quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A magia do Rio...(ou o primeiro Presidente marrom dos EUA)

O Rio de Janeiro tem uma magia, que tentam (e olha que tentam com muita força!) apagar, com a violência de fato e com a utilização dessa violência pela imprensa, em troca de audiência e anunciantes.

A gente tem mania de dar espaço pra quem não deveria nem ser lembrado, quanto mais considerado. Já perceberam que tem alguns traficantes, que são tratados com respeito e até reverência, pela imprensa? O cidadão vira personagem de livro, de filme, de novela. e todos ganham em cima dele. É bom que ele exista não é? Alguém precisa alimentá-lo e mantê-lo atuante. Mesmo que esteja num presídio de segurança máxima, que só a imprensa consegue acessar, pra lembrar que ele é o "cara".

Outro dia, vi um âncora, de um jornal bem famoso, de uma rede de televisão bem famosa, falando sobre o comando de uma ação, realizado por um traficante, direto de um presídio de segurança máxima. O tal âncora, considerava incrível, ele (o traficante) ter todo esse poder!
Claro que o cidadão ( o tal do âncora) está lendo tudo o que está escrito no "teleprompter" (http://pt.wikipedia.org/wiki/Teleprompter).

E aí entra o olhar. E esse não dá pra ser lá muito ensaiado. Neste momento ele se trai. O texto que ele lê sugere indignação. Os olhos dele entregam uma admiração ou uma satisfação de ter aquela notícia em primeira mão, que garante a audiência do seu empregador e a valorização do espaço do seu anunciante. Nem vamos falar aqui, do caso Eloá (Esse foi comemorado por muitas hienas! Todos torciam para que durasse dias e dias, o martírio das meninas e do rapaz. E aí veio a realidade e deu uma lição no bando. Acordem...isso é real. Uma pessoa morreu, neste show! E claro, as hienas ficaram chocadas!)

Bem, deixemos essas divagações pra depois e vamos ao que está acontecendo agora:

Tem uma música do Renato Teixeira, que adoro pelo seu encanto simples, chama-se "A primeira vez que fui ao Rio". tem um trecho dela que fala assim:

"Antes do sono nós ficamos conversando
Sobre o medo que se sente no bondinho,
Um jeito muito carioca de voar.
Foi muito curto o nosso tempo de estadia
Mas valeu por muitos dias, de coisas pra se contar
Pra gente que, leva uma vida mais tranqüila,
De um jeito quase caipira
Ir ao Rio de Janeiro é o mesmo que flutuar..."


Lindo isso, né? E o Rio é isso mesmo. Suas ruas são diferentes e suas praias também.

O carioca tem um jeito diferente. Um jeito gostoso de ser. Nada de pejorativo. De revanchismo paulista. Carioca é no fundo, tudo de bom. Povo forte, trabalhador, sonhador acima de tudo. Já reparou como ator e atriz no Rio de Janeiro? É a terra do sonho. E que tem o privilégio de viver numa terra "abençoada por Deus, que é bonita por natureza", como diria Benjor.
E essa história do Renato (o Teixeira), me lembrou uma outra. Uma que vivi, quando eu tinha uns 10 anos mais ou menos. Eu vivia em Cubatão (SP), cidade perto do litoral paulista. Famosa por sua poluição, na década de 70 até meados dos anos 80. Lá vivia uma tia minha, com sua família e eles estavam voltando para o Rio de Janeiro.

Puxa! Me convidaram pra ir junto, passear! Ficar com meus três primos (uma prima e dois primos) uma temporada. E essas lembranças chegam com tanta alegria! Lembro das ruas, das calçadas, das brincadeiras com as crianças, do Cristo, do Maracanã! E o bondinho?! Passear no bondinho, para uma criança de 10 anos é o máximo! Que coisa linda...aquilo tudo abaixo de nossos pés...vista, beleza, natureza...paz!
Foram alguns dias mágicos. Tios amorosos, meus primos eram adoráveis. Me trataram tão bem. Me acolheram. Tínhamos quase a mesma idade. É bom ser acolhido. E fui. No Rio de Janeiro.

Lindo. Ir ao Rio de Janeiro é o mesmo que flutuar!

E enquanto escrevo, temos um novo presidente nos EUA. Outro acontecimento maravilhoso. Muito mais pelo seu simbolismo do que pela biografia e propostas do eleito. O primeiro presidente negro (que ele se define como marrom em sua biografia) dos Estados Unidos.

O país das oportunidades nunca tinha dado uma oportunidade para um negro. Viu? Nem tudo que parece ser é o que realmente é. O país da economia sólida também é o país que tratou esse tema com irresponsabilidade e da maneira mais primária possivel. Resultado. Caos no mundo.
Que Obama, negro ou marrom, descendente direto de africanos, tenha uma bela jornada pela frente. Que seja digno dos votos e da paixão do povo que o acolheu naquele país.

E ele está aqui justamente por que tem tudo a ver com o que acontece neste post. Coisas simples, acolhimento. Assim como eu fui acolhido um dia, nos meus idos 10 anos de idade, esse negro foi acolhido por um povo, que há muito tempo, não se via apaixonado por um presidente.

Vida longa e luz as ideias (sem acento, pra ir me acostumando com as regras de 2009) desse homem que surge como esperança de um mundo melhor.

Até mais!

2 comentários:

Aninha disse...

naum sei se percebeu , estou sempre aqui , tenho uma rotina , abro o msn, abro o orkut e depois abro "sempre tem algo acontecendo", e aqui vc fala dos mais variados assuntos , e o q mais gostei ateh agora foi esse (me desculpe ), mas esse fala da minha terra, de onde moro , somos maneiros pra caraca...asui acolhemos bem as pessoas , paulistas , nordestinos... é só chegar .
Espero mesmo q o Obama seja tão bem em seu governo quanto tem sido em suas campanhas...
abraço***

Sandy disse...

paiê também escrevi sobre Obama..uhauhaush..
nem sabia que tinha escrito..
que légal!

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