quarta-feira, 11 de abril de 2012

Meu amigo Raul


Na última terça-feira, 10 de abril de 2012, aqui Theatro Municipal de Paulínia tive a alegria de assistir a uma peça em homenagem ao grande viajante, cantor, ator e compositor Raul Seixas.

Silvio Passos, fundador do fã-clube oficial do grande Raul participou bem das cenas, fazendo o papel dele mesmo, contanto um pouco sobre as peripécias de Raulzito. Além dele, uma banda de apoio perfeita e um Dylan Seixas que mais parecia Raul reencarnado. Se fechássemos os olhos, jurávamos estar ouvindo o próprio Raul, ali no palco. Dylan incorporou o jeitão Raul de cantar e se apresentar. Bravo!

Claro que esta postagem não é apenas para elogiar a iniciativa do diretor da peça (Ton Crivelaro) e nem Silvio e sua trupe. Nada disso. Tem algo mais significante para compartilhar aqui, nestas linhas, neste espaço.

Essa peça me transportou lá para as bandas da segunda metade da década de 80 e início dos anos 90. Naquela época, eu meio adolescente, meio adulto, numa fase onde estamos repletos de sonhos, problemas (?) e muita gana para viver.

Lembrei-me dos finais de semana com os grandes amigos. Popeye (amigo inseparável), Gil (o chato, que no fundo servia mais como elogio do que zoeira), Isaias (Zazá), Alemão, Agemeu (ex Pica-Pau), Marquinhos, Fernando e tantos outros. 

Era uma galera boa demais. Fãs do bom e velho rock'n' roll. Nos reuníamos para ouvir nossos bolachões (discos de vinis) em alto e bom som (e bota em alto e bom som nisso!). Tudo regado a cerveja barata (sim! tomávamos Kayser e Bavária e naquele tempo ambas já eram horríveis), vinho de terceira, caipirinha de quarta ou qualquer coisa que desse um grau e que fosse acessível aos nossos pobres bolsos.

Nossas mães sofriam com a barulheira que fazíamos. Destaque para os pais do Gil, dona Terezinha, mãe do Fernando, Dona Oscarlina, mãe do Popeye e a grande Dona Cleusa, minha mãe. Todas suportavam bravamente a galera que um levava para a casa do outro e ainda dava corda (até certo ponto!).

De todos, eu era o mais doente pelo Raul. Jaqueta, calça, bandana, coleção completa em vinil, poster espalhado pelo quarto e tudo quanto era badulaque hippie sobre Raul. Era super fã mesmo. Sabia as letras das músicas mais escondidas do Raul. Gitã, Ouro de Tolo, Maluco Beleza, nem eram ouvidas. Música da moda. Qualquer um conhecia. Fã é assim mesmo. Gosta de ser diferente.

Quando saia um disco novo era uma alegria sem fim. Lembro de comprar Metro Linha 743, quase dois anos depois de lançado. Eram discos que não se achava fácil. Ninguém vendia. A censura proibia a venda, recolhia a toda hora. Era uma loucura. 

Mas a cada disco encontrado, fosse raro, fosse lançamento sempre era uma festa e passava dias namorando a capa, os encartes, o vinil. Um cuidado danado para não riscá-los e nem estragar capa e encartes. 

Hoje tudo é mais fácil. Entra-se no Google, digita-se o nome do cantor, banda ou música que deseja e lá está tudo. Pronto para ser copiado em ótima qualidade (sic) para quem não tem ouvido treinado pelo bom e velho vinil. MP3 é bom para ouvir em fone de ouvido, em som de carro sem recurso ou num computador. Experimente ouvir um MP3 em aparelhagem de verdade. Meu Deus! É só distorção e falta e qualidade. Mas é o que temos hoje. E é fácil se acostumar com algumas coisas sem qualidade. Arquivo em MP3 é uma delas.

Deixemos as divagações sobre arquivos e facilidades e voltemos às memórias.

Naquela época a luta pelas "Diretas Já" estava cada vez mais intensa e nossa turma participou disso tudo. Fomos românticos e revolucionários. Até acreditamos no PT e sua trupe. Íamos aos comícios paramentados de bandeiras, camisetas, botons e tudo mais que tínhamos a nossa disposição. Ouvíamos Raul, Taiguara, Geraldo Vandré, Caetano Velos e todos os demais rebeldes de nossa época.

Bons tempos aqueles. Saudade boa. Confesso que foi muito bom, durante uma hora e meia estar ali presente, porém, olhando lá atrás, sentado numa mesa de um boteco qualquer ou num quintal de um de nós, reunidos, ouvindo tudo aquilo e apenas vivendo.

Quem de nós não tem momentos especiais guardados. De vez em quando faz bem trazê-los à tona. Experimentem!

Vá! E grite ao mundo que você está certo!

CARPE DIEM
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