sexta-feira, 8 de abril de 2011

Realengo - Um protesto (ou carta a Dilma)

Brasil, pátria querida
Por que deixaste que teus filhos sucumbissem indefesos?
Onde estavas quando os filhos do teu solo gentil sofria?
Onde vivem os que vos representa?
Quem são os indignos que te governam?
Nós sabemos bem quem são eles, pátria amada.

São os mesmos que nos pedem votos
Que dizem que nos representam
Que desviam verbas que seriam para evitar tragédias, como aquelas no mesmo Rio
Isso não tem nada a ver com o Rio, pois eles fazem isso no país inteiro
São os mesmos que esquecem que um país grandioso começa na escola
E por isso descuidam delas
Esquecem professores
Negligenciam estrutura
Desviam mais verbas
São aqueles que vão numa escola pública no máximo, para depositarem seus votos
Não sabem o quanto um pai sofre ao deixar um filho numa escola pública
Não sabe o quanto um professor sofre pra ensinar numa escola pública
E querem ser um país rico e grandioso
Quanta ironia.

Pátria amada, eu estudei em escola pública
Naquele tempo ela era digna de respeito
Figurava entre as melhores
Hoje é piada de filhos ricos e não tão ricos assim
Quem estuda em escola pública, numa roda de amigos, precisa esconder o fato
Nada de orgulho no peito.

Esta sim é a pátria que estes indignos construíram para nós
Brasil, pátria amada, expulsa do teu ventre
Estes párias
Estes biltres
Estes abutres do poder

São estes que estão por lá agora
Em Realengo
Decretando lutos
Indignados
Sofrendo dores inventadas (podem ser até verdadeiras neste momento)
Porém, ao virarem as páginas de seus jornais, pensarão na próxima viagem, no próximo refestelo, no próximo golpe que será dado nos filhos desta pátria, mãe gentil.
Gentil demais com essa sujeira toda.
Perdoe-me, patria amada e idolatrada.
Mas também sou filho dessa mãe gentil e como mais de 180 milhões de filhos teus, também sofro.

Sofremos todos por que sabemos que estes jovens serão esquecidos por estes que proclamam lutos e prometem coisas na hora da dor alheia.
Sofremos porque também temos filhos e sabemos que eles estão sujeitos a um acontecimento deste como os que se foram.
Sofremos pelos pais, professores, familiares, amigos e por todos os jovens deste país.

Na esperança de que existe um coração no peito de pelo menos uma mãe deste país, de uma mãe em especial, daquela que nos governa é que fazemos este apelo:

Mãe Dilma,
Compadece-te do ensino deste país
Das condições que teus irmãos políticos deixaram o ensino público
Envergonha-te, como mãe que és
E ages, como governante que és
Fostes colocadas aí, nesta cadeira
Não para agradar nações, políticos e parceiros
Também não foi para continuar a distribuir esmolas para teus filhos e irmãos
Sejas a mãe que deve ser
Educas teus filhos
Tira as esmolas e ensina-os a ganhar o próprio sustento
Sejas mulher
Sejas mãe
Durante os próximos anos, sofra todos os dias as dores destes pais, professores e filhos que se foram.
Ao invés de decretar luto, sentir muito e cumprir protocolos, sejas a mãe que esperamos
Trabalhes e transforme esse país numa potência do aprendizado.
Eu sei! É difícil, não é mesmo mãe?
Dever satisfações, favores, apoios e ter que compartilhar deste mundo que escolheste viver
Desvencilha-te mãe. 
Estamos contigo.
Sejas digna desta pátria mãe gentil
Sejas digna de nós!

CARPE DIEM

Um comentário:

Renata de Aragão Lopes disse...

Indignação exposta.
Como deve ser.

Um abraço,
Doce de Lira

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