quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Espírito Olímpico - uma crônica

Fala-se muito sobre como o Brasil está se preparando para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Questiona-se estrutura, gestão dos investimentos, prazos e tantas outras situações práticas.

Assistindo aos Jogos de Londres 2012 e tantas outros Jogos que já se passaram acredito que deveríamos nos preocupar mesmo com outro tipo de preparação: Aquela ligada ao "Espírito Olímpico", ou seja o espírito desportivo.

A cada medalha que disputamos e principalmente a cada medalha que perdemos, ora por pouco, ora por muito, o que vimos nas redes sociais foi um bando de pessoas hostis  manifestando-se contra os atletas que obtiveram o "insucesso(?) Olímpico".

Arthur Zanetti foi ouro. Sarah Menezes também. Seria apenas eles os campeões do Brasil e merecedores dos aplausos? 

Vale lembrar que uma Olimpíada não é feita apenas das competições que acontecem durante os jogos. Existem fases eliminatórias que antecedem os Jogos. Isso acontece em todas as modalidades. E cada país avança com seus atletas a medida que supera outros tantos. 

Numa Olimpíada estão os melhores de todas essas qualificações anteriores. Só por essa situação, cada atleta de nosso país já é um vencedor. Está no seleto grupo de atletas que foram a uma Olimpíada.

Um cai, outro fracassa, outro refuga, outra deixa escapar uma vitória certa e por aí vai. Uma lista de pequenos insucessos ganham super exposição e atletas sofrem com a incompreensão de muitos que se negam a compreender que uma Olimpíada é antes de mais nada, uma celebração esportiva. É a reunião dos melhores do mundo competindo de forma digna e dedicada. Entre oitos atletas sempre terá um primeiro colocado e um oitavo. Fato. Valeria menos este que se posicionou em último? Para muitos brasileiros, sim.

Fico imaginando nossos atletas disputando uma Olimpíada em casa. Certamente muitos "fracassarão (?)" e certamente muito serão humilhados publicamente, por ignorantes que não entendem que é uma honra estar ali. É uma honra se ver representado por alguém que abriu mão de ser um sujeito comum. Ele preferiu abraçar a disciplina e viver num mundo de competição. Onde o vencedor e o perdedor se evidencia a cada competição. Mas ele é um esportista  e consegue conviver com o fracasso. Tira dele o combustível para melhorar.

Generalizações à parte, o Brasil precisa aprender a aplaudir melhor "as derrotas" de seus atletas. Certamente, ninguém melhor do ele mesmo, pra saber o quanto dói uma derrota, depois de tanto esforço, sonho e trabalho. Precisamos fazê-lo sofrer mais?

Parabéns a todos os atletas que ficaram pelo caminho, que quase chegaram lá ou mesmo que ficaram longe de chegar. Somos todos Brasileiros. Cada um de vocês, sabe bem, o quanto se esforçou para estar aí, nos representando. O quanto lhe faltou de apoio, de tradição esportiva, de investimento social e de compreensão de suas necessidades. Só cada um de vocês sabe o quanto é difícil ser um atleta nesta nosso país recordista em corrupção.

Parabéns aos medalhistas. Apesar de todas as limitações enfrentadas, igualmente aqueles que fracassaram, vocês conseguiram o impossível. Saírem vencedores.

Até quando esperaremos para termos o esporte aplicado e valorizado nas escolas, colégios técnicos e universidades? Até quando dependeremos de dedicados e talentos individuais? Até quando teremos pessoas desprovidas de espírito olímpico chacoteando, humilhando, agindo de forma preconceituosa em nossas redes sociais?

Será que estamos prontos para a Rio-2016?

CARPE DIEM





Um comentário:

Amanda Lemos disse...

Muito interessante o Blog !

Embora tenha visto rapidamente, gostei bastante e te convido para conhecer, seguir... meu espaço:

http://www.bolgdoano.blogspot.com.br/

Muito Obrigada, desde já !

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