quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Fazer brinquedos (ou como se divertir com quase nada...)

Vamos falar de jogos e brincadeiras que precisam de nada ou quase nada?
A infância hoje é um pouco diferente daquela, de alguns anos atrás. Hoje é alta tecnologia, alta definição gráfica, a interatividade (?) são os pontos altos das brincadeiras!

Eu sou do tempo do "interagir" que é bem diferente dos tempos atuais, da "interatividade". Enquanto o primeiro é a maneira como duas ou mais pessoas se "entendem" e se "entrosam" a segunda definição tem a ver com a comunicação "homem e máquina (tecnologia)". Ou seja quanto maior a interação, mais produtivo serão os relacionamntos humanos e quanto maior a interatividade, mais fácil será o "entrosamento" entre homem e máquina, consequentemente, tornar-se-á mais agradável ficar horas em frente uma máquina, jogando, conversando, etc.

As das coisas são importantes. O "x" da questão é que hoje se investe muito mais em melhorar continuamente a "interatividade" e aos poucos, deixamos de lado o mais importante, para nós, seres humanos: investir em aprimorar a "interação"

E afinal, o que isso tem a ver com brincadeiras que precisam de nada ou quase nada? Respondendo: Tem tudo a ver. Tem muito a ver.

Cresci entre poesias, poetas repentistas, jogos de tabuleiros, brincadeiras na rua de casa, estudos em bibliotecas e nas casas dos amigos. E nesse universo todo, o que mais existia era interação!

E criavámos jogos e mais jogos. Sabe o que precisávamos muitas vezes para nos divertir? Uma pedaço de papelão, umas tampas de garrafas, uns botões de roupas (que "emprestava" de minha mãe costureira), caneta e imaginação.

Eu fazia em casa, praticamente todos os jogos que gostávamos: jogo de damas, trilha, jogo da onça ou adugo (esse que está desenhado aí em cima), corridas com dados e castigos e bônus. (consistia numa grande cobra desenhada num papelão ou cartolina, quando tinha um trocado, com casas numeradas. Ou seja, uma pista numerada).

Um dos meus grandes parceiros de jogos, quando criança foi meu pai. Convivi pouco com ele (até meus 16 anos). Nesses momentos ele estava lá. E nos divertíamos por horas e horas! Riamos até! Ele adorava me enganar nos jogos. De provocação. Não era lá bom perdedor. No fim a gente se divertia mais das "estratégias de enrolação" do que do jogo propriamente dito.

Tinha as brincadeiras de correr (pega-pega, "mão na mula", "morto vivo", siga o mestre, polícia e ladrão, pular corda, futebol de rua). Aja energia pra tanta bagunça!

Jogávamos também bafo, dominó, xadrez, joquei-pow, palitinhos e tantas coisas que nem me lembro agora.

E era tão bom fazer os jogos e os tabuleiros. Criar os tabuleiros. Muitas vezes demorava tanto na tarefa de criar algo novo que já virava a diversão propriamente dita!

Quantas vezes, na casa de amigos, resolviamos brincar de algo e se faltava, logo diziam: Samuca, faz um jogo pra nós aí!. E pegava um pedaço de papel qualquer, pegava pedra ou o que tinha pela frente e criava as peças do jogo. Pronto! Todos se divertiam!

Hoje eu me lembro bastante deste tempo. Continuo criando meus jogos, acredita? Agora sou parceiro dos meus filhos. Que ainda gostam de minhas invenções, minhas pistas malucas e meus dados engraçados. E enquanto eu conseguir cultivar a interação, sobrepondo-se a interatividade, estou feliz! Meus filhos não gostam tanto assim de jogos eletrônicos e nem de internet. Usam-na, claro. Agora entre uma boa brincadeira entre nós e uma bate-papo virtual, ainda escolhem as brincadeiras! Eba!

E você já inventou algum jogo? Que tal abrir mal da interatividade por um tempo e arriscar-se a interagir mais? Com seus amigos, filhos, marido, esposa, irmãos, pais. Com todo mundo!

Ah! Ficou curioso(a) pra saber o que é jogo da onça?

Visites esses blogs:

http://tudamente.blogspot.com/2008/02/adugo-ou-jogo-da-ona.html ou http://ursasentada.blogspot.com/2006_06_01_archive.html

3 comentários:

kristiny_concha disse...

eu gostava de amarelinha e elástico.... bons tempos.
Ah, gostava de jogar bafo tb....

kristiny_concha disse...

sou do tempo que brincadeira era na rua, que computador era coisa de filme de ficção científica.
Sinto pena do meu sobrinho que se diverte dentro do quarto, só com o brilho da luz da tela.
Perde o sol, que faz tão bem para a alma e o coração.
Já caí de muita árvore, conquistei diversas outras. Construí castelos de areia, de pedra e de imaginação.
Tive filhos de plástico, cachorros e tantos outros bichos de verdade, e amigos que trago até hoje comigo.

boa infância eu tive.

Aninha *** disse...

eu adorava brincar de : bolinha de gude, pique bandeira, queimado, pita maluca (era com tampinha de garrafa de vidro),pique alto e toddos os piques ...hoje brinco muito pouco , adoro brincar de pegar de fazer cocegs ..eh muito divertido ..eh melhor q muitas horas de net...
bjks ***

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