segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sobre o tempo e o espaço

Algumas vezes rápido demais. Outras vezes parece esmorecido. Quase parado.
Algumas vezes longe demais. Outras vezes pertinho. Quase ao lado.

Um minuto. 60 segundos. Uma hora. 60 minutos! Uma dia. 24 horas ou 1440 minutos ou ainda 86.400 segundos...

Um centímetro. 10 milímetros. Um metro, 100 centímetros. Um quilômetro, 1.000 metros ou 100.000 centímetros ou ainda 1.000.000 de milímetros...

Tempo e espaço. Ambos relativos.

Se você estiver atrasado para entregar algo, o tempo parece correr mais rápido.
Se você estiver andando muito devagar, parece que seu destino se torna mais distante.
Uma espera ansiosa, por alguém ou algo especial. O tempo parece parado. 
Andar apressadamente até a próxima quadra. O caminho parece mais curto.

Viajar preocupado com a distância versus tempo. A sensação é de que o tempo corre e a distância aumenta. 
Agora viajar lendo, ouvindo música ou proseando. Despreocupado com o tempo e o espaço. Tudo parece que acontece de forma rápida. E aquela viagem longa? Torna-se curtinha.

Pra uma formiga centímetros são longas distâncias. 
Para uma criança, esperar alguns minutinhos para poder tomar um sorvete ou sair de um castigo é uma eternidade.

O tempo não comanda nossa vida. O tempo existe para "organizar" o dia. Ou seja, evite tornar-se escravo do tempo.

As distâncias não existem para afastar e sim para conduzir-nos até o nosso destino. Use-a ao seu favor. Percorra cada pedacinho de chão com convicção, sem pressa, sem obsessão com o que lhe aguarda do outro lado. Apenas siga em frente. Siga seu destino. 

O tempo é inimigo do ansioso.
A distância é inimiga do apressado.

O tempo pode ser favorável se você estiver equilibrado.
A distância pode ser amena, se você souber qual caminho seguir.

Tempo e espaço. Relativos. 
Existem apenas na sua cabeça. Nos seus limites. 
Você precisa acreditar que é capaz de voar. De viver plenamente cada segundo do seu dia.

Experimente!

CARPE DIEM

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A dança em 3 atos - Terceiro Ato


- Alineeeeeee! Telefone! É o pessoal lá da escola de samba! - gritou a mãe de Aline lá da sala. Tão alto que provavelmente até os vizinhos ouviram o desespero de Dona Carmem.
...
- Ja vou, mãe! Estou saindo do banho! - Berrou Aline, la do banheiro, no fim do corredor.
...
- Tá! Pedriam para você ir pra lá agora! É urgente. - Devolveu Dona Carmen, da sala, após desligar o telefone.
...
Aline ficou pensando o que seria tão importante para chamá-la em pleno sábado de manhã. Ela aproveitou para olhar no celular que horas eram exatamente.08:22, conforme viu no visor. Ficou contrariada, pois era o único dia que ela tinha livre para fazer as coisas dela no centro da cidade e estava se aprontando pra comprar algumas roupas, enfim, passear. 
...
Mudança de planos. Ao invés de ir para o centro da cidade, Aline se dirigiu à quadra da escola de samba. Pelo menos, era pertinho de sua casa. Apenas um ônibus (ou um busão, como costumava falar) e 15 minutos depois já se encontrava em frente a entrada da sede da escola que frequentava desde os seus 7 anos. O samba corria nas suas veias e habitava seus pés. E sempre na mesma escola de samba do coração. Conhecia todos os samba-enredos na ponta da língua.
...
- Bom dia, Dito! Mandaram me chamar? Tomara que seja coisa importante, por que a "morena" aqui estava se preparando pra comprar uns panos para ficar mais bonita! - Disse Aline, com um sorriso maroto nos lábios
...
- Bom dia, Aline! Sempre cheia de marra, essa "nêga"! Claro que o chamado foi responsa! Tá achando que o Dito aqui é algum vacilão, mulher? - Dito falava enquanto sorria. Era o jeito dele. 
...
Dito era o responsável pelas coreografias e evoluções da escola, desde sempre. Ele estava há tanto tempo ali que todos tinham a impressão que Dito nascera junto com a escola e sempre gozou da confiança do presidente e do carnavalesco. Era o "braço direito e esquerdo do homerm", como gostava de falar aos quatro ventos.
...
- No próximo carnaval, tu vai ser a grande porta-bandeira da escola. Vai fazer par com o Pepê. 
Decretou Dito sem cerimônia, como se fosse a coisa mais natural do mundo, substituir Helena e Geraldo, os grandes da escola, havia 9 anos!
...
-Peraí Dito! E Leninha e Geta? O que houve com eles? Leninha tá bem? O carnaval é daqui dois meses! Tá em cima, Dito! - Aline falava atropelado. Misturava perguntas. Estava atordoada com a notícia. Era o sonho dela desde sempre. Ser porta-bandeira da escola do coração. E ainda mais com o Pepê, seu querido amigo de infância, como seu mestre-sala. Tudo isso era demais pra ela.
...
- Leninha está com um problema sério no joelho esquerdo e descobriu ontem à noite. Vai ter que operar se quiser continuar a andar. Pediu licença da avenida este ano e quem sabe para sempre. - Falou Dito e continuou em seguinda:
...
- O presidente tá com ela lá no hospital pra entender melhor do que se trata e me pediu, como você sabe, por ser o "braço direito e esquerdo do homem" que encontrasse uma dupla a altura pra substituí-los. Ah! Antes que tu me pergunte, o Geta não desfila sem a Leninha. Como tu já sabe, aqueles dois têm um lance juntos há tempos. Geta quis ser solidário. Justo! Por isso  escalamos o Pepê, que sabemos que tem uma química boa contigo. - Dito olhava para a cara de boba de Aline, enquanto falava.
...
- Tô passada! E feliz! Muito feliz! eu vou ser porta-bandeira! Meu Deus, falta pouco tempo! - Ela falava emocionada, quando percebeu o Pepê do seu lado,  todo feliz, já sabendo da grande notícia.
...
Os ensaios dos dois se intensificaram e a cada dia eles estava mais entrosados. Leninha, após a cirurgia, juntamente com Geta, orientavam os dois, para que fizessem bonito na Avenida. E mesmo de cadeira de rodas, Leninha era magnífica. Dançava com a alma. Aline era sua grande fã e tentava compreender tudo que ela falava, mostrava. Um sonho tudo aquilo!
...
Terceira escola da segunda noite. O samba enredo empolgava. Olhos dos críticos para o novo casal de mestre-sala e porta-bandeira. As câmeras os seguiram por toda a avenida. Aline estava simplesmente linda, com as cores da escola. 
...
Pepê parecia guiado pelo grande Geta, seu mestre, durante aquele período de ensaios. Enquanto Aline deslizava graciosamente pela avenida Pepê reverenciava aquela que era seu amor secreto e sua grande amiga de infância.
...
Nas arquibancadas, euforia total. Por duas razões. Uma por ver um novo grande casal surgir na avenida e outra por ver Leninha e Geta desfilando em lugar de honra em um dos carros alegóricos. 
...
Ela, em sua cadeira de rodas, lá do alto, era só alegria. Seus olhos procuravam o novo casal e lágrimas brotavam pela emoção de ver o quanto eles eram lindos e perfeitos. Sim! Ela estava feliz. Aline e Geta eram os pais daquele casal. No meio deste pensamento ela piscou para Geta, seu grande amor da avenida, há tantos anos.
...
Enredo cantado a pleno pulmões por todos na avenida, a alegria contagiava a todos e ao final do desfile, todo o público aplaudiu de pé, aquele que seria um dos maiores desfiles de todos os tempos. 
...
Como reza a tradição, na quarta-feira de cinzas o carnaval termina. Só que para Aline e Pepê, este dia sinalizou um novo carnaval que começava, após ouvirem, apreensivos as notas da sua escola. Na arquibancada as confusões de sempre e entre os jurados tensão. Nota após nota a escola de Aline liderava por alguns décimos. E uma nota em especial inundou o coração de  Aline.
...
- Quesito Mestre-sala e Porta-bandeira: 10! - Anunciava o responsável pelas notas, no microfone do sambódromo, enquanto Aline, Pepê, Leninha e Geta choravam abraçados com a nota máxima.
...
Após a última nota ser declarada, emoção total na arquibancada. Com 299.5 contra 299.2 da segunda colocada, a escola de samba de Aline e Pepê ganhou o título deste ano! Sim! Três décimos de diferença! Justamente alcançada no quesito Mestre sala e Porta-bandeira!
...
Aquele carnaval seria inesquecível para quatro dançarinos e sambistas para lá de especiais.
...
Pepê tomou coragem e declarou seu amor a Aline. Beijaram-se apaixonadamente! No carnaval seguinte, já casados, foram oficializados como os novos mestre-sala e porta-bandeira da escola e certamente brilhariam por muitos e muitos anos. 
...
Claro que Leninha e Geta foram os padrinhos deste casamento fruto da dança. Fruto da avenida.


Fim do Terceiro Ato.


CARPE DIEM


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A dança em 3 atos - Primeiro Ato
A dança em 3 atos - Segundo Ato

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A dança em 3 atos - Segundo Ato

3 da manhã. Lúcia acorda com a impressão de ter ouvido Nina chamá-la, lá do seu quarto. Silêncio. Ela fica uns segundos atenta, controlando até a respiração para poder ouvir melhor os barulhos da noite.

- Manhêêêêêê!  - Era Nina, assustada e agora pedindo mais alto pela mãe.
Lúcia senta-se na cama por alguns segundos, a fim de se acostumar com a escuridão do quarto e ainda meio sonolenta dirige-se até o quarto de Nina. Ainda na porta do quarto ela percebeu que Nina tivera um pesadelo, pela forma como estava sentada, encolhida num canto da sua cama.

- Que foi filhinha. Teve um sonho ruim? Mamãe está aqui. Mamãe está aqui – Disse carinhosamente Lúcia, enquanto envolvia Nina em seus braços, como que querendo protegê-la e entender o que se passara – Quer falar com a mamãe sobre esse sonho ruim?
Nina tinha 8 anos e estava numa fase transitória, onde já se tornara um pouco mais independente, ao ponto de já dormir na casa de amiguinhas da escola algumas vezes e ainda ter uma dependência, quase dengosa da mãe, nestas noites de pesadelo e nos horários de refeições. Sempre queria almoçar ou jantar com a mamãe.

Então ela começa a falar sobre o pesadelo.
- Mamãe, eu não quero mais dançar! Eu tenho medo de tropeçar ou de alguém me empurrar no meu número.  Eu sonhei que levava um “tombão” e todo mundo ria de mim, na platéia, enquanto eu chorava no palco. Até a Livia ria de mim, mamãe. Minha melhor amiga!

- Ah! Minha filhinha querida! Você tem se dedicado tanto e gosta tanto de dançar, de fazer ballet. Lembra quando você me pediu pra entrar no ballet? Você era um pinguinho de gente. A mamãe vai estar com você. Bem pertinho na hora de seu número. E você amou o seu figurino lembra? Você será uma das fadinhas do espetáculo. Já pensou se você fosse uma fada de verdade?

- Fadas nem existem mamãe! – respondeu ela com voz chorosa.

- Não! Sério? Não acredito! – Respondeu a mãe. – Então o que são as fadas pra você? Você não se importa de acreditar que as fadas não existem?

- Ora! É coisa da cabeça da gente. É invenção de criança. Eu acreditava quando era menorzinha, né? Ah! Mãe. Eu não ligo mais! Até gosto daqueles livros de fadas. Mas eu sei que é apenas uma lenda! Não sou mais nenhuma criancinha.
Lucia divertiu-se com a frase final da filha de apenas 8 anos, que já fazia ballet há 4 anos, por vontade própria  e agora, pela primeira vez fora escalada para um numero especial da academia que fazia suas aulas. E aproveitou a deixa de Nina:

 - Filha, pesadelo é como contos de fadas. Você vive uma fantasia e no fundo não é real, entende? Você não vai cair no seu numero, ninguém jamais seria capaz de rir numa situação destas e você conseguirá fazer o que gosta, amor. Dará tudo certo! Acredita na mamãe?

- Acredito sim mamãe. Você fica pertinho, na platéia?
- Claro filha! Estaremos juntas, combinado?

Naquele restinho de noite, Nina dormiu um sono tranquilo, sonhou com borboletas, arco Iris e muitas fadas dançarinas. Acordou na manhã seguinte feliz e animada para dançar na apresentação da sua academia.

8 horas. A campanhia avisa que o espetáculo irá começar em poucos minutos. Na platéia lotada, Lúcia está na primeira fila rezando e sintonizada com a filha. As cortinas se abrem. 

Logo surge Nina, nos seus mágicos 8 anos. Linda, segura, dançando como se flutuasse. Por alguns segundos os olhos de ambas se cruzaram. Sorriram com cumplicidade e amor.

Fim do espetáculo. Todos de pé. Aplausos. Na primeira fila a mãe. No palco a filha agradece o carinho e amor com um largo sorriso infantil de felicidade.


CARPE DIEM


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A dança em 3 atos - Primeiro Ato
A dança em 3 atos - Terceiro Ato

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A dança em 3 atos - Primeiro Ato

Raul e Paula estavam especialmente ansiosos naquele dia. Também não era por menos, seria o grande dia da apresentação do número de dança do casal.

Raul, durante o café da manhã, recordava com alegria o quanto a ideia de Paula fizera bem ao casamento deles. Este ano comemorariam 10 anos juntos! Em grande estilo, com um número de tango.

Ele não conteve o riso quando se lembrou do convite de Paula, há quase um ano atrás. Na verdade, foi mais uma intimação que convite. Ela simplesmente lhe deu a notícia da seguinte forma, com certa urgência na voz, “Raul, vamos dançar!”.

Ele assustado, sorriu e lembrou que nunca mais, neste tempo todo dançaram. A última vez que dançaram algo foi no dia do casamento deles. E na verdade ele detestou tudo aquilo. Tanto protocolo. Rezava pra que essas “obrigações” terminassem para que fossem para a Lua de mel. Terminou e junto com isso, pensou ele ironicamente, a carreira de dançarino de Raul.

Nos 10 anos seguintes, colecionaram momentos felizes, outros tantos tristes, crises e sempre faltava algo que os unia mais. Depois dos filhos e da correria para se criar os filhos, a distância entre eles só fez aumentar.

Foi no meio da acomodação dos dois que Paula surgiu com essa ideia maluca. Ela argumentava que não queria mais ir às festas e ficar sentada, por ter vergonha de dançar sem saber. E assim foram os dois.

As primeiras aulas foram uma catástrofe. Eles eram, com toda certeza, o pior casal daquela turma. Eles eram tão desajeitados que viraram piada entre os colegas de turma. Todos os chamavam de cintura de aço. E diziam ter pena de Paula, de ter um cavalheiro tão desajeitado. Ela consolava Raul, com seu sorriso, que ele sempre admirava.

O tempo passou. Eles começaram a entender o ritmo, a entrar no ritmo. As palavras de incentivo da professora de dança foram muito importantes. E o melhor de tudo isso foi que conforme iam aprendendo o movimento, mais se aproximavam e mais cúmplices se tornavam.
Ele se lembrou, naqueles minutos de viagem, o primeiro dia, no meio de uma dança, em que a professora lhes pediu para olharem dentro dos olhos um do outro. Ele olhou para Paula. Ela olhou para ele. Era como se o mundo se revelasse através dos olhos dela. Por alguns segundos, ficaram paralisados, perdidos (ou encontrados) neste olhar.

Se no início ele reclamava para acompanhar Paula (atender um capricho dela, como falava inicialmente), agora ele era o primeiro a ficar pronto. Reuniões de quartas-feiras ele não aceitava. Era a noite dele e de Paula. Quando eles se uniam, se religavam.

Ele despertou desse devaneio com Paula chamando-o e lembrando-o que hoje a noite seria muito especial. Ela sorria enquanto falava e isso sempre o deixava encantado. Ele estava pronto. Eles estavam prontos.

Naquela noite, no grande teatro da cidade, os principais casais apresentaram seus números para uma grande platéia e jurados exigentes.

Raul e Paula foram os penúltimos. Ao som do tango, eles pareciam flutuar na pista. Parecia uma pessoa. Integrados e entregues totalmente um ao outro.

Com os olhos marejados, por conta da emoção de ouvir os aplausos entusiasmados vindos da plateia e de mãos dadas se entreolharam como um casal apaixonado. Estavam felizes e pouco importava se seriam os melhores. Para ambos, eles já eram os mais perfeitos dançarinos numa categoria só deles. Os dançarinos do amor. ele dizia para ela baixinho, "Conseguimos, meu amor! Conseguimos!"

Sim! Eles conseguiram e foram os melhores daquela noite. Sim! Eles foram os melhores daquele amor dançarino.

Raul e Paula, sempre que podem, estão dançando. Sentem-se livres e unidos ao mesmo, segundo eles contam aos amigos. Aliás, aos poucos, mais e mais amigos em comum participam das quartas dançantes que o casal promove, na escola de dança que um dia mudou a vida deles.

Fim do primeiro Ato!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Vamos dançar?


Se a poesia se expressa através das palavras
A dança é a sua manifestação física
A dança está para o homem, como voar está para as aves
Dançar poderia ser o sinônimo de liberdade. Afinal, a dança liberta!
Se você nunca dançou, sinto muito, ainda não sabe muito de viver
A dança começa antes da dança. Começa no coração do dançarino.
A dança aproxima e envolve tal qual um beijo.
Na dor dance! Algo de extraordinário acontecerá!
Pense na dança como algo inerente do seu ser
Movimentar os pés, as mãos e o corpo libertam a mente
Experimente uma dança a dois
Arrisque um passo novo
Voe e dance!

Vamos dançar?

CARPE DIEM

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O menino que cultivava sonhos




 As cadeiras voavam e, por isso, além de pernas, tinham asas
Certa vez ele falou com uma lagartixa que lhe explicara tudo sobre como ficar grudado no teto.
 Formigas de manhã são mais mal humoradas
 Ele gostava de ver a lua na companhia do seu crisântemo de estimação
 A água do riacho em que nadava cismava em lhe fazer cócegas
 Possuía uma folha tão pequena que enganava pela idade que tinha
 Aquele sapato cismava em andar na cabeça
 O lixo sempre reclamava quando ele jogava comida fora
 Não gosta de pêras. Elas gemiam quando ele as mordia
 Pisar em ovos sempre foi uma coisa comum pra ele
 No momento ele acredita mais nas paredes, que nas portas
 Ele sempre cismava quando via aquela pomba que falava chinês
 Uma taturana lhe confidenciara que não gostava dos homens por causa deste apelido
 Ele descobriu depois que fora por causa de um tatu, que comera toda sua família
 Nas manhãs de sol ele preferia tomar banho naquela cachoeira que subia com grande força
 No fim de tarde ele perguntava muitas coisas para as raízes das árvores.
 Ele já presenciou a incrível batalha do caramujo com um louva-deus selvagem. 

O caramujo conseguiu fugir a tempo!
 Ele dormia sempre no galo daquela roseira. Pena que era muito alto
 Ele já caiu no sono. Levantou-se com uma dor no ombro, fruto da queda
 Um dia ele correu tanto do Pé de vento que foi parar onde Judas perdeu as botas.
 Ele tinha uma janela que a cada vez que abria, encontrava uma paisagem nova
 Ele não gostava de cometas. Falam pelos cotovelos!
 Nuvem é bom no café da manhã
 O urubu está na lista de seus melhores amigos
 Aquela vassoura cismava em almoçar mais cedo
 Ele não largava a chave que abria pensamentos
 Sempre fique atento aos liquidificadores. Eles adoram voar por aí e são muito estabanados.
 Aos domingos ele empinava chaminés. Fazia desenhos incríveis de fumaça
 Aquele travesseiro adorava ir à escola com ele. Sempre fora bom de matemática!

 A mãe dele ultimamente cismou com seu elefante. Reclamava que andava muito quieto
 Quem ria por ultimo sempre provocava risos nos que riam primeiro.
 Ele guarda num lugar seguro aquela calculadora que somava bolhas de sabão
 Certa vez ele foi ao espaço e voltou numa bolha bem pequenininha. No começo ele ficou surpreso. Só bem depois entendeu tudo!
Pra ir à escola ele preferia o caminho que andava por ele. Era bem mais rápido!
 Uma vez ele se perdeu na floresta. A sorte dele foi que um jequitibá começou a gritou bem alto e logo apareceram as lontras guerreiras que lhe indicaram o caminho de casa.
 As formigas são mais bem humoradas nos fins de tarde. Adoram dançar. Ele sempre achou graça na dança delas.
Um dia, o sol antes de se por, falou pra ele parar de rir da cara dele. Pediu desculpas, porém não se conteve. O sol resolveu rir também.
Embaixo da mesa a maçã tem outro gosto.
 Preguiça boa é aquela que fala baixinho e devagar. Dá um sono!
 No meio do sonho ele sempre tomava notas dos acontecimentos normais, como por exemplo, beber água num copo
Aquele travesseiro adorava ir à escola com ele. Sempre fora bom de matemática!

CARPE DIEM

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Bom dia Sol!


Vem com seus raios que transformam tudo em volta
As cores tornam-se mais vívidas ao seu toque
A água cintilante reflete sua margem, ganha vida!
Bichos se espreguiçam à sua chegada
Pássaros cantam saudando o nascimento diário
Poesia de todos os cantos...

As árvores esticam seus galhos como se quisessem colher a luz
O vento remexe com a paisagem das folhas caídas
Nuvem criam formas e dão formas ao céu azulino

Na cidade grande, praças, alamedas ganham vida
Contraste entre o construído e o criado
Entre o humano e o divino

O sol que chega com sua luz todos os dias
Bom dia! Nos fala o Sol, docemente
Aquece alma, corações, esperanças
E nos convida a colher o dia
A aproveitar a alegria de viver intensamente
Nos convida a amar a vida, as pessoas 
A esquecer um pouco da corrida diária, das diferenças 
De dores que ficaram no passado e nada têm a ver com o presente

Por isso, eu lhe convido especialmente no dia de hoje:

CARPE DIEM

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Lembranças dos fins de semana com Bruce Lee

Quando eu era menino eu adorava o final de semana. 
Era quando se podia acordar mais tarde.
Era dia de sair de casa
Algumas vezes dá uma volta
Ir num parque
Ir à praia
Ir na casa de amigos da família ou de parentes
Casa de parentes era legal.
Criança gosta de casa de tio e de avô
Por que lá sempre tem outras crianças que também vão
Primos do seu tamanho
Primos maiores que você quer imitar.


Eu era o primo mais velho
Então meu espelho sempre foram meus tios
Principalmente os caçulas da família.
Brincávamos de tudo
Empinar pipas, polícia e ladrão, pega pega,
e por aí a gente seguia.


Pais bravos por que sempre voltávamos pingando de suor
Criança não sente calor igual adulto
Criança corre mais ainda no calor
Aí derrete!


A grande alegria, minha e de meus tios caçulas, era levar a sério os treinamentos de Bruce Lee
Um deles conseguiu uns livros que se comprava pelos correios
Foi uma festa!
E tentávamos copiar os golpes dos livros
Éramos em quatro discípulos
Eu e meus três tios mais novos.


Bruce Lee era nosso ídolo!
Nós éramos cópias de Bruce Lee!


O treinamento foi deixado de lado aos poucos
Os livros foram aposentados
Nunca nos tornamos shao lin
Ficaram apenas as risadas e a lembrança das inúmeras quedas!


Tempos idos!


CARPE DIEM

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Poema das descobertas inúteis (e de coisas que ainda não sei ao certo)

Outro dia eu estava com tanta sede
Fui correndo beber água e tropecei
A dor foi tanta, que perdi a sede
Descobri que além da água
Tropeção também mata a sede
Por experiência própria
Escolha beber água
...
Correr de costas bem rápido
Dá uma sensação de voar
Dói apenas quando você cai
Descobri que voar pode doer
Descobri também por que os pássaros
preferem voar para frente
Pássaro exímio é o beija-flor
Que voa de fasto
...
No meio do barulho
Gritar pedindo silêncio
Aumenta o som do barulho
Melhor seria pedir barulho
Será que assim fariam silêncio?
...
Descobri que a gente 
só para de esquecer uma coisa
Quando se lembra dela
Lembrei disso agora...
...
Existem palavras que tranquilizam
Harmonia, carinho, paz, serenidade
Existem palavras que metem medo
Furúnculo, colostro, miséria
E pensar que não passam de letras juntas.
...
Quando menino eu ouvia ainda na escola
Ou da boca dos parentes
Que alguém tinha descoberto o Brasil
Eu ficava na cama, antes do sono chegar
Imaginando o tamanho do lençol...
...
Eu descobri outro dia
Que quando você tenta muito parar de pensar
O pensamento vem mais depressa
O melhor é fingir que nem liga pro pensamento
Ele vai embora.
...
Eu tenho provas concretas
que a morte não existe
todos os dias eu como algo
pra matar a fome
Ela renasce igualzinha no dia seguinte
Pra mim isso é prova incontestável.
...
Eu descobri
que andar em círculos
é o caminho mais longo
pra se chegar onde você já está.
...
Eu descobri
Que existem coisas sem pé e nem cabeça
É sabido que elas não pensam nada
E nem saem do lugar.
Talvez isso explique muitas coisas que não entendemos.

CARPE DIEM

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Noites de Luar



Em noites de luar é demais...


Namorar
Uma viagem noturna, pois se torna mais acompanhada
Sentir-se criança, imaginando como será lá
Contar causos, numa grande roda
Sussurar coisas no ouvido da pessoa amada
Quando acompanhadas de estrelas, parecem mágicas
Fazer uma caminhada gostosa
Sentir o vento batendo no rosto
Escrever poesia
Lembrar de coisas boas
Pensar em pessoas queridas que estão distantes
Sonhar acordado
Deitar numa rede, na varanda
Ouvir uma moda de viola
Cantar com os amigos
Acampar no mato
Tomar banho de cachoeira
Nadar no mar
Sentir a brisa
Comer uma pizza num deck qualquer
Prosear
Ouvir o som do vento nas árvores
Sentar-se numa varanda
Ouvir uma boa música para os ouvidos
 Acender um incenso de sândalo
Ler um bom livro
Melhor: Apreciar Manoel de Barros
Contar estrelas
Lembrar que isso pode fazer com que nasçam verrugas no seu dedo
Rir deste pensamento em seguida
Como é incrível viver, em noites de luar
Imaginar como foi que tudo isso que está no céu foi feito
Deixar tristezas de lado
Lembrar que no outro dia cedinho, começa um novo dia! Nova chance de recomeçar!
Perder o sono, olhando o céu
Ficar em silêncio, ouvindo o som das batidas do coração
Fazer planos inspirados
Lembrar dos tempos de criança
Lembrar das histórias do vovô e do carinho da vovó
Sentir-se parte de tudo isso.


CARPE DIEM

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sob os nossos pés...

Sob os nossos pés
Marcas dos caminhos que já passamos
Caminhos de chão batido
Caminhos de pedra

Sob os nossos pés
Fundo de riacho
Pés molhados
Refresco que revigora

Sob os nossos pés
Histórias antigas
Lendas e causos
Lembranças

Sob os nossos pés
Ponto de partida
Linha de chegada
Festança

Sob os nossos pés
Flores do campo
Folhas secas
Barulhos

Sob os nossos pés
Ondas do mar quebrando
Areia molhada
O mundo!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quem cala consente.


Consentir é permitir, é concordar, estar de acordo com, abrir mão de opinião e decisão própria, é confiar decisão sua à terceiros, ou seja, é terceirizar a decisão para outro.

Uma criança por exemplo sempre terá como primeira opção consentir as decisões aos pais. Afinal, ela não tem todos os elementos para decidir algo relevante.

Um adolescente também, embora mais independentes, dependem dos pais para tomarem certas decisões e por isso consentem. Porém nem sempre, silenciam.

Um adulto pode consentir por que o argumento alheio é melhor ou a pessoa que indicou a decisão é "perita" ou experiente para tal.
Agora, e quando já adultos, silenciamos por apatia? Por preguiça? Por falta de atitude? 

E quando calamos apenas para não se "estressar"? Apenas para deixar as coisas como estão? Apenas para "deixar pra lá"? Apenas... Apenas...

Creio que seria legal deixar um lembre aqui: O silêncio pode não ser ouvido pelo outro, porém você sempre ouvirá o seu silêncio e algo me diz que alguns "silêncios" precisariam e muito serem ouvidos. E não apenas por você. Por que chega um momento, que é tanto barulho aí dentro, que você pode não suportar mais. E...?

E aí eu te pergunto:
Até que ponto devemos silenciar? 
Até que ponto silenciar é respeito ou justamente o contrário?
Até que pontos devemos agir como pequenos rebeldes sem causa alguma? 
Até que ponto devemos optar pela terceirização de nossa vida, apenas para não ter que ser incomodado?
Até que ponto devemos nos calar, olhando o outro como se fosse coisa alguma?

Silenciar é mais fácil para quem acha que as pessoas que a amam querem apenas "incomodar".
E como diria os silenciosos de plantão:
"Deixa eu!"

Deixa eu pra que mesmo?

Enquanto isso a vida passa.

CARPE DIEM

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amar - A moda da vez!


Eu prefiro ser mais otimista com o ser humano. Escolho acreditar ainda nos valores familiares, das amizades, da coletividade, ao invés de me conformar com os alarmantes discursos individualistas, do tipo, "eu prefiro viver só."

Não é porque meus pais vivem separados que vou deixar de crer que ambos são importantes na minha vida. Não é porque, as vezes, as familias se desentendem, que não vou me esforçar para o entendimento. Não é por que um pai ou uma mãe abandona um filho ou uma filha, que vou acreditar que o mundo está perdido e que este filho sofrerá para sempre. Não! Me recuso.

Tenho provas suficientes de que uma mãe pode criar seus filhos sozinha e com o apoio da família e dos próprios filhos transmitir valores para estes.

Tenho prova suficientes que os filhos podem amar pais que nunca viram e perdoá-los um dia, ao revê-los.

E o amor, no final das contas, é o grande mestre regulador disto tudo.

Uma pessoa que se isola, dentro de si mesma, atenta contra o amor. Por que ele só funciona para nós, quando distribuímos, compartilhamos, sorrimos e choramos juntos.

É bom ter manias? É bom ter momentos de introspecção? É bom termos o nosso "cantinho" e o "nosso jeito que todos devem aceitar"? 
Sim. É bom todos estes estereótipos que criamos para justificar a nossa falta de paciência com o próximo e com o trabalho que dá, manter relações.

Mas nada se compara a visão de ver uma família celebrando conquistas e mudanças de fases na vida dos seus. E por acreditar em tudo isso, eu ainda choro emocionado, quando vejo que as famílias são possíveis.

Que irmãs podem declarar amor mútuo publicamente. Que mães choram emocionadas com o crescer dos filhos. Que avós, tios, primos e amigos se reúnem só para celebrar algo importante para uma pessoa. Por que no fundo aquele momento é importante para todos. Isto é o amor.

Então, entre o discurso simplista, temperado com falta de atitude e a crença no amor, temperado com atitude e entrega, eu fico com a segunda opção.

Vamos combinar que ser indiferente a um carinho de alguém que nos ama, não está mesmo com nada. Um namorado ou uma namorada que se recusa ser amoroso e carinhoso numa relação é pra lá de egoísmo. Um pai que deixa de ser carinhoso e atencioso com seu filho é uma falta de prática amorosa daquelas. Filhos que acham que seus pais são máquinas de produzir desejos é no mínimo deprimente. Está na hora de amar e fazer papel de ridículo.

Sugiro que os adultos tomem algumas lições com as crianças, que são tão simples em amar e sabem que não tem nada de ridículo abraçar na frente de pessoas estranhas, cantar aquela musiquinha que aprendeu na escola para o papai e para a mamãe, no meio de um restaurante lotado (enquanto o incompetente do pai está preocupado em não passar vergonha e pede para que ele se cale ou cante baixo...) e por aí vai.

Venho percebendo que isolar-se e impor essa falta de vontade de conviver e se expor aos que nos rodeia está totalmente "démodé". 

É isso aí! Vamos entrar na moda, meus queridos!

CARPE DIEM
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