sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A falta de Conexão.

No sobe e desce das grandes avenidas, pessoas apressadas circulam, cruzando umas com as outras. Mais parecem formigas desorientadas com suas pequenas cargas diárias indo em busca, desesperadamente, do seu formigueiro. O que as difere das formigas, neste caso, é a total falta de percepção em relação ao outro. No caminhar apressado, cada um preocupa-se consigo e embora estejam cruzando tais avenidas, encontram-se muito distantes daquele lugar.
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Algumas pessoas pensam no que farão quando chegarem ao seu destino, outras no que fará após o expediente, outras ainda, pensam nos compromissos assumidos, nos amores perdidos, nas infelicidades diárias e assim por diante. O lugar onde elas menos estão é onde mais deveriam estar: naquela avenida específica, atravessando-a.
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Neste sobe e desce não se desperdiça tempo com sorrisos, cumprimentos e gentilezas. Tudo é cronometrado e esbarrões, sem pedido desculpas,  acontecem com frequência. É aquele senhor de idade que é deixado para trás, aquela senhorinha andando devagar que praticamente é atropelada por outras pessoas que cruzam com ela.
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A criança que a mãe puxa pelo braço, querendo impor um ritmo de passada que ela ainda não é capaz de acompanhar. Então, seu bracinho é puxado e ela reclama. E leva bronca.
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Pessoas alienadas e despreparadas para o convívio, conduzem seus veículos irresponsavelmente, jogando-os sobre as pessoas apressadas e ignoram as faixas sinalizadas para a travessia de pedestres. Buzinas, reclamações, xingamentos. Ouve-se de tudo do interior do veículo. Nas ruas, pedestres praguejam ou protestam contra à falta de respeito e também revidam, com má educação, atravessando em qualquer ponto da via.
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Nas paradas de ônibus pessoas vão para todos os lugares e  passam ônibus lotados vindos de todos os lugares, que ao pararem ficarão ainda mais lotados. É o milagre do redimensionamento do espaço. O que já está cheio, consegue-se encher mais ainda e ainda terá que ter espaço suficiente pra atender as demais paradas.
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Passageiros veteranos e graduados em ônibus lotados sobem praticamente atropelando pessoas com menos treino e com dificuldades de locomoção. E nestas paradas acontece de tudo, cotoveladas, apertos, falta paciência e de educação. Pessoas idosas em pé e bancos reservados para elas, com pessoas jovens. O trocador do ônibus, ocupado, finge que não vê. A pessoa sentada ignora a que está em pé.
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Neste aperto todo, cada um com seu fone no ouvido, escutando alguma coisa de sua preferência. Ruídos de todos os lados formam algo muito próximo a Torre de Babel. Também nos ônibus as pessoas se isolam com seu fones, que mais parecem “teletransportadores” de pessoas. Afinal, elas não estão mais ali. Estão na estação de rádio do celular. Alguns atendem, fazem ligações telefônicas e compartilham com os demais passageiros, as suas dificuldades, suas conquistas, suas frustrações, suas ideias e cada um, faz um julgamento particular daquela conversa toda.
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Lixos espalhados pelas ruas, praças mal cuidadas, trânsito caótico e desrespeito humano. Falta de diálogo e interação, neste movimento caótico de uma grande cidade. A verdade é que na era da conexão, vivemos desconectados.
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Reconecte-se!
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CARPE DIEM!

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