quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

No tempo em que eu era menino...



Tem uma canção de Geraldo Azevedo (Geraldinho, pra nós nordestinos), que me encanta.
Chama-se "O menino e os carneiros"
Me encata por sua melodia
Pela letra simples
Pela confissão e a saudade escondida nos versos de um sertanejo

No tempo que eu era menino
Brincava tangendo carneiros
Fim de tarde na rede sonhava
Belo dia seria um vaqueiro
Montaria de pelos castanhos
Enfeitados de prata os arreios
Minha vida hoje é pé no mundo
Sem temer a escuridão
Jogo laço quebro tudo
Meu amigo é meu irmão
Sou a sede de boa palavra
Sou a vida raios de sol
Tenho tudo não tenho nada
Tenho fé no coração

Nossa! Como eu gostava de ser criança, no meu tempo!
Deve ser bom ser criança hoje também...
Bem, digo isso, por que acredito que as crianças de hoje também gostam de serem crianças, em seu tempo.

O que mais me encantava no meu tempo era a total falta de recursos pra brincar
Tudo servia como brinquedo
E a gente sonhava tanto e tudo era motivo para uma história, um causo
Eu cresci no meio dos jogos de tabuleiros, repententes de viola, poesia e muito cordel
E o cordel é algo mágico.
Não há nada mais inventivo que um cordel.
Nele um simples sertanejo é capaz de enfrentar dragões, feras temidas, demônios, seres estranhos, a seca, a miséria, a fome, a falta de trabalho, os maus políticos, os coronéis e suas tiranias, os temidos cangaceiros.

Para um nordestino, personagem de cordel, tudo é possível.

Para uma criança, no meu tempo também.
Tudo era possivel.
Faziamos carros de boi, de palma, um tipo de cactus nordestino, que servia de alimento para os bois.
Usamos sabugos de milho, palhas do milho, do feijão debulhado.
Faziamos as nossas próprias pipas, a nossa propria cola.
E brincavamos de coisas que nao precisam de nada....apenas de nós, crianças dispostas!

Mão-na-mula, pega-pega, morto-vivo, esconde-esconde e tantas brincadeiras legais.
Para os meninos futebol, que podia ser com bola de meia mesmo ou a de capotão, de alguém bem do dinheiro.
Para as meninas tinhas várias brincadeiras românticas, como passar o anel, brincar de boneca de pano, de cazinha e por aí vai.

Só tinha uma coisa que era igualzinho hoje.
Toda criança quer crescer.
Quer ser adulta logo.
Viver a liberdade, de poder fazer o que quer, na hora que quer e quando quer.
E tenta mudar a ideia de alguem que se acha grande? Já tentou?
Pois é.

Hoje eu não sou mais criança. Pelo menos na idade e nas responsabilidades assumidas com a adultice. Estou nesse trecho, da música que selecionei:


Sou a sede de boa palavra
Sou a vida raios de sol
Tenho tudo não tenho nada
Tenho fé no coração



E com o passar dos anos você acaba aprendendo muitas coisas e percebe que ser adulto nem é tão bom assim e nem é tão mal. E apenas ser adulto.
...
Agora, me responde aí. Quando realmente somos adultos, de verdade? Responsáveis e senhores do nosso destino (Outra ilusão que a gente descortina quando chega lá. Sempre daremos satisfações a alguém. Sempre).
...
Eu tenho um método pra identifica a transição. E não é questão de idade não. Tem a ver com o momento. Com a maturidade adquirida. Até por que conheço, pessoas que jamais poderiam ser donas de suas próprias vidas, que hoje têm 60, 50, 40, 30, 20, 15 anos. Também conheço pessoas precoces. Conheci um menino que era adulto aos 7 anos de idade! Duvida. O rapaz era capaz de tudo. Simplesmente ele era. Claro que tratava-se de uma criança com pai e mãe.
...
Mas era adulto. Vai entender.
...
E foi com essas observações que descobri, como nos tornamos realmente adultos:
"Quando simpesmente somos. Por que quem é algo, não precisa afirmar nada, provar nada. Suas atitiudes, seus comportamentos, sua maneira de enxergar o mundo e a vida, de serem e de estarem dizem tudo."
...
Eu tenho um amigo que já era adulto aos 16 anos. Eu tenho outro que aos 45 ainda é criança. Se viver só, perigoso morrer na inércia. A coisa mais imprtante pra ele ainda é curtir um som!
...
É... Agora, ao final deste post, me veio aquela nostalgia...Dos tempos em que eu era menino...
Me pego lembrando como tive que ser adulto na marra, sem direito a escolhas. Que falta me fez um pai, um exemplo, uma mão estendida e um ouvido pronto pra escutar e uma boca pronta pra aconselhar...
...
- Olha filho, você ainda não está pronto...Eu juro que ouviria...Juro!



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