terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sou pai sim, com muito orgulho

Eu sou pai desde muito tempo. Aos dezesseis anos meus pais se separaram. Minha mãe resolveu voltar pra São Paulo. Minhas irmãs, uma com quatorze e a outra com cinco, vieram conosco, após a separação dos dois. Trabalhamos duro, eu e minha mãe, para mantermos a nossa casa. Aos dezoito anos, fui pai pela primeira vez. Aos vinte fui pai novamente. Momentos distintos. Hoje meu filho mais velho tem 23 anos e está casado. Minha segunda filha tem vinte anos. Na idade de ambos eu já tinha dois filhos.

Depois deles vieram mais dois. A terceira filha, que hoje tem doze anos e o quarto filho, que hoje tem seis anos. Amo meus filhos. Embora tudo tenha começado sem planejamento e tenha me custado um bom pedaço da minha juventude, eu amo o fato de ser pai. Eu nunca vi a paternidade como um fardo pesado e sim como uma experiência maravilhosa de compartilhar.

Quando meus filhos eram menores eu tinha alguns sonhos e pensava comigo, “vou ser amigo dos meus filhos, quando eles forem mais velhos.” Fazia contas. Era tão jovem. Sempre tentei ser um pai “gente boa”. Nunca bati nos meus filhos. Talvez até por trauma. Apanhei muito dos meus tios, um pouco dos meus avós e até dos meus pais. No nosso tempo, educava-se no puxão de orelha, no beliscão, nas surras de chinelo ou cinto. Quis ser um pai diferente e ainda hoje me incomoda ver um pai ou uma mãe dando safanões em seus filhos, no meio do shopping ou do supermercado. Sinceramente não sei se agi certo em valorizar apenas a conversa. Segui minhas crenças e instinto. Não me arrependo.

Tentei ser um pai moderno, que mais aproximava que afastava os filhos do meu cotidiano. Conversas no mesmo nível. Brincadeiras comuns. Convívio. Sou um pai separado, para os meus três primeiros filhos. Sou um pai presente para o meu último. Talvez isso tenha afetado um pouco na manutenção do meu sonho lá atrás.

A verdade é que os filhos seguem os seus caminhos e não combinamos os nossos sonhos com eles. Hoje, meus filhos mais velhos seguem suas vidas. O mais velho casado, até por conta da rotina de casado e a distância física é mais ausente do dia-a-dia. A segunda filha mais velha vive no mundo dela e embora esteja a poucos minutos de onde moro, nos vemos pouco ultimamente. E certamente ela não me vê como um amigo próximo. Me vê como um sabe-tudo, que dá conselhos pra quem não precisa. Engraçado que consigo ajudar pessoas estranhas, mas não tenho a mínima abertura pra ajudá-la. Mas isso não muda nada. Por que amamos os nossos filhos, estejam eles dentro ou fora de nossas expectativas idealizadas.
...
Ela é bem querida. Trabalha duro e atualmente tem estudado muito. Ando muito orgulhoso da mulher quem vem se tornando. Um pouco graças a educação e amor da mãe e creio que tenha uma boa dose minha também. No fundo talvez, ela sempre tenha me ouvido ou talvez sentido e intuitivamente seguindo um bom caminho. Inesquecível e emocionante lembrar o dia em que ela disse que queria sim, fazer sua faculdade. Que estava pronta. Eu estava lá. Foi bom e numa conversa como amigos, como eu sempre acreditei que seria a melhor maneira. Nem sempre funciona. Mas quando funciona, faz muito bem!

Hoje me pego rindo dessa situação toda. Por que com certeza, algo eu fiz de errado no meio do caminho. Tento não errar tanto com os dois mais novos. Não sei se conseguirei. Não mudei muito os meus métodos de educar, porém mudei a maneira de sonhar. Sou o pai que gostaria de ter tido. Talvez o erro esteja justamente aí. Talvez não seja o pai que meus filhos gostariam que eu fosse. Bem, sempre fiz o melhor que pude, segui  o meu coração e os amo intensamente. Sonho com eles. Vivo por eles.

Ah! Talvez pareça que penso que meus filhos não me amam. Eles me amam sim. Sinto isso. Verdadeiramente sinto isso. Apenas me amam diferente. Me amam do jeito deles.

E como diria Florbela Espanca:
“Ter um pai é ter na vida um luz por entre escolhos. É ter dois olhos no mundo que vêem pelos nossos olhos.”

CARPE DIEM

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