sexta-feira, 13 de julho de 2012

O poeta e suas palavras

Era uma vez um poeta. Não era um daqueles poetas famosos. Daqueles que escrevem poemas inesquecíveis e emocionantes. Era um poeta comum. Gostava dos seus próprios versos. Do som das sílabas que construía e divertia-se com a graça que a rima fazia. Se tinha uma coisa que esse poeta gostava era do ritmo que a métrica oferecia as suas linhas singelas. Era uma vez um poeta.

Tudo ia muito bem... Até que um dia, algo estranho aconteceu. Estranho não! Incrível! Aquele poeta, por descuido havia se perdido de suas palavras. De repente ele se vira só. Sem elas!

Atônito ele procurava em todos os cantos de sua casa. Procurou refazer o caminho que fizera. Passo por passo. Nem sinal das palavras. Se bem que no começo ele até sentiu-se aliviado. Afinal, as vezes, as palavras o sufocava. Exatamente! Eram tantas palavras que invadiam seus pensamentos, todas afoitas para serem grafadas num papel qualquer que até lhe causa desespero. 
E quando as palavras resolviam exibir-se? Lá ia poeta desesperado atrás de um pedaço de papel. Pedaços de guardanapos, papel toalha, cantinho de jornal, rascunho, tecido. Qualquer coisa servia para a palavra se expressar.

Nem queira Imaginar como o poeta ficava quando ele não encontrava recursos  para expor as palavras rebeldes. Elas ficavam ecoando na cabeça dele. Zanzando de lá para cá. Até que se acalmavam. Demorava. Fato!

Foi assim, sem mais nem menos, entre palavras expressas e palavras sufocadas que tudo se perdeu. As palavras resolveram deixar aquele poeta. Não me pergunte se a decisão tomada havia sido para sempre. Não saberia explicar. A verdade é que o poeta estava desnorteado.

Era doloroso sentir emoções que não tinham mais palavras para traduzi-las. Desejos perderam completamente o sentido. Ele até percebia a beleza das flores, das pessoas, dos bichos soltos, dos pássaros no ar. Só que tudo para ele era sem nome. Sabia o que era, mas não conseguia expressar um nada.

O poeta procurou deixar de perceber as coisas ao seu redor. Poderia ser uma saída. Se ele nada sentisse, nada visse, por nada se interessasse, poderia ser que as palavras não fizessem tanta falta assim. Deu certo uma vez, duas, na terceira vez o desespero voltava com mais força.

Foi numa noite que o milagre aconteceu. Lá estava o poeta, noite enluarada, céu estrelado. No fundo, ele nem tinha mais esperança de rever suas palavras. Mirando a lua cheia relembrava dos versos que havia feito pra ela, certa vez. Uma lágrima teimou em escapar dos seus olhos. Escorreu por sua face. Saudade de suas palavras. Saudade do quanto elas emocionavam quando registradas por ele. Sem ser modesto ele sabia o quanto tinha o dom de combinar a palavra certa com o sentimento correspondente. Encaixe perfeito. Palavras....

E o poeta, depois de muito tempo expressa o que sentia naquele instante, diante da Lua cheia. Lá estava ela. como que servindo de testemunha daquele reencontro apaixonado: O poeta e suas palavras

Poesia é saudade transformada pela palavra
É desejo de expor o que se sente
É transformar o racional em sentimento
É expressar-se além da própria palavra

Poesia é traduzir o que não entende
É encontrar a palavra que comove
É alquimia da rima encantada
É a viagem infinita pela vida

Poesia depende da palavra
Que depende do dom de um poeta
Que transpira palavra por palavra

Como a  lua combina com a noite
E o pássaro é mais belo em pleno céu
A poesia ganha vida finalmente
Quando o poeta encontra-se com as palavras

E foram felizes para sempre: O poeta e suas palavras

CARPE DIEM


4 comentários:

Van *-* disse...

Voce é a prova viva que o "poeta" encontra suas palavras e nos convida a viajar com elas...Eu já apertei os cintos. rsrs
Abraços

Samuel disse...

Ow Van! Grato por sua presença constante aqui no Sempre!
Seja sempre bem vinda!

Srta Mayla disse...

o poeta escreve pra registrar a alma, registrar o belo, o invisível, escreve pra si e é por isso que comove os outros, se perder nas palavras é gostoso, se achar, se reencontrar é delicioso! perfeito? GIGANTE isso aqui! Era bem isso que eu precisava pra ir boazinha pro fim de semana, obrigada, acho que só finalizo com isso, obrigada mestre!

Samuel disse...

Ow May! Muito massa você sempre por aqui! Alegria de ter pessoas como você acompanhando esse cantinho que "sempre tem algo acontecendo"

Seja sempre bem vinda!

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