domingo, 18 de janeiro de 2009

Pra você gostar de mim...


Esta moça aí do lado é Andrea "Andy" Sachs (Anne Hathaway), uma promissora jornalista que encontra uma oportunidade numa famosissíma revista de moda. Essa cena faz parte do filme "O Diabo veste Prada", que conta com a excelente Meryl Streep, no papel de Miranda Priestly .


Além de ter feito muito sucesso, esse filme tem algo interessante para nós. A grande vontade que temos em "agradar" o outro. Aquela vontade de ser aceito. Ser visto como igual.
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Andy até então era uma menina desencanada com a moda, considerava tudo fútil demais. Vivia num mundo onde outras coisas eram prioridades.
Chega na tal revista famosa e se sente um patinho feio. Deslocada na aparência e nas ideias
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Aos poucos ela entra no jogo e a cada dia que passa, está mais parecida com aquilo que condenava até então. Começou pelo externo, pela aparência, roupas, calçados, acessórios. Aos poucos foi tomando conta do comportamento, das ideias, da forma como enxerga o mundo e a si mesmo. Só que aquilo não era ela, lembra? Era uma adaptação necessária. Não era verdadeiro. E tudo aquilo que é falso, um dia desencanta. Perde o brilho. E foi assim com a nossa moça, Andy...
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Você já observou como é interessante esse ato do "se adaptar"? De início você pensa que está fazendo o melhor. Afinal, estou mudando apenas o meu cabelo, ou o meu vocabulário, ou a minha maneira de vestir-me, ou os meus sonhos, meus ideais.
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E aqui chegamos ao ponto central da mudança. Quando fazemos algo pelo outro e não por nós mesmos, a mudança torna-se frustrante. Claro que é legal ser aceito, ter alguem que a gente gosta do lado, ser ouvido. Tudo isso é muito bom.
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Desde que você realmente queira tudo aquilo. Fazer algo pelo outro é muito arriscado. E quando o outro enjoa daquele jeito? Ou pior, enjoa de você ser tão igual a tudo. Tão mais do mesmo.
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Quando a gente se aceita, se sente íntegro e alinhado com nossos pensamentos, nada é capaz de nos abalar.
E a gente começa a repensar algumas afirmações comuns
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Chegar na festa com roupa que não é a ultima moda é vergonhoso. Pra quem?
Ser romântico é antiquado. Sério?
Educação não é bem vista entre a galera mais jovem. Quem disse?
Falar certo é coisa de nerd. Desde quando?
Ter um carro velho pega mal. Verdade?
Casar virgem é coisa do tempo antigo. Será mesmo?
Pedir alguém em namoro para os pais é cafona. Tem certeza?
Não dá pra viver sem o último celular, game ou aparelho da moda. É mesmo?
Se eu nao provar drogas vou parecer careta. Não me diga?
Se eu não facilitar para o meu namorado ele me trai com outra. Não sabia?
Preciso impressionar meu colegas. Vão achar que sou molenga. Impressionar?
Ninguem pode saber que não sou normal. O que é ser normal, mesmo?
Eu dirijo melhor bêbado. Brincou?
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Fique atento ao final de cada frase. Aquele logo depois do ponto final. A frase que vem seguida de uma interrogação.
Tudo que foi afirmado aqui pode ser verdade mesmo. Depende de quem lê, porém tenha claro que se você age assim, que seja por acreditar realmente. Por lhe fazer sentir-se bem.
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Não há nada errado em vestir-se bem, manter-se atualizado, ser agradável, fazer parte de um grupo. O que transforma isso tudo em erro, é quando anulamos quem somos. É quando fazemos ou nos comportamos exclusivamente para o mundo externo.
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Por isso, veja como anda o seu ritmo de "concessões". O quanto você silencia. O quanto você segue. Quantas coisas você é capaz de fazer apenas para que alguém goste de você.Vale mesmo à pena?
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Afinal, quando nos interessamos por alguém , não é justamente pelo fato de esse alguém ser exatamente como é. Não?
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Ah! Quer dizer que nos interessamos por alguém para transforma-lo em uma cópia nossa. Entendi...Muito bom isso. Linha de produção de comportamento pessoal.
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Eu já vi isso em algum lugar, na história recente, num país, um ditador, uma guerra...Algo me diz, que naquela época, não foi muito proveitoso "padronizar" o certo.
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Pois é! Seja você mesmo e melhor, deixe que as pessoas sejam elas mesmas. Cada uma a sua maneira. Cada um no seu lugar. Cada um com seus sonhos, desejos, alegrias, diferenças, particularidades.
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E viva a vida!
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Sejam todos bem vindos a 2009. É muito bom estar de volta!


CARPE DIEM

8 comentários:

Niña disse...

Verdade! Nada melhor e mais prazeroso do que sermos nós mesmos...Os padrões existem, mas cabe apenas à nós mesmos sentir-mos se vale à pena seguirmos. É puramente uma questão de sentimento...

Que bom que está de volta Samuka...
Belo post! Bj

Srta. Maay. =} disse...

Outro dia eu ouvi que a unção naum saum duas metades qe se unem, mas dois inteiros qe se completam, acho qe eh isso... Naum precisamos mudar as pessoas se a aceitarmos como elas são! Perfeeito Samuka!

Aninha*** disse...

a cada vez q venho aqui me surpeendo mais ...aceitar como as pessoas são ...perfeito !!!

um beijo e eh bom ver q voltou com tudo ...

Helen disse...

=P

mesmo q seja estranho, seja você!

Grazi disse...

Bem...

Falando sobre o filme, vai dizer que não bom ver a cara da 'diaba' quando a simples assistente não se transformou?

Acho que para viver na sociedade que estamos certas mudanças são necessárias.

E a Emily [era assim que ela era chamada nos primeiros dias né? :P ] gostou da mudança, acabou se descobrindo.
Claro que no fim ela abandona a sua 'amada' chefe. Mas tudo que ela passou foi de grande crescimento para ela.

Então, acho que, tentar se adaptar não tem nada de mais, apenas devemos saber o limite, como ela fez, quando saturou, caiu fora. As mudanças fazem a gente descobrir quem realmente somos, e descobrir coisas que nem conhecíamos de nós mesmos. :)

Bela disse...

A gente pode saber pouco sobre um monte de coisas, mas não pode saber pouco de si. Melhorar, sempre, mas "ser essência... muito mais".
Adorei esse cantinho, mas se as letrinhas fossem maiores ia ficar mais fácil, rsrs.
Abraços.

Dona dos sonhos traiçoeiros. disse...

Samuca,

tem sempre alguma coisa acontecendo, relendo seu blog, revivendo sua escrita, reconhecendo-me nas suas escritas parei nessa postagem, você escreve bem demais, e o bom da escrita é que quem ler se renova, quantas mudanças houve desde essa postagem na minha vida, até a forma que eu escrevia (acima postado) a forma que penso hoje... acredito que as mudanças são necessárias sim! mas, como você disse, sem deixar de sermos quem somos, nesses últimos dias mudei muito pelos outros, nem me reconhecia, e nessa busca pelo "encontrar-me" cheguei aqui, e li exatamente o que eu precisava, realmente tem sempre alguma coisa acontecendo, aqui! neste exato instante! obrigada por esse registro que me amadureceu um pouquinho mais hoje! (:

Mayla: Doida e Santa ;) disse...

reli e revivi, reAMEI esse texto, um dos meus prediletos ;D

PARABÉNS Sá!

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