quarta-feira, 30 de maio de 2012

Houve um tempo...

Houve um tempo em que...
Um homem descia do carro e ia até o outro lado abrir a porta para sua dama (sim, a mulher que  o acompanhava era uma dama);
Neste mesmo tempo, as damas aguardavam pacientemente que isso acontecesse e agradeciam a delicadeza;

Houve um tempo em que os filhos respeitavam os pais e sabiam que mesmo quando contrariados, o amor por eles era incondicional;
Neste mesmo tempo, os pais transmitiam valores importantes a estes mesmos filhos;

Houve um tempo em que netos admiravam seus avós e estar com eles, era um acontecimento;
Neste mesmo tempo, os avós eram apenas avós e muitos deles excelentes contadores de histórias que enriqueciam a formação destes netos;

Houve um tempo em que a pressa era inimiga da perfeição e que a refeição era sagrada;
Neste mesmo tempo, as pessoas se cumprimentavam e era uma honra receber amigos ou familiares em sua casa;

Houve um tempo em que professores eram respeitados e admirados por seus alunos e pela sociedade
Neste mesmo tempo, professores buscavam o máximo de informação e se pautavam na ética para educar aqueles que lhes eram confiados;

Houve um tempo em que as famílias faziam suas refeiçoes principais sempre unidas;
Neste mesmo tempo os pais faziam questão de estar com seus filhos após o jantar para falarem todos sobre o dia de cada um;

Houve um tempo que ter um vizinho era uma benção;
Neste mesmo tempo, vizinhas recorriam com suas xícaras atrás de um punhado de açúcar, farinha de trigo ou fermento, para fazer aquele bolo, que seria compartilhado depois... 

Houve um tempo...
Ou seria, houveram pessoas, que num tempo...

O mundo pode ser bem melhor, acredite e faça você, o seu tempo!

CARPE DIEM





3 comentários:

Srta Mayla disse...

Sá,

você é meu escritor favorito, e não é porque você é meu amigo, é porque houve um tempo, ou... houve pessoas que fizeram o tempo se tornar um "Pra sempre!" =) CONCORDO com tudo, minha mãe fala desse tempo, de professores, pais, mestres, amigos, vizinhos, ela fala das xícaras de café e fala das visitas, das cadeiras nas calçadas (sem fofoca) nos jogos de futebol na rua, dos meninos sem camisa, felizes, tomando banho de chuva, do tempo em que ser gentil era de graça, saudade desse tempo, mas, buscando fazer o meu tempo, sorrindo e dizendo: "PARABÉNS" para o trocador do ônibus, é que conheço um mestre do Magros que tenho certeza, ainda faz dessas delicadezas, esse lugar só se enriquece, quando você aparece aqui (no seu lugar) uma nova estrela brilha! PARABÉNS pra você também, mesmo sem ser trocador de ônibus, TUDO muito bom de se ler, se relembrar e querer mudar pra que esse tempo volte mais apressadamente pra dentro da gente, de novo!

Ricardo Macagnan disse...

Já dizia o saudoso vocalista da banda Legião Urbana, Renato Russo, em uma de suas músicas: ..."Digam o que disserem/O mal do século é a solidão/Cda um de nós imerso em sua própria arrogância/Esperando por um pouco de afeição"...

Talvez o espírito de se dispor a fazer pequenos gestos para que o outro também se sinta bem tenha sido abafado, talvez quase morto pelo estilo de vida atual. Estamos atravessando um período ond a maioria das pessoas prefere "olhar para seu umbigo" a olhar e cumprimentar ou simplesmente sorrir para o amigo ao lado.

E quando encontramos um texto tão perceptivo e instigador como esse, somos levados a imaginar que isso acontecia, mas em tempos tão distantes, que nos parecem cenas de um filme em preto e branco.

Um texto fantástico e instigador!

Chris Cunha disse...

Que sorte ter tido um "tempo" para passar por aqui agora! Belo texto!

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