sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Histórias de fantasmas...


Mundo globalizado é assim. Agora, por aqui tem também o tal do Hallowen ou Dia das Bruxas, que deveria ser dia dos "mortos que voltam", como diz a lenda de mais ou menos 200 anos atrás.

Como em alguns países têm bossa nova e o nosso samba. Como em outros países têm nossos escritores e poetas.
E em outros têm os nossos profissionais, executivos e artistas manuais.

Existem países que têm nossos jogadores de futebol, nossos diretores de cinema e nossos atores!

Pois é! E assim temos espalhados pelo mundo, nosso álcool, nossos aviões, nosso gado, nossa soja e café e tantas outras coisas.

É legal traçar esses paralelos, para evitar aquele discurso nacionalista terceiromundista. Que nós estamos sendo engolidos pelos americanos, que somos macaquinhos, blá, blá blá.

Tudo circula numa via de mão dupla. Com maior ou menor frequência, dependendo do que cada um tem a oferecer de interessante ao mundo.

Acho que a gente já pode parar de se fazer de coitadinho, né?

Que bom!

Agora vou falar sobre uma coisa bem legal, que talvez muitos de vocês já viveram nas suas infâncias. Eu pelo menos vivi. E adorava.

Casa de avô. Luz de lampião ou de fogueira ou até elétrica mesmo!

Todos na mesa, em volta dele. Atentos!

Filhos e netos. Os mais velhos nem ficavam mais... Agora, os pequenos, olhos esbugalhados na conversa que vinha do seu Zé Quintanha (como minha avó Quitéria chamava-o).

E naquelas noites, histórias sem fim...lindas, fantásticas. E o melhor - todas vivenciadas por ele - Zé Quintanha. Ao vivo e à cores.

E tinha aquela da noite em que ele voltava da casa de uma namoradinha (moço bonito e apessoado, ele dizia ser) e uma alma montou na garupa de seu cavalo. Era uma noiva sofredora que precisava desencantar-se. Alguém (ele no caso) deveria levá-la até o ponto onde se matara, pra libertar sua alma. Afinal, era uma alma traída pelo noivo. No altar, fora abandonada! E ele foi até lá, com aquelas mãos geladas em sua cintura...

Tinha outra daquele tio-avô dele, que em segredo, lhe confidenciou uma riqueza enterrada, moedas (patacas) numa botija. E essa alma atormentada por esse segredo, precisava libertar-se. E ele, claro, fora o escolhido para a missão. Numa sexta-feira, de lua cheia, à meia-noite, em segredo total, deveria seguir sozinho para o local indicado. Lá, deveria preparar-se, afinal almas malignas tentariam impedí-lo de cumprir a tarefa. O conselho era: não olhe pra nada, nem pra ninguém e ignores os barulhos que as criaturas fizerem à sua volta. Cave, desenterre a botija e leve pra sua casa. Assim, posso descansar em paz! Puxa...Como meu avô era corajoso!

Ah! Me lembrei de outra....aquela daquele moço que...

Bem, vamos deixar essa pra outro dia, né?

Como era legal esse susto todo que tomávamos e meu avô contava histórias simples como ninguém.

Depois é claro, meninada dormindo com luz acesa e tudo no me mesmo quarto. Era um tal de colchão circulando nos quartos. Claro, que ninguém admitia...dizíamos que era pra "conversar" e dar risada. Era nada! Era pra ficar juntinho, tudo com medo! Que tempo legal!

Que tal sentar numa roda hoje e dividir algumas histórias fantásticas? Tem filhos? Faça isso! Tem irmãos menores ou tem sobrinhos? Faça isso também! Ah! Tem avô ou avó? Peça pra um deles (ou os dois) lhe contar algumas histórias do tempo deles.

Meus queridos, eles têm tanto pra lhes contar...

"Quando a meia-noite me encontrar junto a você
Algo diferente vou sentir
Vou precisar me esconder
Da sombra da lua cheia
E esse medo de ser
Um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê"
(Trecho de Canção da Meia-noite - Kleiton e Kledir)
E viva o Hallowen!


CARPE DIEM

4 comentários:

Helen disse...

Não tive a sorte de ouvir essas histórias da boca do vô... Mas a vó Quitéria tbém era uma boa contadora de 'causos'...hehehe...

Aninha disse...

samuel...vc contou a historia da minha vida , meus primos e avó tb contava muito essas historias , e eu como uma das mais novinhas sempre estava lá , com muito medo , mais fingindo que era só para ter compania ...rsrsrs


sucesso !!!

Belle Biajoni disse...

aqui ontem foi um dia super movimentado pelo hallowen. as lojas so faturam mais no natal do que no hallowen. todos nas ruas de fantasias, muito legal a cultura. eu nao tive a sorte de ouvir as historinhas da vovo, mas estou tendo a sorte de presenciar essa cultura totalmente diferente e tao cheia de dias tipicos que temos aqui. estou de volta na panela ;D

kristiny_concha disse...

o masi legal era a gente encolhendo a perninhas para cima da cama, com medo de alguma alma penada agarrarnos pelo tornozelo enquanto ouvíamos a história.
Gostava tb de assistir filmes de terror com meu irmão mais velho, mas depois não conseguia dormir de tanto medo!!!!

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