sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Retalhos da Menina Rosa (ou Conto das cores)

Era uma vez uma menina rosa, que tal qual sua pele, achava que a vida sempre seria dessa cor e desta forma, andava toda serelepe pelas alamedas de sua cidade encantada.

Vivia num conto também da cor da sua pele e para ela tudo se resumia a esta cor. Até o seu céu, quando despertava, ficava cor de rosa!

Um dia ela conheceu alguém, que se não era pintor, no mínimo tinha o dom de deixar pra ela, tudo na cor que ela mais gostava e isso a fazia muito feliz. Assim, os dias cor de rosa seguiam bem tranquilos. Realmente era uma vida perfeita.

Certo dia, ela recebeu uma noticia um tanto quanto cinza e as coisas para ela foram escurecendo, escurecendo e as nuvens ficaram bem negras, como carvão. Uma tempestade anunciada bem no fundo dos seus olhos, que aos poucos ficaram turvos e como chuva, num céu cinzento,  lágrimas transparentes e salgadas mancharam seu rosto com várias cores. Afinal, sempre que acordava coloria sua pele rosa, para ficar ainda mais iluminada.

Ela descobriu, que para uma menina cor de rosa a vida reservara algumas peças multicoloridas. Seu pintor encantado, na verdade, não era só seu. Ela descobrira, de forma nada cor de rosa, que seus pincéis, sua paleta, seu cavalete, suas telas e molduras eram de todas e não somente dela. Seu sonho, que era da cor da sua pele, de uma hora para outra se transformou num pesadelo, que transitava entre o roxo  e o grafite. Pela primeira vez, ela descobria que traição tinha cor. E não era aquela que ela mais gostava, com toda certeza.

Naquele dia de céu azulado para nós e rosa para ela, sua vida foi passando como um filme bem diante dos seus olhos, como num cinema antigo, em preto e branco. Numa esquina qualquer, em frente a um prédio antigo, de fachada bege, misturada à sujeira do tempo, ela chorou, gritou e só foi reconhecida por uma único detalhe, seu rosto continuava rosa! Um tanto avermelhado, é fato. Mas ainda lembrava aquela menina de pele rosada e isso era muito bom! 

Sob aquela nuvem negra ainda existia uma menina e ela continuava cor de rosa.

Num belo dia aquela menina voltará a ser rosa e sua vida também. Com certeza ela voltará a acreditar no amor e provavelmente ela comece a apreciar novas cores... 

Inspirado em fato real relatado por Sun Moretti.

CARPE DIEM

4 comentários:

Sun disse...

Só vc Samuel é capaz de fazer arte com um Post!!!Ficou lindo, nem sinto mais dor pela menina Rosa!!!Bjssss

Anônimo disse...

O mais interessante é pensar que a menina rosa nem imagina o quanto suas lágrimas renderam... quantas pessoas se comoveram com seu sofrimento.. compadecidas com sua dor.. nem imagina que seu pranto virou conto. Quantas pessoas será que nós mesmos já inspiramos nessa vida, e nunca saberemos?!

Samuel disse...

Verdade isso, Aline! Quantos contos não inspiramos pelos cantos da vida...

Eslanny Alvarenga disse...

Que ao invés de nuvens negras e tempestades, possamos achar águas tranquilas acompanhadas de um imenso arco-íris. Há um monte de menina rosa por aí. Lindo, lindo! =)

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