quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Mude o mundo! (Começando a ler um texto além do seu título)

1986! Foi o ano em que, pela primeira vez, me interessei pela política. Naquele tempo a gente estudava um pouco sobre cidadania, patriotismo, organização política (mesmo de forma restrita) nas aulas de OSPB (Organização Social e Política do Brasil). O regime militar tinha chegado ao fim, um ano ano antes. E um movimento, chamado "Diretas Já" tinha tomado conta do Brasil, nos anos finais da Ditadura (1983/1984).

Naquela época, as transformações políticas no Brasil eram contínuas, sob um governo instalado por uma eleição indireta, onde o presidente eleito Tancredo Neves vem à óbito e seu vice, José Sarney assume em seu lugar. Que retomada emocionante da democracia. Nos próximos anos viriam a Constituinte, a preparação para a primeira eleição direta, pós regime militar.

Voltando ao ano de 1986. Como havia falado, foi aos 16 anos que comecei a me interessar pela política. Um partido fundado no início dos anos 80, começava a aparecer com mais força, no cenário nacional. Com propostas democraticamente inclusivas e com bandeiras ousadas para aquela época, como por exemplo, a igualdade social, o acesso do povo ao poder, a distribuição de renda, a democratização do ensino e das instituições, a busca de um Estado que fosse do povo, pelo povo e para o povo e tantas outras ideias revolucionárias para um período pós-regime militar. Neste tempo, havia uma figura carismática. Luis Inácio Lula da Silva. E assim, como milhões de brasileiros, acreditei que a mudança poderia acontecer, de fato. e ainda jovem, decidi que ajudaria o meu País nesta mudança. Daquele 1986 até a realização do objetivo traçado por nós, crédulos da mudança, foram 16 anos (eu já tinha 32 anos, nesta época) de espera. O ano em que Lula chegou, pela primeira vez ao Governo Federal.

No primeiro governo, percebi que a mudança tinha lá, seu preço. Eu também não tinha mais 16 anos e aquele moço que havia feito parte do movimento jovem, também não era mais o mesmo. A verdade é que vieram outros governos ou do mesmo homem ou na mesma linha. Com muitos acertos sociais e tantos outros erros institucionais.

Estamos num novo tempo. O ano é de 2016. São 30 anos que me separam daquele ano de 1986. O que mudou? O que temos hoje? O que aprendi neste tempo todo?

Que a mudança começa em cada um de nós. Não existem salvadores da pátria. Não existem fórmulas mágicas. O que existe, de fato, é o cidadão buscando e realizando a mudança. O que temos é um Brasil, assolado pela corrupção, desvio de verbas, instituições ineficientes, máquina pública abarrotada de comissionados e gastos desnecessários, regalias, desperdício e muita falta de fé das pessoas em tudo isso.

E a mudança começa agora. Na nossa cidade. Na sua cidade. Começou, quando você tomou coragem em ler este texto, além do seu título. De ler uma matéria, além da sua manchete. De se informar de verdade e não se entupir de informação inútil e fragmentada.

Se a gente quer um mundo melhor, saiba que ele começa na mudança comportamental de cada um de nós. Na preservação dos recursos naturais (que são findos), no melhor aproveitamento dos que forem industrializados (que resultam de recursos naturais), na economia sustentável, no compartilhamento dos recursos, no respeito à natureza.

Se a gente quiser mudar o mundo, não dá pra confiar esta missão a um salvador da pátria, a um super-herói, destes do cinema. Será necessário tomar atitude. Será necessário, votar certo, acompanhar a pessoa que você votou ou aquele que ganhou o direito de nos representar. Isso mesmo! Um eleito (seja por nós ou por outros) é um representante da nossa vontade num cargo público.

Se a gente quiser mudar mesmo, será preciso parar de furar fila, de parar em vaga reservada, de dar um jeitinho, de colar na prova, de pedir um benefício, de desrespeitar horários, de dar uma caixinha para o guarda não nos multar, por que cometemos uma infração (sempre pequena, quando se trata de nós).

Enfim, pra mudar o mundo, sugiro, que comece a mudança, por você! Afinal, você é o responsável por estarmos nesta situação. Você? Sim. Você!

Ah! E também, eu, ele, aquele outro, aquela outra, ela, eu, você, nós...

CARPE DIEM






domingo, 15 de fevereiro de 2015

Antigos rituais de amizade


Hoje ouvindo um CD (um antigo ritual dos anos 90) de minha coleção que hoje deve ter algo em torno mil CDs (e não falo isso para me gabar e sim para confirmar o quanto sou de outro tempo), que visito de vez em quando, lembrei-me de um tempo incrível que vivíamos entre os anos idos 80 e 90
.
Eu sempre respirei música, mesmo antes de conhecer as palavras direito e à medida que fui crescendo e ganhando meu próprio dinheiro, meu reduzido “soldo” era investido praticamente todo em discos de vinil, aparelhagem de som e caixas produzidas artesanalmente por um grande artista conhecido por “Cabinho”, pra nós, adolescentes e vizinhos dele, “Seu Josi”.

“Seu Josi” era um autêntico amante da música soul black, que naquela época ainda mandava muito bem dos artistas da Motown e de outras gravadoras americanas que acamparam o movimento black, lá fora, dos bailes da Chick Show, Kaskatas e Black Mad aqui dentro. Um dos melhores dançarinos de samba rock que eu já vi em atividade (pelo menos para a minha larga experiência adolescente daquela época).

Cabinho ou Seu Josi (para nós) também era famoso por algo que, para nós, rockeiros, interessava mais que a black music: Produzia as mais perfeitas caixas acústicas da região. E ele ainda parcelava aquelas obras de artes pra gente! Eram perfeitas! A qualidade de graves, agudos, a potência suportada, a qualidade com que o som se propagava a partir daquelas caixas era algo incrível. E a durabilidade? Tenho amigos, que até hoje têm as suas, ou as nossas que foram distribuídas entre os mais fiéis daquele som, a medida que os outros cresciam, casavam e iam embora.

Grandes amizades se formaram naqueles anos 80. Éramos uma turma interessante. Samuca, Popeye, Fernando, Marquinhos, Kiko, Gil, Agemeu, Alemão, Roni e tantos outros que eram próximos de alguns de nós e acabavam virando nossos parceiros também, em encontros eventuais.

Cada um com suas manias, seu jeito de receber os “parceiros” em suas casas, geralmente de uma forma, que as nossas mães ficavam malucas, com a barulheira que saiam das caixas de “Seu Josi” ou das nossas vozes alteradas, falando sobre rock, bandas e por aí vai.

Um dos nossos rituais era o de sentar na calçada ou entrada da casa visitada, colocar as caixas pra fora (na garagem da casa), juntarmos as moedas pra comprar um vinho ou algumas cervejas, quando a fartura permitia ou ainda, uma cachaça e alguns limões (por que de um limão se faz uma limonada, só que pra uma caipirinha você precisa de mais alguns) pra fazemos a nossa caipirinha compartilhada e assim, passávamos parte do nosso dia. Até que o papo se encerrasse por aquele dia, a cerveja ou algo assim acabasse ou a mãe que nos recebia nos expulsava mesmo.

Neste tempo criei um hábito, que depois virou meio que um rito e que trouxe comigo até meados dos 90, no formato original e prosseguiu pela outra metade dos anos 90, num formato modernizado.

Como eu e Gil (outro amigo da época) tínhamos os maiores acervos de vinil da turma. Éramos ratos de sebos e lojas especializadas em rock e MPB (sim, eu já começava a descobrir a nossa música naquela época rockeira), todo mundo “pagava pau” (admirava / invejava/ comentava) pra a qualidade de nosso acervo, então passei a gravar seleções de rock e MPB para meus amigos, depois para os amigos dos amigos e depois para cada pessoa que nos visitava.

Era mais ou menos assim, sempre que uma pessoa ia nos visitar, ela ia embora com uma seleção produzida especialmente para a pessoa, para aquele momento, para aquele encontro. Tudo isso numa fita cassete. Então saiam coisas inusitadas e exclusivas. Por que a medida que o papo fluía e as cervejas iam acabando, a inspiração aumentava.

Ao final, o visitante levava sua fita, apresentada, com a seleção creditada na capa do cassete. Com certeza, centenas de pessoas devem ter fitas cassetes gravadas por mim, naquela época. Por que isso acontecia religiosamente, todas as vezes, que alguém pisava os pés na nossa casa.

Esse rito começou a repercutir e tinha uma galera que já vinha lá em casa sabendo da seleção. Eu gravava umas coisas raras, coisas que ninguém nunca ouvira falar. Tinha a galera que sempre queria mais seleções e ainda hoje eu e Popeye, com menos frequência, até por conta da distância em que moramos um do outro, compartilhamos nossas novidades.

Depois as fitas cassetes saíram de moda. Assim como o vinil e vendi minha coleção de mais de mil vinis, onde muita cosa já tinha em CD. Hoje o vinil até voltou. Não como era no nosso tempo. As fitas cassetes não. Elas fazem falta aos encontros. Elas fazem falta às amizades.

Como uma amizade 
pode sobreviver sem uma fita cassete? 
Me pergunto.

Gravar um CD nunca será igual. Aquela coisa fria. Um arquivo sendo transferido. A fita cassete nunca poderia ser fria. Você ouvia a música sendo gravada, cantava junto, se inspirava para a próxima faixa. Por que as fitas não eram planejadas. Até tinhas aquelas temáticas, do tipo, fitas de clássicas do metal ou coisa parecida. Só que a grande maioria, era criada ali, na hora, uma música puxava a outra. Até que 12, 14, 16, 20 músicas estavam prontinhas, para embalar muitos momentos daquela pessoa que saia de casa, feliz da vida.

Minhas preferidas eram a de 46 minutos. Uma seleção correta. Em seguida, vinham as de 60 minutos. Não gostava das de 90 minutos. Pesava com o tempo e distorcia o som, dependendo do aparelho em que fossem executadas. Cabiam mais músicas. E o melhor de uma fita cassete, era que ela tinha o Lado A e o Lado B. Essa pausa faz a diferença na vida de quem ouve música.

Bem. Resolvi lembrar e compartilhar isso hoje. Estou aqui, ao lado do meu som, resgatando uns CDS e a à medida que eles foram sendo tocados e trocados, imaginei uma bela fita cassete que daria essa hora de música que ouvi aqui. Eu me presentearia com ela, tranquilamente!

Queria aproveitar para agradecer todo aquele que recebeu uma fita cassete gravada por mim. Foi a coisa mais prazerosa que fiz por alguém e lembro da sensação de cada uma delas ao recebê-las e ao ouvi-las comigo enquanto batíamos papo. Muitas amizades fiz a partir destas fitas cassetes ou CDs. Amizades longas, curtas, eternas, findas, não importa. 

Somos um pouco destes rituais!

CARPE DIEM

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O povo pede Honestidade

Numa democracia, todos têm o direito assegurado, em Constituição inclusive, de expressar suas ideias livremente, desde que respeite as ideias alheias.

Isso jamais seria possível numa Ditadura. Então, se hoje você saí às ruas, protesta, conclama os que convergem contigo em ideias, significa que não vivemos numa Ditadura.

É até contraditório, por exemplo, o eleitor paulista eleger Alckmin, em primeiro turno (sem dar a chance de outro candidato confrontá-lo num segundo turno) com um percentual expressivo de 57,31% dos votos válidos e menos de um mês depois sair às ruas protestando com veemência contra um Governo que ele acabou de aprovar, nas urnas.

Por outro lado, o mesmo ocorreu no Governo Federal, embora tenha havido um segundo turno, a candidata governista passou. Mesmo que sua recondução ao Planalto tenha se concretizado, com uma pequena margem sobre o oposicionista, ela foi reeleita.

Numa democracia, são premissas irrefutáveis e indiscutíveis respeitar as instituições e a manifestação da maioria.

O papel da sociedade é se fazer  presente, exercendo sua cidadania, fiscalizando as ações dos governos e principalmente respeitando as instituições.

Particularmente considero que ideias reacionárias, separatistas e intervencionistas não cabem num País e numa época em que estamos mais consolidados democraticamente.

O fato do PT ter sido reconduzido ao poder não significa que o jugo será leve. Embora muitos aleguem que junho/2013 ficou pra trás, acredito que algo mudou, desde aquele dia. O Brasileiro não suporta mais ser enganado, surrupiado e envergonhado por tantos desmandos, desvios, nepotismo e arrogância.


Ou Dilma governa de fato para o Brasil nos próximos quatro anos ou, além de grandes dificuldades, inviabilizará qualquer projeto de poder que seu partido almeje. Nem mesmo Lula será capaz de manter o PT no topo, se as ações a partir de agora não forem corretas e transparentes.

Chega do Brasil obscuro. Independente do Partido que esteja no Governo, o povo pede por HONESTIDADE!

Estamos juntos nessa?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A mudança começa em nós

Serão anos duros para o PT e para Dilma.

Protestos, movimentos, forte oposição e um povo mais atento surgem para deixar claro que este governo precisará acertar mais, respeitar mais as instituições e o País.

Numa eleição que foi marcada pela mentira, desconstrução, desrespeito aos concorrentes, Dilma conseguiu, aos trancos e barrancos, a sua manutenção no poder.

Se por um lado seu governo apresentou inúmeros acertos, por outro lado, muito precisa ser feito ou pior, muito deixou de ser feito.

Fiar-se unicamente em políticas sociais e ao mesmo tempo, aparelhar a máquina pública, usurpar em todas as esferas parte do que pagamos de impostos talvez deixe de funcionar.
Serão dezesseis anos de PT, projetando mais oito, caso Lula retorne ao Poder. E Lula só voltará se tiver plena convicção de que ganhará. Ele não retornará no risco. Então, esperemos.

Não sou cegamente contra o PT, nem sou PSDB. Sou um cidadão que acredita num jeito de fazer política diferente.

Sou um cidadão que gostaria, por exemplo, de apresentar um Projeto numa Prefeitura e não precisasse ter que pagar nada além para quem aprova algo que seja de utilidade pública. Perdemos todos nós com estes pedágios criados por servidores, políticos e aproveitadores. Perdemos todos nós, com licitações de araque. Com parceiros escolhidos a dedo e a dinheiro.

Claro que existem os servidores honestos. Os que se indignam. E a estes declaro a minha admiração e respeito. Porém, em cada repartição, você encontrará o que de fato trava este País. Você encontrará aquele que finge que trabalha; aquele que rouba horas, tempo e que produz menos do que deveria. E de certa forma, isso também é uma forma de desvio.

Sem contar que ainda tem aquele que pede “uma caixinha” para liberar algo que depende dele. Ora é uma licença, um alvará, um parecer, um deferimento. É o tipo de corrupção que não aparece na mídia. É aquela em que corrupto e corruptor agem numa pequena escala. Faz parecer, para quem paga, que não se trata de nada demais. Para o que recebe, uma garantia, uma poupança para fazer aquela viagem, comprar aquele bem, ajudar nas despesas de casa.

Vamos começar a renovar este País. E o ponto de partida é a sua cidade. Fique atento. Fiscalize, cobre, denuncie e jamais se sujeite a fazer o papel do corruptor.

Daqui a dois anos renovaremos Câmaras Municipais e Prefeituras. Este será o momento de fazermos, de fato, grandes mudanças. Acompanhe desde já as biografias e ações destes que hoje estão no Legislativo. O quão relevante foram para o município. O quanto melhoraram a educação, a saúde pública, brigaram por segurança, por melhorias, pelo meio ambiente, pelos nossos impostos pagos.

Estamos juntos, nessa?

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Sobre a democracia, entre outras coisas

A democracia é algo encantador. É o livre arbítrio de um povo, de uma nação. É ter a liberdade de escolher este ou aquele caminho. E como o livre arbítrio que cada um tem, exige responsabilidade e respeito. Quanto mais livres formos, mais responsáveis devemos ser.

Numa democracia podemos lutar por nossos direitos, defender nossas opiniões livremente, expor o que pensamos sobre tudo. Numa democracia o seu direito só termina, quando começa o do outro. Ou seja, eu sou livre, desde que respeite o próximo.

A democracia combina com amadurecimento, com instituições sólidas e com países bem resolvidos. Não tem relação direta com paz ou com a guerra. Afinal, um País democrático, pode decidir democraticamente enfrentar belicamente outro. Engana-se quem acredita que guerras são restritos aos países com regimes de governo totalitários e opressores.

Quanto mais sólida a democracia de um país, menos poder terá seus governantes e parlamentares, porque eles também obedecem a este regime. Então, são frequentemente acompanhados por mecanismos de controles de poder. As ações destes devem respeitar a Constituição do seu país e um ou mais órgãos independentes e isentos acompanham se a Constituição e o conjunto de leis auxiliares, em várias esferas, estão sendo de fato cumpridas por seus governantes e representantes parlamentares
.
No Brasil, caminhamos cada vez mais para um amadurecimento e consolidação de nossa democracia e este amadurecimento significa que à medida que evoluímos menores são os riscos de golpes, tomada de poder de forma abrupta, estabelecimento de regimes ditatoriais.

À medida que amadurecemos como cidadãos, maior a nossa atenção em como o outro faz uso da “coisa” pública, do que pertencente à coletividade. Ficamos mais atentos em como o síndico e os demais condôminos cuidam do patrimônio em que vivemos ou trabalhamos, de como uma direção e alunos fazem uso de uma escola pública, de como uma agremiação administra os recursos e o patrimônio de seus associados e por fim de como um governo administra uma cidade, estado ou país.

Logo, por maior que seja o acirramento presente no processo eleitoral atual, podemos considerar que estamos bem mais protegidos hoje do que algumas décadas atrás. 

De certa forma, temos amplo acesso e controle dos governos, através de entidades como Ministério Público, STJ (Superior Tribunal de Justiça), os Tribunais de Contas, Polícia Federal, Organizações não Governamentais, imprensa livre, entre outros que disponibilizam informações sobre os atos dos governantes e parlamentares em exercício.

Ganhe um ou outro, o Brasil conseguirá enfrentar seus desafios e nós, brasileiros, estaremos mais presentes do que antes. Afinal, hoje somos mais críticos e mais exigentes como a qualidade do que nos entregam.

Levar a disputa eleitoral para uma guerra alarmista não contribui em nada com a democracia, pelo contrário, ao invés de os candidatos apresentarem propostas concretas e factíveis para o Brasil, perde-se tempo em ofensas vazias e promessas impossíveis. O outro problema é s polarização e agressividade que os eleitores de ambos vêm apresentando nas redes e relações sociais despertam a discórdia e alimentam uma grosseira desnecessária.

De tudo, o que mais tem sido vergonhoso e inaceitável, é a disseminação do preconceito entre “sudestinos” e nordestinos e a pregação do ódio aos menos favorecidos. Como se estes, tivessem culpa dos desmandos praticados por aqueles que ocupam o governo.

Como dito, numa democracia, a liberdade de um vai até onde começa a liberdade do outro e independente de quem seja eleito, não governará a revelia da sociedade. Estaremos como é sabido, cientes de cada ato praticado. E como livres que somos, teremos o poder, de “demitir” quem não governa com lealdade ao povo e respeito ao bem público. Assim é numa democracia.

Escolha o seu candidato democraticamente e respeite a escolha alheia e caso o vencedor não seja o seu preferido, respeite a vontade da maioria, pois este só chegou lá, graças ao desejo manifesto pela maioria.

Viva a democracia!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Brasil: Estado de direito (ou há algo estranho no ar)

Há algo estranho no ar.

Para muitos de nós, que participamos de outras manifestações, ao longo da história da democracia deste país, soa muito estranho como estes últimos movimentos surgem. Se num primeiro momento havia uma linha mestra e uma liderança, mesmo que frágil, do Movimento Passe Livre, hoje é evidente que eles não têm e não querem mais a responsabilidade pelo que está acontecendo nas ruas.

No último 20 de junho tivemos a mobilização de mais de 100 cidades pelo Brasil afora e segundo estimativas, mais de 1 milhão de pessoas nas ruas. Em poucas cidades tivemos violência e vandalismo em excesso e as manifestações, na sua grande maioria, transcorreram de forma pacífica.

O descontentamento é generalizado e se fossemos tratar aqui de todas as coisas erradas ou que não funcionam no país, teríamos que ficar horas escrevendo. Como a intenção deste texto não é esmiuçar as razões dos manifestos e sim o formato do mesmo podemos seguir em frente.

É evidente que o movimento é apartidário (ao extremo) e que não possui uma liderança ou lideranças fortes envolvidas. Também já está claro que ele tem se fortalecido através das redes sociais, especialmente do facebook, onde o ponto forte é amplo aproveitamento da capilaridade das relações virtuais (nos moldes da Teoria dos 6 graus de Separação).

Podemos concluir que ser apartidário tem como positivo o fato de o movimento não ser instrumento de manobra política deste ou daquele partido ou corrente ideológica. Por outro lado tem como ponto negativo justamente esta total desvinculação com a organização política vigente no nosso país.

Ora, uma coisa é discordar das ideias e atuações dos partidos que aí estão ou com os governantes atuais e seus representantes no legislativo, outra coisa é não querer sequer o diálogo. Afinal, o único caminho para que as mudanças ocorram é o diálogo. Outra maneira é a revolução armada, tomada de poder, fechamento das instituições que nos levaria a uma nova ditadura.  Creio que não é isto que queremos.

Um movimento sem organização, pautas objetivas, passíveis de negociação e sem lideranças representativas ou acaba no vazio ou torna-se elemento motivador para a desordem total.
Queimar bandeiras partidárias ou impedir a participação de instituições legítimas e legais da sociedade talvez não seja o melhor caminho para melhorar um país. O ideal seria que o movimento tivesse uma pauta clara de reivindicações, bem como a definição de um interlocutor para que esta pauta começasse a ser negociada.

 Podemos tratar, com os governos federal, estaduais e municipais, de várias demandas, como por exemplo, a corrupção, o mau uso do dinheiro público, a baixa qualidade dos serviços públicos e aí por diante.

Podemos ainda reivindicar uma revisão no modelo político eleitoral atual, como por exemplo, a obrigatoriedade ou não do voto, mudança na forma de representação no Congresso, adoção do sistema americano para eleição presidencial, com voto distrital entre outras ideias que poderiam ser colocadas na mesa.

Para tudo isso aqui exposto, se faz necessário uma organização política, bem como uma participação efetiva das instituições de governo ora estabelecida. Caso não haja alinhamento com este ou aquele governante ou parlamentar, a forma democrática de se mudar isso é no voto popular. Por diversas vezes, o povo desperdiçou a oportunidade de mudar o país que aí está com o seu voto. Lembrando que a Justiça Eleitoral, a cada ano, aumenta o nível e a riqueza das informações dos candidatos, disponibilizando acesso a ficha dos mesmos, suas realizações e mesmo assim dezenas de fichas “sujas” foram eleitos. 

Nós temos “mensaleiros” condenados, cumprindo mandato e recebendo por ele. Não estão lá na marra. Estão lá por que foram eleitos, por nós. 

Acreditem. Um movimento apartidário é um movimento que visa e encoraja o regime ditatorial e não existe, em nenhum lugar do planeta, uma ditadura bem sucedida.

#AcordaBrasil
#SeorganizaBrasil

CARPE DIEM 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Brasil: O Copo Transbordou!

E o Movimento que começou como “Passe Livre” tem sua primeira conquista de peso. Prefeituras e governos estaduais, país afora, recuaram nos aumentos ou reduziram suas tarifas dos transportes urbanos. Acuados não viram outra saída. Ou seja, o povo mostrou que tem mais força do que se supunha!

É óbvio que este movimento vem atrasado e ao mesmo tempo em boa hora. Em relação aos Estádios da Copa (que cismam em chamarem de Arena), por exemplo, as construções e desvios de verba já se concretizaram. Faltou nossa fiscalização e nossa mobilização durante o processo. As prefeituras, governos estaduais e o governo federal, despejaram rios de dinheiro e todas as obras, sem exceção, ficaram muito acima do previsto. Sem contar que as melhorias voltadas para mobilidade urbana não foram concluídas na grande maioria das cidades que serão sedes da Copa.

Os “Mensaleiros” acusados, condenados, inclusive com penas definidas estão atuando normalmente no Congresso, protegido por seus pares e provavelmente cumprirão seus mandatos, receberão suas verbas normalmente, mesmo tendo desviado milhões e milhões de reais dos cofres públicos. Mais um caso, que engolimos calados, na época da decisão do Congresso abrigar estes marginais.

Os governos petistas têm por prática, aparelhar ao máximo o Estado. Desde as prefeituras até o Governo Federal, o mais comum, nas suas gestões é o inchaço da máquina pública. É óbvio que custa muito dinheiro, manter mais funcionários do que se precisa. Pior é saber que faltam profissionais nas áreas da saúde, da educação e da segurança. Onde será que estão estes tantos “a mais”? Só os contratantes sabem e os beneficiados, claro. 

Um país onde a propina é prática comum. Um país, onde até para se aprovar algo certo, precisa que o interessado “molhe” a mão de alguém para que o certo seja aprovado. Isto custa dinheiro!

Um país onde um empresário sério demora entre 6 e 12 meses para abrir e legalizar uma empresa. Um país onde um empreendimento pode demorar até 2 anos para ser aprovado e liberado pelos tantos órgão relacionados. Isto custa dinheiro!

Um país, onde os bancos têm seus lucros cada vez mais crescentes ano a ano e a população sofre com o endividamento pessoal e com um apelo cada vez mais intenso ao consumo. 
Um país vendido à indústria automobilística, onde ao invés de priorizar investimento em transporte público de qualidade e estimular o seu uso, se faz justamente o contrário, investe-se em estrutura para que mais carros sejam vendidos. São mais veículos nas ruas, financiados com prazos cada vez mais elásticos São mais estradas, mais reestruturações no tráfego urbano e por aí vai! Isto custa dinheiro

E se por um lado falta foco, por outro, sobram causas.

O copo transbordou! 

CARPE DIEM

terça-feira, 18 de junho de 2013

Brasil: Mostra a tua cara!

Com frases marcantes e de efeito como "O gigante acordou", "Brasil, mostra a tua cara!", "Verás que um filho teu não foge a luta", o Brasil finalmente se posiciona contra tantas mazelas.

Um movimento que começou desorganizado e com "bandeiras" pouco definidas, vai aos poucos, tomando um rumo. Se antes as questões centrais eram o aumento nos transportes públicos (após o governo reduzir a carga tributária dos mesmos) e a reivindicação pelo "PASSE LIVRE" para estudantes, agora temos muitas palavras de ordens com maiores consistência, como os altos investimentos em Arenas da Copa 2014, corrupção, tentativa de aprovação da PEC-37, má qualidade dos serviços públicos, enfim, um mundo de motivos para ir às ruas.

O povo cansou e melhor, tomou gosto pelo protesto. 

Interessante foi perceber que governos e imprensa subestimaram os atos iniciais e mais, desqualificaram-nos. Também ficou claro, que se de um lado falta jeito para o protesto, do outro falta jeito em como lidar com os manifestantes. Truculência demais, morosidade maior ainda.

É claro, que nunca foi só por R$ 0,20 que o povo resolveu ir às ruas. É muito bonito ver governantes, que vivem em condomínios fechados, dirigindo automóveis que muitas vezes representam uma década de trabalho de um operário comum, que são associados dos melhores convênios médicos, dizerem que o Brasil melhorou. É verdade. Melhorou mesmo. Não há como negar. Apenas, não melhorou o suficiente para quem vive nele e dele. Quem depende do salário ou das esmolas assistencialistas de um país, que nos últimos dez anos aprendeu ser aliciado, subornado por bolsas disso e bolsas daquilo.

A movimentação nas ruas é muito mais que protesto. É cansaço!

Cansaço de ter uma escola pública que não educa e não ensina. Cansaço por não ter atendimento decente no hospital ou num posto de saúde. Cansaço por ter estradas e ruas esburacadas. Cansaço por ter uma imprensa pasteurizada, bonitinha de se ver. Cansaço!

Este movimento expõe veículos tradicionais e que sempre tiveram à serviço da aparência, como por exemplo a Rede Globo (com seu padrão Globo de qualidade, que esconde sujeira embaixo do tapete e mostra as baixarias de um BBB), a VEJA, a Carta Capital (veículo a serviço de um partido).  Expõe governantes e deixa claro que quando o PT é governo, também sabe agir como governo, ou seja, reprime e age contra as manifestações que ele mesmo criou na década de 1980.

A corrupção é um produto petista. O controle do povo, através do assistencialismo é um produto do PT. O inchaço da máquina pública, também. O controle  dos veículos de comunicação também foi criação do PT (controle que eles repudiavam na ditadura militar). Quantas vezes o Sr. Lula desqualificou a imprensa, amparado em sua popularidade?Quantas vezes virou às costas para a verdade? E o povo (ou melhor, a imprensa permissiva) achava bonito, achava folclórico. Pois é! E agora, José? E agora, Luís?

O movimento, pelo visto, abalará as estruturas do país que aí está, sim!

Porém é fundamental que os seus líderes não se vinculem aos partidos que aí existem. Este movimento não precisa de radicais ultrapassados e míopes como PSTU, PSOL e PCdoB. Este movimento não carece de baderneiros profissionais, muito menos de vândalos. Este movimento precisa apenas dele mesmo. Precisa ser pacífico, pra não perder a razão. Precisa ser intenso e verdadeiro, para ganhar o apoio do mundo. Precisa ser presente até que as mudanças ocorram. Precisa parar o Brasil, contra a corrupção, assistencialismo e serviços de má qualidade. Precisa calar  "Arnaldo Jabor", "Rede Globo" e "governos" que estão por aí, prontos para desacreditá-los.

O gigante acordou e quando um gigante acorda, faz estragos, E se os corredores são estreitos e os ambientes estão fechados, melhor dar espaço pra ele passar! Nada será como antes!

Se os líderes, que são vários, agirem com sabedoria, aos poucos, tornarão este movimento mais pacífico, os vândalos perderão a força e a força policial assumirá o papel que realmente lhe cabe: garantir a segurança e a ordem, sem violência e truculência. 

Outra coisa ficou clara, nestas ações: As rede sociais (virtuais), pela primeira vez funcionaram como um aglutinadoras e organizadoras de um movimento de grande porte. Há anos pipocam movimentos aqui e ali nestas redes e nenhum havia conseguido o que este finalmente conseguiu: repercussão e presença maciça dos que participam das mesmas!

Brasil: Finalmente, mostra a tua cara! Mostre que é possível indignar-se em PAZ!

CARPE DIEM







segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sol de Outono (Ou Estação Camaleão)


...
O Sol de outono é assim
Entra faceiro pela janela
O vento acompanha seus primeiros raios
Um frescor anuncia o inverno que ronda a estação
O calor do dia nos informa que o verão ainda se faz presente
O Outono é a Estação Camaleão
Flerta com o frio e com o calor
No início da manhã
Pessoas nas ruas, com suas blusas, encolhem-se nos passeios
Mais a tardinha
As blusas são esquecidas, em algum canto
O calor marca presença
E a vida se faz mais iluminada
Só a noitinha é que a gente relembra
Que estamos sim no outono
Estação serena
Estação amena
Outono
...
CARPE DIEM

sábado, 6 de abril de 2013

A chegada do filho


Que a alegria de ter um novo ser em casa seja permanente
Que o sorriso dele os encante
Que o choro os una
Que as conquistas os orgulhe
Que os erros os fortaleça
Que o amor se faça presente
Que a luz divina ilumine tudo em volta
Que a canção os embale
Que o sono seja leve
Que os passos sejam firmes
Que o filho do pai seja força
Que o filho da mãe seja amor
Que as conquistas sejam compartilhadas
Que os limites sejam superados
Que a fantasia seja o mote
Que as histórias sejam contadas
Que sua luz brilhe

Quando um filho nasce
É assim!

CARPE DIEM

Com carinho para Adriana, Diego e Tomás

terça-feira, 2 de abril de 2013

Pantanal (Mãe Natureza)


Banho de rio
Trilha nas matas
Lavo o meu cansaço
Nas frias cascatas

Luz do amanhecer
E a tarde dourada
No céu, nuvens de algodão
E o voo da passarada

Estrelas da noite
E a luz dos vagalumes
E canta uma cigarra
Como é o seu costume

O canto do Aracuã 
Feliz da vida
Anuncia que o dia agora vai raiar
Na Terra querida

De dia,  Sol  brilha lá no céu
À noite, a Lua bem faceira,
Mãe natureza, nossa mãe!
Mãe da beleza verdadeira

É no Pantanal
Que lavo minh'alma
E minha canseira
Numa cachoeira

CARPE DIEM

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Extra! Extra!


“Neste último feriado prolongado não tivemos nenhum acidente de trânsito sequer.”
***
“Todos os deputados corruptos renunciaram aos seus mandatos no Congresso e se apresentaram à Justiça.”
***
“O analfabetismo foi erradicado do Brasil. A Fome também!”
***
“Graças ao uso adequado do dinheiro público, a região Serrana do Rio não sofrerá mais com os deslizamentos de terra. O auge foi a realocação do último morador que ainda resistia na zona de risco.”
***
“São Paulo, apesar das chuvas fortes que caíram no final de semana, não apresentou nenhum ponto de alagamento na Capital.”
***
“As torcidas organizadas finalmente foram banidas dos estádios de futebol.”
***
“A carga tributária cai no Brasil e a sonegação chega à zero.”
***
 “As verbas destinadas a redução dos efeitos da seca no nordeste são integralmente empregadas para este fim. Programas de irrigação são um sucesso por toda a parte.”
***
“Celulares nos presídios agora são proibidos e bloqueados com o que há de mais moderno atualmente.”
***
"Fim das guerras! Todas as armas nucleares são destruídas sob a supervisão da ONU."
***
"Brasileiro é considerado exemplo de preservação ambiental!"

Bem poderiam ser manchetes verdadeiras...


CARPE DIEM

  


sexta-feira, 29 de março de 2013

Saudade, simplesmente saudade...


Saudade. Saudade de encontrá-lo em sua sala. 

De ser recebido com seu sorriso expressivo e expansivo.
Do seu olhar amoroso e bondoso.
Saudade dos seus conselhos silenciosos e tão cheios de palavras.
Saudade dele, que com um dos dedos formava letra por letra, de onde brotavam, palavras que aqueciam e envolviam o nosso coração.
Saudade de sua presença. Aquela presença de pai que ele sabia bem como ser.
Dele aprendi a ser mais humano. Ser mais paciente. Ser mais grato pelas dificuldades e desafios que aparecem.
Dele aprendi a ser caridoso e humilde.
Ainda que não tenha tido a capacidade de exercitar tanto aprendizado. A lição foi dada.
Dele ficou o amor, a paciência, a resignação e resiliência.
Ficou a plenitude da coragem e da fé incondicional no Pai maior.

Hoje, bateu a saudade amorosa.

Um tempo atrás, quando era possível, compartilhávamos um bom café da tarde. Um café paciente e demorado. Um café regado a boas palavras e bom companhia.

Um tempo atrás, compartilhávamos uma torcida pelo Guga, no tênis. Não que fossemos fãs e conhecedores de tênis. Éramos conhecedores do compartilhar mesmo. Poderia ser um partida de rugbi, de futebol, de hoquei. Pouco importava. Compartilhar era a melhor viagem.

Outro dia, segurava em sua mão. Como um filho segura na mão de um pai. E ele, humilde e amoroso, apertava a minha. Como um pai que aperta a mão de um filho. Como que dizendo: "Estou aqui. Sei que está comigo. Estou contigo."

Saudade deste homem que tanto nos ensinou. Que nos deum a real dimensão do que é crer e lutar. Do que aceitar e confiar.

Hoje foi assim. Lá fora o tempo corria e seguia o seu curso. Aqui dentro, ele estava vivo, transformado em saudade.

Bom que estás conosco. Bom que está bem.

Que sua janela, na noite de hoje, receba um lindo girassol, simbolizando o meu amor por você. O nosso amor, gratidão e eterno respeito por sua história e ensinamentos.

Durma bem, meu bem! Durma bem, pai presente.

CARPE DIEM

quarta-feira, 27 de março de 2013

Ser - Uma questão de atitude

A gente vive um momento interessante no Brasil. Somos, cada vez mais, uma país de oportunidades reais. Um país com dinheiro. Com pessoas com dinheiro. Claro que aqui, antes desse momento singular, já existiam pessoas com dinheiro. Em menor número.

Com dinheiro, as pessoas compram coisas. Criam necessidades. Criam expectativas. Consomem.

Onde há pessoas com dinheiro, empresas investem em produtos, em publicidade que informa que as pessoas precisam dos produtos criados. Criam necessidades. Dependência.

Bem. A combinação destes dois fatores vocês já sabem o que ocorre na prática.

Então acontecem coisas interessantes. Pessoas passam a ser o que elas têm e não mais o que elas são. É o famoso julgamento do livro pela capa.

O mais engraçado é que se você é um daqueles que não entram no esquema são obrigados a dar mil explicações por manterem um estilo de vida mais econômico.

Como você vive sem o celular de última geração? Não tem tablet? Por que você tem um carro popular, podendo ter um carro tal? Seu filho estuda em colégio público? Você não usa roupa da marca tal?

Essa lista vai longe se explorarmos bem. Passa pelo que você come, bebe, veste, calça. Passa pela forma que se produz, se cuida e assim vai.

O mais engraçado, é que tudo é tão automático que você se pega explicando, justificando o por que de ter feito essa escolha. Ah! É por que eu não sou tão ligado assim em tecnologia. Ah! É escola pública, mas é um das poucas de qualidade na cidade. Ah! É por que eu não me ligo tanto em carro. Você se explica por fugir do comportamento normal. Não é estranho? Eu acho!

Não tenho nada contra pessoas que são antenadas com a tecnologia, com a modernidade, com o "bom gosto" para se vestir, se alimentar e por aí vai. O que me incomoda mesmo é o fato de alguns confundirem todo esse "ter" com o realmente "ser".

Você acredita que ainda, veja bem, escrevi "ainda", existem pessoas que lhe tratam pelo que elas têm ou a posição que elas ocupam na sociedade ou na empresa? Você explica: "Fulano, isso não é bem assim". O outro responde, em sua empáfia: "É. Pode até ser. Mas eu QUERO assim. Faça!". Você faz, para evitar confusão.

Há ainda pessoas que têm dinheiro, bens móveis e imóveis, poder e não se contentam em aproveitar isso. Querem mais. Querem sempre. Estão indo sempre em frente. Bem. A Terra é redonda. E seguir sempre em frente é o caminho mais longo pra se chegar no lugar onde você já está.

Há pessoas que não conseguem ou pouco conseguem falar sobre outras coisas que não sejam dinheiro ou coisas que o dinheiro compra. E mesmo quando não falam sobre isso, falam sobre performance, resultados, comparam o que é mais com o que é menos.

Bem. Acho que não precisamos generalizar e nem devemos. Apenas pense o quanto você está preso nesta rede do ser pelo ter. Sugiro fazer uma experiência de viver sem algumas coisas tão essenciais(?) por um final de semana, ou se for muito sacrifício  por um dia do final de semana. Você descobrirá coisas ótimas. Talvez pertinho de você. Ao invés de um jogo eletrônico, um jogo simples de tabuleiro ou cartas. Ao invés de visitar as redes sociais, leia um livro de poesia, de contos, crônicas. Ao invés de ir a padaria, que fica a quatro quadras de seu condomínio ou casa, vá a pé. Sinta o chão sob os seus pés. Ao invés de falar sobre "custo-benefício" conte e ouça uma piada, um causo, uma prosa à toa.

Tenha menos. Seja mais! Vai que dá certo e você descobre que não precisa de tantas coisas assim?
CARPE DIEM

sexta-feira, 8 de março de 2013

Feitiço (Mulher)

Você me enfeitiça
Com seu perfume
E sempre me abraça
Pois é seu costume

Entrego-me ao seu olhar
Viajo em seu mundo
E sonho contigo estar
A cada segundo

Você me enfeitiça
Quando me beija
Levar-me contigo
Sei que deseja

Vivo sempre a sonhar
Com seu sorriso
Feitiço do seu amor
É o que preciso

Você é a lua do meu céu
O sol que brilha no meu dia
Quando eu me deito com você
Sinto do amor toda magia

Pois quero você
Inteira pra mim
Na minha vida

Poderia ser um manifesto, poderia ser uma declaração, porém, creio que uma poesia para cada mulher que faz parte da minha, da sua, da nossa vida também é bem vinda.

Não importa se alguns dão uma conotação comercial a data, outros um tom revolucionários e outros ou outras nem ligam, achando tudo isso uma grande bobagem.

Revolucionário é ser esposa, amante, mãe, mulher e trabalhadora.

Bobagem é achar que cada mulher não tem nada de especial, quando só ela, entre tantas qualidade, é capaz de conduzir a vida dentro de si.

Dedico este poema a todas as mulheres, que além de serem especialmente abençoadas ainda têm a capacidade de nos enfeitiçar.

CARPE DIEM

terça-feira, 5 de março de 2013

Mulheres - Eva (Capítulo I)


“Quantas coisas eu já enfrentei. A vida é um eterno lutar!” Este era o pensamento que visitava Eva, naquela tarde de final de verão. Em sua cadeira de balanço, apreciando mais um por do sol deslumbrante, na varanda daquela casa repleta de histórias.

Eva percebeu mais uma vez, que estava entrando no seu período nostálgico, como costumava chamar os dias que antecediam o primeiro final de semana de março. Por várias razões – sendo uma das principais o dia em que se casara com Otávio – ela escolhera este período para reunir sua família, hoje espalhada pelo Brasil.

“Como seria bom se ele ainda estivesse aqui!” – Pensou ela, quando se lembrou das razões de seu período nostálgico. Este pensamento não a deixava triste. Houve um tempo que sim. Hoje, não mais! O tempo nos ensina sobre as chegadas e partidas.

Eva era uma mulher batalhadora. Tivera 10 filhos. Destes, 7 “vingaram”, como costumava se dizer naquela época. Poucas mulheres naquela Trazia na face, as rugas que deixavam claro que sua vida não fora fácil. Sua boa memória, sua vitalidade e sua firmeza escondiam bem os 94 anos, que as rugas teimavam em mostrar. “Somos o que acreditamos ser e não o que aparentamos”, dizia sempre ela. Por isso ela orientava seus filhos desde pequenos para que jamais cultivassem maus pensamentos ou comportamentos.  Fez isso também com os netos e bisnetos.

Com a morte de Otávio, há mais de vinte anos, ela se tornara a grande líder daquela grande família. Eram sete filhos, sendo quatro mulheres e três homens, vinte e um netos e onze bisnetos. Ela tinha orgulho de contar como ela e Otávio batalharam no início para criarem os filhos. Ele na lavoura e ela como professora. Todos os anos, com a família em volta da matriarca, talvez com o intuito de reforçar os seus valores, ela narrava suas memórias:

Otávio era um marido moderno. Eu era uma das poucas mulheres casadas que trabalhavam na nossa cidade. Naquele tempo, era uma vergonha para o homem permitir ou precisar que sua mulher trabalhasse para manter uma casa. Sem contar que as mulheres que lutavam por liberdade e igualdade de direitos eram mal vistas pela sociedade. Eu não era adepta destes movimentos, por que não me via hostilizada ou sufocada por meu esposo.

Era um tempo em que os filhos mais velhos ajudavam a cuidar dos menores. A Tereza, na época com 11 para 12 anos era quem nos ajudava a cuidar dos outros três. De manhã ela estudava no Grupo Escolar e quando chegava eu saía para dar aula no mesmo Grupo em que ela estudava. Era sempre assim. Eu deixava a casa organizada, a comida pronta e as tarefas para Tereza.

No inicio da década de 40, com a segunda Guerra em pleno curso na Europa, as coisas estavam difíceis por aqui.  Estávamos em plena Era Vargas, um misto de democracia e ditadura. Se por um lado crescíamos como país, por outro éramos sufocados pela mão pesada do Estado. 

Trabalhávamos muito, eu e Otávio. E aos poucos prosperamos, compramos um pequeno sítio, que logo virou uma pequena fazenda e finalmente começamos a trabalhar na nossa própria lavoura. Com a chegada de mais dois filhos, totalizando cinco na época, parei de lecionar e comecei a apoiar Otávio nas tarefas da fazenda. Enquanto ele conduzia os trabalhos no campo, eu cuidava da burocracia e do comércio. Logo percebemos que eu tinha vocação para negociar nossa produção. Otávio dizia brincando que tinha até medo de estar do outro lado, quando se travada de mim, numa negociação. Eu era uma das poucas mulheres que fazia negócios com homens. Eles estranharam no começo, e aos poucos, foram se acostumando com isso.

O restante da história vocês sabem. Acompanharam à medida que cresciam a nossa volta. Creio que fizemos um bom trabalho e que graças ao meu envolvimento no dia-a-dia de Otávio, consegui cuidar de tudo, mesmo sem ele. Sim! Otávio foi um excelente parceiro!

Naquela família todos a admirava. Porém o brilho nos olhos das filhas, netas e bisnetas deixava claro o quanto Eva era querida e o quanto elas tinham orgulho de serem frutos de Eva. Embora, ouvissem todos os anos a mesma história, elas terminavam sempre fascinadas com a vitalidade daquela mulher quase centenária.

Carpe Diem

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Torcida Organizada (?) - Ate quando?


Eu gosto de futebol. Meus filhos gostam de futebol. Tenho vários familiares, amigos que também gostam. A sensação de estar na arquibancada de um estádio assistindo a uma partida do seu time é indescritível. A tensão, os lances de efeito e a alegria maior: o GOL!

Quem já gritou "GOOOOOOOL" num estádio sabe bem do que falo.
Você pula, grita, olha pra quem tá do lado, se for gol de título abraço até quem não conhece, chora, torce junto. Isso se chama torcer!

Pois é. Há muitos anos, que apesar de gostar muito de futebol, de pouco me importar se os craques não são mais aqueles, que a fidelidade de um jogador ao clube do coração suporta até a próxima melhor oferta ou se existem máfias que compram resultados. Isso tudo é suportável. O que vale é o espetáculo! Um filme também é assim. O roteirista se adapta ao diretor, que se adapta ao produtor, que se adapta ao mercado. Nem por isso as salas de cinema deixam de receber o seu público.

Há coisas piores acontecendo. Como, por exemplo, a presença das famosas Torcidas Organizadas. No Brasil até o termo “organizado” conseguem deturpar, distorcer. Organizada, quando usada para descrever uma torcida, significa que ela tem poder de destruição, de desordem. Por exemplo, se o time “querido” vai mal, destroem-se as salas de troféus, os museus do clube e as instalações ao seu redor. Se por acaso, o time perdeu para o maior rival, a “Organizada” depreda negócios próximos ao Estádio que se realizou a “peleja”.

A “Organizada” também tem como função principal “organizar” rinhas humanas. E são organizados. Agendam horário, local e convocam os participantes de outras “organizadas” para enfim, organizarem uma batalha numa esquina qualquer. Tudo as claras. Numa rede social qualquer.

A “Organizada” tem regalias e conivência dos clubes. São elas que recebem os ingressos dos melhores setores dos estádios em que seus clubes jogam. São elas que recolhem, caso algum desavisado tenha exposto uma faixa enaltecendo que veio do seu Estado, que fica há 2 mil quilômetros daquele Estádio. Tudo isso para que ela, "a Organizada" exponha a própria faixa. Algumas delas com palavras de ordem.

É a “Organizada” que inferniza um time que vai mal num campeonato, persegue e agride jogadores e funcionário de uma agremiação, humilha e expulsa os torcedores comuns. Aqueles que são como nós, uma família.

Por fim, é a “Organizada” que abriga marginais covardes, que viram “machos” (sim, os termos “homem e mulher” são usados para humanos, animais têm seus gêneros definidos como “macho e fêmea”) que ferem, matam e riem na cara da morte, do morto...

Foi uma “Organizada” que na quarta-feira, dia 20 de fevereiro de 2013 tirou a vida de Kevin Douglas Beltrán Espada, um menino de 14 anos, torcedor do San Jose, uma agremiação boliviana. Neste caso, foi muito mais irresponsabilidade do que premeditação. É como alguém que brinca de pular fogueira e um dia se queima. Brincar com fogo é perigoso e quanto mais riscos você corre, quanto mais perto do fogo você chegar, mais sujeito a um acidente você está.

Disparar um sinalizador ou soltar fogos num estádio repleto de torcedores é um risco e sim, pode causar um acidente fatal. Ou seja, o fato de ter sido uma morte causada de forma acidental, não exime a culpa dos causadores. Estavam lá, com um artefato que poderia ferir ou matar alguém. São responsáveis sim pela vida interrompida deste garoto. Dos seus sonhos. Da dor que causaram na família deste.

Acreditem. Não importa a qual agremiação pertence essa “Organizada”. Poderia ter sido de qualquer outro clube de grande porte do Brasil. Por que todas agem de forma muito parecida.

Deixo aqui um desafio aos clubes brasileiros. Qual será o primeiro a ter coragem e enfrentar essa situação e limitar a participação destas “Organizadas”, rechaçar de fato a violência e posicionar-se de forma isenta e parar de reconhecer aqueles que agem como criminosos, como parte de sua torcida.

Não basta o fato de exportarmos até violência? Um país vizinho está sofrendo por que nossos clubes dão guarida para que tragédias como esta ocorram. Ah! A Organizada empurra e apoio o time. Vale uma vida? Esse empurrão manchado de sangue?

Será que um presidente, técnico, diretor ou águem do clube terá que perder um filho antes, para que seja sentido na pele o que isso significa para um pai ou uma mãe? Terá que ele mesmo sucumbir para que enfim, entendam o que é um pai de família não voltar pra casa, por que uma “Organizada” tirou sua vida a pauladas? 

Eu pergunto ao Presidente de um clube e ao Presidente (?) de uma Torcida Organizada (?):
Quanto vale uma vida?

CARPE DIEM

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...