sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Trilogia de Natal: II - Sonho compartilhado


Naquela noite, José Luiz e Maria Clara, mal dormiram. A ansiedade de ambos era evidente. O dia havia sido de grande emoção, afinal, ligaram do Departamento de Adoção, convidando-os para conhecerem um Lar de crianças. Uma vez, liberados para o processo, estavam prontos e aptos a buscarem o filho que tanto sonhavam.

À noite, os dois lembraram os anos que tentaram ter um filho, a vontade enorme de Maria Clara em ser mãe e os sonhos de José Luiz em ter um menino. A ansiedade era tanta que falavam quase ao mesmo tempo:

- Meu Deus, é amanhã! Será que vou encontraremos o nosso filho? Será que ele vai ser fã de futebol! Sempre quis ter um parceiro para assistir aos jogos! – Fala José Luiz

- Não vejo a hora de ter mais alguém na nossa mesa. De levá-lo à escola! Será que ele será estudioso? Será que ele ficará feliz em sermos seus pais? – Continuava apressadamente Maria Clara

- Que ideia Clara! Claro que ele será feliz conosco. Ele terá um lar! A pergunta é outra. Será que seremos bons pais? Estamos mesmo prontos? – Devolve José Luiz

- Estamos sim, amor. Vamos dormir. Amanhã será um dia importante. Para nós três. Seja lá quem for ele. – Sentencia Maria Clara.

Alguns segundos de silêncio, ambos abraçados na cama, quando o falatório recomeça. Ambos divagavam sobre quase tudo. Sobre como seria ele, como reagiria, quais eram suas preferências e tantas outras indagações que o acompanhavam desde sempre.

José Luiz e Maria Clara formavam um casal especial. Casados há 15 anos, sonhavam com um filho. Alimentaram o sonho de serem pais biológicos até os 10 anos de casados e só então viram na adoção uma oportunidade de realizarem o grande sonho. 

Da decisão até o grande dia, foram longos 5 anos de busca. À medida que o tempo passava e que eles amadureciam, as exigências foram se transformando. Inicialmente buscaram recém nascidos e com características físicas próximas às deles. Em vão. A concorrência era enorme e a disponibilidade não atendia a demanda de futuros pais.

Um dia, chegaram à conclusão que, se realmente desejassem serem pais, não deveriam escolher o filho que viria. Afinal, se fosse um filho biológico, eles teriam chance de escolha? Eles escolheriam o sexo, as condições físicas e de saúde do bebê?Claro que não! Então assim seria. A partir de agora, estaria abertos e disponíveis para o filho que lhes fosse reservado.

Acompanhados pela assistência social e pelo núcleo de psicologia do departamento de adoção, sentiam-se mais seguros a cada dia e o aval dos especialistas os encorajava ainda mais.

Fazia algum tempo que frequentavam palestras, participavam de fóruns de discussão, liam livros e estavam convencidos da carência que existia de pais para crianças mais maduras. Eram praticamente esquecidas e ignoradas nos lares e abrigos.

Naquela noite, ambos recordaram tudo isso. Repassaram os passos de uma busca que vinha de muito tempo.  No coração de cada um deles, um sentimento que praticamente se traduzia em certeza: 

Aquela busca estava chegando ao fim. Eles encontrariam seu filho, pela manhã.

Naquela noite, foi este sentimento que embalou o sono de ambos.

CARPE DIEM

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