domingo, 13 de março de 2011

O Sentido das palavras


Fazer-se entender. Tarefa desafiadora, uma vez que depende do seu interlocutor se mostrar disposto a entendê-lo. Eu até já tratei sobre esse tema no post  "O mistério das palavras". 

Chego a conclusão, depois de algum tempo, que sim, somos responsáveis pela comunicação, e que não, não somos responsáveis sozinhos. Não há mágica e nem técnica que faça uma pessoa que quer ouvir uma coisa e ouve outra. Ela tentará traduzir aquelas palavras para o mais próximo possível de seu paradigma anterior.

Paradigma é a maneira como enxergamos e entendemos fatos, pessoas e situações, baseadas em experiências vivenciadas ou adquiridas anteriormente. Ou seja, nos comportamos e agimos, segundo um padrão conhecido, mesmo diante de situações novas.

Um exemplo, uma criança quer assistir determinado desenho e você diz NÃO. Ela tentará traduzir aquele não ouvido num SIM que se adeque à sua vontade.Com adultos funcionam da mesma forma.

Se você diz, algo positivo e sincero pra alguém, que já tem um certo preconceito ou rejeição ao que você fala, será transformado naquilo que seja mais próximo do que ela esperava. Vamos há dois exemplos de um diálogo assim:

[A] diz:
"Agradeço por ter lido, por ter arrumado um tempinho na sua agenda (Coitada! deve estar mesmo se matando,né? Mas já está acabando essa correria sua) e agradeço pelo feedback. Fico feliz por tudo está bem por estes lados."
[B] interpreta:
"Eu realmente ( "coitada" ! ) estou me matando. Acordo cedo vou pra academia, loja, curso, loja de novo, tenho minha casa pra cuidar,... Não foi desculpa não. Minha vida anda mesmo muito corrida ( Não curto muito o tom de ironia dos seus e-mails )."

Aqui, embora [A] se mostre de antemão consciente que [B] está cheio de obrigações, este interpreta como uma ironia total citar essa correria real que enfrenta. No fundo não há nada de irônico nesta frase. Existe sim, uma predisposição de [B] acreditar que tudo que [A] diz contém ironia, logo isso também só pode ser um comentário irônico, jamais sincero.

[A] diz:
"Eu te amo, viu? Brigadão mesmo. Seu e-mail está tão bem escrito. Tão carinhoso."
[B] interpreta:
E meu e-mail ' tão bem escrito'  não teve a mínima intenção de te chatear. Respondi porque você me perguntou.

Neste outro pedaço do diálogo, [B] deduz que [A] de novo está sendo irônico, quando este na verdade elogia sua redação e o carinho percebido por este na sua resposta.O preconceito fica mais evidente ainda, com o "tão bem escrito" entre aspas, pra reforçar que percebeu(?) a ironia de [A].

A intenção de analisarmos esses dois trechos de um diálogo não tem nada a ver com julgar quem está certo e quem está errado. Até por que ambos estão certos. Basearam-se nos seus respectivos paradigmas.

[A] certamente já foi irônico em algumas ocasiões (mas não em todas e nem sempre) e [B] deduziu que [A] será sempre irônico quando fizer qualquer comentário positivo ou elogioso. Ponto final. O que [A] precisa fazer de um próxima vez é explicitar literalmente que naquele momento ele não está sendo irônico e [B] se disponibilizar a mudar seu paradigma um pouco.

Por essas e por outras que o diálogo entre duas pessoas é um grande desafio. Muitas vezes procuramos sentidos escondidos nas palavras ditas por outros.Julgamos emoções, atitudes, deduzimos pensamentos, opiniões, e por aí vai.

Na verdade o objetivo deste post é fazer com que cada um de nós fiquemos mais atentos ao que ouvimos e estejamos dispostos e disponíveis a sermos mais tolerantes e menos preconceituosos com o próximo. 

Sim. As pessoas podem mesmo desejarem o nosso bem. Sim. Pode ser sincero aquele elogio. Sim. Pode ser de verdade aquela preocupação. Diga sim a tolerância e abertura de ideias!

CARPE DIEM



Um comentário:

Danilo Sergio Pallar Lemos disse...

Li, gostei e decidi seguir,tornando-me leitor destes excelentes escritos.
www.vivendoteologia.blogspot.com

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