sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Ensaio sobre a visão

Ontem fui assistir ao filme "Ensaio sobre a cegueira"
Quero ler o livro...ele vivia me convidando pra conhecê-lo
Creio que agora vou aceitar ao seu convite
Claro, que antes vou desculpar-me pela desfeita anterior
...
Estava eu e minha filha, a Sandy.
Fizemos um programa de pai e filha. Bom, né?
Eu adoro. Sou paizão por natureza.
E ela não é mais nenhuma menina
Como o tempo passa!
Minha filha cresceu e apareceu.
Quer saber? Ela pra mim será sempre minha "Sandynha"!

E fizemos outra coisa que eu também adoro.
Ir ao cinema sem planejamento...
Sem aquela coisa de ficar montando estratégia pra chegar
Filme na cabeça, horário de saída combinado.
Chegamos lá, pegamos uma fila, fomos atendidos
Desistimos no caixa: Peraí, a gente vai escolher outro filme!
(A moça, com a voz sintetizada pelo equipamento de som, riu)
Lemos cuidadosamente todas as sinopses dos filmes disponíveis
Riamos e fazíamos comentários inteligentes(?) enquanto isso.
E esse filme me levou a algumas viagens.
Primeiro que tinha tudo a ver com o meu post anterior (Pôr-do-Sol) e
segundo por que é por aí mesmo.

Na verdade, muito de nós já estamos cegos (uma cegueira de luz).
Temos olhos apenas para a tela do computador, ou da TV, ou do jogo eletrônico ou para o outdoor (eletrônico) ou para a tela de cinema, ou...
E, como no filme, perdemos a visão para o que importa.
Para as pessoas, natureza, coisas à nossa volta, alegrias e sofrimentos.
...
Quem de vocês já viu por exemplo, e se viu, ainda se lembra:

Do brilho poético de um vagalume? Uma joaninha vermelhinha, com bolinhas pretas? Uma borboleta multi-colorida? Um caramujo apressado...(esqueci! caramujos nunca estão apressados!) Um louva-deus?

Sem contar na beleza dos crisantemos, lisiantus, margaridas, flores de maio, violetas...

A sombra gostosa de uma árvore.

Já experimentaram sentar-se à sombra de uma árvore? É a melhor terapia energizante que eu conheço.

Sente-se lá um dia.

Não tem árvore em casa? Vá a um parque. Não tem parque? Procure uma árvore pública, numa praça, numa rua, numa estrada...

De preferência, sente-se e não pense em nada.

No máximo, leve um livro gostoso, pra uma leitura descompromissada. Nada de levar aquele livro cheio de conceitos ou pior, pra fazer algum trabalho da escola ou faculdade.

Vai estragar a sombra e a árvore.

Que tal, antes que se esqueça completamente, você procurar ver as coisas listadas acima? Dizem que a cegueira começa assim...esquecemos das formas, das cores, das emoções....
Depois você me conta como foi a sua sombra, da sua árvore escolhida.


Bom final de semana (Hum! Bom para uma sombra acolhedora).

5 comentários:

Sandy disse...

Muito bom o filme neh pai? Realmente nos faz pensar sobre as "cegueiras" que adiquirimos com nossas rotinas...

Helen disse...

eu já li o livro duas vezes. Adoro José Saramago. qto ao filme, tô doida pra ver, mas os cinemas aqui de itu são atrasadinhos... ¬¬'
e a Sandy fez um comentário genial, é bem assim mesmo.

beijo, paizão!

Natanael Salvan Júnior disse...

além da "cegueira" das coisas "simples" e corriqueiras que acabamos deixando de dar tanto valor com o tempo, o maravilhoso livro de Saramago e o filme que Meirelles conseguiu transpor para as telas de maneira tão próxima ao livro, nos mostra que a principal cegueira que combatemos é aquela que não precisamos de olhos para ver, o racismo, o preconceito, o pudor, a luta pelo poder, são alguns poucos exemplos que o tema do livro descreve e o filme nos mostra, talvez muito poucas pessoas estejam livres destes pré-conceitos e as que estão livres talvez não precisem da "visão" realmente dita para poder viver (como a personagem da Juliane Moore).

abração, Samuel

ps. nada melhor que um programa com os filhos.

Belle Biajoni disse...

eu nao vi o filme e nem li o livro. mas concordo plenamente com o post (de novo) acredito que nao tem coisa melhor do que voce pisar na grama, deitar na grama, andar na areia da praia sem pensar em nada ai nao tem coisa melhor mesmo nao. temos que aprender a dar valor, isso e de graca, so tende a fazer bem e agente nao valoriza. fica bem ai e prazer te conhecer.

Aninha*** disse...

eu adoro sentar assim numa sombra de árvore, brincar (mesmo estando um pouco fora de forma ) de correr , de pegar , adoro andar na praia e naum entrar no mar , só admirar , e com a rotina do dia a dia , ficamos cegos e esquecemos o quanto isso tudo é bonito e importante pra nossa alma .

bjk's

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