quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A mão que bate é a mesma que afaga: Diga não a palmada!

Imagine uma criança que tenha entre 3 a 5 anos de idade. Você, papai ou mamãe, ou ambos, são a única referência do mundinho deles. Claro, tem a tia da escola, tem o vovô e a vovó, as titias e os titios e até os priminhos mais velhos. Todos eles! Mas você, papai ou mamãe, ou ambos são os heróis do pequeno ou pequena.

Nesta idade, com um certo discernimento, a criança sabe um pouco melhor o que quer, compreende o que é receber atenção e sabe bem os benefícios dela. Percebe também que se aprontar algumas vezes, os pais a percebe mais. Percebe que se for carinhosa e dengosa com eles, também recebe mais atenção. Assim, entre aprontar e fazer dengos ela conquista  a atenção dos seu pais.

Uma criança entre 3 e 5 anos tem uma altura média de 90 a 110 centímetros e pesa entre 15 e 19 quilos, respectivamente. Traçando um paralelo entre a altura e peso de um adulto em relação a uma criança de  4 anos, por exemplo, é como se, no seu caso, um adulto com 1,70 cm, pesando cerca de 70 quilos, se relacionasse com uma outra pessoa que tivesse 2,90 e mais de 200 quilos.

Imagine esse gigante de 2,90 metros e com mais de 200 quilos apontando um dedo enorme pra você, proferindo ameaças num tom de voz agressivo e numa velocidade que você não pudesse distinguir muito bem o que estava sendo dito. Imagine mais! Agora esse gigante de quase três metros (pra você se situar, essa pessoa seria quase a altura do teto do seu quarto) com sua enorme mão, envolve sua orelha e dá-lhe um torcida, enquanto o levanta para o alto. Você se ergue nas pontas dos dedos dos pés, tentando amenizar a dor do puxão.

O gigante varia a maneira de castigar. De vez em quando você apronta um pouco mais, ele com sua mão gigante ora belisca o seu braço, ora desfere umas palmadas no seu bumbum. Quando aquela mão grande resolve fazer um carinho nos seus cabelos, você acaba lembrando que ela também faz as outras coisas. Isso lhe deixa um tanto quanto receoso.

Outra mania do gigante é a de gritar contigo, às vezes, ameaçando tirar isso ou aquilo de você, caso não se comporte, como ele deseja. Os gritos nem são o maior problema. O pior é você ser obrigado a ficar com o pescoço torto, olhando pra cima, lá no teto do seu quarto, para entender e ouvir bem o que ele pede. Você ainda pensa, consigo: "Se ele pelo menos se abaixasse e falasse um pouco mais baixo e devagar, pra eu entender o que ele quer de mim!"

Uma criança de 0 a 7 anos está formando sua base de crenças e valores. Está construindo  e lapidando sua personalidade e ele será o adulto que você for capaz de moldar. Um filho é o resultado das experiências transmitidas por seus pais. Ele pode vir a ser um adulto generoso, seguro, justo, honesto e feliz. Ele poderá vir a ser também um adulto inseguro, prepotente, violento, desonesto, infeliz. Tudo depende dos pais.

Olhando esse gigante de 2,90 metros, fazendo e agindo com você da forma exemplificada neste texto, você pai, você mãe, consegue ter uma ideia de como seu filho se sente? Quando ao invés do diálogo você escolhe a violência física ou moral para educá-lo?

Diga não a palmada. Diga não aos gritos! Você também já foi criança um dia. Lembre-se disso. E jamais se lamente quando um filho agredi-lo. Talvez tenha sido a maneira que ele considerou mais eficiente para chamar sua atenção.

Como diria o poeta: "A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva."


CARPE DIEM

2 comentários:

Mayla Valere disse...

como sempre, TUDO lindo aqui!

Sereia... disse...

Adorei Sá!! Perfeito!

Beijos!

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