sábado, 3 de novembro de 2012

Avatar: A experiência

Era um dia como qualquer outro para quase todos que viviam naquele mundo. Cada um cuidando de sua vida, de seus afazeres, de seus sonhos. O sol despontava iluminado, lá no horizonte. Nuvens brancas enfeitavam o céu azulado. Pássaros cantavam envolvendo os que passeavam pelas ruas. Apesar de ser mais um dia na vida daqueles que viviam regidos pelo mesmo tempo, algo estava diferente para um deles. Para alguém muito especial para nós.

Se antes repousava inerte, limitado em seu leito, hoje ele se viu, depois de algum tempo, caminhando por entre os ipês carregados por flores multicoloridas. Num certo momento experimentou uma corrida rápida. Talvez para sentir o ar entrando com mais potência pulmões adentro.

Após alguns metros, numa praça, ele avistou uma bela flor, entre um punhado de ervas rasteiras. Certamente que aquela flor se destacava. Sua cor alaranjada brilhante era o que tornava o cenário mais belo. Agachou-se (a sensação de agachar-se foi uma das mais incríveis de se provar, depois de tanto tempo) e tocou as pétalas daquela flor. Controlou seu instinto de arrancá-la e preferiu apenas sorver o perfume suave que vinha de sua direção.

Os olhos mapearam toda a praça e o cenário o deixou feliz. Crianças brincando com suas mães. Um vendedor de frutas passou ao seu lado. Sua voz saiu clara e segura quando o chamou:

- Ei! Seu moço! Que frutas você tem nesta cesta?

- São doces morangos, senhor! Aceita um? – respondeu sorridente o moço da cesta.

- Deixe-me provar um! Há quanto tempo não provo fruta alguma! – Falou ao mesmo tempo em que sua mão direita pegava um morango vermelho e brilhante e levava até sua boca.

Sentiu-se entorpecido, por um segundo. A sensação de provar uma fruta tão doce e saborosa foi indescritível. Como que por encanto, os sabores de tantos alimentos povoaram suas lembranças. O café da tarde acompanhado de deliciosos pães. As refeições simples de cada dia. O sabor de um beijo!

Queria sentir mais. Queria provar da sensação de um abraço. Ao seu lado, um senhor passava. Ele dirigiu-se até ele e com um sorriso no rosto abriu os braços e claro que a outra pessoa entendeu aquele sinal de entrega. Também abriu os braços e enlaçaram-se num abraço fraterno. Certamente que os transeuntes ficaram intrigados. Afinal, nos tempos de hoje, não se é tão comum abraços fraternos, fora de datas especificas. Aquele dia era um dia comum, como qualquer outro. Não cabiam abraços assim, sem razão!

Mal sabiam eles, o que sentiu quando abraçou aquele homem bondoso. Era como que de suas mãos, saíssem luzes amorosas e como se tivesse sido envolvido pela paz. Mal sabiam eles, que aquele dia jamais seria um dia como qualquer outro, para ele.

Naquele dia, caminhar teve outro significado. Assemelhou-se ao bater de asas dos pássaros. Expressar-se através das palavras foi como encontrar a liberdade e sentir sabores, cheiros e o toque foi como adentrar o paraíso. Naquele dia pequenos movimentos, gestos, sentidos significaram muito para ele. Significaram a certeza de que viver valia à pena!

Depois de vivenciar tudo isso ele se sentia pronto para voltar ao seu leito. Seguir o seu destino e voltar à sua inércia temporária. Por que chegaria o dia em que ele seria assim, livre! Para sempre! 

Ele estava vivo!

CARPE DIEM

Dedicado ao nosso querido mestre Avatar!

Avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal segundo a religião hindu, por vezes até do Ser Supremo. Deriva do sânscrito Avatāra, que significa "descida", normalmente denotando uma (religião) encarnações deVishnu (tais como Krishna), que muitos hinduístas reverenciam como divindade.

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