quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Miragens

"Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar"
...
Este trecho de Palavras ao vento, (Marisa Monte/Moraes Moreira), com a Cassia Eller emprestando sua voz maravilhosamente marcante ilustra bem o tema de hoje.


É muito interessante quando algo acontece, melhor ainda, quando queremos muito que algo aconteça.
Tudo se torna simples, perfeito. Óbvio e direto.
Nem tudo era o que parecia ser e começamos a enxergar as coisas sob um ótica simplista.
Aquele objeto do desejo, que até o dia anterior, era impossível de adquiri-lo, por falta de dinheiro, agora já pode ser adquirido.


Ganhou-se mais dinheiro? Negativo!
Você começa a enxergar que pode parcelar e que não há problema se você ainda não tiver o dinheiro para pagar as prestações. Até o dia o vencimento ele aparece. Você tem sorte e trabalha muito. Logo, isso se resolverá, antes do vencimento de cada prestação. Aí você vai lá e compra. Simples!


E assim decidimos as coisas, em nossa vida. Como se tudo fosse um objeto do desejo, que o destino nos ajudará a resolver tudo. Que logo ali, no meio daquele antigo deserto, existe um oásis. Seus olhos não mentem. Lá está ele.


O engraçado é que, quando você quer justificar algo, as coisas que você tem, a situação que você vive, as pessoas que conhece, tudo enfim, incomoda. É como se você enxergasse apenas o lado negativo das situações atuais.


Tem uma cena no filme Patch Adams que eu adoro. Fala exatamente disso. Um sujeito "acredita" estar com sérios problemas. Então um outro sujeito lhe pede que abra sua mão, bem diante de seus próprios olhos, com quatro dedos à mostra e pergunta ao primeiro: "O que você vê à sua frente?"
Este responde: "Vejo quatro dedos!"
E o segundo conclui: "Não estou falando disso, olhe através deles, entre os seus dedos, o que vê?"
Aí o sujeito entende. Entre os vãos de seus quatro dedos, há um mundo que gira. Existem inúmeras possibilidades.


No deserto também é assim. Você decide o que quer ver e acreditar. E mesmo que seus companheiros de viagem e até seu camelo, não consigam ver esse oásis, você encontrará uma explicação plausível, para que ele esteja lá.


Claro. Seus companheiros são incrédulos. Complicam tudo! Dificultam. Melhor! São pessimistas. E seu camelo? Bem, esse é um animal irracional.Tem apenas seus instintos para guiá-lo e até que você saiba, instinto apenas não basta. É preciso saber e querer. Acreditar. É preciso que as coisas sejam vistas de maneira simples.


E a vida, muitas vezes é um grande deserto, com oásis verdadeiros sim e muitas miragens para nos confundir.


E acredite apenas numa coisa. Ter visão de futuro é diferente de imaginar "uma visão no futuro". As visões podem nos enganar.


Uma visão de futuro envolve outras coisas e pra resumir bem eu diria que, no mínimo, tem haver com planejamento, com saídas alternativas, consciência do esforço necessário e por último, se tudo isso vale mesmo à pena.


Quando colocamos na balança tudo o que precisaremos fazer e o que abriremos mão para realizar a visão de futuro é que saberemos se aquilo que queremos vale mesmo à pena.


Vamos a um exemplo prático. Imagine que você tivesse que decidir entre uma viagem de carro e uma viagem de ônibus para cobrir uma distância de 1000 quilometros e você tivesse pouco tempo disponível, como resolveria?


Bem, primeiro você levaria em consideração as vantagens e desvantagens de cada modalidade.
De ônibus você gastaria menos, porém demoraria mais
De carro você chegaria mais rápido, porém mais cansado
De ônibus você chegaria menos cansado, porém não teria a privacidade de uma viagem sozinho
De carro você viajaria sozinho, porém não teria o conforto de não precisar dirigir
De ônibus você não precisaria dirigir, porém não poderia parar onde gostaria
De carro você poderia parar onde quisesse, porém correria riscos de parar em algum lugar mais perigoso e de pior qualidade.
E assim por diante


Observe que para cada coisa que ganhamos, devemos abrir mão de outra, para realizar algo que queremos naquele momento. Resumindo: Pa tudo que se ganha, algo se perde. É a dinâmica da vida e das decisões.


A dica que fica é que nem tudo que reluz é ouro e nem tudo que parece fácil e simples, realmente é fácil e simples. Pode ser apenas uma peça que a vida nos prega. Uma miragem.


Claro que tem gente que complica mesmo e que vive criando obstáculos. Realmente seria muito bom se tudo fosse como gostaríamos e todos sempre concordassem conosco. Seria o melhor dos mundos...Ou não!


Será que não é bom ter alguem que nos diz: "Calma aí. Isso pode ser assim" ou "Você já pensou que no que pode acontecer se.." ou ainda "Não seria melhor você seguir por aqui?"


Ter essas pessoas, significa ter uma visão externa ao nosso sonho.


Bem, na próxima viagem ao deserto, aconselho você a confiar mais nos seus companheiros de viagem e no seu camelo. Instinto, para um animal, é tudo o que ele tem. Precisa ser apuradíssimo! E viva o camelo!


E que tal fazer o exercicio dos quatro dedos. Experimente enxergar entre eles. E veja o que percebe...


Nos vemos num próximo encontro. De verdade!


CARPE DIEM

Um comentário:

Mayla Valere disse...

experimentando ver além dos qatro dedos! *-* Lindo post!

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