quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Era uma vez...


Ouvir essas palavras em um início de conversa traz tantas sensações, não é mesmo? Quando alguém começa uma história com essas palavrinhas mágicas é como se tudo fosse permitido, a partir dali.
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Nossas defesas são desarmadas e quando gostamos de uma boa história, nos preparamos para ouvir com toda atenção do mundo a narrativa daquela pessoa. Somos envolvidos pela magia das histórias encantadas, das lendas, dos causos, da prosa simples. E por falar nisso...
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Era uma vez, num reino muito distante, num cantinho de uma parede qualquer, uma vassoura de palha. Claro que não se tratava de uma vassoura de palha qualquer. Era a respeitadíssima  Vassourina. Famosa pelo cuidado e esmero com que mantinha sempre impecável o chão pelo qual passava.
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Contava com a ajuda da sua filha Pazina, a delicada pá, que carinhosamente e cuidadosamente recolhia e transportava em seu corpo todo o resultado da limpeza de mamãe Vassourina.
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A família de Vassourina e Pazina se completava totalmente com o grande e honrado Lixário, um nobre cesto de lixo, onde eram recolhidos e guardados, até o transporte final, todo os detritos recolhidos por Pazina e Vassourina.
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Tratava-se de uma família feliz e admirada naquele reino por todos os outros. Dona Janelina sempre de prosa com com Dona Portanália ressaltava o quanto eles se completavam. E isso era tão difícil e raro de encontrar naquele reino e exemplificavam:
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- Vejam o  Sr. Bacionildo! Ele e a Dona Tornerilda nunca entram em acordo. Ora ele sai antes e deixa a pobrezinha jorrando água à toa, ora é ela que derrama tanta água que transborda o coitado!


- E olha que a tarefa daquela família nem é das melhores! Ficar limpando a sujeira que as pessoas deixam por aí! - Lembra bem, Dona Janelina.
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- Também a vida deles é fácil. Quase nem tem tanta sujeira assim! Eu que sofro, com tanto entra e sai. De noite estou até com dor nas dobradiças! - retrucou com certa inveja a Dona Portanália.
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E um dia resolveram testar a união e paciência daquela família. Era uma tarde outono em que ventava muito.  Milhares de pequenas folhas espalhadas pelo campo formavam pequenos redemoinhos bailarinos. Dona Portánalia sugeriu:
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- Ei amiga! Vamos nos manter abertas durante essa ventania. Vai ser aquela bagunça por aqui. Certamente eles perderão a paciência! 
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Assim foi feito. Logo as salas e demais cômodos estavam repletos de folhas secas e poeira trazidas pelo vento.
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Dona Vassourina logo começou pacientemente seu trabalho, com toda dedicação e paciência de sempre. Aos poucos as salas foram sendo limpas. Logo perceberam que ela não desanimava e perceberam ainda que sempre estavam por perto, o Sr. Lixário e  Pazina.
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Ambos ficavam acompanhando e encorajando Vassourina na sua tarefa. Cantavam músicas que a estimulava a trabalhar contente. Diziam que ela estava indo muito bem e que ficasse tranquila, pois os dois estavam ali, prontos para recolher e armazenar todo o resultado de seu trabalho.
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E sempre que tinha uma grande pilha de folhas, Pazina pedia a mãe que descansasse um pouco e observasse como ela era ágil no recolher de folhas e como o papai era forte e espaçoso.
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Foram horas de trabalho duro. Dona Janelina e Dona Portánalia envergonhadas por terem provocado aquela bagunça toda e ao mesmo tempo admiradas com a maneira como aquela família encarava a dificuldade, aos poucos aprendia uma lição.
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Ao final do trabalho, embora cansados da jornada árdua, deram um grande abraço fraterno e agradeceram por terem uns aos outros. Agradeceram aos céus por terem capacidades diferentes, que quando juntas eram capazes de fazerem por completo suas tarefas. Cada um sozinho, de nada servia. porém unidos eram responsáveis por toda limpeza do reino.
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Dona Vassourina olhou nos olhos de Pazina e disse:
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- Muitos acham que somos os piores do reino, que vivemos na sujeira. Isso não é verdade minha filha. Eu, você e seu pai no fundo somos os grandes guardiões da higiene de todo o reino. Trabalhamos todos os dias para ressaltar o que cada ambiente tem de mais belo. Tornamos a vida das pessoas que aqui vivem e de todos os nossos amigos mais brilhante!
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- Minha filha, somos aquilo que acreditamos ser! Somos aquilo que desejamos e fazemos ao outro. Lembre-se disso! - finalizou papai Lixário.
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E todos daquela família continuaram sendo admirados e claro que foram felizes para sempre!

Um comentário:

Srta. Maay. =} disse...

somos o que acreditamos seer! :}

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