quinta-feira, 19 de julho de 2012

Cozinhar é como viajar...


Eu gosto de cozinhar. É como uma viagem para mim. E tal qual uma viagem, o melhor é o trajeto. A preparação dos ingredientes, dos temperos. Os aromas. A cebola tem seu cheiro realçado ao ser cortada. Isso também ocorre com a salsinha, a cebolinha, o pimentão, o coentro e tantos outros. 


Enquanto preparo tudo, viajo. Ora em silêncio, ora ao som de uma moda de algum violeiro. Já cozinhei ao som do João Ormond, do Oswaldinho Viana, Zé Paulo Medeiros, Almir, Renato Teixeira, Paulo Simões e por aí segue.

De vez em quando, deixo ali do  meu lado, uma dose de uma cachaça mineira. Vou degustando ao longo da viagem. Na medida certa, pra não perder o ponto.

E ao longo do preparo percebo a transformação dos ingredientes, como eles se comportam quando reunidos e o aroma que invade a cozinha, a casa. Comida boa...

Eu admiro quem tem técnica e conhecimento suficiente pra cozinhar. Tenho amigos que cozinham como profissionais. Tenho amigos que são profissionais da cozinha. Eu não. Eu cozinho da mesma forma que escrevo. Instintivamente. Poeticamente (pra mim). 

Lavar a louça é como se cada prato, panela, talher, fosse banhado por uma cachoeira, que a transforma e a prepara para o uso novamente. Tem horas que penso que seria legal cozinhar tal qual um profissional. Depois eu mudo de ideia. Prefiro assim. No meu caso, funciona melhor. Sem preocupação com o corte certo ou com a combinação mais combinada. 

Por que ingrediente é como a palavra. Você coloca ela na frase e ela vai se transmutando. E como a palavra também não aprova desmandos e violência.

Cozinhar pra mim é homenagear. E me alegro em reproduzir pratos que aprendo ao longo das viagens. De vez em quando faço o frango caramelado ou arroz preto do meu amigo Fernando. Outra hora faço o carreteiro do tio Valdinho. Faço o “baião-de-dois” da minha mãe. Hoje fiz o frango da minha avó Quitéria. Cheirinho bom de comida de avó! 

As vezes cismo com a comida de um restaurante e tento reproduzir. Aconteceu isso com alguns pratos que aprendi em Belo Horizonte, como o arroz com alho e bacon e o fígado com jiló. Bom demais da conta, sô!

E os pratos não saem iguais aos originais, creio eu. Por que saem como eu escrevo. Como eu os vejo. Como eu os imagino. 

Eu gosto de cozinhar... É como uma viagem pra mim!

CARPE DIEM

2 comentários:

Srta Mayla disse...

Sá, acho que a sua poesia e a sua comida devem ter o mesmo sabor, poesia, tudo gostoso por aqui! ops! rs; tudo bom de se deliciar, você faz comidas que não provo, mas, te leio, e me sacio! :) OBRIGADA!

Samuel disse...

Olá Mayla!
Muito obrigado por sua presença pra lá de assídua aqui no Sempre!

Valeu, amiga!

Samuca

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