segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Mente aberta e corpo livre

Radicalismo é limitar possibilidades. Eu me lembro quando mais jovem, eu era radical em alguns aspectos. Por exemplo, adorava rock. Nada demais, pois várias pessoas adoram rock. Só que, como radical que era, apenas o rock servia. Todo o resto era lixo. Aliás, mais que lixo, pois nem merecia ser revirado.

Lembro que fui radical também no campo da política. Apenas o PT e o socialismo eram válidos. Os demais partidos, sistemas de governo e teorias de pensamento que divergiam do socialismo serviam apenas para iludir o povo.

Devo ter sido radical em outras coisas, que nem me lembro agora. Em coisas menores, como macarrão não combina com feijão, ou leite só fica bom com café e por aí seguia.

Por que falo disso hoje. Por que estamos no carnaval. Uma festa popular, pagã (?) e que como qualquer outra manifestação sofre interferência econômica, política, cultural, etc. Em vários lugares do país, seja para movimentar os milhares de blocos ou as grandes escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo é necessário o envolvimento de uma comunidade, de pessoas que acreditam num sonho, numa festa, nas pessoas que dirigem o bloco ou a escola.

Nesta época temos aqueles que não gostam de carnaval e temos aqueles que odeiam, por que preferem outra coisa. É uma aversão meio sem explicação. Como gosto de A, não posso gostar de  B. Afinal, como pode uma pessoa de bom gosto(?) gostar de uma festa popular. Uma bagunça!

Eu aprendi, com o passar dos anos, que você pode sim, musicalmente falando, apreciar uma moda de viola autêntica, um bom show de rock, uma apresentação de música clássica, um espetáculo de MPB ou de algum astro POP e manter suas convicções. Você pode perfeitamente ler livros mais densos e se divertir com Paulo Coelho. Mal não lhe fará! Pode até acrescentar algo na sua vida, essa diversificação.

Foi assim, que aos poucos comecei a perceber que nosso mundo é bem mais rico quando a mente está livre pra aprender e conhecer o que temos a nossa disposição.

Continuo ouvindo rock, adoro, pesquiso e aprecio a MPB, tem horas que cai bem uma moda de viola. Em alguns domingos de sol, um samba de raiz anima meu  dia. Um bom reggae eleva o astral. Nesta época do ano, bom mesmo é participar de um carnaval de rua ou no clube de sua cidade. Quem sabe até sair na avenida ou num bloco?

Não importa o que você curte. O que importa é quem você é. E quanto mais você se permite conhecer, degustar, provar, testar coisas novas, mais você tem a oferecer amanhã.

Eu era radical com molhos brancos....Descobri que são bons...

E viva o Carnaval!

CARPE DIEM

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A mão que bate é a mesma que afaga: Diga não a palmada!

Imagine uma criança que tenha entre 3 a 5 anos de idade. Você, papai ou mamãe, ou ambos, são a única referência do mundinho deles. Claro, tem a tia da escola, tem o vovô e a vovó, as titias e os titios e até os priminhos mais velhos. Todos eles! Mas você, papai ou mamãe, ou ambos são os heróis do pequeno ou pequena.

Nesta idade, com um certo discernimento, a criança sabe um pouco melhor o que quer, compreende o que é receber atenção e sabe bem os benefícios dela. Percebe também que se aprontar algumas vezes, os pais a percebe mais. Percebe que se for carinhosa e dengosa com eles, também recebe mais atenção. Assim, entre aprontar e fazer dengos ela conquista  a atenção dos seu pais.

Uma criança entre 3 e 5 anos tem uma altura média de 90 a 110 centímetros e pesa entre 15 e 19 quilos, respectivamente. Traçando um paralelo entre a altura e peso de um adulto em relação a uma criança de  4 anos, por exemplo, é como se, no seu caso, um adulto com 1,70 cm, pesando cerca de 70 quilos, se relacionasse com uma outra pessoa que tivesse 2,90 e mais de 200 quilos.

Imagine esse gigante de 2,90 metros e com mais de 200 quilos apontando um dedo enorme pra você, proferindo ameaças num tom de voz agressivo e numa velocidade que você não pudesse distinguir muito bem o que estava sendo dito. Imagine mais! Agora esse gigante de quase três metros (pra você se situar, essa pessoa seria quase a altura do teto do seu quarto) com sua enorme mão, envolve sua orelha e dá-lhe um torcida, enquanto o levanta para o alto. Você se ergue nas pontas dos dedos dos pés, tentando amenizar a dor do puxão.

O gigante varia a maneira de castigar. De vez em quando você apronta um pouco mais, ele com sua mão gigante ora belisca o seu braço, ora desfere umas palmadas no seu bumbum. Quando aquela mão grande resolve fazer um carinho nos seus cabelos, você acaba lembrando que ela também faz as outras coisas. Isso lhe deixa um tanto quanto receoso.

Outra mania do gigante é a de gritar contigo, às vezes, ameaçando tirar isso ou aquilo de você, caso não se comporte, como ele deseja. Os gritos nem são o maior problema. O pior é você ser obrigado a ficar com o pescoço torto, olhando pra cima, lá no teto do seu quarto, para entender e ouvir bem o que ele pede. Você ainda pensa, consigo: "Se ele pelo menos se abaixasse e falasse um pouco mais baixo e devagar, pra eu entender o que ele quer de mim!"

Uma criança de 0 a 7 anos está formando sua base de crenças e valores. Está construindo  e lapidando sua personalidade e ele será o adulto que você for capaz de moldar. Um filho é o resultado das experiências transmitidas por seus pais. Ele pode vir a ser um adulto generoso, seguro, justo, honesto e feliz. Ele poderá vir a ser também um adulto inseguro, prepotente, violento, desonesto, infeliz. Tudo depende dos pais.

Olhando esse gigante de 2,90 metros, fazendo e agindo com você da forma exemplificada neste texto, você pai, você mãe, consegue ter uma ideia de como seu filho se sente? Quando ao invés do diálogo você escolhe a violência física ou moral para educá-lo?

Diga não a palmada. Diga não aos gritos! Você também já foi criança um dia. Lembre-se disso. E jamais se lamente quando um filho agredi-lo. Talvez tenha sido a maneira que ele considerou mais eficiente para chamar sua atenção.

Como diria o poeta: "A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva."


CARPE DIEM

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Viva com intensidade

Imagine o Sol economizando energia para só para durar mais alguns milhões de anos. A nascente de um rio que de vez em quando deixa de verter suas águas, só pra não faltar amanhã. Uma rosa que abre apenas metade do seu botão, pra prolongar sua vida um pouco mais. Formigas que deixam de carregar suas folhas, abelhas que deixam de produzir mel...

A natureza jamais agiria assim. Afinal ela é obra divina. E como obra divina que é, cumpre o que lhe é determinado. A Natureza é intensa, sem economias. Não poupa nas essências, nas cores, nas manifestações, na sua beleza. Não economiza. A natureza nos dá o que é determinado para tudo que tem vida: Intensidade.

Homens e mulheres também fazem parte da natureza. Também são obras divinas e como ela recebem de Deus o maior dom que poderia receber: A Vida!

O fato de estarmos aqui, neste planeta, de termos nossa inteligência, de podermos nos comunicar, produzir, sentir, demonstrar jã são motivos de sobra para sermos gratos e intensos, todos os dias de nossa existência.

A vida nos pede intensidade! Apenas isso.

Conheço homens e mulheres que são comedidos em comemorações. Seja por que conquistaram uma nova oportunidade de trabalho, seja por que receberam um belo presente dos céus. Tentam racionalizar acontecimentos incrivelmente mágicos. Tentam enquadrar ações da natureza em suas leituras triviais que fazem da vida.

"Calma gente! Isso é só um emprego". 
"Também não é para tanto!" 
"Temos que agir com responsabilidade!" 
"Temos que ser sensatos!" 
"É uma boa notícia! Porém temos que ser ponderados!"

Frases como estas diminuem a grande dádiva que é viver e reduzem o presente que recebemos do alto, em mero acontecimento racional. Transformam a mágica da vida em mero acontecimento banal.

Conheço homens e mulheres que preservam ao máximo suas rotinas, suas posturas em nome do que chamam "equilíbrio". Eu chamo isso de meio quente, meio frio ou de mais ou menos.
Quem vive mais ou menos jamais compreenderá o que a vida pede, em certos momentos: Ela pede intensidade. Quebra de paradigmas e sim, pede para que desçamos do pedestal em que insistimos nos colocar. A vida nos pede sorrisos francos, vibração e lágrimas emocionadas.

Eu conheço homens e mulheres que um dia entenderão que a vida pede um pouco mais deles. E que a vida é como uma comédia, quando se perde o "time" da piada, ninguém mais ri, por que já perdeu a graça. 

Eu conheço homens e mulheres que acreditam que errado mesmo é ser intenso. É se posicionar, sendo contra e mostrar-se indignado com tanta apatia para uma vida só.

Pois é! A Vida nos pede intensidade. E em troca ela nos presenteia com sua mágica, todos os dias.Não viemos até este planeta para sermos mais ou menos. Viemos pra cá, para sermos felizes!

Que possamos cumprir nosso destino! E como diria o poeta: "Viver e não ter a vergonha de ser feliz!"

CARPE DIEM

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Recomeçar - Uma questão de maturidade

Começar algo novo sempre é bom. Tem aquela coisa do mistério, da novidade, do desafio. Um certo arrepio percorre a coluna e um friozinho marca presença no nosso estômago.

Geralmente estamos mais entregue no começo. Estamos mais dispostos e motivados. Começar é uma viagem de tirar o fôlego.

Agora eu pergunto a você, que está aí do outro lado, lendo estas linhas:

O que é recomeçar? O que é necessário para que um recomeço seja feliz?

Recomeço é lidar com algo que já conhecemos e que pode ter sido bom ou não. Recomeço tem a ver com rever antigos paradigmas. Antigos sentimentos. Comportamentos viciados. Recomeçar é lidar com perguntas do tipo:

Será que agora vai dar certo? Será que devo? Será que não vou sofrer mais ou de novo? Será que não será tudo igual ou pior do que já era?

E estas questões podem ser em relação a um trabalho, a uma relação amorosa, a uma amizade, a uma atividade física, enfim. Recomeçar  é sempre revisitar aquilo que já conhecemos um dia.

Por isso, eu diria que recomeçar é uma questão de maturidade. É preciso estar pronto. É necessário estar mais disposto e disponível do que quando estamos para começar. Por que, à primeira vista, recomeçar não nos remete a nada de novo. É mais do mesmo, só que do zero... recomeçando! Falando assim, parece até pior do que o que já vivemos ou vimos. Acredite. Parece, mas não é.

Recomeçar faz parte da vida. Todos os dias recomeçamos. Os dias recomeçam sempre após fecharmos o dia anterior. As semanas recomeçam, os meses, os anos. Recomeçar é abrir  antigos ciclos, com nova visão, nova atitude. É renovar-se. É buscar dentro de si, um novo caminho, uma nova motivação, para fazer coisas já conhecidas.

Acredite mais na vida. Acredite e esteja mais pronto para um acontecimento natural, tão importante quanto as estreias. Esteja pronta para as Reestreias, onde você sempre será o protagonista.

Que venham os recomeços. Que estejamos sempre prontos e maduros para a vida!

CARPE DIEM

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ECOnsciência Urbana

São Paulo finalmente entra de vez na luta contra as sacolas plásticas. Desde o dia 25 de janeiro de 2012, está em vigor a Campanha pelo fim das sacolas nos estabelecimentos comerciais.

Alguns Estados estão na frente de São Paulo, há algum tempo, como é o caso de Minas Gerais, por exemplo. A verdade é que nunca é tarde para se tomar uma atitude. 

As reações das pessoas são as mais variadas possíveis. Algumas ficaram super felizes, por que já vinham praticando o desuso das famosas sacolinhas. Outros aderiram numa boa. Outros reclamam muito. Outros ainda usam desculpas esfarrapadas para tentar invalidar a iniciativa. 

Coisas do tipo: 
  • Como se isso fosse resolver;
  • Deve ter interesse político por trás;
  • Isso coisa dos ecochatos de plantão;
  • E por aí vai!
O fato é que, de certa forma, uma atitude isolada não resolve todo o problema. Agora, se juntos adotarmos algumas práticas mais inteligentes em relação ao nosso meio urbano, muitos serão os benefícios. Desde a incidência de menos enchentes até a limpeza mais eficiente das nossas cidades. 

Tirar os lixos das ruas e dos aterros sanitários traz inúmeros benefícios e principalmente melhora a qualidade de vida de todos nós.

Chegou o momento de sermos mais colaborativos e participativos na nossa comunidade. 

É hora de ECOnciência Urbana!

Comece se informando como funciona, aí na sua comunidade:
  • A coleta seletiva
  • As estações de reciclagens
  • As cooperativas de catadores
  • etc.
Um pouco por dia. Cada um fazendo sua parte. Acho que dá

CARPE DIEM

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Cativar é criar laços

O essencial é invisível aos olhos.


Existem acontecimentos que nos emocionam não pela grandiosidade e sim pela simplicidade, pela forma singela como acontecem. Muitas vezes, um cartão, um abraço, um sorriso sincero ou uma palavra amiga tem a capacidade de mudar a nossa vida. Tudo dado de graça. A alegria e a paz que carregamos, graças aos pequenos acontecimentos são sim, invisíveis aos olhos.

Ontem, dia 24 de janeiro de 2012, por volta das 17 horas e 50 minutos (sim, as pessoas grandes gostam de números e datas como referência para que os fatos se tornem oficiais e registrados) encontramos uma pessoa muito especial. Eu diria que encontramos um privilegiado. Afinal, ele é nada mais, nada menos que sobrinho neto de Antoine de Saint-Exupéry, autor de uma obra fantasticamente cheia de belos ensinamentos, o livro infantil (?) "O Pequeno Príncipe".

Graças a uma exposição que acontece num grande shopping aqui de nossa cidade (Campinas/SP) recebemos a visita de Olivier d'Agay, presidente da Sucession Saint-Exupéry, responsável pelos direitos mundiais da obra.

A exposição, os eventos paralelos à exposição, os objetos baseados na obra, a visita de Olivier, o carinho de Luana e Renato (responsáveis pelos direitos do Pequeno Príncipe no Brasil), enfim, tudo isso pode ser registrado visualmente. Estavam todos lá, com certeza! dezenas e dezenas de pessoas tiraram fotos, levaram lembranças e ouviram o bom francês Olivier.

Agora, o que cada um sente, o que sentimos, o que senti ao cumprimentar e abraçar aquele francês, especialmente abençoado e carismático só é possível se ver bem com o coração mesmo. 

Conheço centenas de pessoas que se conhecem graças a esta obra. Uma comunidade no orkut, um grupo do facebook mantém as palavras do Pequeno Príncipe e sua raposa sempre vivas no coração de cada um. 

Naquele abraço e naquela foto, todos estavam comigo, os mais de 300 membros de um e os quase 500 de outra (sim, as pessoas grandes gostam de números). Por isso, meus cativos, saibam que aquele abraço, foi dado, por cada um de vocês. Foram centenas de cliques, num único clique.

Foi um momento tão curto, porém eternizado aqui dentro, onde guardo o que realmente é essencial.

Merci, Olivier!

CARPE DIEM

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Eu escrevo poesia

Eu escrevo poesia
Como o passarinho voa
Como pinto quando pia
Vagabundo quando à toa
Como a flor lança perfume
Como o peixe em seu cardume
Como a noite ama a lua
Como a estrela lá no céu
Faço verso assim ao léu
Pra animar vida sua

Eu escrevo poesia
Naquele antigo terreiro
Na auroridade do dia
Debaixo do cajueiro
Na cadeira que balança
Minha rima lhe alcança
Tal qual a flecha certeira
Que procura seu destino
Coração em desatino
De uma cabocla brejeira

Eu escrevo poesia
Em busca da boa rima
Em busca do novo dia
Que anuncia novo clima
Trazendo nova esperança
Sorriso de uma criança
Alegria apaixonada
Tudo cabe neste verso
O amor e seu inverso
Cabe o tudo e cabe o nada.

Eu escrevo poesia
Pra falar do bom da vida
Do sol que nos alumia
Do choro da despedida
Do sorriso da criança
Da boa nova, esperança
Da natureza em festa
Da gelada cachoeira
Da moça alegre e faceira
Numa noite de seresta.

Eu cada verso que escrevo
Eu retrato a natureza
Não sei se devo ou não devo
Incluir nele a tristeza
Semeio a simplicidade
Cultivo o amor de verdade
Nos pequenos versos meus
Por isso escrevo com calma
Aquilo que vem da alma
Com esse dom vindo de Deus

CARPE DIEM

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

BBB12 - O que esperar da Globo?

Eu fico impressionado com a capacidade que a Rede Globo tem de confundir as pessoas. Criar suas próprias verdades. Mudá-las, se for preciso, para manter sua dianteira no mercado. Nada demais. Uma empresa vive de resultados. E a Globo é uma empresa. A questão é que esta emissora é uma empresa, que tem como missão comunicar, transmitir informações, tendências e valores.

Um de seus programas de sucesso, que todos os anos, ocupa um espaço em sua grade é o Big Brother Brasil. Está na décima segunda edição. A edição atual apresenta números mais modestos que as edições anteriores, apesar das mudanças que começaram a ocorrer há um certo tempo. Uma delas é mudar o perfil dos participantes: O mínimo de pessoas comuns possível, no que diz a apresentação física, claro. Afinal, tudo é um gigantesco comercial de cerveja. Homens sarados e mulheres com corpos esculturais desfilando com o mínimo de roupa possível.

Cada um assiste o que quer. Fato!

Particularmente não me atrai esse tipo de programa. Porém, como todo brasileiro, não pude deixar de tomar conhecimento de um fato ocorrido no programa, na madrugada de sábado. Um vídeo que circula ainda, apesar do acordo da emissora com um portal de vídeo, com cenas de uma suposta relação sexual entre dois participantes. Até aí nada demais, afinal, depois de uma das tantas festas regadas a muita bebida, música e clima natural(?) de romance, muitos casais acabam se formando. Seja apenas para trocar um beijo, para engatarem um sincero (?) romance ou apenas ficar mesmo. Por uma noite.

Assisti ao tal vídeo, com cerca de sete minutos. E o que aparece neste vídeo é uma cena intrigante. Um casal que inicia algumas carícias, uma mulher que apaga do nada, devido ao alto volume de bebida e energético tomado durante toda a noite e um moço que continua suas investidas apesar do corpo inerte na cama. Tudo isso sob os famosos edredons da tal casa.

Não vou entrar no mérito do que aconteceu ou pode ter acontecido. Só eles sabem e quem estava filmando. A questão aqui é outra. Bem diferente do que rolou entre estes dois. A questão é que tipo de emissora deixa algo assim acontecer. Algo me diz que na dúvida, deve-se intervir. Vamos ver como essa vergonha toda se desenha:

  • Sábado - Festa, bebida, mulheres e homens fisicamente interessantes e interessados, estímulo, confinamento (coisa de circo), madrugada a dentro e o clima mais quente possível.
  • Domingo durante o dia - No dia seguinte, uma participante com dúvida sobre o que rolou e um outro afirmando que não rolou absolutamente nada. Internautas, que ficam 24 ligados (?) denunciam a tal cena. A emissora chama a participante e faz a única pergunta que não se obtém um "Sim", segundo aprendi quando criança: "Você está dormindo?". Ora, s e aconteceu algo com aquela moça, enquanto ela estava apagada, como ela se lembraria? Será que mostraram toda a gravação pra ela? Ou a confundiram mais?Não sabemos. O fato é que a emissora subestimou, mais uma vez, o poder da internet .
  • Domingo à noite - Enquanto os protestos pipocavam nas redes sociais, a poderosa, abria seu programa, com seu âncora pensador e filósofo, com a seguinte pérola: "O amor é lindo!" E apesar da cena ser, no mínimo, duvidosa, nem se pronunciou sobre o caso.
  • Segunda pela manhã - Polícia acionada (interessante que nenhum dos familiares da moça se manifestou), depoimentos tomados e mudança de comportamento da moça. De desconfiada, a feliz.
  • Segunda à noite - O âncora-pensador-filósofo solta um comunicado oficial, e evasivo sobre a exclusão do participante envolvido no caso, por quebra de conduta. Engraçado que o amor era lindo, na noite anterior, segundo o próprio apresentador.
Eu sinto vergonha por essa moça, por este rapaz, por todos aqueles que passam por um programa destes. Pessoas que se sujeitam a situações vexatórias em troca da possibilidade de ganhar uma alta quantia, a oportunidade de aparecer numa revista masculina ou obter um período de fama, após a saída do programa. As famílias destes dois não merecem isso.

O pior é que deturparam uma máxima: As imagens não mentem. Nesta emissora é o único lugar onde as imagens não mostram o que mostram. 

Bem! Todos trabalham duro e fazem apenas sua obrigação. Eu pergunto, diretamente para aqueles que estavam no controle das filmagens daquela madrugada. Com inúmeros ângulos da mesma cena, à sua disposição:

- Se fosse a filha, a esposa, a irmã de um de vocês, na dúvida, vocês continuariam achando que não foi nada demais e deixariam esta cena seguir em frente?

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sair de cena

Em alguns momentos na vida precisamos sair de cena. Faz bem. Seja para realinhar as ideias antigas, seja para buscar novas ideias. Em algumas datas esse realinhamento é quase coletivo, como numa virada de um ano para o outro. Ou numa noite de Natal, para aqueles que congregam da mesma crença. Então, por natureza, vivemos acostumados aos ciclos.

Sair de cena muitas vezes é importante para se enxergar uma situação com maior isenção. 

Sair de cena também é importante para compreender um pouco mais de nós mesmos e do outro.

A escrita, para mim, é uma extensão da minha vida. Eu sou fascinado pela palavra e pelos significados que ela adquire a medida que a manipulamos. Encaixa-se uma palavra aqui, outra ali e uma frase nasce, com toda sua magia e encanto. 

Por isso saí de cena, por um período, a palavra me fascinava tanto, que quase me perdi dentro dela. Hoje estou aqui. A palavra também. Que sejamos felizes...

Até o próximo fim de um ciclo...

É bom estar de volta... sempre é bom!

CARPE DIEM 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Tempos Modernos

Quem nasceu na década de 80, conheceu a internet, mais ou menos nos moldes de hoje, na sua adolescência. Já quem nasceu na década de 90, conviveu com a internet desde a infância. Os nascidos no novo século, pensam virtualmente.

No final do século XIX e início do século XX, o cinema foi a grande revolução da linguagem visual e como diria o meu amigo Luiz Biajoni, "Aprendemos a sonhar com o cinema. Os nossos sonhos tornaram-se muito mais dinâmicos  criativos após o advento do cinema". O mundo é como conhecemos graças ao cinema. Acreditem!

Pois bem. Uma nova revolução, agora na comunicação global, se processa desde o final do século passado. E se com o cinema aprendemos a ver o mundo e aprendemos a sonhar. Com o advento da web aprendemos a nos comunicar e principalmente a processar a informação de uma forma infinitamente mais dinâmica.

A forma como a nova geração encara a informação é digital. Aqueles que nasceram até a meados da década de 80 são totalmente analógicos e no fundo tentam se adaptar, com menos recursos, obviamente, a uma nova revolução global - a consolidação da internet.

Enfim, ao longo de um século, fechamos um ciclo, unindo o dinamismo do cinema (imagem) a velocidade da comunicação (web).

Muito se especula é claro. Dizem que essa nova ordem, afasta e aliena as pessoas, destrói pensamentos mais elaborados, cria leitores de manchetes. Por outro lado, aumenta o acesso à informação, amplia conceitos de liberdade e dinamiza a comunicação e as ações. Prefiro que cada um conclua por conta própria. É melhor assim.

O fato é que graças a esta nova forma de se comunicar é possível, por exemplo, escrever um cordel (Tempos Modernos) que fala um pouco sobre essa mudança (seus prós e contras), em pouco mais de duas horas, parceria de pai (Asa Branca do Ceará) e filho (Samuel Quintans), onde um dos lados está há mais de 3 mil quilômetros do outro. 

Também graças a web, conseguimos disparar eventos entre amigos reais, que se um dia foram virtuais, se tornam mais palpáveis a cada encontro, como este. 

E por fim é graças a estes tempos modernos que uniremos hoje, aqui em Campinas, no Empório Gabriel, a situação A (a parceria de um cordel) com a situação B (encontro de amigos). 

Certamente será uma grande celebração, regada a um bom papo, ao vivo e em cores, temperada  com poesia.

Sejam todos bem vindos aos Tempos Modernos.

CARPE DIEM 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Starbucks e cena chocante (do deslumbre ao desnecessário)

 Na última segunda-feira estive num shopping da cidade em que moro, próximo da hora do almoço. Primeiro uma experiência legal que foi tomar um café na Starbucks. Tudo personalizado, o café saboroso, o ambiente agradável com um aroma característico de uma cafeteria, ao fundo um bom jazz, no volume certo e pra fechar ao lado da companhia perfeita. Podemos afirmar que está é a melhor maneira para se fechar um almoço.
...
Corta!

Nova cena...

Na saída do shopping, estávamos seguindo animados, ainda pelo efeito do café e do ambiente, até o estacionamento do mesmo e uma cena nos  choca: Uma criança com uma coleira. Na verdade não era bem uma coleira. Era uma guia. Sim, como aquelas de cachorro mesmo. Só que presa numa bolsinha toda meiga

Fico boquiaberto e pra ser sincero, sem ação. Como costumo dizer, fiquei passado mesmo! Na minha cabeça, uma pergunta martelava: “Há que ponto chegamos?”

Eu já até tinha ouvido falar sobre tal situação, já lera em algum lugar e lembro-me bem de ter visto num destes filmes de comédia.  E no tal filme a situação era tratada mesmo como humor negro. Então, podemos supor que também é algo que choca até no cinema.

E a mãe calmamente com a guia enrolada em uma das mãos e  esta presa numa bolsa de bichinho, toda fofa e  o menino deveria ter um ano e meio, dois anos, no máximo. Ela puxava o pequeno pra lá e pra cá. Ele bem mansinho (perdoe-me o trocadilho), quer dizer, bem quietinho, andando na frente dela.

Onde estamos? O que pensam estes pais de hoje? Imaginem essa criança lembrando, no futuro, que andava de coleira pelo shopping? E quando a criança dispara, será que arrasta a mãe tal qual cachorro sapeca? E ela? E quais seriam os comandos da mãe? “Menino, pare já!” “Sentado!” “Agora!” “Pare agora!”

Na hora lembramos de uma das cenas, do filme Planeta dos Macacos - A Origem, lançado agora em 2011, quando o cientista Will (James Franco)  passeia no parque, com Cesar preso numa coleira. Detalhe importante, Cesar é um símio inteligente.

Já imaginaram as mães combinando um programa para o dia seguinte:

- Você vai levar o Luis para passear? Qual é a marca da “guiazinha” dele. Fiquei curiosa! É tão bonita e discreta, nem parece coleira!

- Ah! Querida, trouxe de Miami. Se quiser posso te repassar uma para a Priscila. Ela é rosinha e vem com uma bolsa-ursinho que é uma graça! Você vai amar. Afinal, somos tão amigas!

Pois é. Esta conversa é totalmente possível de acontecer ou de estar acontecendo em algum lugar do país...

Cá entre nós...Tem algo errado com alguns pais modernos. O que serão destes filhos?

Para se inteirar mais e ver os dois lados da questão clique aqui.

...
Em tempo: Meus quatro filhos nunca precisaram de coleira e sim, todos foram pequenos e sapecas um dia.

CARPE DIEM

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A falta de Conexão.

No sobe e desce das grandes avenidas, pessoas apressadas circulam, cruzando umas com as outras. Mais parecem formigas desorientadas com suas pequenas cargas diárias indo em busca, desesperadamente, do seu formigueiro. O que as difere das formigas, neste caso, é a total falta de percepção em relação ao outro. No caminhar apressado, cada um preocupa-se consigo e embora estejam cruzando tais avenidas, encontram-se muito distantes daquele lugar.
...
Algumas pessoas pensam no que farão quando chegarem ao seu destino, outras no que fará após o expediente, outras ainda, pensam nos compromissos assumidos, nos amores perdidos, nas infelicidades diárias e assim por diante. O lugar onde elas menos estão é onde mais deveriam estar: naquela avenida específica, atravessando-a.
...
Neste sobe e desce não se desperdiça tempo com sorrisos, cumprimentos e gentilezas. Tudo é cronometrado e esbarrões, sem pedido desculpas,  acontecem com frequência. É aquele senhor de idade que é deixado para trás, aquela senhorinha andando devagar que praticamente é atropelada por outras pessoas que cruzam com ela.
...
A criança que a mãe puxa pelo braço, querendo impor um ritmo de passada que ela ainda não é capaz de acompanhar. Então, seu bracinho é puxado e ela reclama. E leva bronca.
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Pessoas alienadas e despreparadas para o convívio, conduzem seus veículos irresponsavelmente, jogando-os sobre as pessoas apressadas e ignoram as faixas sinalizadas para a travessia de pedestres. Buzinas, reclamações, xingamentos. Ouve-se de tudo do interior do veículo. Nas ruas, pedestres praguejam ou protestam contra à falta de respeito e também revidam, com má educação, atravessando em qualquer ponto da via.
...
Nas paradas de ônibus pessoas vão para todos os lugares e  passam ônibus lotados vindos de todos os lugares, que ao pararem ficarão ainda mais lotados. É o milagre do redimensionamento do espaço. O que já está cheio, consegue-se encher mais ainda e ainda terá que ter espaço suficiente pra atender as demais paradas.
...
Passageiros veteranos e graduados em ônibus lotados sobem praticamente atropelando pessoas com menos treino e com dificuldades de locomoção. E nestas paradas acontece de tudo, cotoveladas, apertos, falta paciência e de educação. Pessoas idosas em pé e bancos reservados para elas, com pessoas jovens. O trocador do ônibus, ocupado, finge que não vê. A pessoa sentada ignora a que está em pé.
...
Neste aperto todo, cada um com seu fone no ouvido, escutando alguma coisa de sua preferência. Ruídos de todos os lados formam algo muito próximo a Torre de Babel. Também nos ônibus as pessoas se isolam com seu fones, que mais parecem “teletransportadores” de pessoas. Afinal, elas não estão mais ali. Estão na estação de rádio do celular. Alguns atendem, fazem ligações telefônicas e compartilham com os demais passageiros, as suas dificuldades, suas conquistas, suas frustrações, suas ideias e cada um, faz um julgamento particular daquela conversa toda.
...
Lixos espalhados pelas ruas, praças mal cuidadas, trânsito caótico e desrespeito humano. Falta de diálogo e interação, neste movimento caótico de uma grande cidade. A verdade é que na era da conexão, vivemos desconectados.
...
Reconecte-se!
...
CARPE DIEM!

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de Setembro - 10 anos depois...


Há dez anos atrás filhos, irmãos, pais e mães saíram para trabalhar e não voltaram
Enquanto isso:

Filhos brincavam normalmente em casa
Esposas esperavam
Pais ansiosos sofriam
Deus ficou abismado com o que fazem em seu nome
11 de setembro de 2001 - um dia para esquecer... ou para sempre ser lembrado.

Quantos heróis anônimos nasceram da solidariedade, da fragilidade humana. Apesar da intolerância religiosa, Deus se fez presente neste dia, amparando os sobreviventes e consolando aqueles que perderam pessoas queridas.

Lembro-me que neste dia eu estava voando pelo Brasil, trabalhando, quando chegou a notícia inacreditável de que um atentado estava sendo concretizado em solo americano. Perplexos eles. Perplexos o mundo inteiro. A pergunta que me fazia era de como alguém poderia arquitetar algo assim e mais, dizer que era em nome de Deus.

E peço licença ao islã e outras religiões fundamentalistas para falar da intolerância. Em primeiro lugar, saibam que respeito muito a religiosidade e a fé de cada um. Todos têm o direito de acreditarem naquilo que conforta-os.

Ninguém tem direito de tirar a vida de outrem, em nome disso. Ninguém tem direito de tirar a vida de um pai e aplacar os sonhos de um filho que ficou em casa. Esse Deus, dos radicais, tenho certeza que não é o mesmo Deus descrito no Alcorão ou no Velho Testamento.

Ninguém tem direito de humilhar, extirpar a honra de alguém, apedrejar uma pecadora(?), como se alguém fosse o guardião da retidão, da honestidade e da ausência de pecado (pra quem acredita nele). Somos todos aprendizes aqui e ninguém tem o direito de apontar este ou aquele.

Neste dia, lembremos bem do que somos capazes, quando ficamos cegos pela vingança, pelo ódio e pela intolerância.

Lembremos o quanto somos capazes de ser generosos para salvar a vida de semelhantes.
Lembremos o quanto podemos fazer um mundo melhor
Lembremos de cada uma das vítimas, familiares e voluntários que vivenciaram aquele 11 de setembro.

Oremos....

CARPE DIEM  

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Retalhos da Menina Rosa (ou Conto das cores)

Era uma vez uma menina rosa, que tal qual sua pele, achava que a vida sempre seria dessa cor e desta forma, andava toda serelepe pelas alamedas de sua cidade encantada.

Vivia num conto também da cor da sua pele e para ela tudo se resumia a esta cor. Até o seu céu, quando despertava, ficava cor de rosa!

Um dia ela conheceu alguém, que se não era pintor, no mínimo tinha o dom de deixar pra ela, tudo na cor que ela mais gostava e isso a fazia muito feliz. Assim, os dias cor de rosa seguiam bem tranquilos. Realmente era uma vida perfeita.

Certo dia, ela recebeu uma noticia um tanto quanto cinza e as coisas para ela foram escurecendo, escurecendo e as nuvens ficaram bem negras, como carvão. Uma tempestade anunciada bem no fundo dos seus olhos, que aos poucos ficaram turvos e como chuva, num céu cinzento,  lágrimas transparentes e salgadas mancharam seu rosto com várias cores. Afinal, sempre que acordava coloria sua pele rosa, para ficar ainda mais iluminada.

Ela descobriu, que para uma menina cor de rosa a vida reservara algumas peças multicoloridas. Seu pintor encantado, na verdade, não era só seu. Ela descobrira, de forma nada cor de rosa, que seus pincéis, sua paleta, seu cavalete, suas telas e molduras eram de todas e não somente dela. Seu sonho, que era da cor da sua pele, de uma hora para outra se transformou num pesadelo, que transitava entre o roxo  e o grafite. Pela primeira vez, ela descobria que traição tinha cor. E não era aquela que ela mais gostava, com toda certeza.

Naquele dia de céu azulado para nós e rosa para ela, sua vida foi passando como um filme bem diante dos seus olhos, como num cinema antigo, em preto e branco. Numa esquina qualquer, em frente a um prédio antigo, de fachada bege, misturada à sujeira do tempo, ela chorou, gritou e só foi reconhecida por uma único detalhe, seu rosto continuava rosa! Um tanto avermelhado, é fato. Mas ainda lembrava aquela menina de pele rosada e isso era muito bom! 

Sob aquela nuvem negra ainda existia uma menina e ela continuava cor de rosa.

Num belo dia aquela menina voltará a ser rosa e sua vida também. Com certeza ela voltará a acreditar no amor e provavelmente ela comece a apreciar novas cores... 

Inspirado em fato real relatado por Sun Moretti.

CARPE DIEM

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Desejos

Hoje eu desejo o simples.
O canto dos pássaros
O vento no meu rosto
O sorriso de criança
Desejo saltar este muro
que me atrapalha a visão
Desejo encontrar o que me falta
Desejo pertencer aos que me ama
Desejo poder sonhar
E mais que contar os meus sonhos
Eu desejo compartilhar
Dividir
E fazer com que se apaixonem
Por este meu desejo

No fundo eu desejo ser grato
Pelas pessoas
Por todos nós
Por tudo isso!

E que essa inquietude se transforme em paz
E que finalmente eu descanse
Nos braços da mãe generosa
chamada vida!

CARPE DIEM 

sábado, 3 de setembro de 2011

Por do Sol e os sinais da natureza

Por do sol no sertão - Monteiro/PB
No final de tarde, quando a mata se prepara para recolher-se, chamando seus habitantes nativos para casa, o por do sol é o sinal escolhido para essa missão. E seja lá quem viva nela, de insetos aos homens, todos sem exceção, uma vez que a escolheram como lar devem atender ao chamado. Ao mesmo tempo, os estrangeiros da mata começam a bater em retirada, procurando seus lugares de origem.

Na mata, permanecem apenas aqueles autorizados por ela. É assim que deve ser, assim que sempre foi e assim que sempre será.

Enquanto nós, homens, alteramos o nosso ritmo a natureza continua imutável. Por mais que interfiramos no seu equilíbrio, dentro dela, no seu íntimo ela continua sendo a natureza que sempre foi.

Quando o sol começa a se esconder atrás das serras, dourando vales, cerrados e caatingas, um balé de aves no céu, voltando aos seus ninhos começa a se desenhar. No solo, barulhos de pegadas de pequenos e grandes bichos seguindo rumo às suas tocas. Insetos noturnos começam a surgir, ora iluminando a mata, como os vaga-lumes, ora cortando o silêncio com o som dos seus barulhos, como as cigarras, grilos e tantos bichinhos barulhentos.

As corujas, os morcegos e alguns predadores de hábito noturno saem de seus esconderijos e de sua pasmaceira diária para finalmente explorar a noite das matas, atrás do alimento.

O por do sol é o divisor destes hábitos. O por do sol é o divisor da rotina dos moradores da mata.

Aqui na cidade, insistimos em ignorar a sabedoria da natureza. Deixamos inclusive de perceber que o por do sol  existe. Trancados em nossos escritórios, resolvendo coisas imprescindíveis, insolúveis e inadiáveis. Não voltamos mais para os nossos ninhos, nos jogamos na noite como corujas e predadores. Queremos ser seres do dia e da noite. A natureza sabe que isso não faz bem. Nós ainda não.

A natureza vive nos ensinando pequenas e valiosas lições. Quiçá aprendamos algo com o por do sol.

Aliás! Hoje o dia por aqui está super ensolarado! Certamente teremos um belo por do sol no final de tarde... E por aí como o dia amanheceu?

CARPE DIEM