segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A grande viagem

Existem viagens e viagens. Algumas são à negócios. Outras são protocolares. Tem viagem para algum evento. Viagem para cidade próxima. Viagem diária.

Tem um tipo de viagem, em particular, que nos marca, mesmo antes de acontecer. A viagem começa a deixar marcas lá atrás, na decisão pelo destino. No simbolismo do lugar escolhido. Das razões escolhidas.

Neste tipo de viagem a bagagem mais importante não é a que você leva na mala. O importante é o que você traz consigo. Lembrança, expectativa, sonhos e muita vontade de viver ou reviver algo especial.

Neste tipo de viagem, pisar no solo já é um ritual. Caminhar nas ruas, por entre construções carregadas de memórias e histórias contadas e vividas ali.

Neste tipo de viagem a vegetação, os animais, a serra, a água de beber, as pessoas, os lugares, tudo tem um brilho especial.

Viagem como esta não é como viagem de férias em ponto turístico reconhecido e conhecido. Viagem como esta é sua. Só sua. Nada e nem ninguém será capaz de traduzir o sentimento que surge a cada acontecimento. 

Viagem como esta não se faz com veículo, nem com sapatos, nem com roupas especiais. Basta-lhe emoções, coração e muita vontade de explorar o que está bem dentro de você. Ela acontece de dentro pra fora.

A viagem que falo aqui é exatamente a que você está pensando agora: A sua viagem!

Certamente quem vive longe da terra natal, quem apenas nasceu num lugar e nunca mais voltou ou quem saiu cedo e sempre planejou um dia rever aquele lugarzinho onde tudo na sua vida começou, entende bem o que eu falo agora.

Acredite! Aquele lugar esquecido aí dentro tem um poder fantástico. Se você já pensou em fazer uma viagem assim, aproveite e planeje a sua aventura. Se você nunca pensou e nem sabe onde fica sua cidade natal direito, comece a pensar nisso, com mais carinho. O que você verá será incrível.

Viagens! Refazer caminhos, recontar histórias, relembrar memórias. Estou prestes a viver uma grande viagem. A minha viagem!

Que os caminhos sejam companheiros e que meus sentidos estejam prontos. A grande jornada começa agora...

"Quando a lama virou pedra 
e mandacaru secou
Quando ribaçã de sede
Bateu asas e voou.."

Boa viagem...

CARPE DIEM 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ser gentil é legal!

Você já experimentou ser verdadeiramente gentil? Aí você me pergunta: "Como assim, verdadeiramente?" Vamos lá. Eu explico.

Existem algumas gentilezas automáticas, ou seja, consolidadas e integradas ao nosso comportamento, como por exemplo, saudar as pessoas com "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite". Existem outras expressões do tipo "fique à vontade", "seja bem vindo", "por favor", "obrigado" e por aí segue.

Claro que se você faz isso sempre e de forma sincera pode-se afirmar que estamos diante de uma pessoa gentil e agradável. Parabéns!

Agora existem outras atitudes gentis, que são cada vez menos praticadas pela grande maioria das pessoas. Temos o hábito de entrarmos no piloto automático. Por isso puxe aí pela memória:

No caso dos homens, quando foi a última vez que você abriu a porta do carro ou do táxi para uma mulher? Ou abriu a porta de um estabelecimento, casa ou empresa para que uma mulher entrasse primeiro. Mais simples ainda, quando foi a última vez que você deu passagem para uma mulher? Seja no trânsito, no ônibus, numa passagem mais estreita.

Você lembra a última vez que se ofereceu para carregar um pacote que parecia mais pesado para aquela pessoa mais frágil? Auxiliou um idoso ou alguém com alguma limitação a realizar uma tarefa? Quando foi a última vez que teve paciência com aquela pessoa que não compreendia o que queria falar e ao invés de se irritar, você entrou no ritmo dela?

Para as mulheres poderíamos perguntar:  Quando foi a última vez que ela demonstrou-se grata pela gentileza masculina? Quando foi a última vez que você permitiu que fossem gentis com você? Quando foi a última vez que você preparou algo especial para uma pessoa que gosta?

Imagine-se num ônibus e você está sentado no banco da janela. Um assento livre ao seu lado e outro na fileira da frente. Entra um casa e ambos sentam-se, um numa fileira e outro em outra. Ficam conversando de costas. O que seria uma atitude gentil da sua parte?

Você poderia por exemplo, se oferecer, ou melhor, fazer questão que eles ocupem a mesma fileira. Desta forma, você proporia ao que se sentou ao seu lado a troca de lugar com o parceiro ou parceira da pessoa. Provavelmente ele lhe diria que não seria necessário. Porém, numa atitude gentil, você faria questão de prosseguir e agiria para que a troca ocorresse.

Complicado? Que nada! Isto é só gentileza. Pode ficar certo que você ganhará dois sorrisos gratos de volta. Ser gentil é legal. Faz bem aos que estão à sua volta.

Dizer eu sabia para alguém que se deu mal não é nem um pouco gentil. Ser solidário, mesmo sabendo que você avisou que tal coisa poderia acontecer é uma atitude que pode fazer a diferença. Afinal, ninguém gosta de ser tripudiado ou recriminado.

Enturmar uma pessoa nova na sua empresa, classe ou na turma de amigos é uma atitude muito gentil Coloque-se no lugar deste novato. Aliás, quem de nós não foi um novato em algum lugar. Lembre-se como se sentiu quando foi bem ou mal acolhido.
Ser gentil é legal mesmo e se resume numa coisa bem simples: Fazer para as outras pessoas aquilo que gostaríamos que fizessem para nós. Ser tão carinhosos e gentis como gostaríamos que fossem conosco.

Gentilmente eu desejo a cada um de vocês um dia especialmente maravilhoso e que acreditem sempre no poder da gentileza, amor e bondade. Aproveito para agradecer o tempo que dedicam ao "Sempre tem algo acontecendo".

CARPE DIEM

sábado, 13 de agosto de 2011

Síndrome das Datas Comemorativas (SDC)

Aniversário de nascimento, de casamento, dos filhos, dos pais. Dia dos pais, das mães, dos avós, das crianças. Páscoa, Natal, Ano Novo. Dia do amigo, da secretária, da mulher, do médico, do advogado, do arquiteto e por aí vai...Haja calendário!

Antes que pensem que eu não curto datas comemorativas, quero deixar claro que eu as adoro. Quem não gosta de receber um abraço de feliz aniversário? Uma mensagem? Uma ligação? Uma festa surpresa? Quem?

Quem não gosta de ver a família reunida na Páscoa, Natal e no Ano Novo. Trocar presentes, abraços e beijos? Quem?

Qual mãe não gosta de receber um abraço do filho no dia delas? Mesmo sendo uma data comercial e tudo mais... 

Qual pai não gosta de receber um abraço dos filhos no dia que escolheram pra ser dele? 

A secretária adora ser lembrada. Ganhar flores no seu dia, do mesmo chefe que lhe ignora os outros dias do ano... Isso quando não é um daqueles diretores grosseirões que vemos por aí.

Só que tem um fato curioso nestas datas. Existem pessoas que só se lembram das pessoas homenageadas nas respectivas, apenas neste dia. Sei lá, eu acho isso tudo muito estranho. Não consigo me envolver com algo assim.

Um ano sem falar com a outra pessoa. No dia do aniversário liga rapidinho. Um outro fica o ano inteiro ignorando a outra e aí aparece no Natal ou na Páscoa ou em qualquer uma destas datas. Fica meses sem falar com o pai ou a mãe e no dia das mães ou dos pais vai lá abraça-los e dizer que os ama. Isso quando não dá um presente caro, pra dar uma compensada. E não estou falando de distância física não. Por que, nos dias de hoje, com tanta ferramente de comunicação disponível é praticamente impossível ficar sem falar com alguém.

Eu penso assim. As datas são legais. Agora, para comemorá-las são necessários alguns rituais. Algum contexto mínimo. Não é a mesma coisa você receber um abraço de quem está tudo bem comparado em receber um abraço de quem até ontem te ignorava. Sei lá. Isso soa estranho. 

E aqueles que sofrem da Síndrome das Datas Comemorativas (SDC) se comportam como se tivessem recebido anistia por sua ausência. Naquele dia, por ser uma data comemorativa vale tudo. E vale mesmo!  Só que tem um detalhe. Depois da data comemorativa tudo volta como era antes. É uma mudança que vale por 24 horas ou pelo tempo em que ficarem juntos.

SDC tem cura. Basta você ser mais atencioso com as pessoas que estão a sua volta. Seja mais atencioso com sua secretária, com o profissional que trabalha contigo, com sua mãe ou seu pai, sua esposa ou seu marido, com seus filhos, com seus avós, irmãos. Participe mais da vida deles e se faça presente, mesmo quando ausente fisicamente. Você perceberá que encontrá-los ou reencontrá-los estas datas ficará muito mais interessante e será muito mais festivo e verdadeiro.

Invista mais tempo nos relacionamentos. Pode ser que chegue um dia que você reencontra alguém e ao invés de abraçá-lo naturalmente, você diz:

- Eu te amo...como é mesmo o seu nome? Ah! Lembrei...Eu te amo tio Augusto! (Cabeça a minha, como fui esquecer do fanfarrão do tio Augusto). 

É isso! Tudo começa e termina em você. Pense nisso.

CARPE DIEM



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Pequenas escolhas

Você pode escolher olhar para tudo ao mesmo tempo
Ou dedicar-se completamente a um único ponto
Você pode fazer viagens e mais viagens sem sentido
Ou fazer uma só: Aquela que trará sentido à sua jornada
Você pode molhar os pés num riacho
Ou poderá deliciar-se numa cachoeira revigorante
Você poderá ver um voo de um pássaro
Ou simplesmente voar ao seu lado
Você pode ficar sentado, economizando energia
Ou pode gastar toda energia em algo que realmente valha à pena
Você pode cumprimentar as pessoas com um aperto de mão
Ou você pode olhá-las nos olhos e abraça-las
Você pode dizer que gosta de alguém
Embora você queira dizer que a ama
Você pode fazer algo para viver
Ou escolher fazer algo que  mude completamente o seu viver
Você pode cumprir metas
Ou pode buscar sua missão interior
Você pode ficar aí sentado com medo das consequências
Ou jogar tudo para o alto e correr atrás dos seus sonhos
Você pode ter sua vida toda planejada
Ou você pode permitir que ela lhe traga algumas surpresas
Você pode viver uma vida morna para sempre
Ou você pode escolher a intensidade de um momento
Você pode ser o que os outros querem que seja
Ou você pode ser você mesmo
Você pode aceitar a vida como ela é
Ou pode fazer de sua vida algo extraordinário

Afinal
Tudo na sua existência é único
As pessoas que passam por você
Os momentos que vive
Os segundos que passam
Tudo se resume no presente
....
O que você escolhe?
....
CARPE DIEM

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Insensato Coração Global


Este espaço foi criado para falar do cotidiano. Transformar o simples em fato marcante no dia de cada leitor. Porém este espaço não é alienado e não vive à margem das mazelas do dia-a-dia.

Nesta última quinta-feira, 04/08/2011 foi levada ao ar a cena de espancamento de um personagem gay da principal(?) novela da TV brasileira, no canal de maior audiência do país. A novela? Insensato Coração (nunca vi um nome mais apropriado para uma produção) O canal? Rede Globo de Televisão.

O que tem de errado nesta cena? Violência faz parte da trama! A questão aqui não é só a violência, mas é como este canal enxerga o certo e o errado. A censura econômica por trás de uma trama. 

Vejam que interessante: O canal reduz, esconde ou disfarça as cenas que denotam romance entre pessoas do mesmo sexo. Pergunto: Seria mais puro o beijo de um casal hétero do que de um casal gay? Beijo não é sempre beijo? Ao mesmo tempo, liberam sem pestanejar a cena de uma surra (até a morte) dada em um gay. E ainda mais. Tenta transformar o agressor em vítima, usando o seu passado como justificativa.

Agora, cárcere privado pode. Tortura pode. Traição deslavada entre os casais da trama está liberado. Irmãos que se odeiam também é super normal nesta novela. Humilhação de alguém com menor grau de instrução e menos abastada por aquele com maior poderio econômico também pode. Justiça que não resolve é normal. Nesta novela até assassinato é justificado. "Fulano é bonzinho. Matar alguém é consequência de um plano para provar sua inocência." 

Claro. Vamos combinar. Perdão, dá audiência? Honestidade? Bons modos? Respeito ao próximo? As respostas a estas perguntas nem são necessárias.

A Globo transformou nossa sociedade. Transgrediu valores. E nada como o poder econômico para manipular uma sociedade. Detentora dos programas com maiores audiências ela transmite os valores que bem entende e o que vale mesmo é o lucro pelo lucro.

Nos últimos anos a Globo resolveu entrar numa onda politicamente correta e em suas tramas sempre coloca alguma questão social que esteja em evidência. Claro, que os pobres telespectadores acham o máximo. Seu canal preferido é engajado. Sinto muito informar que tudo isso é fruto de pesquisa prévia e visa simplesmente trazer mais audiência, gerar mais receita e de quebra iludir a nós todos. Que tem muito pouco de nobre na atitude Global.

Desculpem, mas eu não vivo neste mundo global. Por que não entra na minha cabeça que se possa censurar um beijo ou qualquer demonstração de carinho entre um casal gay ou hétero e seja permitido um espancamento até a morte de alguém. Seja este gay ou não. E ainda vitimizar o agressor.

A Insensata Globo do coração de milhões de telespectadores por ter condições, inteligência e estrutura suficiente poderia mudar tudo isso. Poderia. Porém isto custa. Custa inclusive a audiência das milhões de pessoas manipuladas por ela ao longo destes anos todos. Ela criou um padrão globo de caráter. Um padrão globo de justiça. E está acima do certo e do errado. 

Apenas para documentar esta postagem segue um trecho da matéria publicada no Terra Notícias:

Novela com o maior número de personagens gays dos últimos anos, Insensato Coração fechou o armário. Nada de romance entre homens, nem de apologia homossexual. Por ordem da Rede Globo, os autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares vão esfriar a temática homossexual da trama, principalmente o namoro entre Eduardo (Rodrigo Andrade) e Hugo (Marcos Damigo), que vinha ganhando destaque. Cenas do casal já foram cortadas.
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Em nota oficial, a Central Globo de Comunicação (CGCOM) afirma que não há censura e alega que suas histórias são levadas a todos os tipos de públicos. "Nossas tramas registram a afetividade e o preconceito, mas não cabe exaltação. Cabe, sim, combater a intolerância, o preconceito e a discriminação contra elas, o que temos estimulado cotidianamente inclusive por meio de campanhas", diz a nota.


Iguais! Independente de opções sexuais
Ou seja, segundo a nota, não cabe exaltação ao carinho. Explicitar a violência contra um determinado grupo, tudo bem. Está dentro do contexto. Nos enganem. Nós gostamos!

Bem é isso. Peço desculpas aos habituados com poesias e crônicas suaves neste espaço. Realmente não poderia deixar passar tal constatação. É uma pena que tenhamos tão pouco alcance. Por que não acredito que seja eu apenas, o único indignado com tudo isso.
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Leia também, no blog: "O Amor não tem regras"

CARPE DIEM

domingo, 7 de agosto de 2011

Pais apenas por um domingo?

O Dia dos Pais, assim como o Dia das Mães, o Dia das Crianças, o Dia da Mulher e todos os demais dias que existem em nosso calendário baseiam-se em algum fato em particular, porém têm em comum aumentar a performance do comércio. 

São dias de pessoas importantes em nossa vida transformadas em artifícios comerciais. Afinal, pai, mãe, filho, avó, ou mulher não precisam de dias para serem amados, respeitados e homenageados.

Uma mãe é mais mãe no Dia das Mães? Alguém passa a amar mais um criança no Dia das Crianças? Alguém se lembrará de seus avós apenas no dia deles!

Assim também é o Dia dos Pais. Uma data, que nem é data (como o Dia das Mães), posicionado no segundo domingo de um mês. No caso dos Pais, no mês de agosto. Um pai estará com seu filho não apenas neste domingo e sim em toda a existência de um filho. Muitas vezes, além dela. 

Por isso, uma semana antes da grande data, vale à pena uma reflexão para quem é filho, para quem é pai.

Aos filhos eu diria, que prestassem mais atenção ao seus pais. Ele pode ser silencioso ou falante. Pode ser austero ou bem humorado. Pode ser presente ou ausente. Pode estar perto ou longe. Pode ser mais jovem ou mais velho que outros pais que você conhece. Talvez uma coisa que você não saiba é que muitas das escolhas deles. Das escolhas deste pai que está ao seu lado, muitas delas mudaram com sua vinda. Para um pai, nada é mais importante que seu filho. Quando ele só pensa em trabalho, no fundo ele está pensando no futuro de seus filhos. Quando ele é mais austero, no fundo ele quer um filho, uma filha digna de sua história.

Por mais que você se ache antenado, estudado, formado e tudo mais, seu pai sempre será mais inteligente, vivido e conhecedor da vida do que você, por mais simples que seja o seu linguajar.  Aliás, você já se perguntou por que muitas vezes seu pai é humilde e sem formação escolar, enquanto você detém inúmeros títulos? Percebe a mágica. Ele esforçou-se para que você fosse a extensão vencedora dele. Deve existir sabedoria nisso. Concordam?

Aos pais eu diria que fiquem atentos aos seus filhos. Pense antes de falar o que costuma falar. Você pode contribuir com seu desenvolvimento ou o contrário disso. Tudo começa naquilo que sai da sua boca. Nas suas atitudes. Nos exemplos que você deixa pelo caminho.

A ambos eu diria ame, curtam-se e aproveitem-se! A vida é muito dinâmica e por mais que queiramos controlá-la. Acredite, nós não temos controle de nada. Aquele pai que você esnoba hoje, por falta de tempo, pode não está por perto amanhã. Lamentar-se tardiamente não é nada fácil.

Bem. Temos uma semana ainda. Não deixe para dizer que ama seu pai só no segundo domingo de agosto. Ame-o todos os dias. Se estiver longe, pegue o telefone e dê uma ligadinha pra ele. Ele está perto? Libere sua agenda e faça uma surpresa. Seja mais filho!

Presente é o que menos queremos nesta data. Palavra de Pai!

Guardar mágoa nunca é bom. Guardar mágoa de um pai ou de um filho é muito pior. 



sábado, 6 de agosto de 2011

Admirável filho novo

Uma coisa que sempre admirei no meu filho mais velho foi a sensatez. Uma característica que já veio com ele. Além disso ele tem uma alegria que transcende e cativa a todos que estão à sua volta. Desde muito, sempre muito prestativo, educado e bem humorado. Nunca o vi guardar um ressentimento sequer.

Nem queiram imaginar a turbulência que foi quando descobri que seria pai aos dezoito anos. Eu nem sabia direito o que era ser pai na verdade. E quando tem que ser, sempre é. E foi!

Este garoto (que nesta foto me presentou com mais uma filha, sua esposa) mudou completamente a minha vida. Através dele fiz a transição de jovem à adulto. Assim, num piscar de olhos! Eu era um menino no dia 14 de julho. Amanheci um homem, no dia 15 de julho de 1988. E pai dele!


Aos poucos fui me acostumando a nova situação e fui aprendendo que ser pai é mesmo um barato. Ele cresceu e se tornou um homem. Como eu. Ainda não é pai. E eu ainda não sou avô. E ele, junto com ela, estão formando uma família muito querida. A família deles. Um pedaço da nossa família.


Ele continua querido. Mais responsável. Mais amigo. Do seu jeito, ou melhor, do jeito deles, vão escrevendo uma história muito cheia de amor, respeito e bom humor.


Eu aqui tenho muito orgulho de ser pai dele. De ter um pedaço meu, nele. Talvez seja impressão, mas vejo muito de mim no meu querido filho mais velho. Vejo nele muito de mim de quando tinha vinte e três anos. Me reconheço em seus atos, em seu jeito de ser. Enfim,  é a vida que se renova.


E ser pai é justamente isso. Vida renovada.


"Comporta-te com teus pais como pretendes que teus filhos se comportem contigo."
Giacomo Leopardi

CARPE DIEM




sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A chegada em grande estilo

O meu caçula, hoje com quase sete anos, chegou em grande estilo. Eu, mais que satisfeito com meus três filhos, decidia junto com minha querida (que não tinha nenhum filho ainda) termos um filho em comum. Embora eu já fosse pai, não seria justo negar o direito de ela ser mãe. E vamos combinar, é uma super experiência!

E assim programamos e tivemos essa figura aí do lado. Eu que fui pai novo, me tornava pai mais uma vez, numa idade digamos, um pouco mais normal, para os dias de hoje. Aos trinta e quatro anos. E ele chegou chegando! Ligado na tomada. Bem humorado. Comédia pura.

Foi um grande acerto. Ter um filho sempre é um acerto. Acreditem. Mesmo que ele chegue sem programação. Na verdade tudo é programado. Nós é que não sabemos. Afinal, acreditamos que só pode acontecer aquilo que está no nosso controle. A vida não é assim.

Ele adora música. Pode ter sido por influência do pai ou por instinto mesmo. O fato é que ele adora música. Faz aulas de violão e canto. Já gravou, junto com seu professor de música algumas coisas. Está evoluindo, a gente percebe. E ele é confiante e determinado. 

Aos cinco anos, no final do ano, ele subiu num palco sozinho, com seu violão, pra tocar "Bate o sino". Pensávamos que ele não daria conta do recado e até falamos pra ele que tudo bem. 

Que nada! Ele levanta do nosso lado assim que o professor dele o chama no palco e foi lá. Mandou bem. Todos os outros alunos e familiares adoraram a façanha dele. O menor de uma turma.

No fim das contas, iluminou a nossa casa, se tornou xodó das tias, dos avós e dos manos mais velhos. Faz com que nossos dias nunca caia numa rotina. Espirituoso, bem humorado, companheiro e muitas vezes, maduro. Esse é o nosso pequeno!

Acontecimentos como estes, seja um filho crescendo, realizando seus sonhos, aprendendo com a vida ou seja  um simples sorriso no meio de uma brincadeira é que tornam especiais a vida de um pai.

A verdade é que pouco importa se somos pais prematuros ou tardios. O que importa mesmo é o amor que temos por nossos filhos e o apoio familiar que recebemos, em ambas situações.

Aos pais jovens diria que não se desesperem. Os filhos crescem sim e por mais que pareça que vocês não são capazes, cuidem do pequeno juntos. Mesmo que não vivam juntos. Pai não abra mão deste momento, só por causa de uma balada. Mãe, permita que o pai acompanhe o pequeno crescer. Ninguém é obrigado a conviver com que não se ama. Mas é obrigado sim a respeitar o direito desta criança. E ela tem direito a um pai e uma mãe. Quando concebido não participou de nada. Veio apenas, por que dois quiseram... Sem saber, mas quiseram.

Aos pais destes pais jovens, além da bronca padrão, acusações e indignação de praxe deem também apoio. A criança virá ou já veio. Não há como voltar ao passado, mas há como garantir um presente especial para este pequeno ser. Por isso, ame seus filhos, para que ele aprenda a amar os filhos dele.


CARPE DIEM 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pai - Nascia um girassol

O dia 18 de dezembro do ano de 1990, foi um dia inesquecível. Aliás, foi uma madrugada inesquecível. Ela dava sinais que estava prontinha pra chegar e que chegaria há qualquer momento. Ansiosos, madrugada a dentro, mal dormimos. Os primeiros raios de sol anunciava que logo estaríamos os três juntos.

E no meio do dia, sol a pino, chega a tão esperada pessoinha. Nascia nosso girassol. 

Enquanto lá dentro todos se ocupavam dos preparativos e da própria chegada, um solitário agitado caminhava de um lado para o outro, querendo desesperadamente notícias.

E os segundos tornavam-se minutos; minutos tornavam-se horas; horas então, uma eternidade.

Qual não foi a explosão de alegria quando a notícia chegou até ele. Nasceu! Linda! (Claro que não restava dúvidas quanto a isso, naquele dia, naquela espera). E como sempre dizem as avós, "o importante é que venha com saúde". E veio. Bela e saudável.

Naquele dia, ele estava só e foi assim que ele tomou contato com ela pela primeira vez. Separados por um vidro, ela com suas roupas de menina, ele com sua cara de bobo. Pegá-la no colo foi algo indescritível.  Nascia ali um girassol, que iluminaria a vida de todos para sempre.

Talvez esse momento solitário, esse desejo de tê-la e vê-la bem, explica o cuidado com que cuida, rega, encaminha, direciona as pétalas do girassol, que um dia chegou e mudou pra sempre a sua vida.

Um pouco mais de vinte anos depois, ela está no seu esplendor. Correndo atrás dos dias. Responsabilidades. Futura jornalista? Bem... O tempo dirá! Deixemos isso com a vida. Para um pai, basta que ela seja filha!


"Um pai vale mais do que uma centena de mestres-escola" 
George Herbert
CARPE DIEM

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pai (a outra asa dos filhos)

"O acendedor de lampião"
Uma de minhas filhas faz balé há algum tempo já. Há quase cinco anos. Hoje ela tem doze. Quando ainda pequena ela falava em ser bailarina. Eu e a mãe dela adiamos por um ou dois anos esse sonho dela por que não tínhamos certeza. Até que sentimos que seu desejo era mesmo real. Nada como alimentar os sonhos dos filhos. Fato!

Hoje eu me recordo da emoção de vê-la no primeiro espetáculo da vida dela. Teatro cheio, vários bailarinos e coreografias. Ela pequenina ainda. Menina. Ler seu nome na programação do espetáculo foi inexplicável. Sim! Minha filha naquela noite se tornaria uma artista.

Ela faria parte da coreografia “Pirilampo”, dentro do espetáculo. Outras pequenas fizeram parte deste número. Os números de outras bailarinas se sucediam por alguns minutos que pareceram horas. Finalmente ao vê-la, meus olhos brilhavam marejados de uma lágrima especial. Aquela de realização. Vocês conhecem, não é mesmo?

Linda e graciosa. Séria e compenetrada nos seus passos e evolução. O número das pequenas transcorreu de forma perfeita. Ela estava lá, como outras pequenas filhas de tantos outros pais emocionados. O Teatro ao final do espetáculo aplaudiu de pé.

Em 2010, ela faz parte do espetáculo “O Pequeno Príncipe”. Emocionante. Agora, ela está mais acostumada com os palcos, com a rotina exaustiva de ensaios e com a disciplina que é necessária para ser uma bailarina. Está mudando de fase na academia. Provavelmente no próximo ano fará ponta e com certeza os desafios serão redobrados.

Ela tem outro sonho, acalentado há outros dois ou três anos. Quer ser jogadora de futebol. Ela simplesmente é fascinada por futebol. Conhece tudo sobre os campeonatos. Torce, vibra, reclama e eu, como pai, preciso segurar a onda dela um pouco, senão ela extrapola na torcida.

Este outro sonho nós começaremos a realizá-lo hoje. Talvez enquanto vocês estejam lendo esta postagem, estejamos lá, noutra Academia, agora a de Futebol, vendo nossa pequena (que não é mais tão pequena assim) dando mais um passo rumo a outro sonho. O mais legal é que ela começará a treinar no time do coração dela. Será ela, um dia, uma bailarina profissional? Ou uma jogadora profissional? Isso pouco importa, na verdade.

Seja como bailarina, seja como jogadora de futebol, o importante é que ela seja feliz e que corra sempre atrás dos seus sonhos.

Como diria Xangai, um cantor baiano, em música e letra de Maciel Melo, outro cantor nordestino, só que este é da Paraíba, sobre os voos dos filhos:

“Podem voar, que eu sou a outra asa de vocês.”

CARPE DIEM 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sou pai sim, com muito orgulho

Eu sou pai desde muito tempo. Aos dezesseis anos meus pais se separaram. Minha mãe resolveu voltar pra São Paulo. Minhas irmãs, uma com quatorze e a outra com cinco, vieram conosco, após a separação dos dois. Trabalhamos duro, eu e minha mãe, para mantermos a nossa casa. Aos dezoito anos, fui pai pela primeira vez. Aos vinte fui pai novamente. Momentos distintos. Hoje meu filho mais velho tem 23 anos e está casado. Minha segunda filha tem vinte anos. Na idade de ambos eu já tinha dois filhos.

Depois deles vieram mais dois. A terceira filha, que hoje tem doze anos e o quarto filho, que hoje tem seis anos. Amo meus filhos. Embora tudo tenha começado sem planejamento e tenha me custado um bom pedaço da minha juventude, eu amo o fato de ser pai. Eu nunca vi a paternidade como um fardo pesado e sim como uma experiência maravilhosa de compartilhar.

Quando meus filhos eram menores eu tinha alguns sonhos e pensava comigo, “vou ser amigo dos meus filhos, quando eles forem mais velhos.” Fazia contas. Era tão jovem. Sempre tentei ser um pai “gente boa”. Nunca bati nos meus filhos. Talvez até por trauma. Apanhei muito dos meus tios, um pouco dos meus avós e até dos meus pais. No nosso tempo, educava-se no puxão de orelha, no beliscão, nas surras de chinelo ou cinto. Quis ser um pai diferente e ainda hoje me incomoda ver um pai ou uma mãe dando safanões em seus filhos, no meio do shopping ou do supermercado. Sinceramente não sei se agi certo em valorizar apenas a conversa. Segui minhas crenças e instinto. Não me arrependo.

Tentei ser um pai moderno, que mais aproximava que afastava os filhos do meu cotidiano. Conversas no mesmo nível. Brincadeiras comuns. Convívio. Sou um pai separado, para os meus três primeiros filhos. Sou um pai presente para o meu último. Talvez isso tenha afetado um pouco na manutenção do meu sonho lá atrás.

A verdade é que os filhos seguem os seus caminhos e não combinamos os nossos sonhos com eles. Hoje, meus filhos mais velhos seguem suas vidas. O mais velho casado, até por conta da rotina de casado e a distância física é mais ausente do dia-a-dia. A segunda filha mais velha vive no mundo dela e embora esteja a poucos minutos de onde moro, nos vemos pouco ultimamente. E certamente ela não me vê como um amigo próximo. Me vê como um sabe-tudo, que dá conselhos pra quem não precisa. Engraçado que consigo ajudar pessoas estranhas, mas não tenho a mínima abertura pra ajudá-la. Mas isso não muda nada. Por que amamos os nossos filhos, estejam eles dentro ou fora de nossas expectativas idealizadas.
...
Ela é bem querida. Trabalha duro e atualmente tem estudado muito. Ando muito orgulhoso da mulher quem vem se tornando. Um pouco graças a educação e amor da mãe e creio que tenha uma boa dose minha também. No fundo talvez, ela sempre tenha me ouvido ou talvez sentido e intuitivamente seguindo um bom caminho. Inesquecível e emocionante lembrar o dia em que ela disse que queria sim, fazer sua faculdade. Que estava pronta. Eu estava lá. Foi bom e numa conversa como amigos, como eu sempre acreditei que seria a melhor maneira. Nem sempre funciona. Mas quando funciona, faz muito bem!

Hoje me pego rindo dessa situação toda. Por que com certeza, algo eu fiz de errado no meio do caminho. Tento não errar tanto com os dois mais novos. Não sei se conseguirei. Não mudei muito os meus métodos de educar, porém mudei a maneira de sonhar. Sou o pai que gostaria de ter tido. Talvez o erro esteja justamente aí. Talvez não seja o pai que meus filhos gostariam que eu fosse. Bem, sempre fiz o melhor que pude, segui  o meu coração e os amo intensamente. Sonho com eles. Vivo por eles.

Ah! Talvez pareça que penso que meus filhos não me amam. Eles me amam sim. Sinto isso. Verdadeiramente sinto isso. Apenas me amam diferente. Me amam do jeito deles.

E como diria Florbela Espanca:
“Ter um pai é ter na vida um luz por entre escolhos. É ter dois olhos no mundo que vêem pelos nossos olhos.”

CARPE DIEM

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Pais e fihos

Meus pais foram um pouco de tudo. Minha mãe trabalha muito desde o dia que me entendo por gente. Meu pai sempre foi o lado criativo do casal (ou seria da dupla?). Ambos do interior nordestino. Ele do Crato, no Ceará. Ela de Monteiro, na Paraíba. Ela, filha de sitiantes. Ele, filho de um violeiro repentista e uma exímia professora de língua portuguesa, também poetisa. Ela menina e cheia de sonhos. Ele quase dez anos mais velho que ela, com um casamento nas costas, alguns filhos e muita boemia na bagagem.

Viveram juntos por 20 anos e tiveram quatro filhos. Minha irmã mais velha, que partiu quando eu tinha apenas um ano de vida e ela três. Depois viria minha segunda irmã, dois anos mais nova e minha irmã caçula, onze anos mais nova que eu.

De todos os filhos, talvez eu seja o que mais tenha herdado características dos dois, de maneira mais equilibrada. Gosto do trabalho, da dedicação, da responsabilidade do dia-a-dia, como minha mãe e gosto da arte da poesia, do texto, dos sonhos, como o meu pai. A poesia corre no meu sangue, como corre nas veias dele, como correu no sangue dos pais dele. O gosto pelo trabalho, pela dedicação ao outro, reside em mim, como faz morada na alma de minha mãe e também nos meus avós, pais dela.

Meus pais foram de artistas mambembes a empresários bem sucedidos. De operários a líderes de um programa de rádio de grande audiência no sertão nordestino. Lembro que tinham um programa chamado “Eu, você e os astros”, onde falavam do cotidiano, faziam previsões astrológicas, aconselhamentos pessoais e claro um pouco de poesia. Meus pais eram queridos por seus ouvintes, viviam ganhando presentes dos agraciados por suas previsões e conselhos. Minha mãe tinha carisma e simplicidade. Meu pai tinha o domínio da palavra e a criatividade potencializada. Ambos formavam uma bela dupla. Ela o amava. Ele também. Só que do jeito dele.

Sempre fui fã da minha mãe. Fã incondicional. Até hoje me emociona sua história de vida. Fui seu companheiro de jornada desde que me lembro por gente. Minhas recordações mais remotas são lá dos meus 2 anos de idade. Lembro de sua luta. De suas lágrimas. Lembro do seu amor e de suas perdas. Chorei muito com ela. Chorei muito sozinho, sem ela, por amor a ela. Vivi perto e longe, quando fomos obrigados nos separar e tive que viver com meus avós, lá na Paraíba, enquanto eles faziam a vida em São Paulo.

Quando eu era menino, me encantava a arte do meu pai. Nossa casa cheia de violeiros repentistas, o improviso corria solto, rimas e versos fluíam. As cantorias. A elegância do meu pai. Sim. Ele era um sujeito elegante, de boa fala, seguro. Amigo e enquanto viveu conosco, um pai muito divertido. Se o trabalho duro de educar cabia a minha mãe. O convívio leve coube a ele. Jogávamos alguns jogos de tabuleiros o tempo todo. Brincávamos de rimas e fazíamos coisas simples. Ele chegava, às vezes de madrugada, de suas cantorias e fazia questão de nos acordar, para nos abraçar e beijar. Queria nos dizer que nos amava. Eu, embora caindo de sono, achava aquilo muito bonito da parte dele e acabava acordando e ficando um pouco ali, ouvindo suas histórias. Ele sempre me chamou de “nêgo veio”. E eu era apenas um menino. Ainda hoje ele me trata assim, na brincadeira: E aí Samuca! Meu “nêgo veio”.

Por que compartilho essas coisas com vocês hoje? Por que somos um pouco dos nossos pais. Somos as experiências que trazemos. E vivemos num tempo, diferente do que eu vivi e talvez você também tenha vivido. Nos dias de hoje, os filhos valorizam menos essas heranças, respeitam menos os dons recebidos dos seus pais e deixam que a vida passe ligeiro, num teclado de computador ou de um celular de última geração. Filhos dizem menos “eu te amo” ou “me orgulho do que sou”, graças aos seus esforços em transmitirem valores. Vivemos num tempo, onde um filho cobra obrigação de um pai e jamais se sentem gratos, por serem acompanhados. Ah sim! Sentem-se sim, mas em silêncio, do jeito deles, como gostam de falar, quando questionados: “Ah, pai! ou Ah, mãe! Eu gosto, só que do meu jeito!”

Amanhã, tudo pode parecer mais claro. Por que filhos um dia, tornam-se pais. Aí sim! O desafio será puxar pela memória coisas que não foram tão sentidas ou valorizadas quando deveriam ter sido...

Bem, mas isso é assunto pra outra prosa.

CARPE DIEM
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