sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um brinde aos amigos

Amigo combina com abraço
Combina com desabafo
Amigo vai bem com tantas coisas
Uma boa prosa
Um cerveja no final do dia
Uma viagem mundo afora
Um conselho bem dado
Um alerta merecido
Um apoio irrestrito

Amigo é irmão escolhido
É parceiro pra todas as horas
É o certo nas horas mais incertas
É de sangue diferente
E de alma muito igual

Amigo mesmo, aqueles de verdade
Fala o que precisa falar
Faz o que precisa fazer
E participa dos momentos mais agudos da sua vida

Amigo é presente
Dado de graça
É amor fraterno
É necessário!

Pra um amigo, você liga fora de hora
Deixa a cerimônia de lado
Atrapalha o jantar
Conta seus problemas
Pergunta depois como ele está (quando pergunta)
E o amigo
Mesmo que nem esteja tão bem e tão pronto
Se prepara, se ajeita na cadeira
E ouve quando precisa ouvir

E muitas vezes, sem nada dizer
Do outro lado,
O amigo desesperado

Agradece!

Por que no fundo, ele só queria saber que tem um amigo pra contar!
E sempre tem!



Seja amigo! Tenha amigos!

CARPE DIEM


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Cozinhar é como viajar...


Eu gosto de cozinhar. É como uma viagem para mim. E tal qual uma viagem, o melhor é o trajeto. A preparação dos ingredientes, dos temperos. Os aromas. A cebola tem seu cheiro realçado ao ser cortada. Isso também ocorre com a salsinha, a cebolinha, o pimentão, o coentro e tantos outros. 


Enquanto preparo tudo, viajo. Ora em silêncio, ora ao som de uma moda de algum violeiro. Já cozinhei ao som do João Ormond, do Oswaldinho Viana, Zé Paulo Medeiros, Almir, Renato Teixeira, Paulo Simões e por aí segue.

De vez em quando, deixo ali do  meu lado, uma dose de uma cachaça mineira. Vou degustando ao longo da viagem. Na medida certa, pra não perder o ponto.

E ao longo do preparo percebo a transformação dos ingredientes, como eles se comportam quando reunidos e o aroma que invade a cozinha, a casa. Comida boa...

Eu admiro quem tem técnica e conhecimento suficiente pra cozinhar. Tenho amigos que cozinham como profissionais. Tenho amigos que são profissionais da cozinha. Eu não. Eu cozinho da mesma forma que escrevo. Instintivamente. Poeticamente (pra mim). 

Lavar a louça é como se cada prato, panela, talher, fosse banhado por uma cachoeira, que a transforma e a prepara para o uso novamente. Tem horas que penso que seria legal cozinhar tal qual um profissional. Depois eu mudo de ideia. Prefiro assim. No meu caso, funciona melhor. Sem preocupação com o corte certo ou com a combinação mais combinada. 

Por que ingrediente é como a palavra. Você coloca ela na frase e ela vai se transmutando. E como a palavra também não aprova desmandos e violência.

Cozinhar pra mim é homenagear. E me alegro em reproduzir pratos que aprendo ao longo das viagens. De vez em quando faço o frango caramelado ou arroz preto do meu amigo Fernando. Outra hora faço o carreteiro do tio Valdinho. Faço o “baião-de-dois” da minha mãe. Hoje fiz o frango da minha avó Quitéria. Cheirinho bom de comida de avó! 

As vezes cismo com a comida de um restaurante e tento reproduzir. Aconteceu isso com alguns pratos que aprendi em Belo Horizonte, como o arroz com alho e bacon e o fígado com jiló. Bom demais da conta, sô!

E os pratos não saem iguais aos originais, creio eu. Por que saem como eu escrevo. Como eu os vejo. Como eu os imagino. 

Eu gosto de cozinhar... É como uma viagem pra mim!

CARPE DIEM

Vaga-lumes e outros lampejos


Dos meus tempo de menino 
Recordo-me dos vaga-lumes
Encantava-me a dança das luzes entre os galhos das árvores

Recordo-me das brincadeiras no terreiro
Das fogueiras de São João
Das histórias do meu avô

Recordo-me das brincadeiras na rua em frente de casa
Das arapucas que fazíamos para pegar passarinhos
(depois soltávamos)
Dos carros de boi feitos da palma
(quem é da caatinga saberá bem o que é palma)
Os bodes circulando pelas ruas, em dia de feira

Os cantadores de repente
As brincadeiras de rimas com meu pai
Os jogos de tabuleiro
Cuscuz com leite

Do meu tempo de menino
Procuro esquecer as surras levadas
Os dias em que ficava só em casa
Aquela cacharrel lilás que usava nos dias frios
Aquela calça também lilás feita de uma roupa desmanchada de minha mãe

Procuro esquecer o abandono do meu pai
As tristezas (e lágrimas) de minha mãe
As noites mal dormidas
A morte de meu avô
A falta de registro de como eu era nos meus tempos de menino


Procuro esquecer a doença que me abateu
A violência com meu corpo
A falta de piedade com minhas dores
A demora em caminhar

A morte de minha irmã mais velha, ainda menina
A falta de ter uma foto dela
Ou minha

Do meu tempo de menino
Recordo-me mesmo 
é do brilho dos vaga-lumes
Entre os galhos das árvores

Do meu tempo de menino
Trago coisas que procuro esquecer
Trago também lembranças
E os vaga-lumes
Que cismam em brilhar
nos galhos que povoam
minhas lembranças 

CARPE DIEM

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O poeta e suas palavras

Era uma vez um poeta. Não era um daqueles poetas famosos. Daqueles que escrevem poemas inesquecíveis e emocionantes. Era um poeta comum. Gostava dos seus próprios versos. Do som das sílabas que construía e divertia-se com a graça que a rima fazia. Se tinha uma coisa que esse poeta gostava era do ritmo que a métrica oferecia as suas linhas singelas. Era uma vez um poeta.

Tudo ia muito bem... Até que um dia, algo estranho aconteceu. Estranho não! Incrível! Aquele poeta, por descuido havia se perdido de suas palavras. De repente ele se vira só. Sem elas!

Atônito ele procurava em todos os cantos de sua casa. Procurou refazer o caminho que fizera. Passo por passo. Nem sinal das palavras. Se bem que no começo ele até sentiu-se aliviado. Afinal, as vezes, as palavras o sufocava. Exatamente! Eram tantas palavras que invadiam seus pensamentos, todas afoitas para serem grafadas num papel qualquer que até lhe causa desespero. 
E quando as palavras resolviam exibir-se? Lá ia poeta desesperado atrás de um pedaço de papel. Pedaços de guardanapos, papel toalha, cantinho de jornal, rascunho, tecido. Qualquer coisa servia para a palavra se expressar.

Nem queira Imaginar como o poeta ficava quando ele não encontrava recursos  para expor as palavras rebeldes. Elas ficavam ecoando na cabeça dele. Zanzando de lá para cá. Até que se acalmavam. Demorava. Fato!

Foi assim, sem mais nem menos, entre palavras expressas e palavras sufocadas que tudo se perdeu. As palavras resolveram deixar aquele poeta. Não me pergunte se a decisão tomada havia sido para sempre. Não saberia explicar. A verdade é que o poeta estava desnorteado.

Era doloroso sentir emoções que não tinham mais palavras para traduzi-las. Desejos perderam completamente o sentido. Ele até percebia a beleza das flores, das pessoas, dos bichos soltos, dos pássaros no ar. Só que tudo para ele era sem nome. Sabia o que era, mas não conseguia expressar um nada.

O poeta procurou deixar de perceber as coisas ao seu redor. Poderia ser uma saída. Se ele nada sentisse, nada visse, por nada se interessasse, poderia ser que as palavras não fizessem tanta falta assim. Deu certo uma vez, duas, na terceira vez o desespero voltava com mais força.

Foi numa noite que o milagre aconteceu. Lá estava o poeta, noite enluarada, céu estrelado. No fundo, ele nem tinha mais esperança de rever suas palavras. Mirando a lua cheia relembrava dos versos que havia feito pra ela, certa vez. Uma lágrima teimou em escapar dos seus olhos. Escorreu por sua face. Saudade de suas palavras. Saudade do quanto elas emocionavam quando registradas por ele. Sem ser modesto ele sabia o quanto tinha o dom de combinar a palavra certa com o sentimento correspondente. Encaixe perfeito. Palavras....

E o poeta, depois de muito tempo expressa o que sentia naquele instante, diante da Lua cheia. Lá estava ela. como que servindo de testemunha daquele reencontro apaixonado: O poeta e suas palavras

Poesia é saudade transformada pela palavra
É desejo de expor o que se sente
É transformar o racional em sentimento
É expressar-se além da própria palavra

Poesia é traduzir o que não entende
É encontrar a palavra que comove
É alquimia da rima encantada
É a viagem infinita pela vida

Poesia depende da palavra
Que depende do dom de um poeta
Que transpira palavra por palavra

Como a  lua combina com a noite
E o pássaro é mais belo em pleno céu
A poesia ganha vida finalmente
Quando o poeta encontra-se com as palavras

E foram felizes para sempre: O poeta e suas palavras

CARPE DIEM


domingo, 8 de julho de 2012

Nas cordas da viola

João Ormond, Paulo Simões, Cláudio Lacerda e Jesus (ao fundo)
SESC Campinas - Projeto "Nas Cordas da Viola - 30/06/12"
Nas cordas da viola
A saudade matadeira
A lua na noite fria
Prateada e faceira

Nas cordas da viola
O rio segue em seu leito
Cachoeira lava a alma
Coração bate no peito

Nas cordas da viola
Violeiros das histórias
Do amores escondidos
Da vida e suas memórias

Nas cordas da viola
O matuto ganha vida
A natureza é mais nobre
E a tristeza é esquecida

Nas cordas da viola
Dama espera na janela
O boêmio e a serenata
Entoada só pra ela

Nas cordas da viola
Tudo é encanto e magia
E o som de uma viola
É amor que contagia

E só nas cordas da viola
Que o sertanejo sonhador
Encontra a mulher amada
E aplaca do peito, a dor!

Só as cordas da viola
Se casa com o violeiro
Pois de todos os amores
Esse é mais que verdadeiro

"Homenagem aos grandes violeiros deste país. Ao meu amigo João Ormond"


CARPE DIEM

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Que tal reciclar comportamentos e ideias?

Hoje em dia só se fala em reciclagem, reaproveitamento e a busca por novas formas de usar algo "descartável". Aos poucos a população se acostuma com esse novo jeito de usufruir das coisas do Planeta. Estamos longe ainda. Porém, estamos nos mexendo. Tem muita gente agindo diferente! Ponto pra humanidade.

Agora, aqui entre nós. Vamos falar de um outro tipo de reciclagem. Vamos falar sobre nossos descartáveis internos. E olha que tem gente que acumula esses tais lixos a tal ponto que não se consegue agregar mais nada.

Por exemplo, você pode descartar aquele mau humor e em troca adquirir uma boa dose de felicidade gratuita. Imagine você se livrando daquele ar ranzinza e adquirindo boa vontade com o próximo. Seria legal, não é mesmo?

Ah! Você é do tipo que cultiva acidez, sarcasmo e ironia das boas? Olha que tudo isso, em doses exageradas atacam o fígado e o coração. Que tal você customizar isso tudo e transformar em leveza e alto astral. Para casos mais agudos, oferecemos paciência e persistência de brinde!

Você é danado pra guardar mágoa, alimentar aborrecimentos e agir por impulso? Recicle já! Na troca você leva capacidade de perdoar e compreender o outro. Para que se livre dos aborrecimentos, um dose de serenidade.

Agora se você é do tipo que se acha o injustiçado, o perseguido, o coitado dos coitados, seu caso é mais sério. É necessário ir numa central especial de reciclagem. Procure alimentar mais sua fé, sua autoconfiança e força de vontade em superar limites.

Se você acha que o mundo gira ao seu redor e que todos precisam servi-lo e claro, admira-lo, adorá-lo, idolatrá-lo sugiro que comece a ver as pessoas como elas merecem ser vistas e consuma doses cavalares de humildade, resignação, amor ao próximo e doação.

Você perceberá que após se livrar de alguns lixos totalmente descartáveis, novos sentimentos e comportamentos começam a surgir. E você ficará mais leve e mais pronto pra vida!
É isso aí! Recicle-se!

CARPE DIEM

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