, pele bonita, cabelos negros e brilhosos e uns olhos, que mais pareciam os seus. No seu colo, ele deitado, sentia as mãos dela brincando nos seus cabelos, num cafuné gostoso e tranquilizador. No colo dela ele se viu adormecido. Foi neste colo que ele despertou logo cedo, ao toque do sino do abrigo e da presença amorosa da monitora Júlia, que sempre era a primeira pessoa que via, perto de sua cama.

- Bom dia, Paulo! Que cara boa! Estava num sonho bom, não é mesmo? - Disse Júlia, com voz suave e amorosa.

Paulo não respondeu. Apenas sorriu, ainda entorpecido pelo sonho bom...

CARPE DIEM
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