quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os abismos de cada um


(by Caio Fernando Abreu)

Outro dia deparei-me com essa frase do Caio Fernando Abreu, um dos principais escritores e pensadores dos tempos atuais. Contundente, profundo e com uma capacidade incrível de compreender o homem e a mulher de hoje.

A provocação da pergunta é muito válida. Afinal, quem tem o poder de salvar o outro de seus próprios abismos?

O salvamento, para o salvador, destaca a sua superioridade. Ele é capaz de livrar alguém das mazelas que este mesmo causou. É a capacidade de simplesmente desfazer aquilo que alguém fez a si próprio. O salvador acaba se traduzindo num ser pra lá de arrogante.

Na vida, cada um colhe aquilo que planta. Atrai as pessoas que deseja atrair. Vivencia o resultado dos problemas que foi capaz de criar. Olhando por este ângulo, é pretensão demais de uma pessoa que se acha no direito de salvar alguém do resultado de suas boas ou más ações.

É óbvio que podemos oferecer apoio, podemos dar um conselho, podemos estar ao lado. O que não é possível, na prática, é agir pelo outro. Uma coisa é você indicar um caminho, outro é fazê-lo.

É como um motorista perdido procurando determinado endereço. Quando você é abordado por um destes, você aponta a direção ou entra no carro deste, muda sua rota, larga seus afazeres e leva ele no endereço que você pode simplesmente indicá-lo?

Percebe. Estamos aqui para indicar caminhos e não para fazer a viagem alheia. Aliás, viagem este que você nem sabe que o outro quer sua companhia. No fundo, ele quer apenas a indicação. O resto é com ele. Por que a conquista é dele.

Salvar alguém dos seus próprios abismos tem m quê de assistencialismo. De superioridade. De pequenez do outro. É como se você falasse para o outro:
"Esta me vendo aqui? Fui obrigado a vir só pra tirá-lo desta situação que você se colocou e infelizmente se mostrou incapaz de sair sozinho."

Quando nos salvamos dos nossos próprios abismos, saímos mais fortes. Quando alguém nos tira, saímos mais inseguros e dependentes.

CARPE DIEM

3 comentários:

Mayla: Doida e Santa ;) disse...

Sá, quantas vezes eu te pedi pra traçar o meu caminho ein? rs; "- Mestre, mestre, o que fazer?" e lá vinha você com a frase que deixa qualquer rei de xadrez mortinho da Silva. "Cheque-Mate" o que você quer afinal? quer seguir? siga... quer parar? pare... você apontava o caminho segundo o lugar que eu queria estar, FATO! Já eu, totalmente o contrário do mestre, se perguntassem onde fica a padaria do Manoel que é na esquina, fazia questão de ir até lá, esperar entrar direitinho, comprar os pães e até conferir o troco, tem tanta gente assim não é? a espera de ser útil, é tanta espera que a gente perde a utilidade quando ela aparece, percebi. "Estamos aqui para indicar caminhos e não para fazer a viagem alheia." ;DD'

TUDO CONTINUA ACONTECENDO aqui, e agora com esse trecho do Caio, doce, acontece doce também! Que ninguém me salve de meus abismos!

PARABÉNS Sá,
perceptível como sempre!

Chris Cunha disse...

Gostei muito do seu texto. Penso que cada ser é um laboratório em si mesmo. Cada experiência é importante. Cada aprendizado, cada descoberta também o são. Mas o principal método é o de erros e acertos, e cada um deve aprender com seus erros. É bom saber que não haverá quem nos impeça de descobrirmos, por nós mesmos, os nossos limites e os nossos dons. Mas, se há alguém mais experiente disposto a trocar seus pontos de vista conosco, devemos ser humildes e gratos a isto. Este pode ser um indicador de caminho muito precioso. Ótimo blogue! Boa jornada a todos!

Van *-* disse...

Amo a maneira como voce vê as coisas, meu amigo. Voce brinca com as palavras e nos "mostra o caminho a seguir", segue que aprendeu, quem entendeu...isso é ser amigo.E vc sabe disso muito bem.
Abraços

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