sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sentar-se à janela


Este texto abaixo não é meu. E sinceramente não sei quem é o autor. Na verdade, me foi enviado por uma pessoa muito especial e que faz parte de uma fase boa de minha vida. Segundo ela, tem a ver com as coisas que escrevo e com o meu jeito. Gostei tanto que fiz algo que nunca tinha feito. Transcrever um texto, na íntegra, de outra pessoa. Parabéns ao autor desconhecido. Vamos lá!
...
"Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião.
A ansiedade de voar era enorme. Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem.
Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.
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Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o início, voar era uma necessidade constante. As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia.
...
No início, pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal. O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse. Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e sair rápido.
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As poltronas do corredor agora eram exigência . Mais fáceis para sair sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.
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Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, estava eu louco para voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba o mais rápido possível. O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque.
...
Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar. E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara. Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu.
...
Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer.
Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista.
...
Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do meu trabalho e convívio pessoal?
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Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida. A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos.
...
Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar, sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece. Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do corredor, para embarcar e desembarcar rápido e 'ganhar tempo', pare um pouco e reflita sobre aonde você quer chegar. A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe."
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Afinal: "a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos".
...
Pois é! Sempre tem algo acontecendo e sempre tem alguém percebendo isso. Que bom sentar na janela de nossa vida, não é mesmo?


CARPE DIEM

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Miragens

"Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar"
...
Este trecho de Palavras ao vento, (Marisa Monte/Moraes Moreira), com a Cassia Eller emprestando sua voz maravilhosamente marcante ilustra bem o tema de hoje.


É muito interessante quando algo acontece, melhor ainda, quando queremos muito que algo aconteça.
Tudo se torna simples, perfeito. Óbvio e direto.
Nem tudo era o que parecia ser e começamos a enxergar as coisas sob um ótica simplista.
Aquele objeto do desejo, que até o dia anterior, era impossível de adquiri-lo, por falta de dinheiro, agora já pode ser adquirido.


Ganhou-se mais dinheiro? Negativo!
Você começa a enxergar que pode parcelar e que não há problema se você ainda não tiver o dinheiro para pagar as prestações. Até o dia o vencimento ele aparece. Você tem sorte e trabalha muito. Logo, isso se resolverá, antes do vencimento de cada prestação. Aí você vai lá e compra. Simples!


E assim decidimos as coisas, em nossa vida. Como se tudo fosse um objeto do desejo, que o destino nos ajudará a resolver tudo. Que logo ali, no meio daquele antigo deserto, existe um oásis. Seus olhos não mentem. Lá está ele.


O engraçado é que, quando você quer justificar algo, as coisas que você tem, a situação que você vive, as pessoas que conhece, tudo enfim, incomoda. É como se você enxergasse apenas o lado negativo das situações atuais.


Tem uma cena no filme Patch Adams que eu adoro. Fala exatamente disso. Um sujeito "acredita" estar com sérios problemas. Então um outro sujeito lhe pede que abra sua mão, bem diante de seus próprios olhos, com quatro dedos à mostra e pergunta ao primeiro: "O que você vê à sua frente?"
Este responde: "Vejo quatro dedos!"
E o segundo conclui: "Não estou falando disso, olhe através deles, entre os seus dedos, o que vê?"
Aí o sujeito entende. Entre os vãos de seus quatro dedos, há um mundo que gira. Existem inúmeras possibilidades.


No deserto também é assim. Você decide o que quer ver e acreditar. E mesmo que seus companheiros de viagem e até seu camelo, não consigam ver esse oásis, você encontrará uma explicação plausível, para que ele esteja lá.


Claro. Seus companheiros são incrédulos. Complicam tudo! Dificultam. Melhor! São pessimistas. E seu camelo? Bem, esse é um animal irracional.Tem apenas seus instintos para guiá-lo e até que você saiba, instinto apenas não basta. É preciso saber e querer. Acreditar. É preciso que as coisas sejam vistas de maneira simples.


E a vida, muitas vezes é um grande deserto, com oásis verdadeiros sim e muitas miragens para nos confundir.


E acredite apenas numa coisa. Ter visão de futuro é diferente de imaginar "uma visão no futuro". As visões podem nos enganar.


Uma visão de futuro envolve outras coisas e pra resumir bem eu diria que, no mínimo, tem haver com planejamento, com saídas alternativas, consciência do esforço necessário e por último, se tudo isso vale mesmo à pena.


Quando colocamos na balança tudo o que precisaremos fazer e o que abriremos mão para realizar a visão de futuro é que saberemos se aquilo que queremos vale mesmo à pena.


Vamos a um exemplo prático. Imagine que você tivesse que decidir entre uma viagem de carro e uma viagem de ônibus para cobrir uma distância de 1000 quilometros e você tivesse pouco tempo disponível, como resolveria?


Bem, primeiro você levaria em consideração as vantagens e desvantagens de cada modalidade.
De ônibus você gastaria menos, porém demoraria mais
De carro você chegaria mais rápido, porém mais cansado
De ônibus você chegaria menos cansado, porém não teria a privacidade de uma viagem sozinho
De carro você viajaria sozinho, porém não teria o conforto de não precisar dirigir
De ônibus você não precisaria dirigir, porém não poderia parar onde gostaria
De carro você poderia parar onde quisesse, porém correria riscos de parar em algum lugar mais perigoso e de pior qualidade.
E assim por diante


Observe que para cada coisa que ganhamos, devemos abrir mão de outra, para realizar algo que queremos naquele momento. Resumindo: Pa tudo que se ganha, algo se perde. É a dinâmica da vida e das decisões.


A dica que fica é que nem tudo que reluz é ouro e nem tudo que parece fácil e simples, realmente é fácil e simples. Pode ser apenas uma peça que a vida nos prega. Uma miragem.


Claro que tem gente que complica mesmo e que vive criando obstáculos. Realmente seria muito bom se tudo fosse como gostaríamos e todos sempre concordassem conosco. Seria o melhor dos mundos...Ou não!


Será que não é bom ter alguem que nos diz: "Calma aí. Isso pode ser assim" ou "Você já pensou que no que pode acontecer se.." ou ainda "Não seria melhor você seguir por aqui?"


Ter essas pessoas, significa ter uma visão externa ao nosso sonho.


Bem, na próxima viagem ao deserto, aconselho você a confiar mais nos seus companheiros de viagem e no seu camelo. Instinto, para um animal, é tudo o que ele tem. Precisa ser apuradíssimo! E viva o camelo!


E que tal fazer o exercicio dos quatro dedos. Experimente enxergar entre eles. E veja o que percebe...


Nos vemos num próximo encontro. De verdade!


CARPE DIEM

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A vida é tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...
...Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Estes são trechos de "Paciência", do pernambucano Lenine e de Dudu Falcão. Essa música é bem interessante, por várias razões. Tem um bela melodia e uma letra verdadeira.
...
Você já percebeu como todo mundo corre hoje em dia? Querendo tudo! Sempre.
...
E isso me faz me lembrar o "Pequeno Príncipe", num trecho fabuloso da narrativa:
...
Ele está na Terra há algum tempo, conhecendo os homens e suas esquisitices e duas situações lhe chamam a atenção. Uma delas são os trens que vão e vem, com pessoas apressadas, sem saberem o que buscam. Apenas as crianças estão com seus narizes amassados nos vidros, olhando a paisagem, as coisas que passam.
...
Outra situação é do vendedor que lhe oferece pílulas contra a sede. Já imaginou? Não precisar mais beber água? Quanto tempo ganhariamos com essa "modernidade"! Mais de 53 minutos por mês! E ele responde com sabedoria: "Se eu tivesse esse tempo pra gastar, andaria calmamente até uma fonte e beberia com alegria da sua água."
...
Ou seja, no primeiro caso, apenas as crianças compreendem que a graça da vida é a viagem e não necessariamente o destino e no segundo, descobrimos que o importante é aproveitarmos o nosso tempo com o que realmente vale a pena. Sentir prazer em fazer o que se está fazendo.
...
Seja qual for o seu problema. Seja qual for o seu momento atual. Aproveite a viagem. O percurso é tão importante quanto o destino final.
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E claro que todos cobram eficiência, eficácia, coragem, equilibrio, profissionalismo, perfeccionismo e tantas qualidades chavões, que ecoam em empresas, familias, sociedades e até em grupo de trabalhos voluntários. Todos querem o seu melhor. Nada disso importa! Nada disso significa nada!
...
Como assim? Bem, simples. Tudo o que vive é o que realmente busca e quer? Você gostaria de ser o tempo todo, integral mesmo, perfeito? Atender as demandas de todos e as próprias? Pra quê, pra quem e por quê?
...
O que te impede de viver a própria vida? De finalmente correr atrás da sua "fonte d'água"?.
...
Como seria se você ao invés de ficar viajando apressado, nesse trem aí , que você escolheu, começasse a perceber a paisagem em volta? Principalmente, as pessoas em volta.
...
Como você se sentiria finalmente respeitando os seus limites? Sim você, os tem! Acredite!
...
Imagine-se considerando a importância do todo, pra você. O quanto as pessoas representam na sua vida.
...
Lembre-se do esforço feito pra conquistar o que já tem. E que somos apressados mesmo! Queremos viver um ano em um dia, como diria a minha querida Nô Stopa.
...
Relaxe e encare a vida de frente. Nenhum problema é tão grande e nenhuma alegria é eterna. Tudo é uma questão de abrirmos a mente e sorrir! Abrirmos a mente e acreditar!
...
Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...
...
Se recuse também. Vá na valsa, ou no forró, ou no samba, ou no lugar que você adora ir pronto.
Espero que o dia de todos seja maravilhoso e as semanas sejam uma verdadeira aventura!
...
CARPE DIEM!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"...mas meu pai vem me visitar..."

As famílias hoje são um pouco diferente, comparadas aquelas dos tempos de nossos pais e principalmente avós.
Se bem que eles têm uma grande parcela de culpa, nessa mudança.
Tudo era tão proibido e tão cheio de ritos que decidimos viver diferente
E casamento não é mais para a vida toda.
Claro que existem exceção e aí que mora a curiosidade:
Casamento duradouro deveria ser a regra.

São tantas as causas, entre elas o despreparo para a liberdade, a impaciência, a intolerância, a independência, o individualismo sobrepondo-se aos interesses do bem comum e do bem do outro. Enfim, as mudanças.

Se manter um casamento tornou-se um desafio e imagine como ficou manter os filhos de um casamento que terminou? E como inseri-los nas novas famílias que surgem, dos pais separados?

Eu tenho uma boa experiência, sou um pai separado. Existem pais, independente do sexo, que deixam as coisas seguirem seu rumo. Não se importam e até agradecem por não tê-los por perto. Eu adoro ser pai. Adoro mesmo.

Eu sou um pai normal e sinceramente não me considero um bom pai. Apenas pai. Gostaria de ser mais duro, as vezes, mais tolerante outras vezes. E tento, aos poucos aprender a exercer esse papel tão nobre. O de ser pai!

Nesses anos todos eu aprendi uma coisa importante sobre ser pais. Os filhos geralmente reclamam que seus pais não escutam, não entendem, não aceitam e isso e aquilo. E os pais, por outro lado, sentem-se culpados, por não terem criado uma abertura, um canal de comunicação, por não tentarem entender o mundo do filho.

Agora o aprendizado. Não importa o quanto você dê abertura, se faça presente, queira estar junto, queira contribuir, opinar, aceitar e realmente entende-los. Eles nunca o procurarão primeiro. É rarissimo, um filho chegar para o pai e dizer, "pai, o que você acha disso?". Como eu deveria conduzir essa situação? E esse lance com essa menina ou menino? O que você acha?

Mesmo que você diga, com todas as letras: Meu filho, estou sempre aqui, pra qualquer coisa. Fale comigo sempre. Nada fará com que eu deixe de amá-lo ou amá-la. Nada. Quer falar sobre situação A ou B? O que você está sentindo sobre isso? Nada.

Somos invasores, quando na verdade, tentamos ser apenas gentis e companheiros de jornada. Seria bom que cada filho entendesse que já passamos por isso, muitas vezes. "São crianças como vocês"

E segue a vida....

Eu moro com a minha mãe...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

No tempo em que eu era menino...



Tem uma canção de Geraldo Azevedo (Geraldinho, pra nós nordestinos), que me encanta.
Chama-se "O menino e os carneiros"
Me encata por sua melodia
Pela letra simples
Pela confissão e a saudade escondida nos versos de um sertanejo

No tempo que eu era menino
Brincava tangendo carneiros
Fim de tarde na rede sonhava
Belo dia seria um vaqueiro
Montaria de pelos castanhos
Enfeitados de prata os arreios
Minha vida hoje é pé no mundo
Sem temer a escuridão
Jogo laço quebro tudo
Meu amigo é meu irmão
Sou a sede de boa palavra
Sou a vida raios de sol
Tenho tudo não tenho nada
Tenho fé no coração

Nossa! Como eu gostava de ser criança, no meu tempo!
Deve ser bom ser criança hoje também...
Bem, digo isso, por que acredito que as crianças de hoje também gostam de serem crianças, em seu tempo.

O que mais me encantava no meu tempo era a total falta de recursos pra brincar
Tudo servia como brinquedo
E a gente sonhava tanto e tudo era motivo para uma história, um causo
Eu cresci no meio dos jogos de tabuleiros, repententes de viola, poesia e muito cordel
E o cordel é algo mágico.
Não há nada mais inventivo que um cordel.
Nele um simples sertanejo é capaz de enfrentar dragões, feras temidas, demônios, seres estranhos, a seca, a miséria, a fome, a falta de trabalho, os maus políticos, os coronéis e suas tiranias, os temidos cangaceiros.

Para um nordestino, personagem de cordel, tudo é possível.

Para uma criança, no meu tempo também.
Tudo era possivel.
Faziamos carros de boi, de palma, um tipo de cactus nordestino, que servia de alimento para os bois.
Usamos sabugos de milho, palhas do milho, do feijão debulhado.
Faziamos as nossas próprias pipas, a nossa propria cola.
E brincavamos de coisas que nao precisam de nada....apenas de nós, crianças dispostas!

Mão-na-mula, pega-pega, morto-vivo, esconde-esconde e tantas brincadeiras legais.
Para os meninos futebol, que podia ser com bola de meia mesmo ou a de capotão, de alguém bem do dinheiro.
Para as meninas tinhas várias brincadeiras românticas, como passar o anel, brincar de boneca de pano, de cazinha e por aí vai.

Só tinha uma coisa que era igualzinho hoje.
Toda criança quer crescer.
Quer ser adulta logo.
Viver a liberdade, de poder fazer o que quer, na hora que quer e quando quer.
E tenta mudar a ideia de alguem que se acha grande? Já tentou?
Pois é.

Hoje eu não sou mais criança. Pelo menos na idade e nas responsabilidades assumidas com a adultice. Estou nesse trecho, da música que selecionei:


Sou a sede de boa palavra
Sou a vida raios de sol
Tenho tudo não tenho nada
Tenho fé no coração



E com o passar dos anos você acaba aprendendo muitas coisas e percebe que ser adulto nem é tão bom assim e nem é tão mal. E apenas ser adulto.
...
Agora, me responde aí. Quando realmente somos adultos, de verdade? Responsáveis e senhores do nosso destino (Outra ilusão que a gente descortina quando chega lá. Sempre daremos satisfações a alguém. Sempre).
...
Eu tenho um método pra identifica a transição. E não é questão de idade não. Tem a ver com o momento. Com a maturidade adquirida. Até por que conheço, pessoas que jamais poderiam ser donas de suas próprias vidas, que hoje têm 60, 50, 40, 30, 20, 15 anos. Também conheço pessoas precoces. Conheci um menino que era adulto aos 7 anos de idade! Duvida. O rapaz era capaz de tudo. Simplesmente ele era. Claro que tratava-se de uma criança com pai e mãe.
...
Mas era adulto. Vai entender.
...
E foi com essas observações que descobri, como nos tornamos realmente adultos:
"Quando simpesmente somos. Por que quem é algo, não precisa afirmar nada, provar nada. Suas atitiudes, seus comportamentos, sua maneira de enxergar o mundo e a vida, de serem e de estarem dizem tudo."
...
Eu tenho um amigo que já era adulto aos 16 anos. Eu tenho outro que aos 45 ainda é criança. Se viver só, perigoso morrer na inércia. A coisa mais imprtante pra ele ainda é curtir um som!
...
É... Agora, ao final deste post, me veio aquela nostalgia...Dos tempos em que eu era menino...
Me pego lembrando como tive que ser adulto na marra, sem direito a escolhas. Que falta me fez um pai, um exemplo, uma mão estendida e um ouvido pronto pra escutar e uma boca pronta pra aconselhar...
...
- Olha filho, você ainda não está pronto...Eu juro que ouviria...Juro!



domingo, 18 de janeiro de 2009

Pra você gostar de mim...


Esta moça aí do lado é Andrea "Andy" Sachs (Anne Hathaway), uma promissora jornalista que encontra uma oportunidade numa famosissíma revista de moda. Essa cena faz parte do filme "O Diabo veste Prada", que conta com a excelente Meryl Streep, no papel de Miranda Priestly .


Além de ter feito muito sucesso, esse filme tem algo interessante para nós. A grande vontade que temos em "agradar" o outro. Aquela vontade de ser aceito. Ser visto como igual.
...
Andy até então era uma menina desencanada com a moda, considerava tudo fútil demais. Vivia num mundo onde outras coisas eram prioridades.
Chega na tal revista famosa e se sente um patinho feio. Deslocada na aparência e nas ideias
...
Aos poucos ela entra no jogo e a cada dia que passa, está mais parecida com aquilo que condenava até então. Começou pelo externo, pela aparência, roupas, calçados, acessórios. Aos poucos foi tomando conta do comportamento, das ideias, da forma como enxerga o mundo e a si mesmo. Só que aquilo não era ela, lembra? Era uma adaptação necessária. Não era verdadeiro. E tudo aquilo que é falso, um dia desencanta. Perde o brilho. E foi assim com a nossa moça, Andy...
...
Você já observou como é interessante esse ato do "se adaptar"? De início você pensa que está fazendo o melhor. Afinal, estou mudando apenas o meu cabelo, ou o meu vocabulário, ou a minha maneira de vestir-me, ou os meus sonhos, meus ideais.
...
E aqui chegamos ao ponto central da mudança. Quando fazemos algo pelo outro e não por nós mesmos, a mudança torna-se frustrante. Claro que é legal ser aceito, ter alguem que a gente gosta do lado, ser ouvido. Tudo isso é muito bom.
...
Desde que você realmente queira tudo aquilo. Fazer algo pelo outro é muito arriscado. E quando o outro enjoa daquele jeito? Ou pior, enjoa de você ser tão igual a tudo. Tão mais do mesmo.
...
Quando a gente se aceita, se sente íntegro e alinhado com nossos pensamentos, nada é capaz de nos abalar.
E a gente começa a repensar algumas afirmações comuns
...
Chegar na festa com roupa que não é a ultima moda é vergonhoso. Pra quem?
Ser romântico é antiquado. Sério?
Educação não é bem vista entre a galera mais jovem. Quem disse?
Falar certo é coisa de nerd. Desde quando?
Ter um carro velho pega mal. Verdade?
Casar virgem é coisa do tempo antigo. Será mesmo?
Pedir alguém em namoro para os pais é cafona. Tem certeza?
Não dá pra viver sem o último celular, game ou aparelho da moda. É mesmo?
Se eu nao provar drogas vou parecer careta. Não me diga?
Se eu não facilitar para o meu namorado ele me trai com outra. Não sabia?
Preciso impressionar meu colegas. Vão achar que sou molenga. Impressionar?
Ninguem pode saber que não sou normal. O que é ser normal, mesmo?
Eu dirijo melhor bêbado. Brincou?
...
Fique atento ao final de cada frase. Aquele logo depois do ponto final. A frase que vem seguida de uma interrogação.
Tudo que foi afirmado aqui pode ser verdade mesmo. Depende de quem lê, porém tenha claro que se você age assim, que seja por acreditar realmente. Por lhe fazer sentir-se bem.
...
Não há nada errado em vestir-se bem, manter-se atualizado, ser agradável, fazer parte de um grupo. O que transforma isso tudo em erro, é quando anulamos quem somos. É quando fazemos ou nos comportamos exclusivamente para o mundo externo.
...
Por isso, veja como anda o seu ritmo de "concessões". O quanto você silencia. O quanto você segue. Quantas coisas você é capaz de fazer apenas para que alguém goste de você.Vale mesmo à pena?
...
Afinal, quando nos interessamos por alguém , não é justamente pelo fato de esse alguém ser exatamente como é. Não?
...
Ah! Quer dizer que nos interessamos por alguém para transforma-lo em uma cópia nossa. Entendi...Muito bom isso. Linha de produção de comportamento pessoal.
...
Eu já vi isso em algum lugar, na história recente, num país, um ditador, uma guerra...Algo me diz, que naquela época, não foi muito proveitoso "padronizar" o certo.
...
Pois é! Seja você mesmo e melhor, deixe que as pessoas sejam elas mesmas. Cada uma a sua maneira. Cada um no seu lugar. Cada um com seus sonhos, desejos, alegrias, diferenças, particularidades.
...
E viva a vida!
...
Sejam todos bem vindos a 2009. É muito bom estar de volta!


CARPE DIEM
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