sexta-feira, 1 de julho de 2011

Monteiro: memórias em cordel

Recordo-me nesta hora
Quantas histórias vividas
Quantas lembranças me chegam
Destas largas avenidas
Das compras neste mercado
E tudo fica marcado
Quantas pessoas queridas!

Memórias quase esquecidas
Me chegam neste momento
Monteiro, cidade minha
Lembrança vem com o vento
As águas do seu açude
Mata a sede e não ilude
Viagem do pensamento

Tinha bode e até jumento
Nas feiras da minha memória
Flávio José já tocava
No "BB" fez sua história
Lembro do Sítio Anjiquinho
Cabelos em desalinho
Infância cheia de glória

Viver já era vitória
Na seca dos tempos idos
Sertanejo, homem valente
Homens fortes esquecidos
Por governos desleais
Por uma punhado de reais
Políticos corrompidos

Quantos momentos vividos
Nas esquinas de Monteiro
Na praça antiga, o coreto
A Matriz do bom romeiro
Vendas, mercados e bares
Homens voltando pra os lares
Depois de gastarem dinheiro

Menino corre ligeiro
Atrás de uma bola de pano
Meninas pulando corda
Entra ano e sai ano
Monteiro está sempre viva
Em sua gente nativa
Amor não comete engano

Quem está longe faz plano
De um dia lhe visitar
Passear em seu Mercado
Sua terra reconquistar
Comer comidas da terra
Matar saudade que encerra
E sua beleza avistar

Deixe-se conquistar
Pela terra do repente
Aqui Pinto de Monteiro
Nos versos, era serpente
Jabitacá e Asa Branca
Desafios, rima franca
Viola, verso e aguardente

A cantoria, minha gente
É algo impressionante
Cantador fala uma coisa
Resposta vem adiante
Tudo feito no improviso
De surpresa e sem aviso
Verso feito num instante

Hoje me encontro distante
Daquele choro primeiro
Da minha primeira casa
Das corridas no terreiro
Das frutas colhidas no pé
Das casinhas de sapé
E do meu céu de Monteiro

No coreto um seresteiro
Cantava uma moda antiga
Luar igual do sertão
E uma gente mais amiga
Noutro lugar não existe
Um povo que a dor resiste
No peito a bondade abriga

Saudade, emoção que liga
A pessoa sem paradeiro
Por mais que viaje o homem
Sua terra é o seu canteiro
Meus versos, minhas memórias
Terra de tantas histórias
Alagoa do Monteiro

CARPE DIEM

4 comentários:

Ulisses Reis ® disse...

Maravilhosa, gostei muito do estilo, pois tenho alma de um repente, parabéns, um abraço!

Sheila Fiorentino disse...

Que delícia Samuca, o Muryel vai gostar ainda mais quando ver, ele ia muito a Monteiro quando morava em Sumé rs... não conheço mas... só dele falar tanto é como se conhecesse... estamos fazendo um Blog para o meu pai que é artista plástico,vamos linká-lo lá e o Consumo Consciente tbém... bjs...

Elizabeth Regina disse...

Ah! Que delícia ler cantando, acompanhando a rima! Parabéns, Samuel Quintans
! Adorei!!!!O cordel é um estilo muito inteligente.

Elizabeth Regina disse...

Que delícia ler cantando acompanhando a rima!!! Parabéns, Samuel Quintans! Adorei! Achou esse um estilo muito inteligente de escrever.

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